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2.3 Modern Dönemde Tüketim, Kamusallık ve Mekansal Etkileri

2.3.1 Modern Dönemde Tüketim Olgusunun Ortaya Çıkışı

5.1 - Análise dos dados

A pesquisa e a revisão bibliográfica tiveram como objetivos o levantamento de estudos já realizados e publicados sobre o tema da presente investigação, bem como de material produzido para a gestão do turismo local pelas administrações públicas e órgãos afins. Nesta etapa da pesquisa foram identificados princípios, procedimentos e experiências primordiais para a elaboração da fundamentação teórica básica e da proposta de diretrizes, programas, ações e indicadores de avaliação para políticas públicas de turismo sustentável com base local. Apesar da relevância do tema das políticas públicas para o desenvolvimento do turismo, durante a pesquisa bibliográfica foi possível constatar a escassez de publicações específicas sobre o assunto, fato que reforçou a idéia inicial desta investigação de oferecer subsídios para a elaboração de políticas públicas de turismo sustentável e direcionou o levantamento de informações para diversas áreas do conhecimento, buscando reunir condições para a formulação da proposição aqui apresentada.

A despeito das solicitações encaminhadas às prefeituras, alguns documentos oficiais dos municípios definidos para o levantamento dos dados não foram disponibilizados para análise. De certa forma, esta ocorrência reflete a situação atual do turismo no que concerne ao seu desenvolvimento por parte do poder público, possibilitando direcionar a discussão nas seguintes perspectivas:

a) as ações e os programas promovidos pelo poder público para desenvolver o turismo nos municípios selecionados para levantamento de dados não estão sistematizados e documentados, ou seja, não existe uma política pública de turismo elaborada; e/ou

b) os municípios não têm interesse em divulgar as estratégias utilizadas para desenvolver o turismo; e/ou

d) os agentes públicos responsáveis pelo desenvolvimento do turismo local não estão adequadamente preparados para exercer a função e/ou não dispõem das condições ideais para desempenhá-la; e/ou e) as pesquisas científicas ainda são consideradas com ressalvas por

parte de administradores públicos, pois podem revelar informações e situações que não são de interesse político-eleitoral.

Vale ressaltar que um maior número de informações proporcionaria o enriquecimento da análise e dos resultados da presente pesquisa. No entanto, a exigüidade de documentos oficiais dos municípios objeto de investigação não comprometeu a elaboração da proposta inicial de oferecer subsídios à elaboração de políticas públicas de turismo sustentável com base local.

A partir da constatação da escassez de informações específicas sobre políticas de turismo na etapa da pesquisa e a da revisão bibliográfica optou-se pela elaboração de uma fundamentação teórica que pudesse orientar a concepção de uma proposta de política pública de turismo sustentável com base local e que, ao mesmo tempo, oferecesse uma base teórica conceitual para auxiliar agentes locais de desenvolvimento do turismo na elaboração, implantação e avaliação de políticas públicas.

A abordagem de conceitos como política pública, sustentabilidade e desenvolvimento local embasou os princípios de participação social, conservação ambiental, fortalecimento do poder local e da melhoria da qualidade ambiental e de vida das populações, tendo o turismo como elemento indutor do desenvolvimento local sustentável. A dicotomia inerente à atividade turística que pode criar no espaço, simultaneamente, alterações positivas e negativas, permeou os temas abordados na fundamentação teórica, destacando a importância do papel do poder público no direcionamento das ações de desenvolvimento, na adoção da gestão compartilhada e na orientação e fiscalização da iniciativa privada com o propósito de promover a harmonia entre crescimento e conservação do patrimônio local.

A proposição de diretrizes, programas, ações e indicadores de avaliação para políticas públicas de turismo sustentável com base local fundamentou-se também em experiências de municípios paulistas considerados referência no desenvolvimento do turismo sustentável. Para a definição destes municípios foram

consultados especialistas e pesquisadores em turismo e órgãos públicos oficiais responsáveis pelo desenvolvimento do setor no Estado de São Paulo e no país (Quadro 24).

