• Sonuç bulunamadı

O tempo A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são seis horas! Quando de vê, já é sexta-feira! Quando se vê, já é natal... Quando se vê, já terminou o ano... Quando se vê perdemos o amor da nossa vida. Quando se vê passaram 50 anos! Agora é tarde demais para ser reprovado... Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o

relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca

dourada e inútil das horas... Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo... E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta

de tempo. Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz. A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente,

nunca mais voltará. (Mário Quintana)

Como afirmado no início desse capítulo, a opção foi pela abordagem qualitativa e o procedimento adotado para a coleta de dados foi a “entrevista estruturada”. O roteiro de entrevista contemplou questões referentes à trajetória de vida dos sujeitos e à experiência dos mesmos no que se refere à moda e ao corpo que envelhece. Dos cinco sujeitos – com idades entre 25 e 75 anos – quatro se dedicam à criação e comercialização de vestimentas e apenas um não pertence à área da moda. Quanto ao gênero, foram entrevistados quatro mulheres e um homem.

Nas entrevistas nos defrontamos com histórias de vida singulares, com trajetórias de vida bastante diferenciadas.

Dos quatro sujeitos inseridos no mundo da moda, quer como estilistas, quer como empresários ou comerciantes tivemos duas idosas, uma não idosa e um não idoso. Os dois entrevistados não idosos trabalham há dois anos e meio em uma grife reconhecida no mundo da moda, sendo que NI2 (25 anos) é o único que possui formação acadêmica na área da moda, tendo estagiado em Londres durante dois anos. Hoje, cria uma linha clássica de camisaria e calças confeccionada com tecidos confortáveis, a exemplo do algodão, do linho e do strech, entre outros.

Quando solicitado para fararem pouco sobre si mesmos, sobre suas vidas e seus afazeres (primeira questão), dos cinco sujeitos, quatro se restringiram a informações básicas, fornecendo respostas bastante sintéticas. Apenas um (I3), não ligado ao “mundo da moda”, se prolongou mais, deixando claro suas atividades cotidianas e seus interesses.

Sou uma pessoa regrada, sempre tive uma metodologia e mantinha a vida regrada. Minha prioridade número um é deixar a casa em ordem, pois quando a casa esta em ordem tinha estabilidade emocional e posso fazer as atividades que gosto, como ir à academia sem culpa. Para mim, academia é uma obrigação. Meu hobby é a dança, adoro as aulas de dança! Ela me dá equilíbrio. Antes tinha aulas de pintura e comandava uma equipe de natação. Então ia para a ginástica sem culpa e fazia aula de dança que era o meu hobby e academia, que era uma obrigação. As atividades físicas, como a natação antes e a dança hoje, mantém meu equilíbrio psíquico. Como tenho como tendência para a depressão, sempre procurei fazer coisas alegres para continuar vivendo, como fazer muitas aulas de danças. Não gosto de tomar remédios e o esporte (natação era uma atividade de plasticidade) tem movimento e coordenação, me dava o equilíbrio que precisava para viver. (I3)

Na resposta dada por I3 observa-se, claramente, a separação entre “obrigação” e “prazer”; este último realizado apenas após o que é apreendido como “obrigação” (casa e academia).

Seguem-se as respostas dadas à primeira questão pelos demais sujeitos:

Fiz bacharelado em Designer, no Rio de Janeiro. Sou Estilista de uma griffe reconhecida há dois anos e meio. Trabalho com o contemporâneo que é menos comercial, com malharia e tecido plano. (NI1).

Sou italiana ainda trabalho muito. Gosto de moda e para mim a moda é uma atividade que sempre está olhando para o que é novo, é um exercício de movimento. (I1) Sou muito ativa, gosto de gente, de conversar, viajar e fazer contatos. (I2)

Sou um estilista de uma griffe reconhecida e desenho a linha “Infinito. Minha formação acadêmica foi em moda e administração de empresa. Morei dois anos em Londres fazendo curso de especialização em moda. Trabalho na griffe há dois anos e meio. A linha “Infinito” é uma coleção de camisarias e calças que são peças atemporais. (NI2)

 O interesse pela Moda.

Ao serem indagados sobre “quando começou o interesse pela moda?”, tanto os sujeitos ligados ao “mundo da moda”, como o não vinculado a este mundo foram unânimes em remeter este interesse à infância e adolescência.

