2.9. MÜŞTERİ MEMNUNİYETİNİN DİĞER KAVRAMLARLA İLİŞKİSİ
2.9.3. İletişim
O argumento de que a opinião dos pais/responsáveis deve fazer parte da avaliação de professores baseia-se na percepção de que eles possuem interesse direto na qualidade do trabalho docente e analisam esse trabalho de uma maneira singular, podendo oferecer informações diferentes (e complementares) às encontradas em outras fontes.
Porque os pais são parte do trabalho dos professores e o observam de um ponto de vista único e importante, existe a necessidade de incorporar de alguma maneira a percepção dos pais nos sistemas de avaliação de professores a fim de adquirir um olhar mais amplo da qualidade docente. (Peterson et al, 2003, p. 318).lxxxii
Percebe-se, na literatura, o entendimento de que a comunicação com os pais/responsáveis faz parte do trabalho docente36 (Scriven, 1994) e que o seu envolvimento na escola traz benefícios para a educação, devendo ser estimulado inclusive nos processos de avaliação de professores. De acordo com Master (2013, p.4 e 5):
O envolvimento dos pais na educação escolar é associado à melhoria do desempenho dos alunos (Sheldon e Epstein, 2005; Powell-Smith, Stoner, Shinn, e Good, 2000) e à uma série de outros ganhos nos resultados e comportamentos dos alunos (Fan e Williams, 2010; Domina, 2005; Simon, 2001; Sirvani, 2007a). Além disso, tem sido demonstrado que algumas intervenções escolares que estimulem a interação entre pais e professores aumentam a motivação, engajamento e performance dos alunos (Kraft e Dougherty 2012; Sirvani, 2007b; Bursztyn e Coffman, 2011). [...]. Finalmente, para além da informação que os pais podem fornecer, os pais constituem um grupo de interesse chave para as escolas e o ato de incluir a sua perspectiva nos sistemas de avaliação pode, por si só, ajudar a gerar relações positivas entre os pais e escola.lxxxiii
No mesmo sentido, o documento da Advocates for Children of New York (2012, p. 7) coloca:
36
No Brasil, tal percepção é referendada pela LDB (Lei 9394/96), quando essa estabelece, em seu Art. 13, inc. VI, que uma das atribuições dos docentes é “colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade”.
Pesquisas têm claramente estabelecido que o envolvimento da família na escola melhora os resultados dos alunos. Alunos com pais envolvidos têm mais chance de frequentar a escola regularmente, alcançar melhores resultados acadêmicos, demonstrar um melhor comportamento e habilidades sociais, passar de ano, e finalmente, concluir o ensino médio. O conhecimento e expertise que os pais trazem sobre os seus filhos não pode ser alcançado de nenhuma outra forma; quando professores colaboram e se tornam parceiros das famílias, eles são mais capazes de diferenciar a instrução e criar um ambiente de aprendizagem positivo. Além disso, comunicações regulares entre os professores e as famílias dão suporte aos esforços dos pais de promoverem a aprendizagem em casalxxxiv.
Epstein (1985, p.4) destaca a importância da participação dos pais/responsáveis para toda a instituição escolar, entendendo que tal participação é fundamental para tornar a instituição mais eficiente e que, pais como membros da
comunidade escolar, “têm interesse no sucesso, manutenção e melhoria da
organização escolar e devem participar, assim como outros membros, na avaliação da instituições e de seus componentes”lxxxv. Em outro trecho a autora afirma: “Com interesses e investimentos únicos tanto na eficiência do professor, quanto na eficiência da organização escolar, os pais devem ser legitimados como importantes colaboradores, junto com outros, na avaliação dos professores e dos programas da
escola” (Idem)lxxxvi .
Entretanto, ainda existe muita controvérsia sobre o tema, com muitos professores apresentando resistência à participação dos pais/responsáveis na sua avaliação, conforme explicita Peterson et al. (2003, p.320):
Os professores discordam sobre a importância da opinião dos pais sobre o seu trabalho (Kauchak et al., 1985). Alguns professores estão em uma melhor posição para receberem reações favoráveis dos pais (por exemplo, professores no nível primário), enquanto outros professores trabalham muito bem fora da vista dos pais (ensino médio). Alguns bons professores incluem os pais como parte da sua boa prática (por exemplo
como ajudantes voluntários), enquanto outros bons
professores trabalham muito bem independentemente dos pais. Alguns professores obtém poder dos pais que são vistos como seus defensores, enquanto outros professores enfrentam ameaças desse mesmo público. Alguns professores com alto
que a introdução da opinião dos pais pode ameaçar o seu status atual.lxxxvii
Uma preocupação recorrente dos professores é que eles sejam cobrados por uma coisa que está fora do seu alcance, uma vez que o nível de participação dos pais/responsáveis não depende só deles, mas também da disponibilidade e interesse dos próprios pais/responsáveis. Entretanto, Danielson (2011, p.80) reforça que os professores devem estabelecer canais de comunicação com as famílias de seus alunos e dar oportunidades para que estes participem do processo educacional. Em suas palavras:
Ainda que a habilidade das famílias de participar na educação de seus filhos varie muito devido a outras obrigações familiares e profissionais, é responsabilidade do professor fornecer oportunidades para que eles conheçam tanto o programa de ensino, quanto o progresso dos seus filhos. Professores estabelecem relação com as famílias por meio da comunicação sobre o programa de ensino e sobre cada aluno, e por meio do convite para que as famílias façam parte do processo educativo.lxxxviii
A resistência à inclusão da opinião dos pais nos sistemas de avaliação de professores leva a questionamentos com relação à validade e confiabilidade dessa fonte de informação. Contudo, estudos (Peterson et al., 2003, Master, 2013 e Epstein, 1985) mostram que os pais oferecem uma medida estável e distinta da qualidade dos professores, sendo possível estabelecer diferenciações entre os professores (dentro de uma mesma escola e entre escolas diferentes) que se mantém estáveis ao longo dos anos (em avaliações dos mesmos professores realizadas por um novo conjunto de pais). Esses estudos (juntamente com o de Ostrander, 1996) ainda concluem que a
opinião dos pais é muito próxima da opinião dos alunos, “provavelmente porque os
pais se baseiam nos relatos dos seus filhos para formarem a sua própria opinião [sobre
os professores]” (Master, 2013, p. 26)lxxxix .
