3. YÖNTEM
3.3. Veri Toplama Araçları
3.3.1. MGMP Uzamsal Yetenek Ölçeği
O período no qual esse estudo se insere é caracterizado como de preocupação com o desenvolvimento do país e de consequente investimento na educação. Josildeth Consorte (1997, p. 2) afirma que o Brasil viveu, na década de 1950, dois processos fundamentais, ambos com grande repercussão sobre o encaminhamento das questões educacionais: “um processo de redemocratização, com o fim da ditadura Vargas, e um processo de desenvolvimento comandado pela chamada segunda industrialização”.
Maria do Carmo Xavier (2007, p. 9) situou a década de 1950 como um período de profunda preocupação política com o desenvolvimento do país. Sendo que muitas intervenções foram pensadas com o objetivo de elevar o nível do Brasil “ao patamar das nações desenvolvidas” por meio da educação. A autora, ainda, afirma que a década de 1950 foi um período de disseminação de discursos e de projetos políticos que visavam à modernização do Brasil.
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Acervo do CEMEF. Fundo Institucional Escola de Educação Física de Minas Gerais (1952- 1969). Série: Publicações da EEFMG – (Jornal Educação Física, ano II, nº II, jan. 1958).
Apesar dos autores desses projetos possuírem variadas compreensões do “problema nacional”, eles visavam um objetivo comum: “romper com o passado de atraso e afirmar a autonomia do País mediante a aceleração do processo de industrialização” (Idem, p. 16-17). Xavier ainda ressalva que essa crença na educação como um meio de impulsionar a nação brasileira não se caracterizou como novidade da década de 1950, mas sim foi a retomada de alguns ideais já disseminados por alguns intelectuais na década de 1920 no Brasil.
De acordo com alguns estudos relativos à educação na primeira metade do século XX, podemos dizer que havia, de modo geral, uma insatisfação política por parte dos intelectuais brasileiros que se ancorava na busca pelo novo na esfera educacional. Segundo Marta Carvalho (1998), os anos 20 e 30 foram marcados pela luta do velho X novo, dos tradicionalistas X
renovadores. Esse movimento educacional da década de 20 foi considerado como a “marcha ascensionada pelo novo”, que tinha por objetivo revolucionar a educação brasileira. Podemos apontar que, persistindo os problemas, há uma retomada destes ideais na década de 1950.
Os anos de 1950 a 1980, em Belo Horizonte, são apresentados por João A. de Paula e Roberto L. M. Monte-Mór como “A força da economia” (2004). Esses autores fazem um contraponto entre essa temporalidade e os anos iniciais da existência da cidade, dizendo que as primeiras décadas foram marcadas pela presença do Estado e, os anos de 50 a 80 do século XX, pela atuação do capital. Foi nesse período, segundo os autores, que se concluiu a implantação da cidade “determinou os grandes vetores do desenvolvimento da cidade: as grandes estruturas viárias, os equipamentos coletivos estruturantes, as grandes obras de infraestrutura, etc.”. A capital mineira acompanhou a fase de desenvolvimento nacional em busca da modernização.
Todavia, essa busca pelo moderno marca Belo Horizonte desde o desejo de sua criação. Por algum tempo foi considerada a síntese do pensamento moderno, até mesmo o “símbolo maior da modernidade do início da República” (Pimentel, 1997, p. 61). Uma oposição entre o antigo e o novo é nítida no discurso do Governador Bias Forte, em ocasião da comemoração dos 60 anos da cidade (1957):
Não se suponha, porém, que essa inquietação renovadora da moderna Capital tenha tocado raízes de nossa formação espiritual. Permanecemos fiéis às virtudes que plasmaram o caráter das velhas gerações. A importância dos arranha-céus que se erguem no centro de Belo Horizonte está envolvida de uma mesma atmosfera moral que impregnou a vida das cidades fundadas pelos primeiros povoadores. O espírito de modernidade da nova metrópole não entrou em conflito com as forças permanentes das nossas tradições... Graças a Deus não mudamos... .20
Podemos observar claramente a “copresença” de “dois sistemas normativos não coerentes”, o Estado e a Igreja, no âmbito político mineiro nesse período (LEVI, 2008, p. 8). Essa relação, que se constituiu na política do Estado, esteve também presente na Escola de Educação Física (EEF-MG) e, portanto, nas suas atividades e ações. Conservação e mudança, o antigo e o moderno, coexistiram nesse contexto e balizaram culturalmente a Educação Física mineira.
