5. BULGULARIN DEGERLENDİRİLMESİ
5.3. Muhasebe Meslek Mensuplarının Muhasebe Hileleri İle İlgili Yargılara
A participação efetiva nas decisões de projeto é uma condição sine qua non para a colaboração entre arquitetos durante o processo, independente do contexto de produção onde essa atividade aconteça (CHIU, 2002). A participação dos clientes no processo, embora em algumas situações eles não sejam os próprios usuários do edifício, também é fundamental no esclarecimento de como os problemas de projeto devem ser abordados por parte dos projetistas (LAWSON, 2011).
Todavia, no campo dos estudos em projeto, há um conjunto de pesquisas recentes agrupadas sobre o título de projeto participativo que discutem exclusivamente a interação entre o(s) arquiteto(s) e os futuros usuários do espaço construído (HIRATA, 2004; BASTOS, 2007; LANA, 2007; PULHEZ, 2007; PEIXOTO, 2008; MATOS, 2010). De um modo geral, o quadro de referências dessas pesquisas se amplia para além da criação em arquitetura e passa a envolver questões políticas, pedagógicas, sociológicas etc. Pulhez indica que esses estudos procuram
[...] refletir sobre os meandros da prática profissional do arquiteto voltada às questões da habitação popular, mas cujo estatuto de trabalho – mais importante ainda – se centra na própria possibilidade de desconstrução do grande monopólio de conhecimento de que somos partícipes, trazendo à tona um novo enfoque profissional dado à questão da moradia, questionando dogmas enraizados tanto no conceito moderno de habitação popular quanto no estatuto centralizador de projeto arquitetônico que daí advém, mobilizando diversas práticas de participação, organização e cooperativismo, auto construção e auto gestão: um caminho considerado possível para que a arquitetura e o urbanismo também possam tomar parte dos processos de democratização do Estado e da sociedade (2007, p.1).
A pré-condição do projeto participativo é a participação ativa dos usuários nas decisões tomadas durante o processo de projeto, de forma a garantir o atendimento às suas demandas. Segundo Lana:
No processo participativo, o usuário possui um papel ativo durante a elaboração do projeto. Não é apenas o fornecedor do programa de necessidades a ser atendido ou o mero provedor dos recursos da obra. Não se trata de uma co-autoria do projeto, mas de uma participação presente ao longo de todo o desenvolvimento do mesmo. Na elaboração de um projeto arquitetônico, o arquiteto considera uma série de variáveis técnicas e projetuais que o levam a diversas decisões que são tomadas durante o processo de projeto. No projeto participativo, a responsabilidade dessas decisões é dividida com o cliente e não apenas comunicada ou compartilhada (2007, p.27).
De acordo com Wulz (1986), no projeto participativo a autonomia do arquiteto na resolução de problemas é mínima e o poder de decisão se concentra, sobretudo, nas mãos dos usuários, uma vez que esses agentes são vistos como “entidades criativas”. Isto é, o papel de projetista do arquiteto é substituído pelo de consultor de questões técnicas e o usuário assume o papel de cliente/empreendedor/arquiteto. Sobre a retirada total (ou quase total) do arquiteto no processo, proposta pelo projeto participativo, Wulz afirma:
A divisão grosseira entre esses dois extremos resulta nos polos opostos do especialista autônomo e do usuário autônomo da arquitetura. [...] Essas duas formas de arquiteturas extremas não aparecem hoje com muita frequência em suas formas puras, mas elas servem para ilustrar os dois polos opostos do processo de projeto arquitetônico. Um onde o arquiteto atinge as suas próprias decisões e define sua marca pessoal em sua arquitetura, e o outro onde o indivíduo toma suas próprias decisões e não se submete a qualquer "marca". No mundo prático da construção, esses dois extremos são forçados a chegar a um compromisso um com o outro. [...] A escala entre esses dois polos fornece os estágios da influência do arquiteto e do usuário. É uma escala recíproca em que o decréscimo da influência do arquiteto é seguido pelo aumento da influência do usuário (1986, p. 155, tradução nossa).
Nos estudos mencionados, o conflito de interesses entre os atores envolvidos (arquitetos, usuários, poder público etc.) é apresentado como um dos maiores entraves à participação efetiva dos usuários durante o processo. Outra dificuldade apontada se refere à distância existente entre o conhecimento especializado dos arquitetos e o conhecimento popular dos usuários. Conforme pode ser observado nas afirmações dos autores supracitados, o foco dos estudos sobre o projeto participativo está, sobretudo, na problematização da autonomia do usuário nas decisões tomadas durante o processo de projeto e na revisão do papel do arquiteto enquanto protagonista desse processo.
O presente trabalho também aborda a importância da participação dos usuários durante o processo de projeto, assim como a colaboração entre eles e os arquitetos. Porém, difere dos estudos recentes sobre o projeto participativo porque não tem como foco o questionamento do papel central assumido pelo arquiteto no processo de projeto, tampouco propõe a retirada total (ou quase total) do arquiteto do processo criativo.
3 RELATO DOS PROJETOS
Neste capítulo, são relatados os processos de projeto observados em campo, relativos a uma residência unifamiliar, projetada pelo ESCRITÓRIO A, e a um edifício para uma Escola de Medicina, projetado pelo ESCRITÓRIO B. Dentro das especificidades de cada caso, os relatos enfocam as ações dos participantes, as individuais e as conjuntas, que viabilizaram o atendimento às demandas dos projetos. O conjunto de dados relativos a cada um dos processos é composto por desenhos feitos à mão ou produzidos em softwares diversos (tais como AutoCAD e Sketch Up), anotações tomadas durante a observação em campo e informações obtidas nas conversas com os profissionais envolvidos. Essas informações enunciadas nas conversas forneceram dados que não puderam ser coletados durante as observações, uma vez que o desenvolvimento dos anteprojetos nos dois escritórios não foi presenciado integralmente11. Nos relatos que se seguem, esse
conjunto diversificado de dados foi sistematizado em cinco momentos correspondentes ao número total de encontros com cada uma das equipes de arquitetos durante a etapa de anteprojeto arquitetônico.