Os trabalhos de Epstein (1985) e de Ostrander (1996) mostram que os pais costumam fazer uma avaliação mais rigorosa do trabalho docente do que os diretores, independentemente da origem socioeconômica e da formação desses pais. Nos dois estudos também foram encontradas evidências de que quanto menor a série do aluno, maiores as notas atribuídas pelos pais aos seus professores e, para Epstein (1985), quanto maior a série do aluno, maior a variação das notas atribuídas pelos pais. A
autora ainda descobriu que a avaliação dos pais é mais positiva e mais consensual quando os professores envolvem mais os pais nas atividades, quando eles encaminham mais comunicados para casa e quando eles mantém uma boa disciplina na sala de aula.
Master (2013), encontrou correlação entre a opinião dos pais e o desempenho dos alunos em matemática (vale dizer que tal correlação não foi encontrada no estudo de Epstein, 1985) e entre a opinião dos pais e os resultados de observações sistemáticas de algumas áreas do trabalho docente. O autor ressalta, entretanto, que a opinião dos pais parece bastante unidimensional e os feedbacks dela decorrentes não apresentam nuances que seriam importantes para a melhoria do desempenho dos professores (professores são considerados ou bons ou ruins, sem indicação de como eles poderiam melhorar).
Uma recomendação recorrente na literatura (Peterson et al., 2003, Stronge e Tucker, 2003, Danielson e McGreal, 2000, Peterson, 1990) refere-se ao tipo de questões que devem ser feitas aos pais/responsáveis. Deste modo, é preciso atentar para o tipo de informação que esse grupo pode ou não pode fornecer: se, por um lado os pais/responsáveis podem responder sobre a comunicação que estabelecem com os professores, sobre as lições de casa dos alunos e o suporte oferecido pelos professores para a aprendizagem em casa, por outro, eles não são as pessoas mais adequadas para opinarem sobre o conhecimento dos professores sobre a matéria de ensino, sobre o que os professores fazem em sala de aula, dentre outros37.
Questionários para os pais devem incluir perguntas que os pais podem responder e não devem ser excessivamente detalhadas. Por exemplo, os pais não têm como saber se o professor apresenta as lições de uma maneira que os alunos conseguem entender. Eles sabem, contudo, se os seus filhos têm as habilidades necessárias para realizar os trabalhos de casa e se eles próprios entendem as comunicação do professor de seus filhos. Eles podem ainda dizer se o professor estava acessível quando eles precisaram contatá-lo, ou se o professor retornou prontamente às suas ligações. (Danielson e McGreal, 2000, p. 51)xc.
37 Exemplos de questionários para os alunos (incluindo as propostas apresentadas por Stronge e
Para Peterson et al. (2003, p.327), é preciso considerar os seguintes fatores na elaboração de questionários:
Os pais: a) não estão na sala de aula; b) não conhecem importantes dados comparativos entre os alunos; c) são especialistas nos seus filhos, mas não no ensino e aprendizagem que acontece na sala de aula; d) são influenciados pela reação emocional ao sucesso de uma criança ao invés do sucesso global da sala de aula; e e) são excessivamente influenciados pela sua própria história escolar.xci
Os autores ainda ressaltam a importância da inclusão de um item que represente, de maneira global, o nível de satisfação dos pais para com os professores, afirmando que em geral esse item representa, de maneira sintética, as demais respostas do questionário.
Por fim, destaca-se, mais uma vez, a recomendação de que a opinião dos pais seja combinada com outros instrumentos para uma melhor avaliação dos professores. Nesse sentido, Peterson et al. (2003, p. 327) afirmam que:
Um alto índice na avaliação dos pais não necessariamente significa a mesma coisa que uma boa docência. Talvez, a melhor interpretação seja que um alto índice dos pais, em conjunto com vários outros indicadores positivos, é um bom indicador da qualidade docente.xcii