Interesso-me pela moda desde pequeno e também pela arquitetura, pois ambos estão muito interligados, próximo. Ambos são processos de construção. (NI1)

Desde pequena me interesso pela estética, moda e arquitetura. Tudo isso sempre se referiu às pessoas e comportamentos. (I1)

Por acaso sua mãe era costureira e desde pequena tinha que provar roupas, hoje não suporta provar nada. Quando era moça comprava aviamentos no Rio de Janeiro e mandava para Alagoas. (I2)

Sempre tive interesse pela moda, pois as cores era o que me chamava atenção. Ao passar do tempo existe uma nova releitura de tendências e os profissionais da moda antiga usavam as peças com materiais modernos. (I3)

Desde os 12 anos já tinha interesse pela moda, adorava desenhar roupas e também já era fascinada pela griffe que trabalho. Quando entrava nas lojas do Rio de Janeiro pegava em todas as roupas para observar os tecidos e ver os modelos e, quando chegava casa, desenhava. (NI2)

Pelas respostas acima o que se observa que dois entrevistados – um não idoso e um idoso – estabeleceram relação ente moda e arquitetura afirmando: “ambos são processos de construção”. Neste sentido podemos fazer uma relação com o processo de envelhecimento que, segundo Messy (1999), é um processo que o indivíduo constrói no decorrer da sua vida, criando sua própria história.

Castilho e Vicentini (Apud Oliveira, Castilho; 2008) consideram a roupa como uma “arquitetura têxtil” que se inter-relaciona com o corpo e que confere uma identidade ao sujeito, um ser social, cultural e histórico.

O interesse, de uma das entrevistadas, pela moda começou a delinear- se na infância através do trabalho da mãe como costureira, ficando marcado na sua vivência de criança. Como afirma Py, (2004, p. 114) o indivíduo se constrói, como sujeito, por meio das identificações de um modelo, o Outro, do qual assimila seus atributos e aspectos.

 Velhice e Corpo que Envelhece.

O corpo, na medida em que conforma uma aparência, oferece, à primeira vista, o resultado de um processo em que se cruzam fatores sociais profundos, como a origem e a trajetória de classe e suas derivações: a educação recebida, os trabalhos realizados e preferências, as modalidades da atividade física e o cuidado da saúde, entre as múltiplas eventualidades derivadas da posição que ocupa no espectro de diferenciação social.

( Santos & Dam ico; 2009; s/ p57)

      

57 O Mal-Estar Na Velhice Como Construção Social. In:

As falas sobre a velhice e o corpo que envelhece revelaram diferenças expressivas entre idosos e não idosos; entre “novos” e “velhos”. Entre os primeiros, como era de se esperar, observa-se certa idealização da velhice e do corpo envelhecido. Uma idealização expressa tanto na recuperação da ideia de velhice, tão recorrente, como sinônimo de sabedoria. Idealização igualmente presente e projeção da própria velhice na “aceitação” das marcas do tempo sobre o corpo.

Sempre tive interesse pelo novo (crianças) e pelo velho (idosos). Fiquei apenas três meses na adolescência assim dizem meus amigos. Sempre me identifiquei com pessoas mais velhas. Olho para o novo gosto do início e do fim. Gosto de conversar com pessoas mais velhas. Gosto do corpo que envelhece e que expõe o corpo e não da pessoa que esconde o corpo do tempo, que nega uma realidade que é daquele corpo que esta envelhecendo. (NI1)

Penso que todas nós que somos jovens um dia irá ser velha e seu corpo vai se transformando com o passar do tempo e isto não tem volta. Como trabalho numa marca que hoje tem 36 anos a nossa cliente que acompanhou a trajetória da marca hoje também está mais velha e também fiel à marca. Tenho uma preocupação com a modelagem e faço maior porque penso nas mulheres mais velhas, em relação às calças também os números são maiores justamente para atender essas clientes que com o passar do tempo o corpo mudou e envelheceram. (NI2)

Os dois sujeitos não idosos compreendem o processo de envelhecimento com as transformações que acontecem com o passar do tempo. Como afirma Messy (1999, p.17): “O envelhecimento é um processo irreversível, que se inscreve no tempo. Começa com o nascimento e acaba na destruição do indivíduo”.

experimentam, em primeiro lugar, em sua exterioridade: pele, mãos, cabelos, mobilidade, peso etc. Chegam a reconhecer, a exemplo de I3, que “não tem volta”. Como afirmam Santos & Damico (2009; s/p), “pensar a velhice implica pensar nos corpos que os velhos são e que eles possuem, ao mesmo tempo. O corpo é o primeiro e mais evidente lugar onde se manifesta e se expressa a

idade que possuímos” 58.

