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MODULATION OF WOUND HEALING IN REFRACTIVE SURGERY

A intenção, como exposto, era de que a criança pudesse conviver com o casal para que no futuro não houvesse dificuldade de aceitação, já que a convivência demonstraria isso, e assim decidiram aguardar alguns meses para fazer a revelação.

A questão do reconhecimento da homossexualidade de TT pela família é um aspecto que encerra muitos elementos, pois o filho recebe a informação por terceiros e posteriormente o ex-marido toma conhecimento reagindo indiferentemente num primeiro momento e logo após se revolta iniciando um processo para a retirada do filho da companhia do casal.

Diante dos fatos TT recua e finge que se afastou de C para poder, num certo sentido, preparar o filho e futuramente revelar a verdade.

TT) É assim: quando nós começamos a ficar juntas num final de semana, nós fomos para casa da minha avó, ela mora no litoral, e ele

ia ficar com o pai, e mandou uma mensagem no meu celular: “Você é lésbica?” e desligou o celular. Então eu não consegui nem responder, nem falar com ele, nem nada! Liguei para o pai dele, o M, e falei: “Olha estou saindo com a C, nós estamos juntas, estamos namorando e eu não vou dizer que não, o V me perguntou e eu vou dizer que sim!” Ele falou: “Ah, beleza, tudo bem, eu não tenho preconceito, você sabe que sua família é muito tradicional, muito cabeça pequena, eu acho que você não deveria abrir isso, mas por mim tudo bem”. Isso foi às 11 horas da noite, ela dormiu lá em casa, no outro dia de manhã, cinco horas da manhã, toca o telefone, era ele me descascando, mas me chamou de tudo e mais um pouco: que eu não podia fazer aquilo, onde já se viu, onde que eu estava com a cabeça, falou um monte. Quer dizer, aquela pessoa que não tinha preconceito às 11 horas da noite, até as cinco da manhã era outra!

Daí eu resolvi com a C o seguinte: “Não, vamos fazer o seguinte: para não tumultuar, a primeira pessoa que tem que saber é meu filho”, para nós podermos abrir para quem estava próximo da gente, claro! Algumas pessoas já sabiam, mas eu não queria que ninguém chegasse e contasse para o V, ele ia se sentir traído! Imagina você saber que sua mãe é uma lésbica através do amigo do amigo do amigo!!! Eu sempre conversei muito aberto com ele, então eu podia falar na boa, não é? Sempre eu conversei com ele! Aí nós resolvemos segurar, eu mandei um e-mail para meu ex-marido dizendo que realmente nós tínhamos decidido que iríamos nos afastar, mas que ela continuaria freqüentando lá em casa, porque ela é minha amiga, além de tudo nós éramos amigas! Que nada nós estávamos juntas! Só estávamos dando uma esfriada para conseguir contar para o V [...] Nós resolvemos esperar ele se acostumar com a gente juntas, esquecer aquela pergunta que ele fez no seco, até que um dia nós estávamos lá em casa e eu falei para C: “Olha, eu tenho que contar, daqui a pouco alguém vai contar para ele, então eu vou contar!”. Daí ela foi para a faculdade e a gente ficou na cama conversando, eu e ele, e eu falei: “Olha, eu quero te contar uma coisa, mas eu não quero saber o que você acha!” E contei para ele: “Olha, eu e a C, nós estamos namorando

desde quando nos conhecemos, desde que nos conhecemos nós estamos juntas”. E ele: “Ah, não mãe, beleza.” Eu falei: “quer dizer que você acha...”, ele falou: “Mãe vai mudar alguma coisa?”, respondi: “Da maneira que a gente vive hoje não! A única coisa é que agora que você já sabe ela vai passar a dormir na minha cama, agora você está sabendo, ela é minha mulher e ela vai vir dormir na minha cama, então acabou o teatrinho!”. Daí ele ficou curtindo com a nossa cara um mês, que a nós ficamos brincando, que escondemos dele, tal. Ele tinha 11(anos) ainda, ele falou: “É, ficaram me enganando esse tempo todo, não sei o quê...”, mas tirava sarro! No dia seguinte ele acordou com torcicolo, claro que o emocional mexeu, aquele torcicolo foi emocional, mas passou, sabe? Então, como ele já estava convivendo com a gente, a única diferença é que ela ia passar a dormir na minha cama, e ela já dormia quando eu dormia, às vezes, ela já estava dormindo na minha cama de vez em quando, então para ele não mudou nada, a única diferença é que agora a gente podia se beijar na frente dele e ele sabia o que era.

Eu deixei bem claro: “Eu não quero que você aceite, eu quero que você respeite, ta!?” Você não pode obrigar ninguém a aceitar, você pode obrigar as pessoas a respeitar, acho que o teu direito começa quando termina o meu, espera aí, você me respeita, eu te respeito! E falei para ele: “Qualquer perda de respeito com a C eu te arrebento!”.

C) Não é de choque.

TT) É, o meu tratamento com ele é assim meio de choque, mas funciona porque a única pessoa que tem pulso com ele sou eu [...]. Ao contar a verdade ao filho, TT não permitiu que o mesmo se manifestasse quanto à aceitação ou não, apenas exigiu que fosse respeitado seu relacionamento com C, pois ela própria entende que aceitar seria muito difícil. A atitude de TT é marcada pela rigidez e inflexão na maneira de enfrentar a situação que, para uma criança de 11 anos poderia ser, no mínimo, chocante, esperando um nível de compreensão do filho que, muito provavelmente, ele não poderia lhe dar.

A princípio considerou ter tomado a decisão mais acertada, permitindo que o filho convivesse com o casal para posteriormente ser revelada a verdade sobre a relação das mesmas, embora reconheça e coloque a preocupação, desde o início, quanto à interferência que sua relação com C poderia causar para o mesmo em sua vida social.

Decidir não se expor para a família pode significar uma maneira de evitar conflitos ou tensões, pois a revelação da homossexualidade de um filho ou de um dos pais, como neste caso, pode ser um acontecimento cercado de muita dor e rejeição.

França (20004, p.170) reforça que “a busca por aceitação é particularmente importante aos indivíduos, ou aos casais, que tenham um envolvimento com suas famílias, com poucas fontes de apoio externas [...]”

O exposto por este casal não aponta diretamente para a condição de rejeição ou exclusão vinda da família de origem, ao contrário, na família de TT não houve nenhuma forte contraposição, exceto a do ex-marido, que foi externalizada, bem como a de sua família, que foi pressuposta.

TT continua e declara que ainda é verdadeira sua preocupação com a reação dos amigos de V:

[...] Agora ele está com 14 anos, vai ser meio difícil contar para os amigos, mas com o tempo a gente vai digerindo e vai passando, não é? Mas logo em seguida ele contou para os amigos na escola, contou no coral, teve boa receptividade, as pessoas não acharam anormal ou um bicho de sete cabeças, então foi uma passagem muito tranqüila, para muita gente é tumultuoso, para mim foi muito tranqüilo, contei para ele, aí a C chegou em casa eu contei: “O V já sabe!” Ela conversou um pouco com ele ainda, ele adora ela, ele tem paixão por ela, ele respeita muito mais ela do que eu.