4. ARAŞTIRMA BULGULARI
4.3 Sistem Performansının Nümerik Değerlendirilmesi
4.3.1 Farklı matrislerin sistem performansına etkisi
Em maio de 2003 Claudia Cozinha voltou novamente à periodicidade bimestral, mudança que foi marcada também por novos projetos gráfico e editorial. Naquele momento a revista estava perdendo espaço no mercado para publicações voltadas diretamente para a alta gastronomia (como Gula e Prazeres da Mesa). Isso criou uma obrigação imediata de mudança da sua imagem no mercado editorial, deslocando-a para uma nova limguagem. Seu lema, “ todas as receitas testadas e com fotos” , permaneceu, mas o envolvimento com alta gastronomia e sofisticação ganhou mais espaço.
Nesse momento entrou em vigor um design editorial mais leve, com menos fotos e mais áreas brancas na página. Segundo a diretora de redação desse período,
Wanda Naesthler, a revista mudou seus projetos gráfico e editorial para “ adequar-se às novas necessidades do mundo da cozinha, entre elas a busca pela sofisticação, e para ficar mais bonita e eficiente para os jovens
leitores que estava conquistando naquele momento37” .
De fato, as transformações são drásticas. A revista ganhou uma área
37. A entrevista em questão pode ser
lida no ANEXO I deste trabalho.
Essa imagem está na disposição clássica do projeto gráfico anterior de Claudia
Cozinha: foto e receita. Mas a foto está ocupando o espaço de uma página inteira,
com mais destaque do que observado anteriormente. Outro detalhe importante é que a foto foi produzida para representar as cores do Brasil. Há a folha de bananeira no fundo, a baba-de-moça amarela cobrindo o doce, o coco – um dos símbolos
da comida brasileira40, e a tapioca seca espalhada para compor a ima-
gem. Parece um quadro em homenagem ao Brasil. O símbolo fica ainda mais caracterizado porque a matéria figura na edição de setembro, o “ mês da Pátria” no País.
Já na figura 72, do período pós mudanças editoriais e gráficas, observamos o oposto dessa imagem simples e de fácil assimilação. Em uma
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de t ext o mais cent ralizada, aument ando espaços brancos nas bordas. As f ont es de
título, antes serifadas, são todas sem serifas38. Tais estratégias visam um resultado suave
e limpo, t ípico do design edit orial globalizado, como já vimos ant eriorment e. O objetivo não é tanto despertar a fome do leitor e sim fazer nascer a necessidade de uso da comida como símbolo da exposição. Assim começa uma proximidade entre Claudia
Cozinha e Gula e Prazeres da Mesa: mais do que servir para alimentar e ser degustada,
a comida torna-se um símbolo de status.
3.6.1. Tapioca verde-amarela: Um exemplo da transformação de Claudia Cozinha é
a comparação entre uma matéria publicada em setembro de 2002, ainda com projeto gráf ico e edit orial ant igo, e uma mat éria de maio de 2003, mês de lançament o do novo projeto. Na primeira imagem, a revista faz um retrato das influências da culinária portuguesa na comida brasileira. Trata-se de um cuzcuz de tapioca coberto por um doce de ovos, característico da doçaria de Portugal (figura 71).
38. Serifas são pequenos traços e pro- longamentos que podem
ocorrer nas hastes das letras.
reportagem sobre cocada, temos um coco, mas sua imagem não é de compreensão rápida e direta. O fruto está na foto, mas decomposto em três imagens - em todas elas o coco vai ficando mais próximo do leitor, assim como a cocada que está dentro dele.
Há uma proximidade visual, mas observamos também um distanciamento. A cocada, tema da reportagem, acaba praticamente de-saparecendo no fundo branco do coco. Não parece haver a intenção de fazer da cocada um prato apetitoso e sim de deixá-la exposta, quase como se ela fosse uma obra-de-arte.
O layout da página foi produzido para dar uma certa sensação de vazio. É como se a edição da reportagem disesse: “ vamos falar de um prato típico do Brasil, mas não queremos ser t ão exagerados como é a nossa comida” . A página est á equilibrada visualmente, é bonita, mas não desperta o apetite. Houve uma devoração da imagem anterior e uma redução ainda maior de suas dimensões. Baitello Jr. (s/d: 5-6) fala sobre a perda das dimensões das imagens do mundo que vivemos:
“ Verdade é que vivemos hoje sob a marcha t riunf al das realidades bidimensionais que trazem em sua alma as fórmulas abstratas da nulodimensão: por trás de uma imagem sintética já não há sequer uma imagem concret a e muit o menos um corpo de mat éria tridimensional; há apenas o conceito abstrato de entidades numéricas, codificações sem tatilidades.”
A passagem da comida para uma página de revista já implica, naturalmente, em uma redução do objeto tridimensional para o espaço bidimensional. Nesse caso há a perda do paladar e do aroma da comida, sentidos essenciais para o apetite. No entanto, uma imagem de alimento bem sucedida deve despertar esses sentidos, fazer uma recriação mágica deles – olhar para a figura 71 desperta o caráter mágico que
FFiigguurraa 7722:: Claudia Cozinha, maio de 2003, páginas 58 e 59
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permite prever até a textura daquela tapioca. Quando isso não acontece – quando a cocada desaparece, como na figura 72 – imaginar seu sabor e textura e impossível e isso pode significar que uma outra dimensão pode ter sido perdida. Flusser (2002: 7), concordando com Baitello Jr., diz:
“ O f at or decisivo no decif rament o de imagens é t rat ar-se de planos. O significado da imagem encontra-se na superfície e pode ser captada por um golpe de vista. No entanto, tal método de deciframento produzirá apenas o signif icado superf icial da imagem. Quem quiser aprof undar o signif icado e rest it uir as dimensões abst raídas deve permitir à sua vista vaguear pela superfície da imagem.”
Um simples primeiro olhar não é o bastante para compreender uma imagem. É preciso buscar seus planos e camadas, como af irma Flusser. Apenas assim podemos observar t ambém quant as dimensões f oram perdidas. Um olhar desat ent o sobre a f igura 72 pode af irmar que a cocada e o coco est ão lá, f oram represent ados. Vagueando pelas t rês f ot os da página, e com um olhar que realment e enxerga a imagem, chega-se à conclusão de que ali está o coco, mas onde está a representação da comida? Nesse momento o coco, além de bidimensional, é apenas papel, vivendo em uma quase nulodimensão do espaço. E a comida não desperta a gula – é também uma imagem que perdeu part e de sua capacidade mágica de dar vida a uma repreentação, de tornar aquela comida (a cocada) um doce quase real.