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Netcad(*.ncz) Veri Türünün Microstation(*.dgn) ve Autocad(*.dwg)

2. ARKEOLOJİK ÇALIŞMALARDA VERİ TABANI TASARIMI

3.1 Uzaktan Algılama ve Arkeolojik Yüzey Çalışmaları ile İstanbul’un Roma ve

3.1.2 Veri Türü Dönüşümleri

3.1.2.1 Netcad(*.ncz) Veri Türünün Microstation(*.dgn) ve Autocad(*.dwg)

No método hermenêutico eliadiano uma nova epistemologia dos símbolos pode ser percebida, uma vez que o autor considera que os grandes símbolos que relacionam a vida cósmica com a existência humana como, por exemplo, no seu ciclo de morte e renascimento “existe algo que é fundamental e que se encontra nas diferentes culturas: um segredo do universo que é também o segredo da condição humana”76. Podemos observar nesta fala que para o pesquisador romeno o

interesse em investigar os símbolos trata-se apenas de conhecer o relacionamento do ser humano com o sagrado, ou a forma que estrutura o seu mundo a partir deste sagrado, ou ainda identificar nos símbolos uma forma de exprimir o transcendente, ou aquilo que ele não consegue expressar com palavras. Os símbolos desvelam além do comportamento do homem religioso a condição humana, isto é, um sentido fundamental que posteriormente se ligarão a outros sentidos.

74 ELIADE, 1989, p.82. 75 ELIADE, 1989, p. 83. 76 ELIADE, 1987, p. 98-99.

Já foi destacada a importância que Eliade dá a interpretação dos fatos na história das religiões e esta necessidade de interpretação dos fatos; lembrando que nosso autor considera as hierofanias e consequentemente os símbolos como documentos históricos e, neste sentido, há uma inovação na forma de compreensão dos símbolos religiosos. Não só por ele utilizar pressupostos da historiografia francesa que considera não apenas os documentos oficiais enquanto fontes válidas, mas por destacar a importância da interpretação desses documentos, uma vez que eles revelam não somente a história de uma sociedade ou de um grupo, mas a história do ser humano. A interpretação dos símbolos religiosos é assim de fundamental importância para a compreensão do ser humano. É através destes documentos que agora podem ser considerados como documentos históricos, que será possível desvendar ou identificar o que está por trás daquilo que o ser humano produz. Como ele se compreende no mundo em que vive, como se relaciona com esse mundo e como constrói a significação para a sua vida, é que a significação profunda do ser humano pode ser desvelada através dos símbolos religiosos. Eliade destaca a necessidade da ampliação dessa investigação em diálogo com os valores centrais das culturas:

Estas descobertas e contatos devem ser ampliados através de diálogos. Mas para ser genuíno e produtivo um diálogo não pode ser limitado à linguagem empírica e utilitária. Um verdadeiro diálogo deve tratar dos valores centrais das culturas dos participantes. Ora, para compreender esses valores corretamente, é necessário conhecer as suas fontes religiosas, pois, como sabemos as culturas não- européias, quer orientais quer primitivas, ainda são alimentadas por um solo religioso rico. É por isso que acreditamos que a história das religiões está destinada a desempenhar um papel importante na vida cultural contemporânea. Isto não só porque uma compreensão das religiões exóticas e arcaicas auxiliará significativamente um diálogo cultural com os representantes dessas religiões, mas também em especial porque, ao tentar compreender as situações existenciais expressas pelos documentos que estuda, o historiador das religiões atingirá inevitavelmente um conhecimento mais profundo do Homem. É na base desse conhecimento que um novo humanismo, a uma escala mundial, se poderia desenvolver.77

Eliade compreende também que ao estudar as expressões religiosas de uma cultura, o estudioso a aborda do interior e não apenas nos seus contextos sociológicos, econômicos e políticos. Abordando a partir do interior o autor

trabalhará com uma categoria que já não é própria da metodologia clássica da história das religiões, mas sim dos pressupostos fenomenológicos, pois o que parece é que a proposta do autor é de uma redução eidética. Para Eliade, porém, história das religiões é indissociável de uma interpretação; interpretação que é feita pelo viés fenomenológico, uma vez que trata-se do esforço de compreensão dos símbolos e da experiência religiosa, no seu próprio plano de referência. Ao falar desse plano de referência Eliade faz alusão à hermenêutica literária e artística, e pondera:

