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BİR KRONİK BÖBREK YETMEZLİĞİ HASTASINDA PARAVERTEBRAL ABSE İLE KOMPLİKE OLMUŞ PARASPİNAL İNFİLTRATİF LİPOM

filhos, às vezes gato, cachorro, peixinho dourado, o que for, e tem a extensão que é a família de origem. Então você tem essas duas dimensões, e que na nossa família é... eu tinha esquecido de falar, mas é que eu estava respondendo primeiramente sua outra pergunta, acho que pra gente fica muito claro que nós somos uma família e nessas pequenas coisas mesmo que o T falou de se cadastrar na locadora, do plano de saúde, de brigar pra estar no plano de saúde sem que seja reconhecido enquanto companheiro, enquanto família, em outras esferas também, mesmo que seja uma simples ficha cadastral para receber cupom não sei do quê, então você coloca lá, parece que não tem nenhuma importância, mas é de certa forma um ato político, porque você acaba também com este ato educando as pessoas pra que elas comecem a perceber que as mesmas estão se tornando explicitas nas suas relações. No hotel, veja, muitas vezes nos encontros, nós sempre ficamos no mesmo quarto e a exigência é que seja uma cama de casal, que esteja lá na ficha: naquele quarto estão o

T e o E e que a cama é de casal, ou seja, são sinais de que quem

pegar não tem nenhuma dúvida de que ou eles são namorados, ou seja, não interessa qual é a relação que eles têm, mas que é uma relação comum entre os dois. Isso acaba sendo também uma dimensão política, mas também de valorizar o vínculo que a gente tem. Quando a gente vai e a pessoa coloca: “posso colocar como amigo?” E você fala: “Sim, pode” como que confirmando pra aquela pessoa que a relação que você tem não tem nenhuma importância, que ela pode dar a dimensão que ela quiser, que ela, que é externa a essa relação, pode nomear da maneira que ela bem entender, porque não tem nenhuma importância a relação que você tem.

E distingue com clareza o núcleo familiar constituído por ele e T e a família de origem sob a ótica de diferentes dimensões, mas ao mesmo tempo identifica que

estas se fortalecem e complementam as necessidades da vida familiar, além de ser um elemento essencial na construção da identidade de família do casal.

Enfoca também o aspecto de garantir no cotidiano a identidade de família nas relações com a comunidade, nos serviços, enfim, no mundo externo, afirmando ser um exercício diário no enfrentamento e exposição da identidade de família e o quanto é importante não negar esta condição e exigir este reconhecimento.

Aqui fica claro a formação de militantes que são e, portanto, têm mais segurança na exposição para a sociedade, pois nesta sociedade capitalista madura que determina o crescimento da desigualdade social, desponta um momento novo e cheio de coragem que é a luta pela igualdade e liberdade de expressão afetivo- sexual. Luta essa que se coloca contra toda forma de discriminação e preconceito e, é uma luta árdua e complexa, tornando necessária a união de todas as forças para que produza resultados concretos na sociedade e na vida das pessoas.

Dessa forma, encontramos nas falas de T e E situações cotidianas que vivenciam com o intuito de garantir o reconhecimento de unidade familiar e ao mesmo tempo defender o direito de ser família, sem ter que ocultá-la.

E) [...] “Não, ele não é o meu amigo, mas o meu marido ou meu companheiro, ou o meu namorado, quer dizer, esta relação tem este vínculo e eu quero que você a respeite por este vínculo. Não que ser amigo diminua, mas não vai traduzir a realidade que ela tem, então estar brigando, de olhar pra uma pessoa e não querer nomeá-la externamente, você precisa perguntar, é seu papel enquanto funcionário, enquanto prestador de serviço, perguntar qual vínculo você tem com essa pessoa, que seu preconceito, você vai ter que trabalhar com ele, mas aqui não, você vai precisar aprender isso e acho que também tem um pouco dessa função de educar as pessoas, de afinal o olhar que as pessoas tem para essa realidade, que dois homens e duas mulheres podem ser um núcleo familiar, que as pessoas precisam perguntar isso, precisam estar educadas para respeitar e reconhecer essa relação.