Essa metrópole engajada e bem sucedida recebe reclamações de seus moderadores sobre fata de água, de luz, de calçamento e por causa da má qualidade de serviços de saúde. Em nossas visitas a Hemeroteca, chamou nossa atenção uma coluna intitulada “Reclamações da cidade”, no Jornal Diário
de Minas, com muitas matérias e fotografias dos lugares de origem das
denúncias da falta desses serviços básicos.
Outro acontecimento curioso na capital mineira era uma prática de estudantes, denominada “fila boba”. Ela foi relatada por Owalder Rolim e também encontrada em uma notícia do Jornal Diário de Minas. O entrevistado relatou que, quando era estudante, ele e seus amigos ficavam na fila do Cine Brasil aguardando a vez de ser atendido. Já no guiché, perguntavam o preço do ingresso para todos os filmes em cartaz e depois retornavam para a fila, atrasando o atendimento, o que ocasionava a perda do horário da sessão por alguns interessados. Esse movimento se dava em resposta aos aumentos dos ingressos e a negação de alguns estabelecimentos em conceder a “meia-
entrada”. Na reportagem do Jornal a “fila boba”, conseguiu retirar um filme de cartaz devido ao seu alto preço.21
A “velha” Belo Horizonte, anterior ao processo de intenso desenvolvimento dos anos de 1940 e 1950, deixou saudades. Sentimento externado pelo poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, no poema “Triste Horizonte”, do qual transcrevemos um trecho em que relembra, com melancolia, um lugar de calmaria, hospitalidade, originalidade e, também, contrapõem Belo Horizonte a outras metrópoles do sudeste brasileiro:
E eu respondo, carrancudo: Não.
Não voltarei para ver o que não merece ser visto, o que merece ser esquecido, se revogado não pode ser. Passado cor-de-cores fantásticas,
Belo Horizonte sorrindo púbere núbil sensual sem malícia, lugar de ler os clássicos e amar as artes novas,
lugar muito especial pela graça do clima e pelo gosto, que não tem preço,
de falar mal do Governo no lendário Bar do Ponto.
Cidade aberta aos estudantes do mundo inteiro, inclusive Alagoas, "maravilha de milhares de brilhos vidrilhos"
mariodeandrademente celebrada.
Não, Mário, Belo Horizonte não era uma tolice como as outras. Era uma provinciana saudável, de carnes leves pesseguíneas. Era um remanso, era um remanso
para fugir às partes agitadas do Brasil
sorrindo do Rio de Janeiro e de São Paulo: tão prafentrex, as duas! e nós lá: macio-amesendados
na calma e na verde brisa irônica [...]
Sossega minha saudade. Não me cicies outra vez o impróprio Convite. Não quero mais, não quero ver-te, meu Triste Horizonte e Destrocado amor.
Mas é essa Belo Horizonte da década de 1950 que abriga a criação de duas Escolas de Educação Física, uma do Estado e outra das Faculdades Católicas. Ambas realizavam suas atividades no Minas Tênis Clube, em horários alternados. Entretanto, um conjunto de motivos fez com que seus coordenadores optassem pela fusão das mesmas, ato ocorrido em 15 de novembro de 1953 (SOUZA, 1994; KANITZ, 2003; ALMEIDA CAMPOS,
21
O filme “Caldeira do Diabo” foi retirado, o valor do ingresso teve um aumento de 18 para 27 cruzeiros. Hemeroteca Pública Estadual Luiz de Bessa. Jornal Diário de Minas de 15 de julho de 1958.
2007).22 Em 13 de abril de 1955, essa “nova” instituição recebe seu reconhecimento Federal, pelo decreto 37.161 (GOMES, 1968, p. 17).
Os exercícios físicos e os esportes já eram uma realidade na cidade do
“footing” da Avenida Afonso Pena e da Rua da Bahia.23 Tanto que a preparação de profissionais para orientar essas práticas nas Praças de Esportes e em outros lugares educativos foi reclamada por professores formados no Rio de Janeiro ao governador de Minas Gerais, Milton Campos, em 1947.
Owalder Rolim pontuou que algumas pessoas receberam com estranheza sua decisão de se tornar professor de Educação Física em 1952, e sempre o indagavam se ele pertencia a Instituição Militar. Ele afirmou que isso se dava porque eram os militares responsáveis pelo ensino de jogos nas Praças de Esportes, por todo território mineiro. Segundo ele houve “uma lutazinha” entre os militares e os professores formados nas escolas superiores de Educação Física pela legitimidade do exercício dessa profissão.24
Acomodando o velho e o novo, o moderno e o tradicional, temos uma Belo Horizonte que comportava negociações de interesses e sentidos culturais.
SUJEITOS E SABERES EM CIRCULAÇÃO: MANEIRAS DE FAZER E