BÖLÜM IV. TÜRK BANKACILIK SİSTEMİ UYGULAMASI
4.2. Miktar Yaklaşımı
4.2.3. Miktar Yaklaşımı Sonuçları
4.2.3.2. Miktar Yaklaşımı Panel Sabit Etkiler Model Sonuçları
Um primeiro ponto importante do texto A Unidade da Pátria é o constante tom de crítica à República assumido pelo autor, ora através de metáforas, ora de forma direta. Tecendo uma pequena introdução à sua conferência retratando o histórico das secas, Arinos relembra os períodos cíclicos de secas e a grande seca de meados do século XIX, uma das piores de todos os tempos, apontando para uma intervenção importante e decisiva da Coroa em socorro às vítimas do flagelo. Em contrapartida, critica a pequena ajuda organizada pelo governo Republicano em tom satírico: “[...] Mas, naquele tempo [Império], o Brasil era um país atrasado, que tinha o carrancismo de pagar sem rebote o que devia... Depois de setenta anos de progresso, o nosso chupado Tesouro de agora não teve mais de trezentos contos para acudir à calamidade [...]”.80
Valorizando o sentimento de solidariedade despertado pela calamidade da seca, o autor identifica o momento como uma possibilidade de buscar uma dimensão mais profunda no que diz respeito à construção da unidade nacional e conseqüentemente da nação. Afirma que o mal passará mais rápido quanto maior for a capacidade de organização da sociedade na defesa do bem comum, apontando para um mal ainda pior e de maior duração, a República e suas instituições. Como ele afirma:
O flagelo do Norte é um mal tremendo; mas êsse [sic] mal passará mais depressa do que o morbo cruel, que chumba no leito de acúleos a Pátria inteira: a mentira democrática, a mentira judiciária, a mentira educacional, a mentira financeira em que nos afundamos como no mais horrendo dos atoleiros. Mão estranha não se nos estenderá para tirar-nos do mortal perigo; só poderemos
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livrar-nos dele com os meios e recursos que a nossa boa razão nos descobrir e a nossa energia nos fizer executar. 81
Essa energia passa necessariamente por uma ação coordenada em busca da unidade nacional. Nesse período, já há mais de 20 anos de República, há um certo entendimento no autor da situação mais perene da organização democrática, afastando a possibilidade de um retorno monárquico. Daí a impressão do autor de que esse mal durará mais que a seca que afligia a população brasileira.
Mesmo com críticas à República, o autor apresenta uma visão positiva do Brasil, o que reforça sua defesa de um esforço por uma unidade que interrompa a possibilidade de desmembramento. Respondendo a questão se teria o Brasil elementos que permitissem desempenhar seu papel no desenvolvimento mundial, Afonso Arinos é claro e otimista:
Temo-los, sem dúvida, e devemos afirmá-lo com força; temo-los e precisamos tirá-los de nós mesmos, para o que, em vez de vivermos voltados para o exterior, como atores, do palco para a platéia, nos cumpre olhar para nós mesmos, volver à fonte verdadeira da nossa vida, às energias que nos permitiram ocupar, através de fadiga sem conta, o nosso vasto território. 82
Dessa passagem, alguns pontos são interessantes. Além da visão otimista sobre a posição que o país pode alcançar no cenário mundial, o autor demonstra a importância da valorização da figura nacional, das coisas do país e apresenta um povo forte, trabalhador, que rompe as dificuldades com fadiga e suor desde os tempos da colonização. A vastidão do território deixa de ser um problema para se tornar uma vantagem frente ao desenvolvimento humano.
