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Christian Dior nasceu em Granville (França) em 1905 em uma família burguesa abastada de produtores de fertilizantes, garantindo uma infância e adolescência segura e serena. Estudou e formou-se em Ciências Políticas sendo orientado pelo seu pai que gostaria que seguisse a carreira diplomática; seu interesse, entretanto, sempre esteve voltado para as artes, principalmente o desenho. Em certo período de sua vida viajou pela Europa. No ano de 1927 abriu, com o amigo Jacques Bonjean, uma galeria de Artes realizando exposições de alguns trabalhos de Jean Cocteau, Dufy e Christian Bérard. No ano de 1931 sua família passou por grave crise financeira e, em 1934, Christian Dior foi vítima de uma grave doença. Como não podia contar com o apoio financeiro da família, depois de recuperado da doença, resolveu vender desenhos de modelos de chapéus, croquis de roupas e acessórios para diversas maisons de Paris, no período de 1935 até 1938, quando resolveu entrar no universo da alta-costura como assistente do estilista Robert Piguet (1901-1953).

Na Segunda Guerra Mundial atuou como soldado do corpo de engenheiros. Em 1941 trabalhou com o estilista francês Lucien Lelong (1889- 1958) e conheceu o grande estilista francês Pierre Balman (1914-1982).

Marcel Boussac (1946), poderoso empresário de tecidos, concretizou o sonho de Christian Dior de ter a sua própria maison - Avenida Montaigne-30 - até hoje no mesmo local.

A primeira coleção de Christian Dior foi apresentada no dia 12 de fevereiro de 1947, criando seu eterno "New Look"; toda imprensa ficou impressionada, surgindo o “mito” Christian Dior.

O homem tímido e educado apresentando a elegância, o mundo sofisticado da alta-costura em sua primeira coleção conseguiu transformar o conceito de praticidade e simplicidade das roupas femininas, mostrando que a mulher anseia pela elegância, luxo e sofisticação.

Christian Dior foi responsável pelo resgate da feminilidade e do requinte do guarda-roupa feminino. Os vestidos confeccionados levavam até 40 metros de tecidos; os sapatos eram de salto e os chapéus de aba larga e luvas, completando a produção com bijuterias finas.

Em 1947 lançou seu primeiro perfume (o Miss Dior); em 1956 lançou outros perfumes e sua linha de cosméticos. No ano de 1949 Christian Dior já havia conquistado outra maison de prêt-à-porter de luxo em Nova York.

No dia 24 de outubro de 1957 Christian Dior morreu na Estação Terminal (”Termine”) Toscana de Montecatini, na Itália. Deixou um império de luxo com 28 ateliês e 1200 empregados.

Entre 1955 e 1957 Christian Dior fez várias conferências na Sorbonne; dois anos antes da sua morte fez uma conferência em que dialogava com Jacqueline de Menou (professora da disciplina de civilização francesa) no

anfiteatro da Sorbonne para quatro mil estudantes, seguida da apresentação de um desfile.

Christian Dior testemunhou a importância do papel do costureiro, a submissão deste profissional em relação às suas clientes, as tendências do momento, a relação com a moda e a transformação deste profissional no decorrer dos anos. O papel do costureiro era respeitar a tendência da época, mas sempre dando um toque de singularidade e de suntuosidade nos pequenos detalhes. Ao mesmo tempo, procurava sempre materiais novos tirando suspiros, provocando desejos e impressionando o público.

Nessa conferência, Dior fala sobre a rainha Maria Antonieta e o papel dos costureiros da época. A rainha encomendava acessórios para Rose Bertin, sua costureira, a exemplo dos sapatos batizados de “venez-y-voir” (venham ver) e penteados com nome de “poufs aux sentiments” ( pufes com sentimentos); foi criticada pelos excessos de tantos caprichos.

Segundo Christian Dior (2010) foi no século XIX que o costureiro

começou a tornar-se uma personalidade; sua roupa passou a ser reconhecida pela riqueza do tecido, originalidade e cara em acessórios e acabamentos. A

corte começou a perder importância. A profissão de costureiro33 passou a ser

sinônimo de criação artística, com assinatura das peças criadas e impondo seu estilo. Foi, portanto, tanto através do desenvolvimento da indústria têxtil, como dos meios de transporte de comunicação que se deu esta transformação. A Escócia, Japão e Caxemira ficavam a apenas algumas horas de distância de avião e todos os tecidos estavam à disposição de muitas pessoas. A frase “tecido único" ficou ultrapassada. Foi neste momento que surgiu a cópia das formas, pois os tecidos ficaram de fácil acesso. O importante era a novidade e não mais ter a toalete mais luxuosa.

Através de fotos, desenhos e cinema podemos observar o que foi a moda nos séculos anteriores, respeitando o que era de cada época e percebendo a riqueza das roupas e do vestir.

      

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Christian Dior afirma que, como estilista da elite, percebe que a roupa que cria não é para a massa, mas apenas para a elite; mostra que a alta- costura é cara e é um protótipo, mas que também representa um tesouro do artesanato, uma obra-prima. É um trabalho que exige muitas horas de dedicação envolvendo um valor intrínseco e único. Uma obra de arte que em breve estará ditando a moda no mundo. Do costureiro vai para as boutiques; o próximo passo são as confecções, aparecendo nas vitrines e nas ruas. Trata- se de uma essa trajetória que é acelerada pela imprensa escrita, pela televisão, pelo cinema e por outros meios de comunicação. A migração da moda ocorre a passos largos. Sendo assim cada mulher, conforme seu poder aquisitivo, adquiri a peça que sonhava.

Na conferência acima mencionada, Christian Dior afirmou que o papel do costureiro é criar desejos através das coleções e colocá-las em circulação, pois hoje a fada-madrinha se aposentou.