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Misyon ve Vizyon

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A partir do que foi discutido sobre a concepção do termo marginalidade, nosso objetivo no presente trabalho é categorizá-lo em associação com a inserção no mundo do trabalho. Para isso, decidimos fazer um recorte teórico e uma apropriação categorial e denominar de trabalhadores marginais sujeitos que exercem atividades laborais consideradas como formas atípicas na sociedade salarial e, por conta disso, passam a exercer seu papel social também ‘à margem’ da sociedade.

A partir daí, pretendemos embasar a caracterização da idéia de trabalhadores

marginais a partir de uma aproximação teórica com a discussão de Robert Castel

(1998) sobre os processos de inserção marginal4, em oposição à dicotomia excluídos-

incluídos.

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4 Segundo Castel (1998), a inserção marginal implica em uma forma restrita de participação

social de determinados grupos e coletivos frente ao contexto mais amplo da sociedade, com seus valores e ideologias.

Conforme já foi colocado, esse autor considera que não seria correto falar de excluídos e incluídos, dada a necessidade de relativizar os diferentes contextos e processos históricos que devem ser utilizados no julgamento de um determinado fenômeno social. O recurso metodológico utilizado por Castel (1998) é analisar a processualidade desses fenômenos e deslocar essa percepção para o campo da

filiação versus desfiliação.

De acordo com o autor, é o trabalho, com o caráter de estabilidade e proteção garantido pelo Estado, que permite a filiação à sociedade, que, por sua vez, significa o exercício da cidadania de fato, além da garantia do que ele denomina de propriedade social (estado de segurança social). A desfiliação, no caso, seria o oposto, caracterizando-se em uma situação em que vivem os trabalhadores marginais, a nosso ver, ou seja, uma situação de abandono em que se torna difícil o exercício da cidadania, já que os mesmos encontram-se normalmente à margem de uma estrutura coletiva que os integre em uma dinâmica social.

Logo, o conceito de desfiliação é definido pela ruptura de pertencimento, de vínculo societal, ou seja, uma situação de inutilidade social. Vale lembrar que essa desfiliação ocorre na relação com a sociedade como percepção hegemônica e não na complexidade de sua fragmentação.

Castel (1998) relaciona a situação de desfiliação com os supranuméricos, termo referente a uma parcela populacional considerada excedente, que vive em uma situação de abandono, na qual não há possibilidade de exercício de cidadania, visto que não se encontra inserida em uma estrutura coletiva que a integre na dinâmica social.

Pochmann (2003) também traz uma contribuição acerca do assunto, ao afirmar que com o avanço da industrialização, houve um movimento de valorização do emprego assalariado, difundido as políticas de proteção trabalhista e social, o que acabou criando uma perspectiva no Brasil de uma sociedade de tipo salarial. Ou seja, os filiados à sociedade são aqueles considerados assalariados, vinculados a um emprego formal, permanecendo à margem os que não estão nessa categoria.

Para complementar o discurso, é interessante trazermos ainda o ponto de vista de dois autores que subsidiam essa questão: Paugam (1999) e Cristovam Buarque (1999). Paugam (1999) propõe o conceito de ‘desqualificação social’, o qual é caracterizado por um movimento de expulsão gradativa, para fora do mercado de trabalho, de parcelas cada vez maiores da população. Segundo o autor há uma associação da vida social com o trabalho, visto que o sentimento de vínculo social acontece pela vida profissional, logo o enfraquecimento desse vínculo se evidencia pela situação de perda ou de precariedade profissional, onde a miséria acaba se

tornando um movimento de dessocialização. O conceito de ‘desqualificação social’ destaca ainda o aspecto dinâmico, multidimencional e evolutivo da pobreza.

Cristovam Buarque (1999) nos traz uma visão mais radical ao propor o conceito de ‘apartação social’, sendo este considerado o processo de expulsão não só dos meios de consumo, dos bens e serviços, mas também do gênero humano, onde o outro é visto como um ‘não semelhante’.

Ao falar dessa parcela populacional em uma posição ‘à margem’ da sociedade, Bauman (2004) também radicaliza ao afirmar que a modernidade tem como conseqüência inevitável a produção de ‘residuos humanos’, sendo destinado à certa parcela da população o papel ‘de fora’, ‘fora do lugar’, ‘não apta’, indesejável.

É interessante, neste ponto, ressaltar que esse ‘estar de fora’ é estar de fora dos modelos sociais construídos, da regulamentação social, da sociedade salarial e atualmente do consumo. Não é possível existir os ‘de fora’, os excluídos, os que não estão dentro da sociedade, visto que, mesmo em situação de marginalidade, eles, de uma forma ou de outra, participam deste cenário.

Baudrillard (1970) aprofunda essa discussão ao afirmar que toda sociedade tem uma tendência à diferenciação, originando a discriminação social, independente do volume de riquezas e da distribuição de bens produzidos. Tal tendência é denominada pelo autor de excedente estrutural.

Trazendo essa discussão para os trabalhadores que são o foco desta pesquisa, Fefferman (2006) nos traz que os trabalhadores do tráfico de drogas são agentes sociais que não podem ser considerados fora do sistema, visto que não existem coisas de fora do sistema econômico. Eles fazem parte deste ainda que sejam vistos como o problema, sendo necessário refletir sobre a forma como estão incluídos nele.

Diante de tudo o que foi exposto, uma questão mostra-se essencial para embasar o que nos propomos a pesquisar.

É a partir dessa posição ‘de fora’ desses modelos sociais construídos que alguns sujeitos constroem suas experiências de trabalho e conseqüentemente suas próprias vidas, logo, como esses grupos vivenciam essa situação de permanecer ‘à margem’ dos benefícios materiais? Como trabalhadores que exercem funções atípicas, como é o caso do tráfico de drogas, compreendem suas atividades laborais e sua função social? Como eles se constroem, através de seus processos de subjetivação, a partir da situação de marginalidade?

A partir desses questionamentos, no capítulo seguinte, pretendemos investigar como se constroem e se situam os trabalhadores marginais a partir e na sociedade atual.

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Benzer Belgeler