Isto foi um exercício que fazia para viver melhor. As mudanças iam acontecendo gradualmente. Tinha consciência de cada momento, era difícil e também dava conta desses períodos, minhas mãos envelheceram primeiro; a pele ficava muito esquisita. Tomava cuidado para não ficar gorda, pois tinha problemas na coluna, minha coluna era frágil e não podia pesar muito. Também não gostava de tomar remédios. Quando tive depressão engordei seis quilos acima do meu peso. O meu corpo modificou com a idade, mas continuava com o mesmo peso. (I1)

Via o corpo envelhecendo como uma massa amorfa, não tem volta. Eu cultivava o espírito para que pudesse viver as poucas fases da vida com maior prazer. O corpo era uma massa falida, mas é você que faz e desenvolve a sua velhice. (I3)

 

Neste tema, como em outros, uma exceção foi a entrevistada I2, que “Nunca quebrou nenhum osso; chegou inteira aos 75 anos. Gosta de ler e de movimentos.” (I2). Cabe salientar tratar-se do entrevistado mais idoso.

 

Moda e Geração

Outra relação, agora entre Moda e Geração, encontrou unanimidade de respostas. Os cinco entrevistados reconhecem que a coortes/grupos etários correspondem estilos de vestir diversos. Mesmo o sujeito que “não se dava conta das diferenças” (I3) foi através do “outro”, não de si mesmo, que se deu conta dessas diferenças (“conheci pessoas que se arrumavam como pessoas idosas”).

      

58  Idem.  

Sim, no meu entender há diferenças, existe o livre arbítrio de qualquer idade, também tem que saber usar as roupas com discernimento, com prudência. (NI1)

Muitas diferenças. (I1)

Adaptar ao seu gosto, idade e maneira de viver. (I2)

Não sentia essas diferenças, mas conheci pessoas que se arrumavam como pessoas idosas; conheci senhoras que não apresentavam a idade. Achava que a velhice era o começo de uma nova fase. (I3)

Sim, há muitas diferenças. Tanto fora do país como aqui existem marcas que fazem modelos até a numeração 42 e em nenhum momento irão se preocuparem com a população que envelhece. Na loja XXX só contratam pessoas jovens para usarem as roupas e atenderem o público que gosta da marca. (NI2)

Mesmo não sendo o objeto da questão apresentada, algumas palavras e expressões remetem às concepções de velhice presentes entre os entrevistados. São elas: “usar as roupas com discernimento”, “prudência” e “arrumar-se como idosa”. Por outro lado, a questão do peso/tamanho da roupa, presente na fala de NI2, aponta para outra relação: “envelhecer é sinônimo de ficar gorda”. Como relação, guarda certa afinidade com a menopausa e a crença de que esta leva, inevitavelmente, ao aumento de peso.

Qualquer observação assistemática59 revela que, como em outros

grupos etários, há idosos “gordos”, “magros” ou “nem gordo, nem magro”. Ideias deste tipo só servem para alimentar o “baú” de estereótipos construídos em torno da velhice e de corpos envelhecidos.

 Envelhecimento Populacional e Moda

Questionados sobre a relação entre envelhecimento populacional, moda para idosos e a possibilidade de existir, no Brasil, uma moda para idosos, obtivemos, com exceção da resposta dada por I2, falas que oscilam entre o reconhecimento da necessidade de vestimentas que respeitem as demandas       

de corpos idosos (a exemplo das cores; ver resposta de NI1), a busca de soluções inexistentes no mercado (a exemplo de costureiras) e a menção à atual existência de algumas poucas lojas especializadas em roupas para idosos (tecidos, tamanhos e moldes).

