A. ORTAM OLARAK DİL VE GELENEK
A.2. Varlığın Temeli Olarak Dil
A.2.1. Araçsal Dil Eleştirisi ve Dilin Ontolojik Boyutu
As várias contagens realizadas para o cálculo das freqüências dos termos e dos grupos criados na análise facetada buscaram avaliar aqueles mais relevantes para a descrição do conteúdo ou assunto das teses e dissertações que constituíram a massa documental de análise. Deve-se destacar que a classe mais relevante, entre todas aquelas criadas, é a que lista as “categorias de fenômenos e processos humanos e sociais”. Na primeira bibliografia, ela possui o maior número de termos (39), a segunda maior freqüência absoluta, muito próximo da primeira (419 a 426) e o maior número de termos entre os mais relevantes (17).
Apenas sua média de freqüência dos termos é baixa, alcançando a sétima posição (10,74). Isso indica que, embora seja uma classe com muitos termos, grande parte destes é pouco relevante. Há, contudo, quantidade suficiente de termos bastante relevantes para a área, a ponto de esta ser a classe com maior número de termos relevantes.
A contagem da segunda bibliografia confirma esses resultados. Essa classe possui o maior número de termos (75, muito maior do que o de qualquer outra das classes), maior freqüência absoluta de termos (717, também muito maior do que o das outras classes) e o maior número de termos entre os mais relevantes (27, mais uma vez um número bem superior ao das demais – a segunda maior freqüência é 12). A média, mais uma vez, é mais baixa, apenas a quinta (9,56), o que não chega a comprometer o resultado que mostra uma grande quantidade de termos muito relevantes e a relevância da classe como um todo. Essa classe foi construída, como já se esclareceu, com termos que não são internos ou particulares ao campo da comunicação, mas sim que constituem objeto de várias ciências, são fenômenos e entidades presentes na realidade – termos como saúde, esportes, moda, cidadania, sindicalismo, violência. Braga, argumentando sobre a constituição do campo da comunicação, ressalta a existência de temas transversais:
Note-se que outros temas ocupam igualmente o interesse de várias disciplinas – por exemplo – a violência, o trabalho, o sexo, o discurso, a tomada de decisões. Em várias disciplinas, estes temas surgem e simplesmente se encaixam na ordem de preocupações dominantes de cada campo, aí bem integradas. Ou seja, ainda que transversais a vários campos, estes diversos temas são facilmente subsumidos ao ângulo de interesse de cada disciplina (BRAGA, 2001, p. 13). Ou seja, esse conjunto de termos não define ainda a comunicação, exatamente por se compor de termos externos ao campo, mas, como mostrou a análise facetada, constitui uma forma produtiva de dividir o campo. Note-se que, normalmente, esses termos dizem respeito ao assunto ou conteúdo daquilo que está sendo comunicado (noticiário sobre educação, sobre saúde, sobre violência; programas televisivos sobre moda, sobre política, sobre religião). Mas não só. Algumas vezes dizem respeito a como um fenômeno comunicativo se relaciona com uma outra dinâmica da sociedade (com o cotidiano, com a cidadania, com os movimentos sociais), com alguma instituição (ONG, biblioteca, museu, universidade) ou instauram, imbricam-se ou ativam certos fenômenos ou processos (inconsciente, memória, sedução, imaginação, mito). Nesse segundo sentido, os termos apontam para a existência de uma interface, “comunicação e...” alguma coisa. Conforme
atenta Braga, pois, trata-se de um conjunto de temas da realidade, temas que suscitam o interesse de várias disciplinas, que não são objetos de estudo específicos do campo da comunicação (nenhuma definição de comunicação, como se verá detalhadamente adiante, inclui esse tipo de termo nos enunciados), mas que são relevantes para uma caracterização interna do campo da comunicação.
Pode-se considerar, ainda, que “categorias e classes de pessoas”, embora tenha formado um outro conjunto, tem com a área de comunicação uma relação semelhante à da classe de categorias de fenômenos e processos humanos e sociais. Ela constituiu uma classe separada por ter termos que formavam, juntos, um outro conjunto e, embora muitas vezes se referisse mais aos sujeitos interlocutores no processo comunicativo, também possui uma forte utilização no sentido de conteúdo ou assunto do que está sendo comunicado – propaganda sobre adolescentes, noticiário sobre índios, música sobre a mulher, etc. Esse fato apenas indica um potencial aumento da importância da classe “categorias de fenômenos e processos humanos e sociais” para a organização da área de comunicação, tomando-se como base um conjunto de teses e dissertações.
