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1. İŞLETMELERDE STRATEJİK PLANLAMA VE KARAR ALMA

1.12. Karar Almanın Tanımı ve Önemi

Conforme atesta parte significativa da literatura recente nas Ciências Sociais21, trabalhar com conceitos como “cidade”, “política”, “favela” e “periferia” implica no fato de que nos encontramos diante de uma série de disputas (disciplinares e em termos de poder), que tendem a construir critérios de avaliação com claros efeitos ideológicos.

Foram essas características, marcantes nos contextos urbanos, que fizeram com que, desde o início desta pesquisa, eu fosse levado a uma busca crítica dos conceitos e métodos de atuação etnográfica trabalhados pelos autores da chamada “Escola de Manchester” 22, cuja principal contribuição23, foi a de deslocar a antropologia do campo da análise de representações, fundadas sob normas e valores, para focar “a vida social ‘real’ na qual as normas e valores

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Refiro-me aqui a um tipo de abordagem dedicada à compreensão de espaços que operam a partir de um dinamismo que repões continuamente definições como nós e eles.

21

Para ficar em poucos exemplos, cito Caldeira (2000); Kuschnir (2000; 2007); Valladares (2005; 2010); Frúgoli Jr. (2005); Sklair (2010); Agier (1999; 2011 [2009]); Feltran (2011) e Souza, J (2012).

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Apesar do nome “Escola de Manchester”, o grupo de autores que deu início a essa tradição de pesquisa, formou-se em uma universidade localizada no Instituto Rhodes Livingstone, na antiga Rodésia do Norte (agora Zâmbia), conforme podemos ver no relato de Peter Fry (2011, p. 5). 23

frequentemente contraditórios entre si, seriam utilizados de acordo com a racionalidade do agente social em situações sociais concretas” (FRY, 2011, p. 5).

A utilização do conceito de “situação”, portanto, desempenha papel fundamental para este estudo, uma vez que possibilita encarar os agentes pesquisados não como meros “informantes” 24 , mas enquanto “atores”, responsáveis por mobilizarem diferentes ações e comportamentos dependendo das circunstâncias por mim observadas.

Na “análise situacional” utilizada como modelo teórico do trabalho, procuro lançar mão não somente de minhas abstrações e conclusões, mas oferecer parte considerável de meu material de campo, a fim de proporcionar ao leitor mais e melhores condições “para avaliar a análise etnográfica não apenas do ponto de vista da coerência interna da argumentação, mas também por meio da comparação de dados etnográficos com as conclusões que foram extraídas dele” (VAN VELSEN, [1967] 2010, pp. 454-455). Além disso, conforme destaca Agier, o acompanhamento de situações sociais “liberta o pesquisador do constrangimento monográfico habitual à etnografia. Porque não são os limites espaciais que definem a situação, mas os da interação” (AGIER, 2011 [2009], p. 73).

Baseei-me assim em estudos clássicos, como o de Clyde Mitchell sobre a “Dança Kalela” ([1969] 2010), que já àquela altura apontava para o fato de que a própria noção de identidade era situacionalmente produzida25. Outro pilar teórico,

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Ao falarem sobre esse termo, Sarró e Lima (2006), colocam que o mesmo remete “(...)para uma atitude de transmissão consciente da informação racionalmente passada de informante para antropólogo, como se os informantes estivessem lá apenas para transmitir informações sobre determinados assuntos”. (SARRÓ E LIMA, 2006, p. 29).

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Em seu estudo, Mitchell buscou compreender o aparente paradoxo em torno da dança, que, embora tivesse raízes tribais, acontecia em um ambiente urbano, a partir da utilização de elementos (vestimentas, expressões jocosas, etc.) expressivos do tipo de relação mantida naquele contexto. Ao contrário de buscar uma saída simples e apontar para as origens tribais da Kalela, Mitchell deu preferência à análise histórica e situacional, onde mostrou como, através da dança, os agentes mobilizavam a identidade étnica como uma categoria específica, responsável por marcar certas

importante foi a concepção antropológica “da cidade”, do modo como é definida por Michel Agier (2011 [1999]).