81
Ibid., p. 887. 82
Outro elemento que leva o autor a acreditar na capacidade do Brasil de alcançar um lugar de destaque no cenário mundial é a miscigenação. Arinos apresenta na conferência uma visão positiva da miscigenação e uma fusão praticamente natural entre os elementos europeu, indígena e negro, decorrente do processo de colonização. Retrata uma sociedade harmônica, onde os conflitos são atenuados:
E esta fusão, que não existe em tão grande escala em nenhum outro povo americano, operou-se, com o concurso do próprio dominador, que, desde os primeiros dias, fomentou o cruzamento com a indígena e mais tarde com a africana. Não temos, portanto, em nosso seio uma raça dominada, considerada inferior e por isso hostilizada como a raça negra nos Estados Unidos [...].83
A questão da miscigenação é um ponto importante do pensamento de Afonso Arinos e esteve presente no projeto historiográfico imperial desenvolvido pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Fundado em 1838 e tendo por objetivo “[...] o delineamento do perfil nacional a partir da homogeneização da visão de Brasil para as elites”84, o Instituto esteve sempre atrelado à monarquia brasileira.
Além de realizar sessões no Paço Imperial, o Instituto reservava a possibilidade de Dom Pedro II abrir e encerrar as reuniões, sinalizando uma proteção do Imperador para com o Instituto, o que lhe conferia maior legitimidade. Além disso, boa parte de seus membros eram ocupantes de altos cargos no poder, o que que facilitava a aproximação do Instituto com a Monarquia. Numa contrapartida implícita a esse apoio do Imperador, caberá ao IHGB “[..] fazer com que as realizações do reinado de SMI, principalmente o apoio à cultura, não sejam esquecidos no futuro”.85
83
Ibid., p. 888. 84
FONSECA, SILVIA C.B. Monarquia e razão vigilante: o pensamento político na literatura do Visconde de Taunay. In: ALMEIDA, Angela M. De; ZILLY, Berthold; LIMA, Eli Napoleão de, (Org.). De Sertões,
Desertos e Espaços Incivilizados. Rio de Janeiro: MAUAD, 2001, p. 233.
85
Tentando estabelecer parâmetros para a história do Brasil, o Instituto decide em 1840 oferecer um prêmio para quem apresentar o melhor plano. O vencedor foi Karl von Martius, para quem não haveria como escrever a história do Brasil sem levar em conta os elementos que concorrerão para o desenvolvimento do homem. É essa característica de povo mestiço que a historiografia Imperial perpetuará e terá ressonância na produção intelectual brasileira. Como afirma Ricupero:
Do romantismo a Gilberto Freyre, passando, aos trancos e barrancos, pelo evolucionismo e o positivismo, acreditou-se que o Brasil era essencialmente um país mestiço; o que foi visto por alguns como vantagem e por outros como defeito. Martius merece, portanto, o duvidoso título de avô da ideologia da democracia racial no Brasil.86
Na valorização dessa especificidade brasileira, Martius desqualifica o negro e o índio para impor uma raça dominante, que seria a portuguesa. Entende os indígenas como sobreviventes de uma civilização desaparecida e aponta que o Brasil se desenvolveria muito melhor sem a presença dos escravos negros.87
Como vimos, Arinos torna-se membro do IHGB em 1901, tomando posse dois anos depois, o que com certeza o aproximará de algumas perspectivas historiográficas desenvolvidas pelo Instituto. Apesar disso, sua visão sobre a miscigenação destoava da defendida por Martius. Inserido já num momento pós-abolição, Arinos identificava de forma positiva essa característica, acreditando numa junção harmoniosa entre o negro, o português e o indígena.
Com tamanhos elementos ao seu favor, o autor justifica a necessidade de uma união em busca da unidade da Pátria e a constituição de uma nação, minimizando os
86
Ibid., p. 125. 87
efeitos, na sua visão, negativos provocados pela República e sua divisão federalista: “É preciso que as forças esparsas da cultura brasileira se congreguem, se toquem, se reconheçam [...]”.88 Essa unidade nacional defendida por Arinos é cultural, ideológica, intelectual, e não administrativa. Ele defende a necessidade de uma descentralização administrativa frente as enormes diferenças geográficas do território. E esclarece, “[...] unidade nacional não quer, pois, dizer, governo unitário”.89