İKİNCİ BÖLÜM: NUR AYETİ’NDE YER ALAN SEMBOLİK KAVRAMLARIN VE MİSBÂHU’L-ESRÂR’IN ANALİZİ
3. Sembolik Kavramların Analizi 1. Nûr
3.9. Nûrun ‘alâ Nûr
Apesar de o impacto causado pela legislação que permitiu a matrícula das crianças aos seis anos de idade no ensino fundamental ter ocorrido durante o mandato do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as discussões a respeito ocorreram muito antes disso, conforme já apontado no presente trabalho.
O encaminhamento legal para que a inclusão de alunos na faixa etária de seis anos fosse possível iniciou sua tramitação no ano de 2001, ainda no período de governo de Fernando Henrique Cardoso, quando o Senador Ricardo Santos, do PSDB- ES, deu entrada no Senado Federal com a proposta de alteração dos dispositivos da Lei 9394/96, para tornar
268 ANTUNES, Ricardo. A desertificação neoliberal no Brasil: Collor, FHC e Lula. 2 ed. Campinas, SP:
Autores Associados 2005. p. 165 – 166.
obrigatório o início do ensino fundamental aos seis anos de idade. O referido Projeto de Lei foi protocolado em 06 de novembro de 2001, recebendo o nº 236/01.
Esse Projeto apresentava alguns dados importantes em relação à antecipação corrente dos alunos aos seis anos de idade, além de apontar para a possibilidade de ampliação do ensino fundamental de 8 para 9 anos:
Diversos sistemas de ensino, com base no texto original da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), têm utilizado a faculdade de antecipar o acesso do ensino fundamental para crianças de 6 anos. Como o ensino fundamental tem a duração mínima de oito anos (Lei nº 9394, de 20-12-96, art. 32,caput), essa mudança pode tanto levar ao término desse nível de ensino aos 13 anos de idade, como elevar a escolaridade para nove anos.
[...]
Por outro lado, a presente Proposição evidencia que não pretende recriar as abomináveis classes de alfabetização, que impediam o ingresso de crianças de sete anos e mais no ensino compulsório por meio de repetidas reprovações. Também não pretende permitir o disfarce da pré-escola sob o manto do ensino fundamental para ampliar as verbas obtidas do Fundef. Ao contrário, prevê um esforço adicional, que é decorrência da faculdade oferecida pela LDB. Sob esse aspecto, o Projeto em tela se vale amplamente do Parecer nº 20/1998, da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, tomando a iniciativa de elevar ao nível legal disposições que ganham relevância cada vez maior.270
Não tendo recebido emendas no prazo regimental, o Projeto foi encaminhado à Comissão de Educação, tendo como Relator o Senador Paulo Hartung. Após parecer favorável, a tramitação seguiu sem divergências significativas, sendo aprovada a matéria em 13 de março de 2002.
Convém ressaltar que no Parecer nº 95/2002, sobre o Projeto de Lei 236/01, há uma análise das controvérsias ocorridas em relação à idade de ingresso no ensino fundamental na época em que tramitava a atual LDB, visto que a Constituição Federal não estabelece, com clareza, a faixa de idade a ser atendida no ensino considerado obrigatório. Assim, nem a Carta Magna, nem a LDB expressavam de forma clara a faixa etária a ser atendida.
A Constituição Federal dispõe, em seu art. 208, que o dever do Estado com a educação será efetivado mediante, entre outras coisas, a garantia de “ensino fundamental, obrigatório e gratuito, assegurada, inclusive, sua oferta gratuita para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria”. O texto da Lei 9394/96 – LDBEN da época, também não
270 BRASIL, SENADO FEDERAL. Projeto de Lei do Senado nº 236, de 2001. In: Diário do Senado Federal,
era claro quanto à idade dos alunos a serem matriculados no ensino fundamental, pois o art. 6º, ao tratar sobre o dever da família, determinava como dever dos pais ou responsáveis matricular os menores “a partir dos 7 anos no ensino fundamental”; o art. 32 estabelecia a duração dessa etapa: mínimo de 8 anos; e, o art. 87 das Disposições Transitórias, ao instituir a Década da Educação, estabelecia em seu § 3º que cada Município e, supletivamente, o Estado e a União, deveriam “matricular todos os educandos a partir dos sete anos de idade e, facultativamente, a partir dos seis anos, no ensino fundamental”.
