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2.9. MÜŞTERİ MEMNUNİYETİNİN DİĞER KAVRAMLARLA İLİŞKİSİ

2.9.1. Motivasyon

Muito da discussão sobre a importância da opinião dos alunos tem como foco a avaliação de professores do ensino superior, onde tal opinião é muitas vezes utilizada como base para decisões com fortes consequências para esses profissionais. Na educação básica as iniciativas de incorporação da opinião dos alunos nas avaliações de professores são mais recentes, mas tem crescido nos últimos anos (principalmente nos Estados Unidos). Para Strong (2011, p.78):

Ainda que os estudantes tenham o conhecimento mais íntimo e consistente sobre o que os professores fazem na sala de aula, a sua opinião é a procurada com menor frequência com o propósito de avaliar os professores. A avaliação de alunos é mais usadas no ensino superior, onde existem diversas razões para considerá-las válidas [...] No entanto, crianças podem ser vistas como fontes de informação sobre os seus professores menos confiáveis do que os estudantes universitários.lxx

A discussão sobre a validade e confiabilidade dos dados fornecidos pelos alunos se faz presente em vários dos textos analisados. O trabalho de Peterson, Wahlquist e Bone (2000, p. 148) conclui que “pesquisas com estudantes podem ser fontes de dados válidos e confiáveis para a avaliação de professores. Os padrões de resposta [...] sugerem que os alunos responderam à gama de itens com razão, intenção

e valores consistentes.”lxxi

. Estudo realizado como parte do projeto Measures of Effective Teaching (MET, 2010) revelou consistência e estabilidade na opinião dos alunos sobre os seus professores, mesmo analisando a resposta de alunos de diferentes turmas sobre o mesmo professor. Revelou ainda que as respostas dos alunos diferenciam os professores (uma vez que o percentual de respostas se mostrou consistentemente diferente entre os professores).

Já Wilkerson et al. (2000, p. 187), analisaram a validade das respostas dos alunos sobre uma outra perspectiva: referente à sua relação com o desempenho dos alunos em avaliações em larga escala. Os autores constataram que os questionários dos alunos conseguiram prever melhor os ganhos nos resultados das avaliações em larga escala do que as auto-avaliações dos professores e que as classificações realizadas pelos seus diretores. Assim, afirmam que: “estudantes fornecem um feedback mais válido do que professores e diretores, se o desempenho do aluno é a

medida de validade”lxxii

. Resultados similares foram encontrados em outro estudo baseado no MET (2012b, p.2)33. Segundo o documento:

O projeto MET constatou que os resultados das pesquisas de opinião dos alunos sobre os seus professores podem prever ganhos nos resultados dos alunos [em avaliações em larga escala]. Estudantes sabem reconhecer uma sala de aula eficaz quando a vivenciam. O fato dos questionários dos alunos poderem predizer o seu desempenho também sugere que esses questionários podem fornecer dados sobre o desempenho de séries e matérias para as quais avaliações em larga escala não estão disponíveis.lxxiii

Estudo da Hanover Research (2013, p. 3) também mostra que:

33Nesse estudo, os resultados dos questionários dos alunos se apresentaram como melhores preditores

do desempenho dos alunos em avaliações em larga escala do que os resultados de observações em sala de aula e até mesmo do que medidas de valor-agregado. Sobre as observações em sala de aula, o documento ainda ressalta que enquanto esse instrumento pode capturar apenas o que acontece nos dias em que as observações são realizadas, os questionários dos alunos refletem a opinião de várias pessoas que passam muitas horas por semana com o professor.

A pesquisa sobre o uso de questionários que captem a opinião dos alunos da educação básica não é extensa, entretanto, os estudos consistentemente sugerem que os questionários dos alunos são uma medida confiável da efetividade do professor. Os formuladores desses questionários têm estabelecido a validação do seu conteúdo por meio do desenvolvimento de questões relevantes e baseadas em pesquisas, e da estruturação dos questionários em torno de constructos-chave relacionados a atributos da docência de alta qualidade. Estudos têm mostrado que os questionários dos alunos podem predizer ganhos nos seus resultados [em avaliações em larga escala], e que a única coisa melhor para predizer esses ganhos são os seus desempenhos anteriores.lxxiv

Tais pesquisas analisaram as respostas de alunos da educação básica, indicando que também nesse nível de ensino esse instrumento pode contribuir com as avaliações de professores. Contudo, Goe, Bell e Little (2008, p.40) ressaltam que “a confiabilidade e validade das pesquisas com estudantes depende, em certa medida, do instrumento utilizado, como ele foi desenvolvido, como ele é administrado, e o nível de detalhe que pretende medir.”lxxv

Em geral as pesquisas de opinião dos alunos são utilizadas exclusivamente para a avaliação formativa dos professores da educação básica, uma vez que não se sabe ao certo se os resultados dos alunos se manterão válidos e consistentes se forem utilizados para avaliações com altas consequências. Neste caso, existe ainda o risco dos professores alterarem seu comportamento buscando apenas a aprovação dos alunos, e não necessariamente a melhoria da sua aprendizagem (Hanover Research, 2013).

