2. INCONEL 718’e UYGULANAN KAYNAK YÖNTEMLERİ
2.4. MIG-MAG Kaynağı
Como se sabe, uma das fontes principais para o conhecimento dos impressores activos em Portugal, qualquer que seja a época que tomemos como referência, são as informações colocadas nos próprios livros por eles impressos, nomeadamente as suas identificações, presentes nos pés de imprensa, assim como os privilégios que detinham para desempenhar a sua actividade. Mas as folhas de rosto transmitem-nos, também, informações sobre os mandantes e financiadores da impressão dos livros, as quais podem estar presentes, igualmente, no interior da obra.
Porém, os livros impressos nunca falam dos oficiais que os produziram, ou seja, daqueles que os imprimiam ou encadernavam, a não ser que possuíssem oficina própria, que tivessem o capital financeiro necessário para pagar a sua impressão ou, mais raramente, que os vendessem na sua casa de livreiro.
Caso raro é o que vimos acontecer com Estêvão Marques de Araújo, um impressor que nunca antes foi referenciado pelos historiadores do livro e que, aparentemente, não tinha oficina própria, mas cujo nome aparece num pé de imprensa; similar é o caso de Jorge Rodrigues, que não teve oficina em Coimbra, mas foi identificado a trabalhar na oficina de Nicolau de Carvalho.
151 Cf. Diogo Barbosa Machado, op. cit., vol. III, pág. 7; Inocêncio Francisco da Silva, op. cit., vol. V,
Outros impressores havia, no entanto, cujo nome nunca apareceu inscrito numa obra impressa e dessa forma só dificilmente conhecemos algo sobre eles; no caso de Coimbra, conseguimos encontrar alguns oficiais de tipografia através dos registos paroquiais, como é o caso do componedor Manuel Carvalho, falecido a 4 de Maio de 1650152, que não pode ser confundido com o impressor homónimo que ainda estava activo e que nessa altura era já citado como impressor153.
Além deste oficial, encontrámos referências a três impressores que certamente não tiveram oficina própria: António Monteiro, cuja filha Antónia, de oito anos de idade, faleceu a 22 de Outubro de 1653154; Manuel Simões, impressor no beco de António Pinheiro, que faleceu a 7 de Setembro de 1699155; finalmente, já fora do século XVII, mas indubitavelmente trabalhando nos anos anteriores, faleceu Domingos de Abreu a 28 de Setembro de 1702156.
A localização das suas sepulturas ou das sepulturas pertencentes a familiares seus demonstra bem a diferença de estatuto social entre os impressores que tinham e os que não tinham oficina própria. Manuel Simões foi sepultado dentro da Jgreia na Naue
do meyo defronte do pulpito e Domingos de Abreu foi relegado para o adro da Jgreia
152 Aos quatro de maio de seiscentos E sincoenta faleceo manoel carualho componedor ias sepultado
dentro da igreia no meio della naõ fes testamento, dia mes, E ano ut supra
a) Manoel ferreira,
(Coimbra, Arquivo Distrital, Registos Paroquiais, Livro Misto da Freguesia de São Cristóvão (1614- 1652), fl. 133).
153 Ver, por exemplo, o assento de óbito de Valentim datado de 12 de Março de 1650, anteriormente
citado, em que Manuel de Carvalho é referido como impressor, bem como no seu próprio assento de óbito, de 22 de Agosto 1652.
154 Aos uinte dous de outubro de seiscentos e sincoenta e tres faleceo Antonia filha de Antonio monteiro
imprensor ias enterada dentro na igreia era de outo, annos, dia mes, e anno, ut supra
a) Manoel ferreira,
(Coimbra, Arquivo Distrital, Registos Paroquiais, Livro de óbitos da freguesia de São Cristóvão (Sé Velha) (1651-1732), fl. 2.)
155 Em os sete dias do mes de setembro de mil seis Centos nouenta e oue annos fale eo anoel Simo s
impressor no beCo de Anto Pinheiro desta freguesia de S. Christouaõ Com todos os Sacramentos seu
Corpo esta sepultado dentro da Jgreia na Naue do meyo defronte do pulpito em fee de que fis este termo que asignei
dia Mes e anno ut supra.
a) O Prior Manoel Simões dos Sanctos
(Coimbra, Arquivo Distrital, Registos Paroquiais, Livro de óbitos da freguesia de São Cristóvão (Sé Velha) (1651-1732), fl. 64).
156 Em os vinte e outo do Mes de septembro de Mil sete Centos e dous faleceo Domingos de Abreu
Jmpressor desta freguesia de s. christouaõ Com todos os sacramentos seu corpo esta sepultado no adro da Jgreia defronte da porta prinçipal em fee de que fiz este termo que asignei
dia Mes e anno ut supra.
a) O Prior Manoel Simões dos Sanctos
(Coimbra, Arquivo Distrital, Registos Paroquiais, Livro de óbitos da freguesia de São Cristóvão (Sé Velha) (1651-1732), fl. 70v.º).
defronte da porta prinçipal; mas os locais para o enterro dos impressores com oficina própria eram bem diferentes.
Abstraindo dos casos de Nicolau de Carvalho e de Manuel de Carvalho, ambos sepultados no Colégio de São Pedro, ou de José Ferreira, sepultado em São Francisco da Ponte porque tinha professado na Ordem Terceira de São Francisco, temos informações sobre os locais de sepultura de quatro impressores: Tomé Carvalho, Manuel Dias, Manuel Rodrigues de Almeira e António Simões.