Este autor defende a importância de uma perspectiva que compreenda a cidade enquanto os próprios processos de luta, resistência e conflito, responsáveis pela constituição de uma enorme diversidade de redes de relações, que ao serem alargadas, colocam em contato inúmeros contextos e modos de pensamento com tendências à hibridização. Segundo ele, são as decorrências desses processos que dão forma ao espaço que costuma figurar nas cartografias desenhadas pelos urbanistas. Cartografias essas que, por consequência, tendem a obscurecê-los.

Trata-se de uma perspectiva que enxerga a “cidade” de modo relacional, buscando separar a hegemonia de certas apropriações (apriorísticas e generalistas), da substância do conceito e que, portanto, não pode ser confundida com as classificações e elaborações construídas no plano oficial do Estado.

De acordo com Agier (2011) é preciso substituir a reflexão com sinal negativo, centrada nas perdas ocorridas nos espaços precários, para outra, cuja proposta é a busca pela compreensão acerca do que nasce a partir das formas de sociabilidade constituídas nesses espaços. Deste modo, busquei centrar-me nas duas operações epistemológicas recomendadas pelo autor: (1) “deslocar o ponto de vista da cidade para os citadinos” e (2) “deslocar a problemática do objeto para o sujeito da questão sobre o que é cidade – uma essência inatingível e normativa – para a pergunta sobre o que faz cidade” (AGIER, 2011 [2009], p.38).

A expressão “fazer cidade”, longe de corresponder a uma mera licença poética implica, portanto, na necessidade (teórica) de considerarmos o fato de que as percepções sociais ou simbólicas que costumam caracterizar certas regiões não

posições nos mais variados contextos. A dança Kalela, foi, então, interpretada pelo autor como um fenômeno tipicamente urbano e não como um reflexo pálido de identidades étnicas anteriores.

se encontram cristalizadas em sua fixação territorial, como supunham os autores da primeira geração da chamada “Escola de Chicago” 26. Conforme argumenta o autor:

A deslocalização não suprime as componentes de uma densidade social ou simbólica relocalizável. E a necessidade de estabelecer, em cada relocalização, uma relação com o espaço, retoma as atividades de simbolização, sobretudo rituais (AGIER, 2011 [2009], p. 114).

Nada mais próximo desta pesquisa, onde, citando apenas uma das inúmeras situações acompanhadas “em campo” – e que serão explicitadas no decorrer da tese –, desloquei-me com o coletivo Cinescadão, até uma “ocupação”, realizada por alguns movimentos de luta por moradia, na região central da cidade, onde pude reparar no modo como a desterritorialização do coletivo, ao deslocar-se da Favela do Peri onde fica a sua “base”, se reterritorializava naquele espaço através de uma série de interações e linguagens responsáveis pela construção de vínculos de identificação política. A situação permitiu-me assim, constatar o fato de que estes atores estavam a fazer algo além de uma simples celebração “cultural”. Estavam a fazer a própria “cidade”.

O uso da perspectiva “situacional”, portanto, foi o que me possibilitou um apurado conhecimento em relação ao próprio lugar que eu deveria ocupar no “campo”, uma vez que as variadas (e simultâneas) circunstâncias nas quais vi-me enredado destacaram a necessidade de que eu voltasse minha atenção,

(…) antes sobre as interações e as situações reais nas quais os atores se engajam, do que nas representações formuladas a priori das culturas, tradições ou figuras ancestrais em nome das quais se supõe que eles agem (AGIER, 2001, p. 12).

26

Outra referência (teórica e metodológica) fundamental foi o clássico trabalho de William Foote Whyte, “Sociedade de Esquina” (2005 [1943]). Nele o autor, baseado em uma extensa e complexa pesquisa de campo junto a um grupo formado por jovens habitantes de uma região segregada – fortemente marcada pela residência de imigrantes italianos na cidade de Boston, nos Estados Unidos, entre os anos de 1936 e 1940 –, mostrou, entre outras coisas, que, ao contrário do que vinham apontando os estudos da época27, “Cornerville” (nome fictício atribuído à região estudada) era uma área profundamente organizada e sustentada por relações hierarquizadas, que faziam com que práticas como a corrupção, entre outras, fossem reguladas a partir de vínculos diretos com atores considerados como “centrais”.

A análise de Whyte ajudou-me na busca de métodos que me permitissem compreender a vida associativa e as formas de solidariedade nascentes entre os agentes pesquisados sem, no entanto, centrar-me em leituras essencializadoras. Feitas estas considerações, parto agora para a apresentação dos capítulos da tese.

Benzer Belgeler