Quadro 24 – Órgãos e especialistas consultados para indicação de municípios paulistas considerados referência no desenvolvimento do turismo sustentável

Órgão/Especialista Área de Atuação Resposta

Sim | Não Doris Van de Meene Ruschmann Profa. Dra. da Universidade do Vale do Itajaí- Programa de

Mestrado em Turismo e Hotelaria. Balneário de Camboriu, SC

X

Mariselma Ferreira Zaine Profa. Dra. Universidade Metodista de Piracicaba, Faculdade de Gestão e Negócios-Curso de Turismo; Instituto Superior de Ciências Aplicadas, ISCA, Limeira (SP)

X

Odaléia Telles Marcondes Machado

Queiroz

Profa. Dra. do Instituto Superior de Ciências Aplicadas, Alie, Limeira SP, Coordenadora de Curso Superior de Turismo; e Editora da Revista Científica Turismo: Teoria e Prática

X

Karina Toledo Solha Profa. Dra. da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Curso de Turismo

X

Teresa Cristina Magro Profa. Dra. da Universidade de São Paulo, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Departamento de Ciências Florestais

X

Antonio Carlos Sarti Prof. Ms. da Universidade Metodista de Piracicaba, Faculdade de Gestão e Negócios, Coordenador do Curso de Turismo e Membro do Conselho Municipal de Turismo- Piracicaba

X

Mirian Rejowski * Profa. Dra. da Universidade de Caxias do Sul, Mestrado em Turismo e Professor Colaborador junto ao Programa de Mestrado e Doutorado em Ciências da Comunicação Universidade de São Paulo, USP

X

Fábio Ravazi Gerlach Prof. Ms. Sebrae – Escritório Regional de São Carlos (SP) Coordenador de projetos de desenvolvimento do turismo na região de São Carlos (SP)

X

Mário Carlos Beni Prof. Dr. da Universidade de São Paulo, Escola de Comunicações e Artes, Departamento de Relações Públicas Propaganda e Turismo

X

Sonia Maria Bernadinucci Coordenadora de Turismo – Secretaria de Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado de São Paulo

X

Emerson Palmieri Diretor da Embratur X

Secretaria de Políticas de Turismo Ministério do Turismo X

Como pode ser constatado no Quadro 24, de um total de doze contatos estabelecidos, 70% enviaram resposta, ou seja, indicaram municípios que apresentam características apropriadas para o levantamento de dados. Todas as respostas recebidas foram enviadas por especialistas e pesquisadores de turismo. A tendência observada na etapa da pesquisa e revisão bibliográfica no que se refere à não disponibilização de documentos oficiais dos municípios pesquisados por parte do poder público reapresentou-se nesta fase da pesquisa. Tanto do órgão estadual (Secretaria de Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo), como do federal (Ministério do Turismo e Embratur) não foram obtidas respostas para as solicitações de indicação de municípios para o levantamento de dados.

O Quadro 25 apresenta os municípios paulistas considerados referência no turismo sustentável, conforme avaliação dos especialistas consultados. A amplitude e diversidade de municípios indicados pelos especialistas demonstram divergência de opiniões no que se considera referência de turismo sustentável no Estado de São Paulo.

As indicações dos especialistas foram comparadas (Quadro 25) com a relação de municípios inseridos no Programa de Regionalização do Turismo – Roteiros do Brasil (RB) criado pelo Ministério do Turismo em 2004, com o objetivo de promover a estruturação integrada dos produtos e serviços turísticos do país, gerando produtos unificados por meio de roteiros regionais. A definição dos municípios que compõem o Programa Roteiros do Brasil foi feita com base nas informações das Oficinas de Planejamento e Definição de Estratégias para Implementação do Programa de Regionalização do Turismo – Roteiros do Brasil, realizadas em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal, onde foram identificadas 219 Regiões Turísticas, que compreendem 3.203 municípios. Por meio do Programa de Regionalização, o Ministério do Turismo atuará até 2007 para o desenvolvimento do setor (BRASIL, 2004).

Quadro 25 – Municípios paulistas considerados referência no turismo sustentável – indicação de especialistas/Roteiros do Brasil

Município Indicação

SARTI SOLHA QUEIROZ RUSCHMANN ZAINE GERLACH MAGRO RB*

Bananal X X Brotas X X X X X X Cabreúva X X Campos do Jordão X X Cananéia X X X Cunha X X Iguape X X X Ilha Bela X X Ilha Comprida X X X Iporanga X X X Itirapina X X S. José dos Campos X X São Sebastião X X Valinhos X X Vinhedo X X Ubatuba X X

* RB – Roteiros do Brasil: Programa de Regionalização do Turismo/ Ministério do Turismo (BRASIL, 2004) Municípios selecionados para levantamento de dados e aplicação de entrevista