Esperamos que nos perdoassem estas poucas observações sobre a hermenêutica das obras literárias. Elas são por certo incompletas, as bastarão, cremos, para demonstrar que aqueles que estudam obras literárias se encontram perfeitamente conscientes da sua complexidade e, salvo raras exceções, não tentam “explicá-las” reduzindo-as a uma qualquer origem – trauma de infância, acidente glandular ou situações econômicas, sociais ou políticas, etc. O fato de ter citado a situação única das criações artísticas serve um fim. É que, de certo ponto de vista, o universo estético pode ser comparado ao universo da religião. Em ambos os casos, deparam-se-nos simultaneamente experiências individuais (experiência estética do poeta e do seu leitor, por um lado, experiência religiosa, por outro) e realidades transpessoais (uma obra de arte num museu, um poema, uma sinfonia; uma Figura Divina, um rito, um mito, etc.). É certamente possível continuar indefinidamente a discutir o sentido que nos inclinamos a atribuir a estas realidades artísticas e religiosas. Mas há pelo menos uma coisa que nos parece óbvia: as obras de arte, tal como os “dados religiosos”, têm um modo de ser que lhes é peculiar; existem no seu próprio plano de referência, no seu universo particular. O fato de este universo não ser o universo físico da experiência imediata não implica a sua não-realidade. Este problema tem sido suficientemente discutido para nos permitir dispensar reabri-lo aqui. Limitar-nos-emos a acrescentar uma única observação: uma obra de arte revela o seu sentido apenas na medida em que é considerada como uma criação autônoma; isto é, na medida em que aceitamos o seu modo de ser – o de uma criação artística – e não a reduzimos a um dos seus elementos constituintes (no caso de um poema, o som, o vocabulário, a estrutura linguística, etc.) ou a uma das suas utilizações subsequentes (um poema que tem uma mensagem política ou que pode servir como documento para a sociologia, a etnografia, etc.). Da mesma forma, parece-nos que um dado religioso revela o seu sentido mais profundo quando é considerado no seu plano de referência e não quando é reduzido a um dos seus aspectos secundários ou aos seus contextos.78

Fazer história das religiões não tratando somente da coleta de dados de forma quantitativa, onde somente se observa a diversidade religiosa e suas

manifestações simbólicas e culturais, mas fazendo uma investigação de cunho qualitativo, há para o pesquisador romeno mais implicações do que o alargamento de horizontes. Ele considera que esse encontro com os outros - com seres humanos pertencentes a vários tipos de sociedades arcaicas e exóticas - é culturalmente estimulante e fértil. Sendo, portanto, a experiência pessoal com uma hermenêutica que é única e criativa.

Outro fator que merece ser destacado para a constituição de uma nova epistemologia dos símbolos no pensamento eliadiano é a proposta de um novo humanismo. Eliade entende que “os humanistas supunham a existência de uma tradição comum a todas as religiões, sustentando que o conhecimento desta bastava para a salvação e que, em suma, todas as religiões eram equivalentes.”79

Na proposta de um novo humanismo caberia ao historiador das religiões apresentar o valor autônomo, o valor como criação espiritual, de todos os movimentos religiosos primitivos, uma vez que reduzi-los a contextos sociopolíticos seria admitir que eles não são suficientemente nobres ou elevados. Proposta que mais uma vez reforça o que já foi destacado: a compreensão do fenômeno em seu próprio plano de referência. Lembrando que Eliade ressalta que um fenômeno religioso não pode ser compreendido fora da sua história, ou seja, fora dos seus contextos culturais e socioeconômicos.