A segunda classe de termos mais relevante é a que reúne “ciência, disciplinas e teorias”. Na primeira bibliografia ela é a classe mais importante, possuindo a maior freqüência absoluta de ocorrência de termos (426) e maior média de ocorrência (17,04), além do segundo maior número de termos (25) e de termos mais relevantes (11). Stumpf e Capparelli, comentando os resultados de uma contagem semelhante de freqüências desta primeira bibliografia, constatam que
Verificou-se, assim, que aqueles temas que criam interfaces com a Comunicação, como Semiótica, Literatura, Arte e Educação aparecem com prioridade. Conforme tivemos oportunidade de afirmar em trabalho anterior, “(...) já se esperava que o campo da Comunicação iria exibir uma profusão de enfoques, de perspectivas teóricas e de objetos de estudo também na produção científica do corpo discente.” (CAPPARELLI; STUMPF, 1998, p. 129), porém não esperávamos que esta multidisciplinaridade suplantasse os temas tradicionais da Comunicação, como Jornalismo, Televisão, Telenovela, etc (STUMPF; CAPPARELLI, 2000, p. 247).
Na segunda bibliografia, essa classe mostrou uma importância menor, mas o suficiente para constituir-se essencialmente relevante: possui o segundo maior número de termos (34) e o terceiro maior número de termos entre os mais relevantes (10), de freqüência absoluta de ocorrências (426) e de média de ocorrências (12,52). Essa classe agrupa termos que
designam ciências, disciplinas e teorias (sem fazer distinção entre esses níveis, entre suas hierarquias e sobreposições), o que aponta para uma composição interdisciplinar do campo. Sobre a “natureza interdisciplinar” do campo, comenta Braga:
O conceito de interdisciplinaridade pode significar duas coisas, acredito: a primeira corresponde à percepção de que um campo de estudos hoje se vê inevitavelmente atravessado por dados, conhecimentos, problemas e abordagens concebidos e desenvolvidos em outras disciplinas e/ou tecnologias. Nesse caso, todos os campos de conhecimento são “interdisciplinares”, ou seja, não têm existência isolada, estanque (...) Um segundo sentido é o da referência a um espaço nítido de interface, em que um determinado âmbito de conhecimento se faz na confluência de duas ou mais disciplinas estabelecidas – por exemplo, a Psicossociologia, a Sociologia Jurídica, a Bioquímica (...) Entretanto, parece-nos que é em um terceiro sentido (vago e pouco refletido) que a expressão é freqüentemente usada em sua “explicação” do que seja o Campo da Comunicação. É como se este fosse uma espécie de terreno vazio, sem outra existência senão pelo fato de que todas as disciplinas humanas e sociais tivessem alguma coisa a dizer sobre o tema (BRAGA, 2001, p. 12-13). Na visão do autor, pois, a existência de uma série de interfaces com outras áreas do conhecimento não significa um esvaziamento do campo da comunicação, mas apenas que o movimento da área enquanto campo de pesquisa tem sido mais relevante no sentido de estabelecer interfaces do que de voltar-se para seus elementos e conceitos internos.
Ao mesmo tempo, a presença desta classe como a segunda mais relevante para a organização do campo aponta para um segundo critério de organização temática da comunicação também composto por termos externos a ela: no caso, outras ciências, disciplinas e teorias.
Quanto aos termos que compõem essa classe, pode-se perceber que nem todos são externos à comunicação – afinal, a análise facetada apenas agrupou termos de natureza semelhante. Os termos “comunicação”, “comunicação – teorias” e “teorias da comunicação”, bem como “agenda setting” e “análise de conteúdo”, são internos à área, mas possuem uma freqüência praticamente insignificante em relação aos outros termos que compõem a classe.
