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1. İŞLETMELERDE STRATEJİK PLANLAMA VE KARAR ALMA

1.3. Stratejik Planlama ile İlişkili Kavramlar

1.3.1. Misyon

Como já discutido no Capítulo 2, os principais constrangimentos à efetivação do pacto federativo nacional tem-se dado pelas contingências relativas à própria configuração histórica do federalismo no Brasil, que carrega uma ―tradição‖ de disputas intergovernamentais, mais que acordos cooperativos, fato que se agrava quando se trata do arranjo federalista fiscal nacional e no cumprimento das novas competências constitucionais atribuídas a cada ente federativo. A natureza desses constrangimentos e as perspectivas para sua superação têm sido ponto de atenção constante nos debates da nova PNDU.

Nas discussões sobre a PNDU destaca-se a grande preocupação com a criação de condições para ocorrência efetiva do pacto federativo nas políticas urbanas, propondo-se o enfrentamento de problemas como o desequilíbrio regional, a desarticulação entre os entes, e a desarranjo institucional que emperra os processos.

No documento referencial da PNDU, destaca-se a necessidade de uma ação intergovernamental cooperada e coordenada entre os entes federados, principalmente

66Uma conversa informal com um técnico (arquiteto) de uma prefeitura de cidade média do interior paulista essa mesma situação de muitos recursos para obras locais serem liberadas pelo governo federal por meio de relações pessoais em visitas a Brasília.

na gestão metropolitana e na criação de novos municípios, e claro, nas definições de competências. Apesar dos avanços com o artigo 23 da CF, e das definições do Estatuto das Cidades, reconhece-se que em matéria de cooperação federativa para o desenvolvimento ainda há lacunas que precisam ser preenchidas. E isso implica em: (i) complementar as normas constitucionais sobre as competências federativas, do que é exemplo a Lei dos Consórcios públicos; (ii) ocupar o vazio constitucional caracterizado pela falta de regras claras e marcos regulatórios, em especial no que se refere ao saneamento, transporte urbano, habitação e regularização fundiária, de modo a dar mais segurança aos investimentos e ações; (iii) definir prioridades de ações coordenadas e cooperativas que não dependem obrigatoriamente de legislação, mas de acordos em torno de políticas setoriais.

Na 2ª Conferência Nacional das Cidades o debate sobre a Questão Federativa avança, com questões mais complexas de serem trabalhadas, além da Participação e Controle social, da Política urbana regional e metropolitana; e do Financiamento do desenvolvimento urbano. Assim, no texto-base para a 2ª Conferência das Cidades já foram apontadas algumas propostas que possam vir de encontro a essas lacunas observadas:

―10. O desenvolvimento urbano deve ser responsabilidade dos três entes federados, com articulação de orçamentos em projetos acordados e ações coordenadas, respeitando os planos diretores participativos municipais, bem como os planos nacional, regionais e estaduais de ordenamento do território.

11. A PNDU deve propor as diretrizes e explicitar as condições e critérios para a criação, incorporação, fusão e desmembramento de municípios, subsidiando legislação específica para regulamentar o tema.

12. O município deverá ser responsável pelo planejamento, financiamento, gestão, execução e fiscalização das ações do desenvolvimento urbano, com apoio e ação subsidiária dos estados e da União.

13. A ação subsidiária dos estados e da União no financiamento e execução do desenvolvimento urbano deve ser baseada em indicadores que meçam a capacidade dos municípios de gerar riquezas frente às carências e demandas dos mesmos nas questões de moradia, saneamento ambiental; mobilidade e ocupação e uso do solo; assim como sua inserção regional e posição na rede de cidades.

14. A cooperação e a coordenação intergovernamental de programas, projetos e ações devem ser priorizadas. A parceria é fundamental para o desenvolvimento urbano, especialmente nas bacias hidrográficas, nas microrregiões pouco dinâmicas, nas aglomerações urbanas e nas regiões metropolitanas, onde os grandes problemas urbanos dependem de gestão compartilhada e cooperação administrativa.

15. A União deve formular e aprovar leis que possam definir competências dos diversos entes federados na gestão, ordenamento e desenvolvimento do território urbano.

16. União, estados, Distrito Federal e municípios devem utilizar o Consórcio Público como forma de fortalecer a cooperação federativa e

promover parcerias para a gestão de serviços públicos‖ (MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2008a).

Na 2ª Conferência, as proposições principais giram em torno da responsabilização dos três entes sobre o desenvolvimento urbano, mas tendo o município como principal executor dessa política, contando com subsídios dos estados e da União na implementação dessas ações. A parceria e a cooperação são estimuladas , principalmente com a utilização da lei de Consórcios Públicos.

Nas resoluções da 3ª Conferência Nacional das Cidades, as discussões em torno da questão federativa avançam um pouco mais, propondo-se a ―definição de um pacto entre os entes federados para implantação da Política Nacional de Desenvolvimento Urbano (PNDU), com os seguintes papéis:

• União – financiamento, formulação das diretrizes nacionais e avaliação dos resultados.

