II. BÖLÜM
2.4. Likya’daki İlk Çağ Kentleri
2.4.1. Myra (Demre/Kale)
A denominação da revista Hobby suscita questionamento, pois se o objetivo era empreender uma iniciativa genuinamente argentina, por que utilizar um título para a revista em língua estrangeira? A justificativa aparece logo no primeiro editorial:
Agora desejo justificar o uso do vocábulo inglês, HOBBY na denominação desta revista. Não há dúvida de que nosso idioma e riquíssimo, mas é difícil encontrar uma voz que se adapte adequadamente a índole desta publicação. Por isso tomamos do inglês a palavra HOBBY que por outro lado, faz muito tempo que tem cidadania argentina... (HOBBY, ago. 1936). A alusão a uma palavra já incorporada ao vocabulário nacional pode ser compreendida a partir da influência dos imigrantes de língua inglesa que se estabeleceram no país, principalmente, a partir dos meados do século XIX até às vésperas da Primeira Guerra Mundial. Nielsen (2003, p. 200), destaca que a presença de britânicos no país não se restringiu aos imigrantes, mas também aqueles trabalhadores de companhias atuantes em diversos ramos, tais como comércio, agricultura, financeiro e ferroviário. O período foi marcado por uma forte
9 Conforme informação de Eduardo Tarrico, disponível no seu site dedicado à arte de encadernação.
Como colecionador da revista e dos livros do Editorial Hobby, Tarrico detém informações confiáveis sobre as publicações.
ligação da Argentina com a Inglaterra, principalmente, no que tange aos investimentos em frigoríficos e ferrovias, cujos valores totalizavam 80% de todo capital estrangeiro investido no país. Do ponto de vista econômico “a Argentina era considerada uma semicolônia ou o “sexto domínio” do Império Britânico (MELLO, 1996, p. 36).
Posteriormente, no início do século XX, o país recebeu crescentes investimentos norte-americanos o que significou a afluência de funcionários para trabalharem nas recentes empresas criadas10. Nielsen (2003) também afirma que, apesar da presença de um número menor de imigrantes de língua inglesa em comparação aos espanhóis e italianos, a língua inglesa tornou-se um dos mais importantes idiomas no país. Isto se deveu ao prestígio social dos funcionários das grandes companhias e a influência do poder econômico das mesmas.
Até a primeira metade do século XX, proliferaram jornais publicados em inglês11 com circulação diária e ampla circulação; a criação de grupos de teatros em inglês e a introdução de esportes como futebol, boxe, polo, iatismo, tênis, etc. Isto implicou na proliferação de termos em inglês em circulação e contribuiu ainda mais para a familiarização dos argentinos com a língua inglesa, uma vez que tais práticas não ficaram restritas à pequena comunidade de britânicos.
A influência britânica também pode estar vinculada a própria atividade denominada
hobby, uma vez que sua origem remete ao período vitoriano. De acordo com Gelber
(1999), o conceito da palavra foi socialmente construído durante o século XIX a partir das transformações advindas do mundo do trabalho. Como atividade de lazer, os hobbies serviam como elo entre o trabalho e a casa, que, por sua vez, supostamente encontravam-se separados pelo industrialismo. Contudo, o autor afirma que as atitudes, valores e comportamentos que norteavam o ambiente de trabalho não poderiam ser completamente compartimentalizados (p. 2).
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Nielsen (2003, p. 201), ressalta que não chegou a formar-se uma comunidade norte-americana no país, uma vez que os funcionários apenas se estabeleciam no país o tempo necessário para cumprirem o tempo de contrato de trabalho e enviavam seus filhos para estudarem em colégios americanos. Para o autor, é provável que a presença norte-americana não tenha sido significativa para a inserção de um vocabulário de língua inglesa na sociedade argentina do período. No entanto, o fato de que eles se estabeleceram nos subúrbios de Buenos Aires, nos indica uma possível influência naquele meio cultural, cujo local foi o centro de intensas atividades culturais.
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O primeiro jornal publicado em inglês foi o The Standard and River Plate News (1861-1959); The
Isto significa que embora algumas correntes12 do pensamento sociológico afirmem que o tempo de lazer13 está subordinado à ideologia econômica, outras sugerem ser uma forma de luta contra a cultura dominante ao preservarem a sua individualidade não se sujeitando à ideologia imposta mas dela se apropriando, a compreensão da dinâmica entre trabalho e lazer é mais ampla.
Não é apenas uma questão de apropriação ou dominação, mas o lazer, tanto quanto a igreja, a família, o estado, a educação e o trabalho, constituem-se em um meio de conformar e reproduzir a estrutura da sociedade. Da mesma forma que os hobbies reforçam a ideologia dominante do trabalho ao reproduzirem elementos próprios do mercado industrial, também contribuem para disseminar novos valores na sociedade (GELBER,1999, p.10). Não cabe no escopo deste trabalho uma discussão sobre a relação entre trabalho e lazer, mas buscamos demonstrar a origem da atividade
hobbista e como ela requer habilidades e conhecimentos específicos, muitas vezes
próprios do laboral.
