A Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) foi instituída através da Lei Complementar Federal n.º 14 de 1973, que criou as oito primeiras Regiões Metropolitanas do Brasil, sendo elas: Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo. No ano seguinte, em 1974, foi criada Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A RMBH foi criada com 14 municípios, sendo eles: Belo Horizonte, Betim, Caeté, Contagem, Ibirité, Lagoa Santa, Nova Lima, Pedro Leopoldo, Raposos, Ribeirão das Neves, Rio Acima, Sabará, Santa Luzia e Vespasiano. Segundo Gouvêa (2005) a RMBH abrigava, nesta época, uma população de 1.628.859 habitantes em uma área de 3.757 km² conforme dados do IBGE. Em 1989, a Constituição do Estado de Minas Gerais ampliou a RMBH para 18 municípios, com a inclusão de: Brumadinho, Esmeraldas, Igarapé e Mateus Leme. Em 1996, ingressaram na RMBH: São José da Lapa, Confins, Juatuba, Mário Campos, São Joaquim de Bicas e Sarzedo. Em 1999, entraram: Baldim, Capim Branco, Taquaraçu de Minas, Florestal, Itaguara, Matozinhos, Nova União e Rio Manso. Ingressou então Jaboticatubas e por último, em 2001, Itatiaiuçu tornou-se o 34º município integrante da RMBH.
A população da RMBH, segundo o Censo Demográfico do IBGE de 2010, era de 4.883.970 habitantes, a população estimada pelo IBGE para 2013 era de 5.156.217 habitantes, em uma área de 9.472 km². É possível observar que em quarenta anos de existência, a RMBH praticamente triplicou sua quantidade de municípios, sua dimensão territorial e sua população.
47 Segundo o IBGE (2010), a RMBH concentra 34% do PIB estadual e os dados referentes à população, à área territorial e à densidade demográfica de seus municípios podem ser visualizadas na Tabela 4.1:
Tabela 4.1: Informações dos municípios da RMBH.
Município População (IBGE 2010) Área (km²) Densidade demográfica
Baldim 7.913 556,3 14,23 Belo Horizonte 2.375.151 331,4 7.167,02 Betim 378.089 342,8 1.102,80 Brumadinho 33.973 639,4 53,13 Caeté 40.750 542,6 75,11 Capim Branco 8.881 95,3 93,16 Confins 5.936 42,3 140,15 Contagem 603.442 195,3 3.090,33 Esmeraldas 60.271 910,4 66,20 Florestal 6.600 191,4 34,48 Ibirité 158.954 72,6 2.190,26 Igarapé 34.851 110,2 316,07 Itaguara 12.372 410,5 30,14 Itatiaiuçu 9.928 295,1 33,64 Jaboticatubas 17.134 1.114,9 15,37 Juatuba 22.202 99,5 223,04 Lagoa Santa 52.520 229,3 229,08 Mário Campos 13.192 35,2 374,82 Mateus Leme 27.856 302,8 92,02 Matozinhos 33.955 252,3 134,59 Nova Lima 80.998 429,2 188,73 Nova União 5.555 172,1 32,27 Pedro Leopoldo 58.740 292,9 200,51 Raposos 15.342 72,1 212,88
Ribeirão das Neves 296.317 155,5 1.905,07
Rio Acima 9.090 229,8 39,55
Rio Manso 5.276 231,5 22,79
Sabará 126.269 302,2 417,87
Santa Luzia 202.942 235,3 862,38
São Joaquim de Bicas 25.537 71,5 356,88
São José da Lapa 19.799 47,9 413,08
Sarzedo 25.814 62,1 415,46
Taquaraçu de Minas 3.794 329,2 11,52
Vespasiano 104.527 71,2 1.467,62
Total / Média 4.883.970 9.472,1 (média) 647,71 Fonte: Adaptado de IBGE (2010) e DENATRAN (2014).