Não se pode negar que uma das grandes dificuldades encontradas pelos homossexuais é o reconhecimento da unidade familiar, uma vez que não há regulamentação legal para tal denominação, incidindo, sem dúvida alguma, na manutenção da discriminação e do preconceito.

Diante de tais colocações, entende-se que a existência da família composta por pessoas do mesmo sexo, é inegável, e sua organização se torna cada vez mais possível, se não fossem pelas barreiras encontradas para estabelecer regras de convivência, possuir direitos e tê-los garantidos, inclusive diante do aspecto jurídico como: pedido de alimento, direitos sucessórios, disputa por guarda de filhos, de filiação e adoção e outros sem-número de situações que circundam o Direito de Família.

Lembramos ainda que nas últimas décadas a sociedade vivenciou o preconceito, e de alguma forma ainda vivencia com menos intensidade, uma vez que o preconceito é constitutivo dos valores humanos e, incontestavelmente, circundou o divórcio, a virgindade das mulheres e a homossexualidade, aspectos estes carregados de mitos e tabus pela sociedade. Quanto ao divórcio, demorou, mas a sociedade acabou por aceitá-lo, assim como foi minimizada a exigência da castidade feminina até o casamento, considerando que o casamento, hoje, refere-se mais a uma opção individual do que a uma convenção a ser seguida e cumprida.

Frente a conturbada posição da sociedade moderna, ou que se diz moderna, de preconceitos e tabus tão arraigados entre as pessoas e as impossibilidades jurídicas, entende-se que viver a família constituída por casais do mesmo sexo é uma tarefa de luta e conquista, que se delineia entre avanços, retrocessos, jurisprudências, movimentos sociais e outros, até mesmo porque o preconceito, por suas fortes raízes históricas, por ser fundado no campo dos valores humanos, é uma variável muito presente entre nós, com diferentes intensidades nas várias camadas sociais.

Refletindo então sobre a luta e as conquistas buscadas pelos casais do mesmo sexo, sua convivência e o complexo universo que envolve as relações entre seus membros, é importante o apontamento sobre a afetividade, pois é através dela

que os vínculos são estabelecidos e a configuração da identidade familiar se delineia.

É inegável, como já amplamente mencionado, que a constituição da família contemporânea se dá sobre as bases da afetividade, e que as relações familiares se estabelecem por interesses recíprocos, acordos e estratégias de sobrevivência calcadas na afeição mútua.

De acordo com Sawaia (1999, p. 98):

Afetividade é, aqui entendida como a tonalidade e a cor emocional que impregna a existência do ser humano e se apresenta como: 1) sentimento: reações moderadas de prazer e desprazer, que não se refere a objetos específicos. 2) emoção: fenômeno afetivo intenso, breve e centrado em fenômenos que interrompem o fluxo normal da conduta.

Portanto, entende-se que os casais do mesmo sexo, igualmente aos outros, se unem e se empenham para buscar possibilidades e condições de serem família, exatamente pelos mesmos vínculos afetivos que se unem os casais heterossexuais e outros tipos de organização familiar.

Sawaia coloca que os afetos são espaços de vivência da ética, pois qualificam as ações e as relações humanas, e a família é o lócus do protagonismo social, é o lugar da disciplinalização à liberdade, é o lugar do isolamento, a abertura ao coletivo e a expressão dos sentimentos.

Ainda pensando na família e suas características, a relação com o espaço público e privado também são peculiares, pois o espaço privado tem por objetivo guardar e proteger as inter-relações de forma íntima, particular e velada, assim ao espaço público caberia apenas os aspectos convenientes ao mundo externo, o que não necessariamente elimina a possibilidade de interferências e de exposição a situações de constrangimento e intromissão, como no momento em que a intervenção do Estado obrigou T, estrangeiro, apenas com visto de turista, a se separar de E, pois estavam juntos praticamente desde sua chegada no Brasil.

T) Eu vim para passar um ano, ter a experiência de morar no Brasil, de