A partir do Quadro 25 foi possível selecionar alguns municípios para o levantamento de dados e para a aplicação de entrevista. A seleção dos municípios foi feita utilizando como critério principal e excludente a inclusão do município nas indicações apresentadas pelos especialistas em turismo. Além desse, foram considerados também critérios secundários: A) o maior número de indicações por especialistas; B) a inclusão no Programa de Regionalização do Turismo – Roteiros do Brasil; C) diferente localização geográfica no estado de São Paulo (geomorfologia, região administrativa, base econômica) e D) tipo de atividade

principal, os critérios secundários (A, B, C e D) não foram utilizados como excludentes e foram aplicados de forma combinada. Com esses critérios, foram selecionados os municípios paulistas de Brotas, Campos do Jordão, Bananal e Iguape (Quadro 26).

Quadro 26 – Caracterização dos municípios segundo critérios de seleção Critérios

Município A B C D

Brotas

6 ---- Localização: região central do Estado de São Paulo; Cuestas basálticas e planaltos tabulares; região

administrativa de Campinas; economia: agricultura, indústria, turismo

Ecoturismo; turismo de aventura *considerada a capital do esporte de

aventura; pertence à Área de Proteção Ambiental (APA) Corumbataí, Botucatu e Tejupá

Campos do Jordão

1 X Localização: região sudeste do Estado de São Paulo; Serra da Mantiqueira; região administrativa de São José dos Campos; economia: turismo, indústria, artesanato, exploração de água mineral

Estância climática; turismo cultural; turismo de aventura

*considerado município com melhor clima do mundo

Bananal

1 X Localização: região leste do Estado de São Paulo; Serra da Bocaina; região administrativa de São José dos Campos; economia: agropecuária, artesanato e turismo

Ecoturismo; turismo histórico e rural *pertence ao circuito das “cidades mortas”; tombada pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo); Parque Nacional da Serra da Bocaina

Iguape

2 X Localização: litoral sul do Estado de São Paulo; Serra do Mar (escarpas cristalinas e planícies costeiras); região administrativa de Registro; economia: agricultura, pesca, turismo, pecuária, comércio e serviços

Ecoturismo, turismo religioso, histórico – cultural

*60% do território está localizado em área natural protegida (Estação Ecológica da Juréia-Itaitins e Estação Ecológica Chauás); pertence à área de Proteção Ambiental (APA) Cananéia- Iguape-Peruíbe; concentra um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos coloniais do Estado (séc. XVIII e XIX)

O primeiro passo para o levantamento de dados nos municípios relacionados no Quadro 26 foi a elaboração de uma carta (APÊNDICE A) destinada aos prefeitos, solicitando informações sobre: a) a política municipal de turismo sustentável desenvolvida no município; b) plano diretor de turismo; c) zoneamento ambiental; d) plano de manejo para unidades de conservação; e) conselho municipal de turismo; f) programas e projetos em andamento; g) legislação. Esta solicitação foi

encaminhada via e-mail e correio (com Aviso de Recebimento). Os resultados obtidos foram os seguintes:

Brotas – retorno, via telefone, 15 dias após o envio da solicitação. Contato feito pelo Diretor de Turismo, solicitando uma visita ao município para coleta das informações requeridas.

Campos do Jordão – retorno, via e-mail, 27 dias após o envio da solicitação. Contato feito pelo Secretário de Agricultura e Abastecimento, colocando o município à disposição para informações.

Bananal – retorno, via e-mail, 43 dias após o envio da solicitação. Contato feito pelo Departamento de Cultura e Turismo, informando que o turismo no município é receptivo e não sustentável.

Iguape – não enviou resposta.

Diante da situação acima apresentada, os municípios de Iguape e Bananal foram desconsiderados no levantamento de dados. O município de Campos do Jordão não respondeu à segunda solicitação para visita ao município com o propósito de realizar o levantamento de dados e a aplicação da entrevista. Mesmo assim, foi realizado um terceiro contato, via e-mail, com a solicitação para responder as questões do roteiro da entrevista. Novamente não foi obtida resposta. Deste modo, a pesquisa teve como base os dados e as informações do município de Brotas.

O levantamento de dados no município de Brotas constituiu-se da entrevista semi-estruturada e da análise do documental disponibilizado pelo poder público local.