48 Observa-se que a RMBH é composta por municípios de todos os portes, sendo: oito municípios de grande porte (mais de 100.001 habitantes); doze de médio porte (entre 20.001 e 100.000 habitantes) e quatorze de pequeno porte (menos de 20.000 habitantes).
Gouvêa (2005) afirma que, de forma geral, a incorporação de um grande número de novos municípios às Regiões Metropolitanas foi efetivada quase sempre sem atender a quaisquer critérios urbanísticos ou econômicos que justificassem tal incorporação. A RMBH confirma esta crítica, pois muitos dos seus municípios apresentam baixas densidades demográficas, com características majoritariamente rurais e praticamente nenhum vínculo direto com a área realmente conurbada da RMBH.
4.1.1 Breve histórico da gestão do trânsito na RMBH
Em 1975, dois anos após a criação da RMBH, foi instituída uma agência estadual que tinha o objetivo de orientar o governo nos assuntos de interesse comum da RMBH, a Superintendência de Desenvolvimento da RMBH (PLAMBEL). A PLAMBEL coordenou a implantação da Companhia de Transportes Urbanos (METROBEL), instituída em 1980 para gerenciar os sistemas de transporte e de trânsito no âmbito de toda Região Metropolitana. A Lei estadual de MG n.º 9.527, de 29/12/1987, dispunha sobre a administração da RMBH e criou a Secretaria de Estado de Assuntos Metropolitanos, à qual a PLAMBEL foi incorporada. Esta lei extinguiu a METROBEL e criou, como sua sucessora, a autarquia TRANSMETRO, que teria a finalidade de implantar, administrar e operar, diretamente e por contratação de terceiros, os serviços de interesse comum dos municípios da RMBH relativos a transporte, trânsito e sistema viário. Entretanto, a METROBEL tinha representação, mesmo que simbólica, de todos os municípios da RMBH, já a TRANSMETRO era somente estadual, sem representação dos municípios.
Atendendo às disposições da CF de 1988, que determinava aos municípios a competência para organizar e prestar os serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), através da Lei n.º 5.953/1991, criou a autarquia municipal denominada Empresa de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte (BHTRANS). A finalidade da BHTRANS é planejar, organizar, dirigir, coordenar, executar, delegar e controlar a prestação de serviços públicos relativos a transporte coletivo e individual de passageiros, tráfego, trânsito e sistema viário municipal, observando o planejamento urbano do município.
49 Após a iniciativa da PBH, alguns municípios da RMBH também criaram suas empresas municipais de transporte e trânsito, a exemplo de Contagem (TRANSCON) e Betim (TRANSBETIM).
Segundo Gouvêa (2005) com o fortalecimento da autonomia municipal a partir de 1988 e a municipalização de diversas atribuições, foram extintas diversas agências estaduais que desempenhavam funções de planejamento e gestão metropolitanas. Em 1992, foi extinta a Secretaria de Estado de Assuntos Metropolitanos e a TRANSMETRO foi extinta em 1994. A PLAMBEL foi extinta em 1996, sendo que suas atribuições foram assumidas pelo Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) e pela Fundação João Pinheiro (FJP).
Atualmente, constata-se uma diversidade de órgãos e entidades lidando com os problemas de transporte e trânsito no âmbito da RMBH. No Estado existem a Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (SETOP) e a Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte (ARMBH), vinculada à Secretaria de Estado Extraordinária de Gestão Metropolitana (SEGEM). Os municípios da RMBH mais capacitados, com melhores condições técnicas e financeiras, gerenciam os seus próprios trânsitos e sistemas de transportes públicos, através de seus próprios órgãos municipais. Em alguns municípios a administração das linhas intermunicipais metropolitanas e mesmo das linhas intramunicipais são gerenciadas pela Diretoria de Transporte Metropolitano do DER-MG, vinculado à SETOP. Portanto, pode-se afirmar que não existe uma coordenação metropolitana na RMBH sobre as políticas de transporte e trânsito, pois cada município, exercendo sua autonomia municipal, define a sua estratégia para enfrentar seus problemas, de acordo com suas condições e interesses.