Na intenção de trilhar o caminho rumo ao desenvolvimento do Mercosul, o Tratado de Assunção realça no art. 18, que antes do estabelecimento do Mercado Comum, em 31 de dezembro de 1994, os Estados Partes convocariam uma reunião extraordinária com o objetivo de determinar a estrutura institucional definitiva dos órgãos de administração do Mercado Comum, assim como as atribuições específicas de cada um deles e seu sistema de tomada de decisão.
Para ser executado o que foi citado anteriormente no art. 18 do Tratado de Assunção, ocorreu, no dia 17 de dezembro de 1994, na cidade de Ouro Preto, Minas Gerais, durante a Cúpula de Presidentes e da VII Reunião do Conselho do Mercado Comum, a assinatura do Protocolo de Ouro Preto (POP)53, Protocolo Adicional54 ao Tratado de Assunção55, que delineia a estrutura institucional do Mercosul e constitui em definitivo sua estrutura orgânica,
53 “O Protocolo de Ouro Preto, em seu preâmbulo, reafirma os princípios do Tratado de Assunção, dando ênfase à implantação de uma união aduaneira como etapa para a construção do mercado comum, assim como a implantação da estrutura orgânica definitiva do Mercosul, [...].” (ACCIOLY, 2004, p. 69).
54 “Evitando uma nova desaceleração no mercado comum, os países-membros optaram por isolar os temas controversos em grupos temáticos, avançando nos temas gerais, o que facilitou a assinatura do Protocolo de Ouro Preto como adicional ao Tratado de Assunção, em dezembro de 1994, que criou a personalidade jurídica internacional do Mercosul e estabeleceu os órgãos de apoio administrativo, jurídico e institucional.” (BEÇAK, 2000, p. 65-66).
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Artigo 48 O presente Protocolo, parte integrante do Tratado de Assunção, terá duração indefinida e entrará em vigor 30 dias após a data do depósito do terceiro instrumento de ratificação. O presente Protocolo e seus instrumentos de ratificação serão depositados ante o Governo da República do Paraguai.
ocasião em que o Mercosul passou a ter personalidade jurídica de Direito Internacional56. Em Ouro Preto, findou o momento de transição, passando a dar início à utilização de instrumentos essenciais para a implementação de uma política comercial comum, que deveria nortear o andamento da zona de livre comércio, na qual a TEC apresentava-se como componente central. (ACCIOLY, 2004, WANDERLEY; VIGEVANI, 2005). A seguir, serão sumarizados os principais itens do POP. Para maiores informações, ver ANEXO B (Protocolo de Ouro Preto Protocolo Adicional ao Tratado de Assunção sobre a Estrutura Institucional do Mercosul).
a) Estrutura Orgânica do Mercosul
A estrutura orgânica do Mercosul elencada no Tratado de Assunção (art. 9º) para o período de transição, era formada pelo Conselho do Mercado Comum (CMC) e Grupo do Mercado Comum (GMC). Mas, com assinatura do POP, em 17 de dezembro de 1994, foram adicionados: a Comissão de Comércio do Mercosul (CCM), a Comissão Parlamentar Conjunta (CPC), o Foro Consultivo Econômico-Social (FCES)57 e a Secretaria Administrativa do Mercosul (SAM).
Os países do Mercosul deram preferência: “[...] pela cooperação entre os Estados e não pela integração; a primeira horizontal, não havendo poder acima dos Estados, e a segunda, vertical, onde há um poder superior – vértice natural da integração -, para executar os objetivos comuns por eles delegados. [...].” (ACCIOLY, 2004, p. 166).
O Protocolo de Ouro Preto determinou que o Conselho do Mercado Comum, o Grupo Mercado Comum e a Comissão de Comércio do Mercosul tenham caráter intergovernamental, por serem órgãos com competência decisória; sendo assim, no que se refere a tomada de decisões, o POP destacou que “as decisões dos órgãos do Mercosul serão tomadas por consenso e com a presença de todos os Estados Partes (art. 37).” Observa-se a relevância da participação de cada país-membro do Mercosul, onde todos precisam participar ativamente nas decisões, sendo necessária a concordância mútua.