• Estados – financiamento, fomento para elaboração, monitoramento e avaliação dos planos estaduais e regionais.

• Municípios – financiamento, formulação, monitoramento e avaliação das diretrizes locais e implementação das ações, com adequação aos planos regionais e aos planos diretores participativos‖ (MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2008b).

Verifica-se que o Ministério das Cidades tem concentrado esforços nessa direção, fomentado a ação conjunta e integrada das esferas de governo - federal, estadual e municipal, juntamente com a participação e mobilização da sociedade, na intenção de garantir condições para efetivação do ―direito à cidade‖ - moradia, saneamento, equipamentos público, à parcela de excluídos do desenvolvimento urbano.

Teoricamente, esse deveria ser o grande diferencial nesse processo político - a busca da pactuação federativa e democrática - mas na prática, o que se tem observado é ainda a grande dificuldade de se colocar as proposições resultantes do processo democrático em prática, no sentido de efetivação em políticas e programas que fujam dos velhos problemas da falta de integração, da setorialização e de se articular políticas nos três níveis de governo.

O atual governo tenta pôr em pauta uma agenda federativa que permita estabelecer relações mais estreitas no compartilhamento de ―issues‖ de interesse

comum. Assim, o que tem sido chamado de ―Agenda Federativa Compartilhada‖, estabelecida desde 2007, tem como objetivos

 Consolidar uma ampla rede pública de proteção social, mediante o fortalecimento e a integração das políticas públicas federativas, como as de Educação, Saúde, Assistência Social, Trabalho e Renda, Cultura, Segurança Pública, Regularização Fundiária e as demais políticas de desenvolvimento urbano (habitação, saneamento e mobilidade urbana);  Pactuar uma agenda estratégica para as regiões metropolitanas, de

modo a superar a fragmentação da ação governamental nesses territórios, viabilizar a gestão democrática e ambientalmente sustentável das cidades, a integração das políticas de desenvolvimento urbano com as estratégias de combate à violência, além do acesso de toda a população aos serviços públicos e à infra-estrutura urbana

 Desenvolver uma política nacional de fortalecimento institucional e gerencial dos municípios, articulando os diversos programas de capacitação, apoio e fortalecimento da gestão municipal desenvolvidos pelos órgãos federais, com foco nos pequenos municípios, bem como promovendo o aperfeiçoamento da legislação nacional de contabilidade pública, responsabilidade fiscal, licitações e contratos, entre outros;  Ampliar e qualificar o padrão de atendimento dos órgãos federais aos

municípios, viabilizando o acesso aos programas e recursos federais de forma transparente e desburocratizada

 Fortalecer os mecanismos de negociação, pactuação e cooperação federativa, mediante a institucionalização de instâncias intergovernamentais, como o Comitê de Articulação Federativa67,

comissões tripartites e mesas federativas, e pela regulamentação dos dispositivos constitucionais pertinentes (arts. 18, 23 e 43 entre outros)  Apoiar as ações da cooperação internacional federativa e

descentralizada, como o Foro de Governadores e Prefeitos do Mercosul, as ações de cooperação para o desenvolvimento regional nas fronteiras e relações bilaterais dentro dos acordos-quadro internacionais, além das iniciativas internacionais das associações nacionais municipalistas68 .

O discurso ministerial da pactuação federativa, da cooperação, da transversalidade, participação democrática, da cidade justa e igualitária etc se coloca como prática ainda difícil se transpor em políticas exeqüíveis de fato. Se antes as políticas eram clientelísticas, populistas, elitistas e economicamente enviesadas, elas

67 Por meio do decreto nº 6.181/2007, foi instituído o Comitê de Articulação Federativa

– CAF, no âmbito da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, com a finalidade de promover a articulação na formulação de estratégias e implementação de ações coordenadas e cooperativas entre as esferas federal e municipal de governo, para atendimento das demandas da sociedade e aprimoramento das relações federativas.‖

68 Propostas do Comitê de Articulação Federativa, do Governo Federal. Disponível em: http://www.portalfederativo.gov.br/bin/view/Inicio/WebHome. Acesso em: 05.05.2008. Segunda consta ainda na página de assuntos federativos do GF, ―no âmbito do CAF já foram criados seis grupos de trabalho interfederativos, com o objetivo de debater e para prestação do serviço de transporte escolar; de ações de fortalecimento institucional e qualificação da gestão dos municípios; de acompanhamento das ações do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) e para o desenvolvimento de alternativas para o barateamento das tarifas e melhoria da qualidade dos serviços de transporte público urbano; e para o aperfeiçoamento da gestão das Regiões Metropolitanas, Aglomerações Urbanas e Microrregiões‖.

agora se revestem de novos atores, novas burocracias, novas práticas econômicas liberalizantes e globalizantes, novos conflitos federativos que exigem uma revisão constante dos padrões que regem os processos de tomada de decisão.

3.3.4. Considerações sobre a competência comum e a difícil cooperação

Benzer Belgeler