O que fica explícito em tais dispositivos é a controvérsia dos legisladores, no período de elaboração do texto legal, quanto à idade dos alunos a serem atendidos no ensino fundamental, além dos interesses divergentes existentes entre os defensores das instituições públicas e privadas.
Considerando, ainda, o Parecer 020/98 da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, que, ao fazer um histórico da questão das matrículas antecipadas no ensino fundamental, assim expressava: “é quase unânime a percepção dos pedagogos, confirmada pela experiência internacional, que a „idade própria‟ do início da alfabetização é a de seis e não de sete anos” (BRASIL, 1998, p. 6), o Parecer 095/2002 foi favorável ao Projeto de Lei 236/01, que propunha a antecipação da matrícula no ensino fundamental para seis anos de idade, com os devidos ajustes, conforme explicitado a seguir:
ante a obrigatoriedade que se propõe, sugerimos que ao lado da alteração proposta para o art. 87, que versa sobre a matéria transitória, se modifique o corpo permanente da lei, mediante nova redação para o caput do art. 32 e, por conseguinte, a fim de manter a harmonia interna do texto legal, julgamos adequado alterar, também, a ementa, o art. 6º e o inciso II do art. 30. Também carece de alteração a cláusula de vigência, haja vista que a obrigatoriedade estabelecida tem que respeitar o ano letivo, daí porque condicionar a sua eficácia a partir, inclusive, no início do ano letivo, subseqüente à sua vigência, conforme emenda substitutiva que apresentamos.271
Sendo o Parecer acima citado de caráter terminativo, em 20 de março de 2002 a matéria foi encaminhada à Câmara dos Deputados, para apreciação. Naquela Casa Legislativa, houve apresentação de Substitutivo, sem alterações substanciais, e novamente o Projeto retorna ao Senado Federal em outubro de 2003. O Projeto tramitou de maneira lenta,
271 BRASIL, SENADO FEDERAL. Parecer nº 95, de 2002. In: Diário do Senado Federal, Brasília, 05 de março
desde então, sendo aprovado novo Parecer somente em dezembro de 2004. Após o substitutivo aprovado em plenário, o Projeto foi encaminhado à Sanção Presidencial, em abril de 2005, sendo o mesmo transformado na Lei 11.114, em 16 de maio de 2005, com veto parcial.
A manifestação de veto referente ao Projeto 236/01 encaminhado à Sanção presidencial se refere ao vício de inconstitucionalidade, especificamente à alteração proposta no inciso II do art. 30 da LDB, o qual pretendia estabelecer que o atendimento na pré-escola deveria ser específico para as crianças de quatro a cinco anos de idade, enquanto o texto constitucional estabelecia o atendimento na educação infantil para crianças de 0 a 6 anos de idade. Eis o teor da manifestação do referido veto:
Estatui o art. 208, I e IV, da Constituição que o dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de ensino fundamental obrigatório e gratuito, assegurada, inclusive, sua oferta gratuita para todos os que a ele não tiverem acesso na idade própria, e atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade. Aliás, a previsão constitucional de atendimento em creche e pré- escola está textualmente reproduzida no art. 4o, IV, da Lei no 9.394, de 1996, sem
que o projeto tenha cogitado de sua alteração.
Como se pode observar, a alteração encontra óbice na Carta Magna, uma vez que não observa a idade nela estabelecida. 272
Dessa forma, a Lei 11.114/05 passa a vigorar envolvida em um processo eivado de controvérsias, visto que estabelecia o ingresso obrigatório de crianças de 6 anos no ensino fundamental sem estabelecer a alteração da duração dessa etapa e, ainda, com previsão de eficácia para o inicio do ano letivo de 2006, o que causou transtornos no processo de matrículas para o referido ano letivo, as quais se realizam, normalmente no final do ano anterior. Ao iniciar o ano letivo de 2006, outra lei foi sancionada, de forma a ampliar a duração do ensino fundamental para 9 anos, causando sérios transtornos na organização dos sistemas de ensino.