56 De acordo com o POP Artigo 35 O Mercosul poderá, no uso de suas atribuições, praticar todos os atos necessários à realização de seus objetivos, em especial contratar, adquirir ou alienar bens móveis e imóveis, comparecer em juízo, conservar fundos e fazer transferências. Artigo 36 O Mercosul celebrará acordos de sede. 57 “A criação do Foro acolheu propostas contempladas na Carta de Ouro Preto, encaminhada pelas Centrais Sindicais do Cone Sul aos presidentes dos Estados-Partes, [...].” (CAMPOS, 2002, p. 271).
b) Conselho de Mercado Comum
O Conselho do Mercado Comum (CMC) é o órgão superior do Mercosul ao qual compete a condução política do processo de integração e a tomada de decisões para certificar o quanto da realização dos desígnios instituídos pelo Tratado de Assunção e para lograr a constituição final do mercado comum.
Entre as alterações que CMC sofreu com a assinatura do POP, pode-se destacar a sua obrigatoriedade de encontros, pois, no Tratado de Assunção, art. 11, a reunião do CMC deveria ser feita pelo menos uma vez ao ano. Já no POP, o art. 6º indica uma por semestre, ressaltando que outras reuniões poderão ocorrer quantas vezes o CMC julgue oportuno.
Como funções e atribuições do Conselho de Mercado Comum destacam-se, principalmente: velar pelo cumprimento do Tratado de Assunção, de seus Protocolos e dos acordos firmados em seu âmbito; formular políticas e promover as ações necessárias à conformação do mercado comum; exercer a titularidade da personalidade jurídica do Mercosul; negociar e assinar acordos, em nome do Mercosul, com terceiros países, grupos de países e organizações internacionais58; manifestar-se sobre as propostas que lhe sejam encaminhadas pelo Grupo Mercado Comum; criar reuniões de ministros e pronunciar-se sobre os acordos que lhe sejam remetidos pelas mesmas; criar os órgãos que estime pertinentes, assim como modificá-los ou extingui-los; esclarecer, quando julgue necessário, o conteúdo e o alcance de suas decisões; designar o Diretor da Secretaria Administrativa do Mercosul; adotar Decisões em matéria financeira e orçamentária; homologar o Regimento Interno do Grupo Mercado Comum.
Exercendo sua competência, o Conselho de Mercado Comum e Grupo do Mercado Comum manifestar-se-ão mediante Decisões, as quais serão obrigatórias para os Estados Partes (art. 9º e art. 15).
c) Grupo do Mercado Comum
O Grupo Mercado Comum é o órgão executivo do Mercosul, formado por quatro componentes titulares e quatro alternos por país, indicados por seus Governos, sendo indispensável que seus integrantes sejam representantes dos Ministérios das Relações Exteriores, dos Ministérios da Economia (ou equivalentes) e dos Bancos Centrais. A coordenação do GMC está sob a responsabilidade dos Ministérios das Relações Exteriores.
58 Estas funções podem ser delegadas ao Grupo Mercado Comum por mandato expresso, nas condições estipuladas no inciso VII do artigo 14 do POP.
Para o melhor desempenho do GMC, faculta-lhe solicitar, no caso de julgar oportuno, que membros de outros órgãos da Administração Pública ou até mesmo da estrutura institucional do Mercosul, que venham a corroborar na preparação de suas recomendações. Com relação às reuniões do GMC as mesmas ocorreram sem limite de encontros, desde que não transgrida seu Regimento Interno.
As funções e atribuições do GMC têm como princípio entre outros de: velar pelo implemento do Tratado de Assunção, de seus Protocolos e dos contratos assinados em seu domínio; recomendar projetos de Decisão ao Conselho do Mercado Comum; aceitar as medidas para a realização das Decisões acolhidas pelo Conselho do Mercado Comum; estabelecer programas que garantam progressos para a efetivação do mercado comum; o GMC pode negociar e assinar acordos em nome do Mercosul com terceiros países, grupos de países e organismos internacionais, podendo delegar os mesmos poderes a Comissão de Comércio Comum desde que siga suas especificidades; compete ao GMC aprovar o orçamento e a prestação de contas da Secretaria Administrativa do Mercosul, bem como eleger seu Diretor e supervisionar as atividades das mesma; organizar as reuniões do Conselho do Mercado Comum; homologar os Regimentos Internos da Comissão de Comércio e do Foro Consultivo Econômico-Social.
