2. KURAMSAL TEMELLER
2.5 Sistemin Görüntü Kalitesinin Değerlendirilmesi
2.5.2 Sayısal değerlendirme
2.5.2.3 Görüntü kalitesinin frekans ortamında saptanması
2.5.2.3.2 Gürültü dağılım spektrumu
No universo do entretenimento e da mídia contemporâneos existe o fortaleci- mento de um tipo de indústria que se iniciou no século XIX, mas que hoje é de vital importância para o mercado econômico: a indústria do ócio e do lazer. Essa indústria tem seu auge de produtividade nos momentos de lazer das pessoas, como o esporte, o cinema, e, claro, a alimentação. Gubern (apud Levinsky, 2002: 26) comenta que “ as indústrias do ócio, que eram indústrias simplesmente marginais ou ornamentais no século passado, são hoje grandes protagonistas da dinâmica macroeconômica ociden- tal.” Campos (2004: 74) completa essa definição, afirmando:
“ Tais indústrias nasceram da projeção, feita no século passado, de que as pessoas trabalhariam menos em poucas décadas e teriam mais tempo para seus lazeres. A previsão não se confirmou, mas, no entanto, verifica-se o crescimento de tais indústrias, que disputam o pouco tempo livre que cada indivíduo possui, fazendo com o que lazer acabe se tor- nando também uma obrigação.”
Nessa definição se enquadra a gastronomia, que virou hobby e ocupa o tempo ocioso tanto das pessoas que freqüentam os melhores e mais conhecidos restaurantes como daquelas que compram livros e revistas sobre o tema. É um tipo de ociosidade que acaba sendo uma obrigação, um motivo para determinadas pessoas pertencerem aos grupos e assim existirem socialmente.
Participar de um curso de vinhos, tornar-se um sommelier, cozinhar pratos exóti- cos e requintados, freqüentar espaços gourmets para algumas pessoas muitas vezes é uma obrigação disf arçada de prazer. Trat am-se de est rat égias de pert enciment o a determinados grupos, traçadas de acordo com o poder de consumo de cada indivíduo.
A questão do pertencimento no mundo das revistas relacionadas ao universo da cozinha no Brasil leva à uma divisão entre públicos. Existe o que poderia ser chamado de “ Primeiro Mundo” , representado pelas revistas que enfocam apenas a alta gastronomia. São direcionadas para aqueles indivíduos que podem usufruir das indústrias do ócio, os habitantes do mundo globalizado, que transitam livremente por ele não como turistas, mas como viajantes, de acordo com definição de Bauman (apud CAMPOS, 2004: 75). Esse público tanto pode comprar essas revistas quanto usufruir do mundo de luxo e prazer que elas vendem. É o caso de Gula (figura 14) e Prazeres da Mesa (figura 15).
Há também um ‘Segundo Mundo’, habitado por aquelas revistas que se situam entre a gastronomia e a culinária. São veículos direcionados para um público que não se preocupa apenas com o bem-viver oferecido pelas revistas de gastronomia e com seus sabores caros e exclusivos. Esses leitores gostam de comer e cozinhar bem, mas prefe- rem preparar receitas simples e saborosas. Eles interessam-se por novidades gustativas,
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Figuras 14 e 15: Gula, junho de 2000 e Prazeres da Mesa, agosto de 2004
FFiigguurraass 1166 ee 1177:: Menu, novembro de 2005 e Claudia Cozinha, julho/ agosto de 2003
ingredientes, vinhos, mas não os usam, necessariamente, como símbolos de sofisticação. São exemplos desse universo Claudia Cozinha (figura 16) e Menu (figura 17).
E, por último, existe um ‘Terceiro Mundo’, que é o território daqueles consu- midores que precisam e gostam de receitas ainda simples para seu dia-a-dia. São pessoas que desconhecem ou conhecem pouco os conceitos de alta gastronomia e que, muitas vezes, utilizam tais receitas para ganhar dinheiro. São revistas como os especiais temáti- cos sobre trufas, salgadinhos, bolos, ovos de Páscoa, panetones, como as da Casa Dois Editora (figuras 10 e 11) e Editora Online (figura 18).