A aplicação da entrevista semi-estruturada em Brotas foi apoiada em um roteiro (APÊNDICE B) produzido com o objetivo de verificar fatos e descobrir padrões de ação que pudessem ser comparados com a base teórica e constituírem- se em elementos de fundamentação para a elaboração da proposta de diretrizes, programas, ações e indicadores de avaliação para políticas públicas de turismo sustentável com base local. Para possibilitar o estabelecimento de comparações entre teoria e empirismo utilizou-se como base para a elaboração do roteiro da entrevista semi-estruturada, o “Guia de desenvolvimento do turismo sustentável”,

seqüência lógica entre os assuntos, respeitando o sentido do seu ordenamento, permitindo assim, que as questões fossem aprofundadas gradativamente no assunto. O resultado da entrevista aplicada no município de Brotas (SP) é apresentado no APÊNDICE C.

O documental utilizado para o levantamento de dados, comparações e análise das informações obtidas na entrevista aplicada em Brotas foi composto de relatórios, leis e decretos municipais que dispõem e regulamentam a política municipal de turismo.

Política pública de turismo no município de Brotas (SP)

O município de Brotas está localizado no centro do Estado de São Paulo, na região administrativa de Campinas, considerada uma das regiões mais desenvolvidas do país. Historicamente, a economia de Brotas sempre esteve ligada à agricultura que, no início do século XX, impulsionou o crescimento do município com o cultivo do café. Entretanto, como muitos outros municípios brasileiros, Brotas também sofreu com a crise do café, fato que ocasionou significativo êxodo, diminuindo, drasticamente, sua população e restringindo as possibilidades de emprego. Outra característica relevante do município refere-se à preocupação da população com a conservação dos seus recursos naturais, princípio que marcou a história de Brotas.

A necessidade de criar empregos e de proteger os recursos naturais levou o poder público municipal e a população de Brotas a buscarem uma alternativa de desenvolvimento que conciliasse crescimento econômico e conservação ambiental. Neste contexto, o turismo surgiu como uma possibilidade de aproveitar os recursos do município e de gerar trabalho e renda para a população.

O primeiro impulso para a implantação da atividade turística em Brotas aconteceu no início da década de 1990, através do contato da prefeitura com a Associação dos Municípios de Interesse Turístico, Desenvolvimento e Tecnologia (Amitur) e da formação do Conselho Municipal de Turismo (Comtur). O turismo se desenvolveu com base nos recursos naturais de Brotas, dos quais merecem

destaque o Rio Jacaré–Pepira, os relevos das Cuestas Basálticas e as matas nativas preservadas. Estas características do meio físico possibilitaram a implantação de atividades turísticas ligadas à natureza (ANEXO A). Atualmente, Brotas é reconhecida nacionalmente como um dos principais destinos do ecoturismo e como “a capital nacional dos esportes de aventura” (Quadro 27).

Quadro 27 – Atividades de esporte de aventura praticadas no município de Brotas (SP)

Atividade Descrição

Boiacross ou acquaride Atividade turística desportiva de descidas em corredeiras fluviais com bóia pneumática revestida com capa protetora e alças de segurança

Hidrospeed Atividade turística desportiva de descidas em corredeiras fluviais utilizando prancha com alça;

Canoagem Atividade turística desportiva de descidas em corredeiras fluviais em canoas, caiaque fechado, caiaque aberto inflável ou duck, caiaque aberto de plástico ou fun;

Rafting Atividade turística desportiva de descida de botes infláveis em corredeiras fluviais

Caminhadas a pé por

trilhas Prática turística de passeios individuais ou coletivos por trilhas e caminhos que cruzem ambientes naturais (guiadas ou auto-guiadas)

Cavalgadas ou passeios

a cavalo Prática turística de passeios eqüestres, individuais ou coletivos, percorrendo trilhas, caminhos e pequenas estradas vicinais

Mountain Bike ou passeios de bicicleta de montanha

Prática turística-desportiva de passeios de bicicletas em trilhas de terra, caminhos e pequenas estradas vicinais

Canyoning Atividade desenvolvida ao longo de canyons e rios encachoeirados com ajuda de técnicas verticais de progressão e o uso de equipamentos

Cascading Atividade praticada em uma só cachoeira ou queda d’ água com a ajuda de técnicas verticais e o uso de equipamentos

Escalada Atividade praticada em paredes com a ajuda de técnicas verticais e o uso de equipamentos