Nunca pensou nesta questão, mas gostaria de fazer uma cartela de cores para pessoas idosas, poder usar a cor amarela não tanto "quente" como para os jovens, tão vivo, respeitando ao tempo que pertence. As cartelas de cores vivas para jovens, determinadas cores rebaixadas, isto é, cor para pessoas mais velhas como, por exemplo, um azul claro para o homem mais velho. (NI1)

Já existia uma moda para idoso, só que não vinha nas etiquetas. Ninguém procurava roupas para minha avó nas lojas. Hoje já temos números grandes, antigamente nossa alimentação era "normal", as ofertas das gastronomias são muitas. Observava pelas fotos antigas. (I1)

O que é ser idoso? (I2)

Não era preciso se preocupar com uma moda para idosos, pois com as técnicas desenvolvidas pela medicina nunca existirá velhos. (I3)

Hoje temos marcas que já posicionaram no mercado, porém são poucas que se preocupam. Talvez com o envelhecimento aumentando no nosso país haverá um interesse em investirem nesta população velha. (NI2)

Pelas respostas reproduzidas acima, dois sujeitos trabalharam a questão por negação: um indagando “O que é ser idoso?” (I2), outro afirmando que com o desenvolvimento das ciências médicas a velhice não mais existirá (I3)!

Se antes os esforços para retardar o envelhecimento centravam-se na aparência dos corpos, especialmente na face, somam-se a estes, na atualidade, práticas e produtos que, adentrando a interioridades dos corpos, prometem a “eterna juventude”. As fala acima, de I2 e I3, afinam-se às batalhas que vem sendo travadas contra o envelhecimento e à promessa, bastante trabalhada pelos meios de comunicação de massa, da “cura da velhice”. Entre cosméticos e outras poções mágicas que atenuam as marcas do tempo nos corpos (além das cirurgias plásticas), a ciência vem investigando e publicando

artigos e matérias relacionadas a hormônio antienvelhecimento, aos efeitos dos radicais livres no processo de envelhecimento, a dietas “milagrosas” que combatem o envelhecimento e a velhice, entre outros. Ainda que o aumento da expetativa de vida seja uma conquista da humanidade – conquista radicada tanto em práticas e achados das ciências médicas, como em medidas relacionadas aos hábitos de vida e à saúde pública (vacinação, saneamento básico etc.) – é fato que as pessoas “insistem em morrer”; muitas com idades avançadas e em consequência de “desordens” bio-fisiológicas (doenças crônico-degenerativas).

Ao serem indagados se já tiveram um olhar diferenciado para a

vestimenta de pessoas idosas, dos três sujeitos idosos, dois afirmaram que

não. O sujeito idoso que afirmou ter este olhar lembrou (I1), como pode ser observado abaixo, que antes não existia roupa para mulheres grávidas. Mesmo sem responder diretamente, mas dizendo-se interessado no assunto, deu a entender – até pelas menções a cidades europeias – que este olhar é necessário. Por outro lado, I2 e I3 mantiveram o que defino como “negação da velhice”, quer porque “idoso não existe” (I2), quer por nunca ter tido este olhar (I3). Respostas positivas foram obtidas também dos dois sujeitos não idosos. O primeiro (NI1), enfatizando a questão das cores e do significado das mesmas; o segundo, remetendo-se às clientes de uma rede de lojas que, com 36 anos de existência, passou a ter que pensar nas antes “senhoritas”, agora “senhorinhas”.

Sim, acho bonito o envelhecimento. Sempre me interesso pelas vestimentas de pessoas mais velhas. Construir um designer, pensar nas cartelas das cores, ter maturidade no olhar e pensar no significado desta roupa. (NI1)

Lógico, sempre me interessava. Antigamente não existia roupas específicas para grávidas e nem mesmo para as idosas. Na Alemanha, Inglaterra, Norte da Europa já tinha esses segmentos. Em Paris as roupas são voltadas para o estilo. (I1)

O idoso não existe (I2) Não, nunca tive. (I3)

Já tenho este olhar diferenciado, pois quando estou criando uma coleção penso na “senhorinha” que vai adquirir. (NI2)

 Velhice, Roupas e Acessórios

 Idoso, Roupa e Mercado

Com exceção de NI2 (no que tange aos acessórios, não às roupas) e de I1 (para quem o idoso é novo “nicho” de mercado), os outros sujeitos projetam um futuro nada favorável para o segmento de moda “envelhescentes e idosos”. A resposta dada por NI1 é emblemática: “Ninguém quer investir num final de vida”!

Não, infelizmente não. Ninguém quer investir num final de vida. (NI1)

Acredito que sim, funcionava para o mercado (observando que tem um monte de gente velha que o mercado irá se interessar nesta fatia de gente velha que vem crescendo). (I1)

É o idoso que tem que se adaptar aquilo que existe. (I2) Não. (I3)

Acredito que não em relação aos acessórios. (NI2)

 Tecidos mais adequados ao corpo que envelhece?