Um dado religioso “puro”, fora da história, é coisa que não existe, pois não existe um dado humano que não seja, ao mesmo tempo, um dado histórico. Toda a experiência religiosa é expressa e transmitida num contexto histórico particular. Mas admitir a historicidade das experiências religiosas não implica que elas sejam redutíveis a formas não-religiosas de comportamento. Afirmar que um dado religioso é sempre um dado histórico não significa que ele seja redutível a uma história não-religiosa – por exemplo, a uma história econômica, social ou política. Não devemos nunca perder de vista um dos princípios fundamentais da ciência moderna: a escala cria o fenômeno.80

Sobre a tentativa de integração dos métodos próprios da fenomenologia da religião e da história das religiões para interpretação dos dados religiosos, Eliade não é ingênuo. Ele está consciente da tensão entre aqueles que buscam compreender a essência e as estruturas e aqueles que têm a sua preocupação

79 ELIADE, 2001, p. 9. 80 ELIADE, 1989, p. 22.

voltada apenas para a história dos fenômenos religiosos, duvidando inclusive que um dia esta tensão venha a ser completamente vencida, porém, afirmando que tal tensão é criativa. Eliade está ciente tanto dos interesses do fenomenólogo como do historiador. O primeiro está preocupado com os significados dos dados religiosos, já o segundo quer mostrar a forma como esses significados foram experienciados e vividos nas várias culturas e momentos históricos, como se transformaram ganhando ou perdendo valor no decurso da história. Nosso autor, no entanto, ressalta que para que não caiamos num reducionismo, esta história dos significados religiosos deve ser sempre vista como parte da história do espírito humano.

Outro aspecto que marca essa nova tentativa de construção de um conhecimento dos símbolos é a noção de que a história das religiões pode abrir caminho para a antropologia filosófica, uma vez que o sagrado, para Eliade, é uma dimensão universal e que a cultura tem suas raízes nas experiências e crenças religiosas.

Desta forma, o historiador das religiões encontra-se na posição de apreender a permanência daquilo a que se chamou a situação existencial específica do Homem de “estar no mundo”, pois a experiência do sagrado é sua correlativa. Com efeito, o fato de o Homem tomar consciência do seu próprio modo de estar e o de assumir a sua presença no mundo constitui conjuntamente uma “experiência” religiosa.81

Vale relembrar que para Eliade todas as atividades humanas em um passado distante foram carregadas de um valor religioso, portanto, o importante para o historiador das religiões continua a ser o fato dessas atividades terem possuído um valor religioso. Por que relembrar esse ponto do pensamento eliadiano ao tratar sobre a percepção do ser humano de ser e estar no mundo? Porque grande parte das filosofias e ideologias contemporâneas reconhece que o modo específico de “estar no mundo” obriga o ser humano inevitavelmente a ser um criador de cultura. Eliade não nega o caráter dos fatos culturais para as expressões históricas da experiência religiosa, porém, o historiador das religiões sabe que aquilo que hoje é tido como cultura profana, isto é, uma cultura sem nenhum relacionamento com o sagrado, é uma manifestação comparativamente recente da história do espírito; uma vez que no princípio, toda a criação cultural era uma

expressão religiosa ou possuía uma justificativa de cunho religioso. A dança, a poesia ou a sabedoria eram, nos seus primórdios, religiosas. Para nós é difícil imaginar que a alimentação ou a sexualidade ou até mesmo um trabalho essencial como a agricultura, a caça e a pesca, a construção de ferramentas e habitações fossem igualmente participantes do sagrado. Nas sociedades arcaicas ou pré- históricas é difícil conceber algo que não fosse considerado sagrado ou pelo menos não tivesse ligado a ele. Quanto mais o historiador das religiões se aproxima das origens, maior o número de fatos religiosos. Eliade atribui essa dificuldade de percepção na contemporaneidade ao fato de estarmos habituados a conceber religião de acordo com os padrões estabelecidos pelas ideologias ocidentais.

