KREDø RøSKø AZALTIM TEBLøöø
MADDE 30- (1) Özel netleútirme sözleúmelerine konu her bir menkul kÕymet veya emtia türünün net pozisyonu, bu türün pozitif pozisyon
O imposto de importação tem, no ordenamento tributário brasileiro, um papel eminentemente extrafiscal, vale dizer, seu interesse maior não é a arrecadação de recursos para o Estado, mas sim a regulação das atividades relacionadas ao comércio exterior, que, evidentemente, têm claro reflexo no desenvolvimento da economia e da indústria nacionais.
O caráter extrafiscal na tributação, informa Alfredo Augusto Becker, seria uma necessidade estatal que se relacionaria com a restituição à pessoa humana de sua dignidade (2010, p. 631), elevando grandemente o papel desse tipo de tributação na ordem jurídica. Para Ruy Barbosa, a extrafiscalidade se insere na realidade dos Estados a partir do século XX, através de uma transformação das funções deste, abandonando o laissez-faire, laissez-passer, e adotando uma postura intervencionista. Ainda, informa com maestria o doutrinador:
"Esta intervenção, no controle da economia, é realizada pelo Estado sobretudo por meio de seu poder impositivo. É, pois, no campo da Receita, que o Estado transforma e moderniza seus métodos de ingerência. O imposto deixa de ser conceituado como exclusivamente destinado a cobrir as necessidades financeiras do Estado. (BARBOSA, 1990, p. 188-189)
Especificamente em relação ao Imposto de Importação, são palavras de Hugo de Brito Machado (2003, p. 266):
Predominantemente, no imposto de importação, é sua função extrafiscal. Ele é muito mais importante como instrumento de proteção da indústria nacional do que como instrumento de arrecadação de recursos financeiros para o tesouro público.
Kiyoshi Harada (2007, p. 36) traz uma lúcida explanação sobre a função do Imposto de Importação e o tratamento que lhe é conferido pela Constituição Federal de 1988:
Tratando-se de impostos próprios para regular o comércio internacional, sempre sujeito às oscilações conjunturais, e para disciplinar a política cambial, acham-se desvinculados do princípio da anterioridade tributária, a
fim de propiciar ao governo da União flexibilidade no exercício do poder ordinatório, por meio desses impostos.
Do trecho acima já sobressai uma característica marcante do Imposto de Importação, compartilhada pelo Imposto sobre a Exportação, que é a fuga ao previsto no art. 150, III, “b” e “c”, da Constituição Federal de 1988. Os referidos dispositivos, como se sabe, revelam duas limitações ao poder de tributar: a anterioridade de exercício e a anterioridade nonagesimal, preceitos que buscam evitar a surpresa ao contribuinte.
Sendo exceção à primeira limitação, as alterações legislativas mais gravosas no tratamento do Imposto de Importação podem emanar efeitos no próprio exercício em que foram editadas. Ainda, considerando que também é exceção à anterioridade nonagesimal, a instituição ou majoração do Imposto de Importação surte efeitos imediatos, não se sujeitando ao prazo de noventa dias.
Continuando a análise legal do tributo, afirma o art. 21, do CTN, por sua vez, que “O Poder Executivo pode, nas condições e nos limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas ou as bases de cálculo do imposto, a fim de ajustá-lo aos objetivos da política cambial e do comércio exterior.”.
O dispositivo, por força do art. 153, §1º, da CF/88, foi recepcionado apenas parcialmente, pois o referido texto constitucional informa que é “facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I (Imposto de Importação), II, IV e V.”. Ou seja, a mudança da base de cálculo demanda lei, e não qualquer ato do Executivo. Neste sentido: “o Executivo não mais pode alterar as bases de cálculo desses impostos, como no sistema constitucional anterior, mas tão-somente as suas alíquotas, atendidas as condições e os limites fixados em lei (CF, art. 153, §1º)”. (HARADA, 2007, p. 36).
Para Leo e Ricardo Krakowiak, conforme lições trazidas em obra organizada por Ives Gandra da Silva Martins (2006, p. 579/580), essa questão também se relaciona ao cumprimento de acordos internacionais:
A razão de ser dessa importante modificação certamente tem relação com a aprovação, pelo Congresso Nacional, do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (Código de Valoração Aduaneira e seu Protocolo Adicional, promulgado pelo Decreto n. 92.930/86, posteriormente revogado pelo Decreto n. 1.355/94, que o substituiu).
De fato, o legislador constituinte, atento ao princípio segundo o qual pacta
sunt servanda, tendo em conta ter o Brasil ter celebrado o referido Acordo
Internacional dispondo rigidamente sobre a base de cálculo, reconhece ser incompatível com aquele delegar competência ao Executivo para alterar as bases de cálculo dos impostos em causa, na medida em que qualquer alteração nestas discreparia daquele objeto do Acordo Internacional, que é de nossa tradição respeitar, tanto que os direitos decorrentes de Tratados Internacionais foram expressamente assegurados pelo §2º do art. 5º da Constituição Federal, além de sua observância especificamente em matéria tributária estar expressamente resguardada pelo art. 98 do Código Tributário Nacional.
Desta forma, a alíquota do Imposto de Importação, por autorização do art. 153, §1º, da CF88, pode ser alterada pelo Poder Executivo mediante atos normativos.
É de se observar, contudo, que além de outros princípios que guiam o Direito brasileiro, como a razoabilidade, proporcionalidade, capacidade contributiva e a vedação ao confisco, há normas como aquela prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 3.244, de agosto de 1957, a qual também regula o Imposto de Importação. Conforme o precitado dispositivo, a majoração de alíquota na maioria dos casos não pode ultrapassar 30% ad valorem.
As hipóteses em que há esta restrição ao poder de tributar estão previstas as três primeiras alíneas do artigo 3º daquele diploma, verbis:
Art.3º - Poderá ser alterada dentro dos limites máximo e mínimo do respectivo capítulo, a alíquota relativa a produto:
a) cujo nível tarifário venha a se revelar insuficiente ou excessivo ao adequado cumprimento dos objetivos da Tarifa;
b) cuja produção interna for de interesse fundamental estimular; c) que haja obtido registro de similar;
Contudo, as hipóteses das alíneas “d” e “e” não se sujeitam à limitação, sendo situações bem mais gravosa como se vê:
[...].
d) de país que dificultar a exportação brasileira para seu mercado, ouvido previamente o Ministério das Relações Exteriores;
e) de país que desvalorizar sua moeda ou conceder subsídio à exportação, de forma a frustrar os objetivos da Tarifa.
Como veremos mais adiante em tópico próprio, uma limitação constitucional ao poder de tributar intimamente relacionada com a proporcionalidade das alíquotas é prevista no art. 150, IV, da CF88, qual seja: a vedação aos entes federados de utilizar tributo com efeito de confisco.