Essa classificação do mercado de revistas de culinária e gastronomia no Brasil atende a questões de poder de consumo do leitor – se ele pode pagar por um prato da alta gastronomia, pode comprar Gula; mas se ele pode pagar apenas por pratos simples
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do cotidiano ou esse é o único universo que lhe interessa, pode comprar Ana Maria. Tratam-se de divisões, além de econômicas, socioculturais, como aponta Baumann (ibidem: 88):
“ A maneira como a sociedade atual molda seus membros é ditada primeiro e acima de tudo pelo dever de desempenhar o papel de consumidor. A norma que a nossa sociedade coloca para seus membros é a da capacidade e a vontade de desempenhar esse papel.”
A def inição de primeiro, segundo e t er- ceiro mundo desse tipo de revistas no Brasil rela- ciona-se à delimit ação do espaço sociocult ural de seus consumidores. Semprini afirma sobre espaços socioculturais (idem, 1997: 119):
“ Um modelo sociocultural do espaço social causa dois problemas consideráveis: o dos limit es ext ernos do sist ema e o de sua post erior estruturação interna. No modelo político, a extensão do espaço social é tida por assegurada, em razão da identificação deste espaço ao Estado- Nação. No modelo sociocultural, a idéia de Estado-Nação ou território faz pouco sentido. As fronteiras dos sistemas poderão basear-se apenas em fatores socioculturais: o fato de partilhar as mesmas opiniões e pro- jetos, de possuir referências em comum, de endossar os valores adotados pelo centro do sistemas.”
No Brasil os fatores socioculturais são preponderantes para a definição do públi- co-alvo de cada tipo de revista. Afinal, muitas vezes, as pessoas, por razões como total desconhecimento ou mesmo desinteresse pelos assuntos tratados por uma revista de gastronomia, sequer pensam em adquiri-la. Elas simplesmente não acessam os códigos culturais desse sistema. Essa é, portanto, uma divisão dentro do mesmo sistema: ao cent ro dele podem ser posicionadas as revist as de alt a gast ronomia, o “ Primeiro Mundo” . Gravitando ao seu redor, as revistas híbridas, o “ Segundo Mundo” . E, na per- iferia, as revistas de consumo rápido, o “ Terceiro Mundo” .
Não é possível, entretanto, afirmar que o centro e a periferia sejam fixos nesse tipo de sistema – na verdade, essas são posições móveis, que dependem da organiza-
ção das camadas da cultura e das contaminações19 entre elas. Nesse caso, por exem-
plo, há leitores que consomem revistas de todos os “ mundos” , reorganizando o sis- tema a cada momento. Sobre a relação centro-periferia, Lotman (Idem, 1979:105) diz:
“ El espacio de la estructura no está organizado de manera igual em todas las partes. Encierra siempre ciertas formaciones nucleares y una
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periferia estructural. Esto aparece con particular evidencia em lengua- jes complejos e hipercomplejos que, heterogéneos por naturaleza, inevit ablement e encierram sist emas. La relación mut ua del núcleo y de la perif eria se complica de nuevo en la medida que cada estructura (cada lenguaje), bastante compleja e con pasado histórico bastante largo, funciona como una estruc- tura descrita.”
Cada grupo de consumidores desse t ipo de revist a, se analisado, provavelment e codif icará t al sis- tema de diversas maneiras. Coloca-se a classificação propos- ta como uma ferramenta de análise desse tipo de segmento de revistas no Brasil, a fim de se observar qual é a identidade da comida brasileira nessa mídia. Seguindo tal conceituação, é importante analisar alguns exemplos do desenvolvimento das demais revistas que fazem parte do universo desta pesquisa. As revistas escolhidas para essa f inalidade f oram Gula (Edit ora Peixes), Prazeres da M esa (Edit ora Quat ro Capas) e
Menu (Editora Três).
Tal escolha se deu porque as duas primeiras pertencem ao universo da alta gas- tronomia, e Menu se aproxima do objeto deste trabalho, que é a revista Claudia Co-
zinha. As ant eriorment e chamadas revist as de “ t erceiro mundo” , são, geralment e,
apenas relacionadas a um det erminado t ema, f uncionando como receit uários, sem destaque para reportagens. Assim, não há matérias sobre comida brasileira, embora possam haver edições temáticas sobre essa cozinha. No entanto, para unificar o obje- to de pesquisa, optamos por excluí-las da análise.