Ao considerar que todos estes universos do ser humano possuem uma origem e uma estrutura religiosa, Eliade também está destacando a importância de uma hermenêutica que seja feita na perspectiva da história das religiões, pois se estes dados não forem abordados nessa perspectiva eles desaparecerão enquanto universos espirituais, isto é, próprios do espírito humano, sendo reduzidos a fatos acerca das organizações sociais, regimes econômicos, épocas de história pré- colonial e colonial. Em outras palavras, eles não serão apreendidos como criações espirituais e assim não enriquecerão a cultura ocidental e mundial, servindo apenas para aumentar o número de documentos classificados em arquivos. Eliade pondera que:

Satisfeitos com a vertiginosa secularização das sociedades ocidentais, os cientistas têm tendência para desconfiar de obscurantismo ou nostalgia em autores que vêem nas diferentes formas da religião algo mais que superstição, ignorância ou, quando muito, comportamento psicológico, instituições sociais e ideologias rudimentares felizmente ultrapassadas de longe pelo progresso do pensamento científico e o triunfo da tecnologia. Tal suspeita não pertence exclusivamente aos cientistas no sentido estrito do termo; é igualmente partilhada por grande número de sociólogos, antropólogos e cientistas sociais que se conduzem, não como humanistas, mas como naturalistas em relação ao objeto do seu estudo. Alias há que aceitar esta resistência com elegância; ela é inevitável em qualquer cultura, ainda se possa desenvolver em completa liberdade.82

Por isso ele destaca a importância dos historiadores das religiões não tentarem integrar suas investigações às generalizações ou sínteses ou ainda “reduzir a

audaciosas e irrelevantes interpretações das realidades religiosas feitas por psicólogos, sociólogos ou entusiastas de várias ideologias reducionistas.”83 O que

não significa que essas pesquisas não sejam importantes para a compreensão do comportamento do homo religiosus na atualidade. Para a compreensão dos dados religiosos, incluindo os símbolos, identificados pelo historiador das religiões em um determinado contexto, tais pesquisas não servirão por considerarem muitas vezes apenas a cultura contemporânea como fonte hermenêutica.

No entanto, uma das dificuldades que o historiador encontra logo no início de sua atuação como hermeneuta é a escolha dos documentos. É preciso saber escolher os documentos para se chegar a uma compreensão adequada do simbolismo religioso arcaico. Assim, o historiador é obrigado a fazer uma seleção. A comparação utilizada por Eliade para demonstrar a importância da seleção correta dos documentos é com a seleção de livros para a compreensão de um determinado assunto. Não se deve pegar ao acaso os dez ou cem primeiros livros que encontrarmos na biblioteca. Por isso ele diz que espera que um dia os historiadores das religiões façam o trabalho de hierarquizar seus documentos levando em conta seu valor e suas condições e, ainda assim, será apenas o começo.84

Conforme já temos visto, a história das religiões ganha destaque em Eliade como forma de interpretação dos dados religiosos, o que certamente deve fazer parte do processo da elaboração de uma nova epistemologia dos símbolos. Uma vez que a história das religiões é a responsável direta pela interpretação, será o principal instrumento no processo de significação dos símbolos religiosos, ou melhor, na compreensão do processo de simbolização dos símbolos religiosos. Se através dos símbolos religiosos podemos perceber o processo de simbolização desenvolvido pelo homo religiosus e os símbolos religiosos desvendam o comportamento do homo religiosus, esse processo hermenêutico próprio da história das religiões trata de uma compreensão do ser, o que poderia ser chamado de hermenêutica ontológica.

O que podemos perceber nessa metodologia proposta, que possibilita a chegada a uma nova epistemologia dos símbolos, é que Eliade continua a enfatizar a importância do trabalho fenomenológico, inclusive incluindo-a como um valioso instrumental para a metodologia da história das religiões. Entende-se que no

83 ELIADE, 1989, p. 90. 84 cf. ELIADE, 2002, p. 33.

processo de interpretação é exigida a epoché ou suspensão do juízo para se analisar os dados ou documentos encontrados. Nosso autor chega a comentar que “de um certo ponto de vista, poderia dizer-se que uma nova Fenomenologia da

Mente que aguarda elaboração, leva em consideração tudo o que a história das religiões é capaz de nos revelar.”85 A história das religiões é tão presente no

pensamento eliadiano que ele propõe que ela deve “afirmar-se simultaneamente como ‘pedagogia’, no sentido forte desse termo, pois é susceptível de mudar o homem e, como uma fonte de criação de ‘valores culturais’, qualquer que possa ser a expressão desses valores, historiográfica, filosófica ou artística.”86