d) Comissão de Comércio do Mercosul
A Comissão de Comércio do Mercosul é órgão designado para auxiliar o Grupo Mercado Comum. São funções e atribuições da Comissão de Comércio do Mercosul: velar pela aplicação, acompanhamento e apreciação do desenvolvimento dos instrumentos comuns de política comercial intra-Mercosul e com terceiros países, organismos internacionais e contratos de comércio; apreciar e pronunciar-se a respeito de pedidos apresentados pelos Estados Partes com respeito à aplicação e ao cumprimento da tarifa externa comum; informar ao Grupo Mercado Comum a propósito do progresso e a execução dos mecanismos de política comercial comum, no que se refere ao trâmite dos requerimentos recebidos e sobre as deliberações tomadas a respeito deles; sugerir ao Grupo Mercado Comum novas regras ou alterações às regras existentes relativas a assunto comercial e alfandegária do Mercosul; recomendar a revisão das alíquotas tarifárias de itens privativos da tarifa externa comum, até mesmo considerar episódios concernentes a novas atividades produtivas no domínio do Mercosul; instituir os comitês de especialistas indispensáveis e apropriados à concretização de seus papéis, bem como conduzir e supervisionar suas atividades; exercer os trabalhos
atrelados à política comercial comum que lhe requeira o Grupo Mercado Comum; seguir o Regimento Interno, que submeterá ao Grupo Mercado Comum para sua homologação.
A Comissão de Comércio do Mercosul seria formada por quatro componentes titulares e quatro alternos por Estado Parte com a coordenação dos Ministérios das Relações Exteriores. Quanto às reuniões do CCM, ocorreriam no mínimo uma vez por mês ou sempre que requerido pelo Grupo Mercado Comum ou por algum dos Estados Partes.
e) Comissão Parlamentar Conjunta
A Comissão Parlamentar Conjunta (CPC) é o órgão representativo dos Parlamentos dos Estados Partes do Mercosul. É formada pelo mesmo número de parlamentares representantes dos Estados Partes que são indicados por seus Parlamentos nacionais, de acordo com seus métodos internos.
A Comissão Parlamentar Conjunta busca agilizar os procedimentos internos relativos aos Estados Partes no intuito de efetivar a entrada em vigor das normas decorridas dos órgãos do Mercosul previstos no Artigo 2º, POP, e ainda na harmonização de legislações, de acordo com o desenvolvimento do processo de integração. Quando for preciso, o Conselho do Mercado Comum requererá à CPC a análise de assuntos preferenciais, sendo que a mesma conduzirá, por intercessão do Grupo Mercado Comum, sugestões ao Conselho do Mercado Comum.
f) Foro Consultivo Econômico-Social
O Foro Consultivo Econômico-Social (FCES) é o órgão de representação dos setores econômicos e sociais e é integrado por igual número de representantes de cada Estado Parte. Seu papel consultivo ocorre por meio de sugestões ao Grupo Mercado Comum.
g) Secretaria Administrativa do Mercosul
Para seu melhor desempenho o Mercosul dispõe de uma Secretaria Administrativa que possibilita o apoio operacional, sendo de sua alçada prestar serviços aos demais órgãos do Mercosul, tendo sua sede permanente na cidade de Montevidéu.
A Secretaria Administrativa do Mercosul é encarregada, entre outras atividades, de: servir como arquivo oficial da documentação do Mercosul; realizar a publicação e a difusão das determinações aceitas no âmbito do Mercosul (com traduções fidedignas para os idiomas espanhol e português) de todas as deliberações tomadas pelos órgãos da estrutura institucional
do Mercosul; editar o Boletim Oficial do Mercosul59; preparar os aspectos logísticos das reuniões do Conselho do Mercado Comum, do Grupo Mercado Comum e da Comissão de Comércio do Mercosul, e, ainda, realizar os trabalhos que lhe sejam requeridos pelos mesmos órgãos. Para as reuniões feitas fora de sua sede permanente, a Secretaria Administrativa do Mercosul dará apoio ao Estado que sediar o evento.
A Secretaria Administrativa do Mercosul60 fica sob a responsabilidade de um Diretor, sendo nacional de um dos Estados Partes e eleito pelo Grupo Mercado Comum, em bases rotativas, com parecer antecedente dos Estados Partes e designado pelo Conselho do Mercado Comum com mandato de dois anos, vedada a reeleição.