Retomando ao ponto anterior após essa sintética digressão, durante a era vitoriana houve um crescimento das atividades de lazer desenvolvidas no ambiente doméstico. Revistas e jornais britânicos divulgavam os benefícios de praticar um
hobby que deveria ser ao mesmo tempo útil e produtivo, e dentre os benefícios
estava o de alcançar um estado relaxado da mente. Embora contraditório, uma vez que os hobbies trazem elementos que tornam lazer em trabalho e trabalho em lazer, esses tiveram ampla aceitação na sociedade vitoriana (GELBER,1999, p. 26). Tal fato pode ser explicado pela conjuntura econômica inglesa e pela valorização do trabalho, do lazer e da casa como status da sociedade burguesa.
Inicialmente, o termo hobby raramente era utilizado especificamente para atividades relacionadas fora do trabalho. Até a década de 1880, a sua utilização designava qualquer tipo de preocupação com algum assunto ou atividade. Aos poucos começou-se a disseminar o uso do termo para uma série de atividades relacionadas
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Gelber (1999, p.10), cita o grupo denominado de “pessimistas” pelo sociólogo John Clarke, cujo cerne do trabalho busca demonstrar como o aspecto econômico domina todos os aspectos da sociedade, inclusive o lazer. Esta visão atribui a elite dominante a intenção de manter seu status e poder pela disseminação da ideologia do mercado capitalista. Por outro lado, há o grupo dos “populistas” ou “otimistas”, que embora compartilhe da mesma ideia central do grupo mencionado, considera que os indivíduos recebem e interpretam a ideologia de maneira pessoal.
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Em Adorno (1999) encontra-se uma discussão aprofundada sobre a relação entre tempo livre e trabalho.
a passatempo e “a mudança de uso não foi deliberada, e não foi reconhecida na época. No entanto, depois de 1885, os hobbies foram geralmente compreendidos como atividades saudáveis, a maioria das quais envolvendo a atividade produtiva solitária que teve lugar em casa”14 (GELBER,1999, p. 28).
A noção do significado de hobby variou e englobou diversas atividades como jardinagem, artesanato, projetos de construção, criação de animais e montagem de coleções. Foi um longo processo para a sua definição, cujo período estendeu-se desde os meados do século XIX até o final da Primeira Guerra Mundial.
A denominação da revista Hobby também pode ser compreendida a partir do contexto internacional. O cenário dos anos 1930 era propício para o aparecimento de publicações voltadas para a construção de objetos e atividades de lazer que exigiam habilidades manuais. Tanto nos Estados Unidos quando na Inglaterra havia um movimento para a promoção da atividade hobbista. Como Gelber nos mostra
A categoria de atividade de lazer conhecida como hobbies parece ter experimentado um crescimento sem precedentes na aceitação do público nos Estados Unidos durante a Grande Depressão. Municípios, escolas, e empresas patrocinavam clubes de hobby. Os meios de comunicação, incluindo jornais, revistas e rádio, regularmente focavam na atividade de hobby. Várias organizações nacionais surgiram para promover hobbies, e as atividades de colecionar do presidente dos Estados Unidos tornaram-se um modelo para crianças e adultos.15 (1991, p. 741).
Havia um consenso dos benefícios dos hobbies para crianças e adultos. Eram considerados boas atividades de lazer, uma vez que propiciavam aos participantes exercer e/ou aprender uma variedade de habilidades e conhecimentos, além de desenvolver e despertar valores para o mercado de trabalho. No caso da Argentina, uma conjunção de fatores, tais como a crescente industrialização, a implantação de um projeto educacional extensivo à toda sociedade, a valorização dos conhecimentos técnicos e uma nascente classe média urbana imbuída de valores voltados para o mercado capitalista foram fundamentais para o sucesso da revista
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The change in usage was not deliberate, and it went unrecognized at the time. Nevertheless, after 1885 or so hobbies were generally understood to be wholesome activities, most of which involved solitary productive activity that took place at home. São de nossa autoria todas as traduções do inglês presentes nesta tese.
15 The category of leisure activity known as hobbies appears to have experienced an unprecedented
growth in public acceptance in the United States during the great depression. Municipalities, schools, and business sponsored hobby clubs. The media, including newspapers, magazines and radio, regularly focused on hobby activity. Several national organizations emerged to promote hobbies, and the collecting activities of the presidente of the United States became a model for both children and adults.
Hobby. São elementos que conjugados com o contexto internacional de valorização
de conhecimentos e habilidades na forma de hobbies tiveram papel preponderante na escolha do nome da revista.