Esse risco relaciona-se com uma preocupação constante na literatura sobre o tema que diz respeito à possibilidade das pesquisas de opinião dos alunos refletirem mais a popularidade dos professores do que a sua competência para o ensino. Mais uma vez, o trabalho de Peterson, Wahlquist e Bone (2000, p. 148), encontra evidências que mostram o contrário, ou seja:

A discriminação nas estruturas fatoriais entre um professor como fonte de aprendizagem e como uma pessoa que demostra respeito e cuidado suporta a validade da fonte de dados: os alunos de diferentes idades distinguem entre essas duas dimensões. Pesquisas com estudantes não são apenas concursos de popularidade, os alunos distinguem entre apenas

gostar de um professor e reconhecer aquele que favorece a sua aprendizagem. Enquanto os estudantes podem distinguir entre um professor que apoia a aprendizagem e um que os trata bem, este estudo indica que o primeiro é mais importante para os alunos mais velhos, enquanto o último é mais importante para os mais novos.lxxvi

É preciso considerar que os alunos não são boas fontes de informação de todas as dimensões do trabalho docente, sendo necessária grande atenção para a formulação das questões a eles direcionadas (Goe, Bell e Little, 2008). Nesse sentido, não é recomendável perguntar aos estudantes, por exemplo, sobre o conhecimento dos professores sobre a matéria ensinada, mas sim sobre assuntos que eles tenham vivenciado diretamente, tais como: se o professor se expressa de uma maneira clara, quais são os recursos que o professor costuma utilizar na sala de aula (materiais didáticos, lição de casa, etc.), se os alunos se sentem à vontade para fazer perguntas etc34. Nas palavras de Strong (2011, p.78):

Ainda que existam certos aspectos da docência, como o conhecimento dos professores sobre a matéria de ensino e a escolha da metodologia utilizada, que os estudantes não são qualificados para julgar, a avaliação dos estudantes de certos eventos que ocorrem na sala de aula, bem como das interações do professor, pode ser objetiva, válida e confiável.lxxvii

Também é preciso que as questões direcionadas aos estudantes sejam escritas de maneira clara (referentes a apenas um aspecto do trabalho docente, sem duplo negativos etc.) e apropriada para a sua idade. Em geral são elaborados instrumentos diferentes para alunos de idades diferentes. É claro que quanto maior a idade dos alunos, mais complexas podem ser as questões e mais abertas podem ser as possibilidades de resposta. Para as crianças mais novas e ainda não alfabetizadas, faz- se necessário uma explicação sobre o preenchimento do questionário, a leitura coletiva das questões e, em alguns casos, a aplicação do instrumento em grupos pequenos, para garantir que ele seja preenchido de maneira correta (MET, 2012b).

Peterson, Wahlquist e Bone (2000), defendem que todos os questionários incluam um item global do tipo “o meu professor é um bom professor?”. Em sua pesquisa, eles descobriram que a resposta a esse item sintetiza bem a opinião dos estudantes sobre os seus professores representada pelas suas demais respostas.

Ainda sobre a formulação do questionário, é importante cuidado com relação ao número de questões que farão parte do instrumento de forma que a quantidade de perguntas seja suficiente para captar o que o professor geralmente faz na sala de aula, buscando diferenciar os professores que fazem um bom trabalho, dos que não fazem, sem sobrecarregar os estudantes. De acordo com o estudo parte do MET (2012b), quanto mais questões que tratam de um mesmo aspecto do trabalho docente, mais confiáveis as respostas do questionários sobre esse tema, entretanto, essas respostas podem ser prejudicadas se o preenchimento do questionário se tornar maçante para os estudantes, daí a necessidade de se balancear esses dois quesitos no momento da elaboração do instrumento.

Além de boas perguntas, o instrumento de coleta de opinião dos alunos deve ser bem aplicado para que consiga produzir boas informações sobre o trabalho docente. Nesse sentido, faz-se necessária a garantia de que os estudantes entendam o que está sendo perguntado e se sintam seguros para responderem honestamente. Para tanto, é preciso que eles confiem, dentre outras coisas, que eles não serão prejudicados por suas respostas, o que só é possível garantindo o sigilo dos respondentes, que, por sua vez, só é possível se o professor avaliado não estiver presente nos momentos de aplicação do instrumento e contabilização das respostas.

Ademais, faz-se necessário que os professores “recebam os resultados em tempo hábil, entendam o que eles querem dizer, e tenham acesso a recursos de desenvolvimento profissional que irão ajudá-los a melhorar nas áreas que mais

precisam” (MET, 2012b, p.3).