O Capítulo IV do Tratado de Assunção, que trata da Adesão de terceiros países ao Mercosul, prevê, mediante solicitação e posterior aprovação de todos os Estados Partes, o ingresso de outros países ao Mercosul, sendo que:
O Chile foi um dos países que expressou seu desejo de participar do bloco, o que ocorreu em julho de 1996, quando se tornou um país associado ao Mercosul. Tal condição foi determinada pela opção chilena de não aderir à TEC em virtude da maior abertura econômica que caracterizava sua economia. Bolívia foi o segundo país associado ao bloco. (WANDERLEY; VIGEVANI, 2005, p. 255-256).
Portanto, os primeiros países da América Latina a firmarem contrato de livre comércio bilaterais com o Mercosul foram Chile e Bolívia, sendo que esses países passaram a fazer parte do Mercosul como países associados.
O resultado da proximidade entre os quatro países membros do Mercosul com a Bolívia e Chile foi marcado quando ambos: “instituíram o ‘Mecanismo de Consulta e Concertação Política’, através do qual chegaram a um consenso no que se refere às posições comuns ante temas de alcance regional que superam o estritamente econômico e comercial.” (WANDERLEY; VIGEVANI, 2005, p. 256).
A X Reunião do Conselho do Mercado Comum, ocorrida na cidade de San Luis na Argentina, no dia 25 de junho de 1996, contou com a presença do Chile e da Bolívia, os quais assinaram juntamente com os países membros do Mercosul a “Declaração Presidencial sobre
59 POP Artigo 39 Serão publicados no Boletim Oficial do Mercosul, em sua íntegra, nos idiomas espanhol e português, o teor das Decisões do Conselho do Mercado Comum, das Resoluções do Grupo Mercado Comum, das Diretrizes da Comissão de Comércio do Mercosul e dos Laudos Arbitrais de solução de controvérsias, bem como de quaisquer atos aos quais o Conselho do Mercado Comum ou o Grupo Mercado Comum entendam necessário atribuir publicidade oficial.
60 POP Artigo 45 A Secretaria Administrativa do Mercosul contará com orçamento para cobrir seus gastos de funcionamento e aqueles que determine o Grupo Mercado Comum. Tal orçamento será financiado, em partes iguais, por contribuições dos Estados Partes.
Compromisso Democrático no Mercosul”, onde “os presidentes reafirmaram sua plena adesão aos princípios e as instituições democráticas, ao estado de direito e ao respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais”, podendo ser considerado como ingrediente necessário para sobrevivência e a ampliação do Mercosul. (ACCIOLY, 2004; WANDERLEY; VIGEVANI, 2005). O Chile esta entre os principias países de destino das exportações catarinenses, sendo que de 1999 a 2008 ocupou de forma variada da sétima a décima terceira posição; no que condiz as importações do Estado de Santa Catarina de 2004 a 2009 o Chile destacou-se por ter ocupado o segundo e o terceiro lugar entre os principais países de origem das importações, ficando atrás dos Estados Unidos e da China.
Em 25 de agosto de 2003, o Peru assinou sua adesão com o Mercosul, integrando-se a zona de livre comércio (ACCIOLY, 2004), na mesma condição de Chile e Bolívia, ou seja, considerado o primeiro estágio de integração. Cabe ressaltar que Chile, Bolívia e Peru não têm o mesmo status dos países fundadores dos Mercosul. O Peru ocupou em 2007 e 2008 a sexta posição no ranking dos principais países de origem das importações do Estado catarinense, ressalta-se que em 2006 estava em sétimo,
O protocolo de adesão da República Bolivariana da Venezuela ao Mercosul foi assinado na cidade de Caracas, em 04 de julho de 2006, reafirmando os princípios e finalidades do Tratado de Montevidéu de 1980 e do Tratado de Assunção de 1991, ratificando que a efetivação do processo de integração da América do Sul depende de novas adesões. Todavia, a integração da Venezuela ao Mercosul segue os princípios da gradualidade, flexibilidade e equilíbrio, o reconhecimento das assimetrias e do tratamento diferenciado, assim como dos princípios de segurança alimentar, meios de subsistência e desenvolvimento rural integral. A Venezuela em 2007 ficou em décimo segundo lugar e em 2008 em décimo primeiro lugar entre os principais países de destino das exportações catarinenses
Durante a reunião do Conselho do Mercado Comum na cidade de Ushuaia, República Argentina, ocorrida no dia 24 de julho de 1998, os presidentes dos Estados Partes61 assinaram o “Protocolo de Ushuaia sobre o Compromisso Democrático”. Destaca-se, no art. 1º, “A plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o desenvolvimento dos processos de integração entre os Estados Partes do presente Protocolo,” sendo de consenso que alguma contraposição da ordem democrática poderia influenciar
61 A República Argentina, a República Federativa do Brasil, a República do Paraguai e a República Oriental do Uruguai, Estados Partes do MERCOSUL, assim como a República da Bolívia e a República de Chile, doravante denominadosEstados Partes do presente Protocolo.
negativamente no futuro do Mercosul. Portanto, a conformação da democracia é essencialmente basilar no processo de integração econômica.