Sobre as experiências artísticas contemporâneas, Eliade afirma que elas são capazes de auxiliar os historiadores das religiões em sua própria investigação e vice-versa, uma vez que uma exegese verdadeiramente histórico-religiosa estimula artistas, escritores e críticos. Como exemplo, Eliade cita os surrealistas que não só elaboraram uma estética revolucionária, mas também formularam uma técnica através da qual esperavam mudar a condição humana. Não se trata, porém, de desenvolver correspondências entre as experiências artísticas modernas e certos comportamentos, simbolismos e crenças bem conhecidos dos historiadores das religiões. Nosso autor não está apontando que se trata de fenômenos homólogos, mas destaca que o padrão de iniciação sobrevive na literatura, isto é, esses padrões permanecem nos universos imaginários do homem contemporâneo e são expressos na literatura, nos sonhos e devaneios. Tudo isso, convida o historiador das religiões a refletir mais atentamente sobre o valor dos documentos com os quais tem trabalhado.

Ainda pode ser observado outro ponto da hermenêutica eliadiana. Segundo Guimarães, a concepção que está na base da hermenêutica dos fatos religiosos proposta por Eliade é o fato, pois a coisa que realmente importa para o conhecimento humano não são fatos, mas o fato; apenas os atos criativos tem importância na história dos povos. Assim, é também tarefa do historiador das religiões apresentar as estruturas fundamentais da vida religiosa, uma vez que elas revelam a condição fundamental do ser humano no mundo. Eliade pondera, no entanto, que “não podemos pretender, evidentemente, que o estudo racional da

85 ELIADE, 1989, p. 83. Ao falar de uma Fenomenologia da Mente, Eliade refere-se às mentalidades

ou ao retorno às origens, às archés.

história das religiões deva e possa substituir a própria experiência religiosa, e menos ainda a experiência da fé.”87

Através dessa nova proposta hermenêutica dos dados religiosos, ou uma hermenêutica dos fenômenos religiosos, Eliade procura descobrir os vínculos que ligam o homem contemporâneo ao seu passado e que o constitui historicamente. Isso constituiria uma nova epistemologia dos símbolos, pois aqui os símbolos não contêm apenas dados culturais que foram agregados ao longo da história, pois há uma história do ser humano ou ainda um retorno à sua origem. Guimarães descreve o trabalho do nosso autor da seguinte forma:

Eliade se propõe descer até as raízes da cultura humana para, através de um trabalho de anámnesis histórica das tradições religiosas da humanidade, apreender o “primordial”, o “paradigmático”, aquilo que, no movimento universal do Espírito, constitui a matriz ou as constantes da vida religiosa tal como esta se desenvolveu através dos séculos em suas variadas, historicamente irredutíveis, mas morfologicamente homologáveis, expressões. Nessa perspectiva, face ao homem moderno arreligioso que assume uma atitude desmistificadora diante de seu religioso passado histórico e em oposição ao qual ele se constitui, esforçando-se por se “esvaziar” de toda a religiosidade e de toda a significação “trans- humana”.88

Para Eliade, no entanto, a superação da visão religiosa arcaica não significa o fim da religião ou do homo religiosus, pois como já vimos para ele esses elementos sagrados encontram-se camuflados na contemporaneidade.

Teria então a história algum valor na perspectiva do pesquisador romeno? A história tem sim um papel importante no pensamento eliadiano, uma vez que ela será a responsável por revelar uma realidade espiritual, não-histórica ou trans- histórica. “O homem eleva-se ao plano da vida do Espírito na medida em que responde criativamente aos desafios dos condicionamentos que enredam a sua existência.”89 O papel mediador desempenhado por essa realidade histórica é

central na concepção eliadiana da dialética do sagrado, pois como já vimos, o processo de sacralização é caracterizado pela coexistência paradoxal do sagrado e do profano. Esse paradoxo também pode ser observado nas manifestações do