Uma terceira classe também mostrou-se bastante relevante para a descrição de assuntos da área de comunicação: a que agrupa termos relativos a “meios, veículos e suportes da comunicação”. Na primeira bibliografia, esta classe obteve o terceiro maior número de termos (23), de ocorrência absoluta dos termos (340) e de média de ocorrência (14,78), com a segunda maior quantidade de termos entre os mais relevantes (11). Na segunda
bibliografia esta classe teve sua relevância aumentada: alcançou a segunda maior freqüência absoluta de ocorrência dos termos (488) e maior média (18,07), além do terceiro maior número de termos (27) e segundo maior número de termos entre os mais relevantes (12). Os resultados apontam que os termos desta classe são muito relevantes (pela grande quantidade destes presentes entre aqueles com maior ocorrência) constituindo, pois, termos essenciais para a organização temática do campo.
Outros três grupos de termos vêm logo a seguir, em ordem de importância, alcançando resultados parecidos. “Fazer profissional na área de comunicação” obteve, na primeira bibliografia, quarto maior número de termos (22), quinta maior freqüência absoluta (220), oitava média (10) e quinto maior número de termos entre os mais relevantes (6). Na segunda bibliografia manteve resultados parecidos: quarto maior número de termos (22) e de média (11,5), quinta maior freqüência de termos (253) e sexto maior número de termos entre os mais relevantes (5).
Já a classe relativa aos “produtos da comunicação” obteve, na primeira bibliografia, o quinto maior número de termos (16) e quarta freqüência absoluta de termos (224), média (14) e termos mais relevantes (7). Na segunda bibliografia diminuiu um pouco em importância: quarto maior número de termos (22) e termos relevantes (7), sexta maior freqüência absoluta (183) e média (8,31).
E “dimensão simbólica da comunicação” apresentou, na primeira bibliografia, sexto maior número de termos (9), freqüência absoluta (143) e termos relevantes (4). Obteve, contudo, segunda maior média (15,88), mostrando que, embora tenha poucos termos, eles são muito relevantes. Esse resultado se confirmou na segunda bibliografia, um pouco melhor: sexto maior número de termos (17), quarto maior número de termos relevantes (7) e freqüência absoluta (292), e a segunda média (17,17).
Outros quatro conjuntos de termos vêm a seguir, em ordem de importância, alcançando valores entre a sétima e a décima posições em relação ao total de classes, nas várias contagens realizadas. Esses grupos são: “tipos de comunicação”, “processos da comunicação”, “dimensão social da comunicação” e “classes de pessoas”.
Por fim, podem ser listadas as demais classes, que alcançaram resultados inexpressivos em termos de representatividade para a área. Aqui se incluem as classes que possuem termos referentes a objetos individuais - mesmo a classe “produtores de peças”, que obteve, na verdade, o maior número de termos, é composta em sua totalidade por termos com
relevância baixíssima e mesmo insignificante, representando na maior parte dos casos apenas uma tese ou dissertação.
Enfim, a síntese dos resultados a que se chegou a partir da quantificação da ocorrência dos termos e a indicação da relevância de cada uma das classes criadas podem ser visualizadas no QUADRO 2:
QUADRO 2
Grupos de termos mais relevantes para a área de comunicação, baseados na freqüência de uso dos termos presentes nos índices de STUMPF; CAPPARELLI, 1998 e STUMPF; CAPPARELLI, 2001 Grupos de termos
mais utilizados Segundo conjunto de grupos de termos mais utilizados Terceiro conjunto de grupos de termos mais utilizados Grupos de termos menos utilizados Tipos de comunicação Gêneros/estilos
artísticos Técnicas/métodos Categorias de fenômenos e processos humanos e sociais Fazer profissional na
área de comunicação Dimensão social da
comunicação Instituições de comunicação Produtores de peças Ciências, disciplinas e teorias Produtos da comunicação Processos da
comunicação Pessoas estudadas
Teóricos Instituições Meios, veículos e suportes da comunicação Dimensão simbólica da comunicação Classes ou categorias de pessoas Locais
A realização da análise facetada aponta, pois, como critérios mais relevantes para a organização de documentos da área de comunicação, sua divisão em relação: às categorias e processos humanos e sociais; às ciências, disciplinas e teorias de interface; e, por fim, aos meios, veículos ou suportes da comunicação. A análise facetada evidencia, ainda, que não se deve descartar o potencial de outras classes (como o fazer profissional, os produtos da comunicação e a dimensão simbólica da comunicação), enquanto outras são claramente insignificantes para a organização dos assuntos da área (principalmente aqueles ligados a objetos individuais).