Outro evento de grande importância que merece ser ressaltado diz respeito ao ocorrido nesta mesma ocasião, quando da assinatura da:
[...]. ‘Declaração Política do Mercosul, Bolívia e Chile como Zona de Paz’, que determinava, entre outros pontos, o fortalecimento dos mecanismos de consulta e cooperação sobre questões de segurança e defesa, além da promoção de uma articulação progressiva e realização de esforços conjunto em foros pertinentes para avançar na consolidação de acordos internacionais relacionados ao desarmamento e à não-proliferação de armas nucleares. (WANDERLEY; VIGEVANI, 2005, p. 256).
Dentre tantos compromissos assumidos pelos presidentes dos Estados Partes, fica evidente a preocupação no sentido de criar meios que proporcionem um clima de segurança entre seus países, de maneira que todos tenham consciência a respeito das consequencias futuras que possam surgir se os mesmos derem mais atenção para o investimento bélico em vez de prepararem seus países para se tornarem mais competitivos no mercado internacional, e ter como principal alvo a participação no Mercosul para serem reconhecidos em função da representatividade via bloco e não isoladamente. Para maiores informações ver ANEXO C (Protocolo de Ushuaia Sobre Compromisso Democrático no Mercosul, Bolívia e Chile).
No ano de 2000 foi instituído o projeto de Integração da Infraestrutura Regional Sul- americana (IIRSA), que teve como propulsor o Brasil. Com o passar do tempo despertou a atenção, e, posteriormente, a adesão dos países da América do Sul, ainda contando com a participação da Guiana e Suriname, que estavam alheios a qualquer modalidade de integração na região. A IIRSA, de certo modo, afetou o conceito de integração comercial da América Latina. Visto que a Comunidade Andina e o Mercosul utilizavam-se de um processo liberalizado de comércio recíproco, passou a ser observado como uma forte tendência para a união de seus blocos em um Mercado Comum como pré-condição para a constituição de uma Comunidade Econômica Sul-americana62; no entanto, será preciso aumentar o intercâmbio comercial entre seus membros, porém, ao mesmo tempo, tendo que melhorar sua produção para oferecer ao mundo bens e serviços competitivos. (SCHMIED, 2007).
Destarte, faz-se necessário que os países membros tenham ciência de que: “A área de infra-estrutura promove a implementação de uma agenda consensuada de projetos prioritários
62 “Esta comunidade se reflete na vontade política e infra-estrutura do Plano IIRSA – de construir uma América do Sul através da liberalização do comércio recíproco dos bens e serviços. Isso significa ter um mercado ampliado e assegurar a livre circulação de capitais tecnologia, mão-de-obra qualificada, eliminação dos passaportes, intercâmbio de professores e alunos, homologação de currículos universitários, acompanhados por uma infra-estrutura comum energética, portuária e de telecomunicações.” (SCHMIED, 2007, p. 116-117).
da Iniciativa para a Integração da Infra-estrutura Regional Sul-americana (IIRSA), considerando planos de desenvolvimentos nacionais, bilaterais e regionais.” (SCHMIED, 2007, p. 117). Dentro desta perspectiva, o Programa da Infraestrutura Regional Sul-americana contempla:
• a criação dos corredores biocenânicos, tendo como base a integração física para aprimorar os mercados e promover o incremento intra-regional;
• a construção de um gasoduto sul-americano, a partir do desenvolvimento de infraestruturas viárias, ferroviárias, aéreas e portuárias; e
• o comprometimento dos países da região em colaborar nos setores de petróleo, gás ou energia hidroelétrica.
O sucesso na globalização comercial para os países sul-americanos está na ampliação de seus mercados. Contudo, é preciso despertar para a melhor forma de utilização dos meios e instrumentos que promovam o investimento industrial, com busca de resultados que venham criar novos postos de trabalho e, conjuntamente, acompanhando as atualizações em termos de