Rapel Atividade praticada em paredões de rocha com a ajuda de técnicas verticais de progressão e o uso de equipamentos

Tirolesa Atividade de travessia de um lado a outro sobre picos, morros, rios, cachoeiras, lagos com ajuda de técnicas verticais e o uso de equipamentos

Arvorismo Atividade de trilhas aéreas praticada sobre as copas das árvores com a ajuda de técnicas verticais e o uso de equipamentos

A consolidação do turismo em Brotas aconteceu no período entre 1997 a 2001, quando o município se estabeleceu no mercado turístico como um ícone do esporte de aventura. O renome de Brotas atraiu muitas agências operadoras de turismo que não participaram da filosofia de conservação ambiental, que constituiu a base para a implantação da atividade no município. Naquele momento, o município já sentia os impactos do turismo, fato que exigiu a atuação do poder público no sentido de promover a educação ambiental e a normatização da atividade.

[...] este aumento da visitação dos atrativos naturais da região de Brotas tem causado o crescimento dos impactos que antes ocorriam em níveis aceitáveis e muitas vezes eram absorvidos pela natureza. Os caminhos que dão acesso aos atrativos na região quase sempre estão localizados dentro das Áreas de Preservação Permanente, seja pela declividade do terreno, ou pela sua proximidade com rios e nascentes. Esta realidade faz com que seja necessária uma preocupação adicional com a manutenção das condições naturais da área. O fato da visitação ter sido iniciada sem um planejamento adequado dos caminhos, aliado ao aumento considerável do uso concentrado principalmente nos feriados e nos finais de semana, já começa a trazer conseqüências visíveis no leito das trilhas, e uma ligeira diminuição da qualidade da visita (MAGRO et al., 2002, p.5).

No ano de 2002, a Embratur (BRASIL, 2002) e o Laboratório de Áreas Naturais Protegidas da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – Esalq/USP (MAGRO et al., 2002) aplicaram entrevistas com turistas que visitaram Brotas.

Segundo o levantamento da Embratur (BRASIL, 2002), alguns dos fatores que impediram a visitação aos atrativos do município foram: a) preços abusivos; b) acesso difícil (más condições das vias de acesso aos atrativos); c) falta de informação/divulgação. Aproximadamente 55% dos entrevistados não souberam avaliar o atendimento e a qualidade do Centro de Recepção dos Turistas e mais de 40% não souberam avaliar o atendimento dos guias e monitores dos atrativos. Outro dado importante do levantamento da Embratur é que 97,2% dos visitantes de Brotas eram procedentes do Estado de São Paulo.

Na pesquisa realizada por Magro et al. (2002), com turistas em diferentes períodos (Carnaval, Páscoa e final de semana comum), destacam-se as constatações:

a) 70% dos entrevistados eram provenientes de localidades com distância de até 300 km de Brotas;

b) 96% dos entrevistados planejavam visitar Brotas novamente;

c) 44,31% não concordavam com a afirmação de que “há lixeiras suficientes para colocar o lixo”;

d) 48,49% discordavam da afirmação “tive informação suficiente sobre a qualidade da natureza em Brotas”;

e) 59,67% concordavam com a afirmação “ao invés de visitar Brotas por causa da natureza, eu poderia visitar qualquer outra área natural”;

f) 56,27% discordavam da afirmação “o principal motivo para eu visitar Brotas é para praticar esportes”;

g) 83,48% concordavam com a afirmação “gostaria de ter mais informações sobre as atividades e atrações de Brotas”;

h) 89,50% concordavam com a afirmação “estou preocupado com a conservação da natureza em Brotas”.

Vale ressaltar que a normatização do turismo no município de Brotas foi elaborada após a realização dos levantamentos da Embratur (BRASIL, 2002) e de Magro et al. (2002), e ainda está sendo implementada, fato que poderá alterar a direção da atuação do poder público no desenvolvimento do turismo municipal.

O processo para a elaboração da política municipal de turismo de Brotas despendeu 4 anos (1999-2003) de trabalho do poder público e da população, resultando em várias leis e decretos que normatizam a atividade no município (Quadro 28). A regulamentação das atividades foi baseada em planos de ação e de monitoramento dos sítios turísticos, que são apresentados no relatório de “Uso Turístico do Ambiente Natural em Brotas – Manejo do Público Visitante”40. As

propostas de ação e de monitoramento do turismo de Brotas estão estruturadas,