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Modernite Öznesi

Belgede Foucault’da özne ve iktidar (sayfa 31-39)

Rappaport-Hovav e Levin (2010) argumentam em favor da existência de uma complementariedade entre verbos de maneira e verbos de resultado, procurando explicá-la. Em sua proposta, as autoras conjungam a decomposição de predicados com a noção de “raiz”, atribuindo o sentido dos verbos a dois componentes: um componente

idiossincrático, que é a raiz, e um componente estrutural, que representa um tipo ou esquema de evento (RAPPAPORT-HOVAV e LEVIN, 2010, p. 23), ou ainda um template (cf. RAPPAPORT-HOVAV e LEVIN, 2003).

A raiz é o elemento de significado do verbo responsável pelo sentido que não pode ser descrito em termos de predicados primitivos mais gerais. Ela funciona como argumento ou modificador dos predicados semânticos primitivos e corresponde a uma categoria ontológica21, escolhida de um conjunto definido de tipos, como: estado (STATE), estado resultante (RESULT STATE), maneira (MANNER), instrumento (INSTRUMENT), dentre outros (ver JACKENDOFF, 1990). Por exemplo, em (24), o significado dos verbos jogar, correr, dentre outros, é representado pelo predicado primitivo ACT, que exprime o aspecto de sentido que é comum a esses verbos, mais uma raiz, dada pela categoria ontológica de tipo MANNER, que exprime a parte do significado que é específica a cada verbo em particular. A raiz é representada em parênteses angulares:

(24) a. esquema de evento: [x ACT<MANNER>]

b. jogar: [x ACT<jogar>]

c. correr: [x ACT <correr>]

Segundo as autoras, o esquema de evento mostrado em (24a) especifica uma dentre um conjunto de regras de realização lexical que predizem a forma como a categoria ontológica da raiz se integra à estrutura de predicados primitivos. Essas regras de realização lexical são descritas pelas autoras do seguinte modo:

(25) manner → [x ACT<MANNER>]

(ex.: jog, run, creak, whistle, . . . ) (26) instrument → [x ACT<INSTRUMENT>]

(ex.: brush, hammer, saw, shovel, . . . )

21 Categorias ontológicas são partes fundamentais da existência humana, que utilizamos para organizar e classificar nossa experiência do mundo. Exemplos são: PESSOA, ANIMAL, EVENTO, ESTADO, etc.

(27) container → [x CAUSE [y BECOME AT <CONTAINER>]] (ex.: bag, box, cage, crate, garage, pocket, . . . )

(28) internally caused state → [x <STATE>]

(ex.: bloom, blossom, decay, flower, rot, rust, sprout, . . . )

(29) externally caused, i.e. result state → [[x ACT] CAUSE [y BECOME <RESULT- STATE>]]

(ex.: break, dry, harden, melt, open, . . . )22

Rappaport e Levin explicam que as raízes podem ser integradas nos esquemas de evento como modificadores, tal qual em (25) e (26), ou como argumentos dos predicados, tal qual em (27), (28) e (29). A partir dessas regras, elas se perguntam se há alguma restrição sobre o que pode ser lexicalizado por uma raiz verbal, propondo o seguinte: “uma raiz só pode ser associada a um predicado primitivo em um esquema de evento, seja como argumento ou como modificador”23. Portanto, segundo as autoras, raízes de maneira modificam ACT, enquanto raízes de resultado são argumentos de BECOME, ou seja, as raízes de maneira e as raízes de resultado estão em distribuição complementar nos esquemas de evento dos verbos. Verbos de maneira são verbos que especificam em seu significado um modo de realizar uma ação (como: esfregar, rir, correr, nadar), enquanto verbos de resultado são verbos que especificam um estado resultante (como: quebrar, derreter, abrir), sendo que um mesmo sentido verbal não pode expressar maneira e resultado ao mesmo tempo.

Uma evidência da relevância gramatical da distinção entre verbos de maneira e resultado é seu comportamento diferenciado em certos padrões de realização argumental. Por exemplo, segundo as autoras, enquanto verbos de maneira são encontrados com objetos não específicos (30), verbos de resultado não são (31):

(30) a. Kim scrubbed all morning.

22 Retirado de Rappaport Hovav e Levin (2010), p. 24, (7), (8), (9), (10), (11).

b. Kim scrubbed her fingers raw. (31) a. *The toddler broke.

b. *The toddler broke his hands bloody.24

Os diferentes padrões de realização argumental dessas classes de verbos incluem a participação na alternância causativa. Verbos de maneira, como esfregar, não participam da alternância. Por outro lado, verbos de resultado, como quebrar, participam:

(32) a. Ele esfregou o chão. b. *O chão esfregou. (33) a. Ele quebrou o vaso. b. O vaso quebrou.

Com o objetivo de refinar as noções de maneira e resultado e de encontrar quais elementos de significado são importantes para essa distinção, Rappaport Hovav e Levin propõem que raízes de resultado especificam mudanças escalares, enquanto raízes de maneira especificam mudanças não escalares. Verbos denotando eventos que especificam uma mudança escalar, como aquecer e esfriar, estão associados a uma escala de temperatura, ao passo que verbos de maneira, como caminhar, não lexicalizam uma mudança escalar, mas uma atividade. Segundo as autoras, a escala está presente mesmo para verbos cujas raízes especificam um resultado como quebrar e abrir. Nesses casos, a escala especificada é de apenas dois pontos: o estado de não quebrado ou não aberto e o estado resultante de quebrado ou aberto.

Por fim, as autoras ainda reconhecem que alguns verbos de resultado podem apresentar comportamento de verbos de maneira em algumas circunstâncias. Entretanto, elas não consideram esses casos como contraexemplos para sua proposta e afirmam que esses verbos estão convencionalmente associados a um sentido em alguns

usos, mas a outro sentido em outros usos. Elas explicam que, em seus diferentes usos, os verbos lexicalizam apenas maneira ou resultado, mas nunca os dois ao mesmo tempo. Por exemplo, no caso dos verbos cut e climb, que apresentam comportamento tanto de verbos de maneira quanto de verbos de resultado, Rappaport Hovav e Levin propõem uma análise polissêmica. Segundo as autoras, em certos usos desses verbos, apenas o resultado é lexicalizado, mas em outros, apenas a maneira é lexicalizada. Essa abordagem, na qual apenas um tipo de raiz pode ser lexicalizado de casa vez, é, portanto, incompatível com uma teoria que representa a língua em componentes autônomos, como a teoria lexicalista, cuja única solução seria a postulação de duas entradas lexicais para verbos como cut e climb. Neste trabalho, a polissemia não gera esse tipo de problema, pois os verbos são polissêmicos na medida em que instanciam diferentes construções. Ou seja, as construções contribuem para o significado dos verbos, assim como estes contribuem para o significado das construções (ver capítulo 3).

Belgede Foucault’da özne ve iktidar (sayfa 31-39)

Benzer Belgeler