Em avaliações de grande porte, é preciso cuidado para que as respostas dos alunos sejam atribuídas aos professores corretos, e que cada professor seja avaliado por um número adequado de respondentes (questionários preenchidos por apenas 3 ou 4 alunos, podem gerar resultados que não são válidos e nem confiáveis). Isso pode parecer bem simples, mas exige todo um trabalho de logística na distribuição dos questionários e análise dos seus resultados que não pode ser menosprezado.

De maneira geral, a opinião dos estudantes é importante porque eles analisam o trabalho docente a partir de um ponto de vista diferente do de qualquer outro grupo

(por exemplo familiares e outros professores), eles observam diariamente o trabalho do professor e são diretamente beneficiados por um bom ensino.

Ninguém tem mais “em ogo” com relação à efetividade dos professores do que os estudantes. Nem existem melhores especialistas sobre como o ensino é vivenciado pelos seus beneficiários. Mas só recentemente muitos formuladores de políticas educacionais e profissionais do ensino começaram a reconhecer que – quando as perguntas certas são feitas, da maneira correta – os estudantes podem ser uma importante fonte de informação sobre a qualidade do ensino e o ambiente de aprendizagem em uma sala de aula específica (MET, 2012b, p. 2)lxxviii.

Os estudantes também podem ser considerados os consumidores ou clientes dos professores. Nessa perspectiva Stronge e Tucker (2003, p. 59 e 60) afirmam que:

O feedback dos estudantes pode ser uma fonte viável de informação que aumenta o nosso entendimento do ensino e aprendizagem e, portanto, pode servir como uma adição valiosa para o quadro de avaliação de professores. Um argumento para envolver estudantes no fornecimento de feedback avaliativos é que eles são os consumidores primários dos serviços dos professores. [...] Como participantes do processo de ensino-aprendizagem, estudantes são os maiores clientes dos professores, e eles estão em uma posição chave para providenciar informações sobre a eficácia dos professores. O mais importante é que os alunos são o único grupo que tem conhecimento direto sobre as práticas de sala de aula regularmente.lxxix

Mais uma vantagem da incorporação da percepção dos alunos na avaliação dos professores é valorizar o envolvimento dos estudantes na sua educação, o que pode, inclusive, ter impacto positivo no seu desempenho acadêmico. No documento da organização Advocates for Children of New York (2012, p. 4) temos que:

O envolvimento significativo dos estudantes aumenta a sua participação, dá aos jovens um senso de propriedade da sua educação. Está demonstrado que o envolvimento dos estudantes melhora os seus resultados acadêmicos e aumenta a chance de que eles completem o ensino médio; estudantes que se sentem conectados com a escola – sentem que são respeitados, que suas opiniões são valorizadas e que alguém se interessa por eles – têm uma atitude acadêmica mais positiva e têm maior chance de continuar a frequentar a escola. Assim, envolver os estudantes como participantes ativos da avaliação

de professores e nos esforços de reforma educacional que ocorrem em suas próprias escolas tem o poder de ensiná-los sobre os princípios democráticos, empoderá-los e motivá-los em direção ao sucesso acadêmico, e mostra a eles que suas vozes e perspectiva singular no sistema educacional são importantes e valorizadaslxxx.

Além disso, comparativamente com outros instrumentos de avaliação de professores, questionários para alunos não são tão caros35, podem ser administrado mantendo o anonimato dos respondentes, exigem formação mínima para sua administração e fornece dados que podem ser comparados ao longo dos anos (Goe, Bell e Little, 2008).

Estudo da Hanover Research (2013) aponta como uma das principais vantagens das pesquisas de opinião dos alunos o fato delas apresentarem feedback rápido para os professores e capazes de identificar seus pontos e fortes e fracos, diferente de outros instrumento (por exemplo o desempenho dos alunos em testes de larga escala, que podem indicar se os estudantes estão aprendendo ou não, mas não o que os professores estão fazendo certo e nem o que pode melhorar). No mesmo sentido, o estudo do MET (2012b, p. 3) conclui que:

Pesquisas de opinião dos alunos também fornecem feedback para a melhoria [do desempenho dos professores]. Os professores querem saber se seus alunos se sentem suficientemente desafiados, envolvidos na aprendizagem e a vontade para pedirem a sua ajuda. Considerando que medidas anuais de ganhos no desempenho dos alunos fornecem pouca informação para a melhoria (e geralmente muito tarde para se fazer alguma coisa), pesquisas de opinião dos alunos podem ser administradas logo no início do ano para informar aos professores em que áreas eles precisam se concentrar para que os seus atuais aluno se beneficiem. Como uma ferreamenta de feedback, essas pesquisas podem ser um complemento poderoso para outros instrumentos [de avaliação de professores].lxxxi

35 Segundo documento da Hanover Research (2013), a implementação do Tripod – um dos

instrumentos de coleta de opinião dos alunos mais utilizados nos Estados Unidos – custa menos que cinco dólares por aluno, representando um custo bem menor do que o necessário, por exemplo, para realizar 4 observações em sala de aula por ano.