O primeiro, Tomé Carvalho, socialmente muito prestigiado entre a comunidade em que vivia, faleceu em 4 de Dezembro de 1672 e, apesar de pertencer à freguesia da Sé (Velha), foi sepultado na igreja de São Cristóvão, em frente do altar de Santo António, onde tinham sido colocados os restos mortais de sua mãe157, o que pode explicar a razão pela qual o impressor não foi inumado na Sé.
Manuel Dias faleceu a 25 de Abril de 1691 e foi sepultado na mesma igreja em frente ao altar de Nossa Senhora da Anunciação158, enquanto que Manuel Rodrigues de Almeida, morto a 26 de Setembro de 1703, foi inumado defronte do altar de Nossa Senhora, acima do cruzeiro159. Apenas António Simões, que morreu a 4 de abril de 1717, foi sepultado na dita igreja, do cruzeiro para baixo160.
Estas informações permitem-nos concluir que todos os impressores detentores de oficina foram sepultados diante de altares de santos, à excepção de António Simões: qual a razão desta diferença? Embora não nos seja possível dar uma resposta peremptória a esta questão, há um traço comum a Tomé Carvalho, Manuel Dias e Manuel Rodrigues de Almeida: todos tinham sido livreiros ou mercadores de livros e só depois de alguns anos exercendo essa actividade adquiriram oficina de tipografia. Não é o caso de António Simões, que parece nunca ter exercido o ofício de livreiro ou de mercador de livros e pouco imprimiu.
Esta realidade parece indicar que o prestígio social não advinha do facto de ter oficina tipográfica mas do estatuto económico que o impressor tinha: todos os impressores tinham poder económico suficiente para adquirirem oficina e esse poder advinha-lhes da actividade de livreiros. Talvez por essa razão, Tomé Carvalho é referido
157 Cf. Coimbra, Arquivo Distrital, Registos Paroquiais, Livro de óbitos da freguesia de São Cristóvão (Sé
Velha) (1651-1732), fl. 21.
158 Cf. Coimbra, Arquivo Distrital, Registos Paroquiais, Livro de óbitos da freguesia de São Cristóvão (Sé
Velha) (1651-1732), fl. 50.
159 Cf. Coimbra, Arquivo Distrital, Registos Paroquiais, Livro de óbitos da freguesia de São Cristóvão (Sé
Velha) (1651-1732), fl. 73v.º.
160 Cf. Coimbra, Arquivo Distrital, Registos Paroquiais, Livro de óbitos da freguesia de São Cristóvão (Sé
no seu assento de óbito como Liureiro freguez da See e não como impressor, já que adquirira o seu carisma social enquanto exercia aquela actividade. De igual modo, Maria Rodrigues, a primeira mulher do livreiro e mercador de livros Manuel Dias, falecida em 24 de Outubro de 1652, numa altura em que o marido estava ainda a iniciar- se na actividade tipográfica, fora já sepultada na igreia diante do Sacramento161.
Não obstante, se era a actividade de livreiro ou de mercador de livros que permitia a ascensão económica e social, a posse de oficina tipográfica permitia reforçar tal crescimento. Se atentarmos nos locais de sepultura das mulheres dos livreiros- impressores da freguesia de São Cristóvão, verificamos que todas encontraram a sua última morada em lugares nobres da igreja: Maria Rodrigues, como vimos, foi sepultada diante do Sacramento, e Ana Lamega, mulher de Manuel Rodrigues de Almeida (que foi mercador de livros e, mais tarde, impressor), falecida a 24 de Junho de 1700, foi a enterrar dentro da Jgreia do Cruzeiro pera sima162. Em contraste, o livreiro Manuel de Almeida, que nunca teve oficina tipográfica e faleceu a 17 de Dezembro de 1698, foi sepultado dentro da Jgreia do cruzeiro pera bayxo163.
Em conclusão, se considerarmos os locais de sepultura dos agentes do livro em Coimbra, parece existir uma separação ditada pelo poder económico e pelo prestígio social, em que, de um lado – o mais elevado – se situavam os antigos livreiros ou mercadores de livros que tinham exercido a actividade de impressores com oficina própria e as respectivas famílias, e do outro encontravam-se todos aqueles que tinham sido livreiros, sem nunca terem exercido a tipografia, e os impressores que nunca tinham adquirido oficina própria, os quais encontravam os seus jazigos em locais mais distantes em relação aos altares, chegando estes últimos a ser inumados no adro da igreja (como foi o caso de Domingos de Abreu).
161 Cf. Coimbra, Arquivo Distrital, Registos Paroquiais, Livro de óbitos da freguesia de São Cristóvão (Sé
Velha) (1651-1732), fl. 1v.º.
162 Cf. Coimbra, Arquivo Distrital, Registos Paroquiais, Livro de óbitos da freguesia de São Cristóvão (Sé
Velha) (1651-1732), fl. 66v.º.
163 Em os dezasete dias do Mes de Dezembro de mil seiscentos Nouenta e outo annos faleçeo Nesta
freguesia de S. Christouaõ Manuel de Almeida Liureyro Com todos os sacramentos seu Corpo está sepultado dentro da Jgreia do cruzeiro pera bayxo e não fez testamento em fee de que fis este termo que asignei
dia Mes e anno ut supra.
a) O Prior Manoel Simões dos Sanctos
(Coimbra, Arquivo Distrital, Registos Paroquiais, Livro de óbitos da freguesia de São Cristóvão (Sé Velha) (1651-1732), fl. 60).