Dos cinco sujeitos, quatro afirmaram taxativamente que inexistem tecidos apropriados para pessoas idosas. De NI2 ouvimos que “não existe um tecido especificamente orientado para o idoso, porém as tecelagens criam tecidos diversos que podem atender às necessidades”. Já I3 afirmou que “com o passar do tempo fiquei mais criteriosa em escolher as roupas, os tecidos precisam ser mais leves, quando envelheci comecei a comprar conforto”. Neste sentido, observa-se a necessidade da criação de trajes adaptados a corpos que envelhecem ou são idosos. Segundo Castilho e Vicentini (apud Oliveira,

Castilho; 2008) o corpo precisa ser revestido com os significados da sua cultura e da identidade de cada sujeito.

Diversamente dos outros três sujeitos, tanto NI2 como I3 manifestaram a necessidade de tecidos no mercado para as pessoas idosas, porém esses tecidos não são vendidos especificamente para idosos, não são pensados em desenvolver uma tecnologia em tecidos para idosos.

As falas dos dois sujeitos acima mencionados nos mostra que a velhice

e o envelhecimento ainda ocupam, entre nós, um “não-lugar” 60; são invisíveis,

inclusive nas vestimentas.

Observamos também que não há interesse da indústria têxtil na fabricação de tecidos confortáveis para o corpo que envelhece.

Não existe nenhum tecido para o corpo que envelhece. (NI1)

Não existe. (I1)

Não existe e tão pouco irá existir. (I2)

Com o passar de tempo fiquei mais criteriosa em escolher as roupas, os tecidos precisam ser mais leves, quando envelheci comecei a comprar conforto. (I3)

Não existe tecido adequado o que existe são as tecelagens que desenvolvem vários tecidos, mas não pensando especificamente no idoso e sim vender mais tecidos para as confecções. (NI2)

 De corpos e Vestimentas

As respostas à questão “ao olhar no espelho e ver um corpo envelhecendo que sensação tem ao se vestir?” foram bastante diversas. A única “sensação” expressa foi “angústia” que, dita por NI1 (não idoso), tem o mesmo estatuto de “engordar”. Exceto NI2 (igualmente jovem), os três idosos       

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entrevistados forneceram respostas que revelaram uma relação (sensação?) positiva com o corpo, quer por adaptar-se ao mercado (I2), quer “procurando o melhor” (I1) ou envelhecer “sem traumas” (N3).

As respostas sintéticas sugerem certa negação em assumir o “em si” da velhice; negação facilmente explicável se concebida a partir dos valores e significados que cercam a velhice na atual sociedade. Por outro lado, a referência a certos “expedientes” que “protegem” da velhice (“ficar melhor”, “academia” e “adaptar-se ao mercado”) pode significar um afastar da velhice “dos olhos e do pensamento”. Conforme Messy (1999), o envelhecimento é associado à castração, o que produz angústia relacionada à perda e, consequentemente, à finitude.

Mesma coisa que sinto quando estou engordando me dá angústia. (NI1)

Não tem padrão, fica cada vez mais difícil e sempre procurava ficar o "melhor", um estilo mais restrito, uma estrutura visando uma melhor silhueta. (I1)

Procuro me adaptar o que existe no mercado. (I2)

Eu envelheci sem traumas em relação ao meu corpo, fui sempre assídua com academia. Por questões de saúde, nunca tive stress em relação ao meu corpo. (I3)

Não tive ainda esta sensação, pois sou uma pessoa jovem. (NI2)

Como pode ser observado, I2 procura uma vestimenta se adapta da melhor forma possível à sua silhueta. Há que se atentar, também que I2 e I3 não falam das transformações do corpo que envelhece, mas das roupas que podem vestir. Como lembram Castilho e Vicentini (apud. Oliveira &Castilho; 2008), a roupa como uma segunda pele que recobre o corpo com objetivo de embelezá-lo.

Das questões propostas, a última 61 foi a que despertou maiores interrogações nos entrevistados; interrogações expressas por expressões faciais que revelavam tanto certa dificuldade de entendimento, como estímulo à reflexão. As dificuldades de associação entre velhice, visibilidade, moda e impensado manifestou-se já em NI1 (“Uma frase difícil de pensar”). Após breve reflexão este entrevistado disse: "Sou calvo e toda minha família tem esta tendência, caso eu tivesse cabelo gostaria de deixar ele todo branco, deixar ele mesclado para combinar com os meus olhos azuis, ficaria lindo!”. Diversamente