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De forma a conduzir a uma análise que permita realizar uma caracterização da região em torno ao epicentro do sismo São Vicente, é indispensável integrar as informações da interpretação dos dados, partindo-se de uma visão em escala regional para a visualização das estruturas em maior detalhe.

Para tanto, os dados de anomalia gravimétrica ar livre foram integrados com os dados do epicentro e planos nodais do sismo, além das principais feições geológicas em escala regional reconhecidas na área de estudo (Figura 6.1).

Figura 6.1 – Correlação dos dados gravimétricos de anomalia ar livre com dados do epicentro, planos nodais e feições geológicas reconhecidas na região de estudo.

A correlação nos permite observar que o epicentro do sismo está localizado sobre um alto gravimétrico. As feições geológicas regionais reconhecidas na área apresentam um trend NW-SE representado pelas zonas de transferência, e um trend

NE-SW marcado pela ocorrência de estruturas alongadas, representado aqui pela zona de falha de Cabo Frio e a Linha de charneira cretácea. Pode-se observar ainda, que o Lineamento Capricórnio reconhecido por Bueno (2004) tem sua zona de ocorrência coincidente com a localização do epicentro do sismo.

Na análise da integração dos planos nodais aos dados gravimétricos, ambas as direções não apresentam uma correlação clara com feições regionais visualizadas no mapa gravimétrico de anomalia ar livre.

Assim como os dados de anomalia gravimétrica os mapas de contorno estrutural podem auxiliar em uma primeira fase de identificação de trends estruturais

e possíveis falhas. Para uma melhor compreensão da estruturação da área foram traçadas feições estruturais sobre os mapas de contorno, com base nos mapas de contorno estrutural e nas interpretações das seções sísmicas, feições essas definidas por adensamento das linhas, mudanças de gradiente das linhas de contorno e alinhamento de estruturas (Figuras 6.2 e 6.3).

De forma geral, a localização do epicentro ocorre sobre uma superfície pouco perturbada. O plano sub-horizontal corta as estruturas identificadas no mapa e não é possível visualizar uma estruturação alinhada nessa direção. O plano nodal subvertical também apresenta uma difícil correlação estrutural.

Foi possível observar o predomínio de duas direções principais ao longo dos mapas, NW-SE e NE-SW, mais uma vez coincidentes com as principais direções de estruturação da bacia.

No mapa do horizonte pré-sal e horizonte sal observa-se uma estruturação N- S marcada por uma sequencia de grabens alinhados, e que se reflete nos horizontes sotopostos. Essa feição está muito provavelmente associada a zona de ocorrência do Graben Merluza (MOHRIAK 2001 apud BIZZI et al., 2003). No mapa do horizonte fundo do mar pode-se observar a ocorrência de um desnível com direção NW-SE, que é coincidente com a estrutura de abatimento interpretada nas seções sísmicas, o qual corresponde a um cânion observado no talude da bacia.

De modo geral, é possível observar que o epicentro está localizado em um alto na porção do talude da bacia muito próximo a feição que representa o Graben de Merluza.

Partindo-se para uma escala de maior detalhe, as interpretações das seções sísmicas foram analisadas de maneira conjunta, restritas as direções dos planos nodais, com o propósito de quantificar e qualificar as estruturas presentes nessas direções e definir a continuidade das mesmas ao longo dos dados.

Na direção sub-horizontal, 82º, foram analisados três conjuntos de seções sísmicas restritas a zona de influência do plano nodal.

No primeiro conjunto de dados analisados, os quais correspondem a seções

dip, são observadas falhas normais sintéticas e antitéticas que interceptam os

horizontes embasamento e pré-sal associadas ao processo de rifteamento e falhas de acomodação pós sal que interceptam desde os horizonte Topo do cretáceo ao Mesomioceno (Figura 6.4).

Assim como o primeiro conjunto de dados analisados na direção 82º a análise do segundo e terceiro conjunto apresentam falhas normais que interceptam os horizontes embasamento e pré-sal e falhas associadas à halocinese, as quais ocorrem predominantemente sobre as estruturas salinas (Figura 6.5 e 6.6).

Dessa forma, a interpretação na zona de influência do plano nodal sub- horizontal evidencia a ocorrência de falhas pouco expressivas ao longo das seções, as quais estão basicamente associadas aos processos de rifteamento e halocinese.

Figura 6.4 – Correlação da interpretação sísmica 2D na direção do plano nodal sub- horizontal, aproximadamente E-W 1 (82º).

Figura 6.5 – Correlação da interpretação sísmica 2D na direção do plano nodal sub- horizontal, aproximadamente E-W 2 (82º).

Figura 6.6 – Correlação da interpretação sísmica 2D na direção do plano nodal sub- horizontal, aproximadamente E-W 3 (82º).

A correlação das interpretações sísmicas realizadas na direção do plano nodal subvertical com direção NNW-SSE (341º) também está dividida em três conjuntos.

O primeiro conjunto contêm seções localizadas na porção proximal da bacia, as quais não apresentam muitos falhamentos na zona de influência do plano nodal, há ocorrência de falhas normais que interceptam o horizonte Albiano ao Topo do Cretáceo na seção 0248-0097, falhas normais pouco expressivas que interceptam o horizonte Pré-sal da seção 0140-0103 e falha de acomodação pós-sal na seção 0248-0105 (Figura 6.7).

A segunda correlação abrange as seções situadas na região de quebra da plataforma (Figura 6.8). É possível observar falhas bastante expressivas por vezes associadas a ocorrência de uma estrutura de colapso representada pelo abatimento do horizonte Fundo do Mar.

Ao longo de todas as seções são visualizadas falhas que interceptam desde os horizontes Embasamento ou Topo do Sal até os horizontes Mesomioceno ou Fundo do Mar. Essas falhas que interceptam os intervalos Cenozóicos (Eoceno, Mesomioceno e Fundo do Mar) indicam que as mesmas foram ativadas ou reativadas em eventos neotectônicos.

Na seção 0248-1328 é observada uma feição em flor negativa bastante expressiva, a qual se apresenta na forma de falhas normais que convergem em profundidade para uma falha antitética que intercepta todos os horizontes interpretados na seção sísmica.

No terceiro conjunto de dados o qual abrange as seções sísmicas localizadas na porção distal da bacia, observa-se a ocorrência de muralha salina e falhas associadas a esta estrutura, com exceção da seção 0248-0108 que apresenta uma estrutura salina não tão proeminente.

Ocorrem ainda, falhas de acomodação pós-sal, falhas normais que cortam os horizontes Embasamento e Pré-sal e falhas normais interceptando os horizontes mais rasos. Na seção 0248-0108 há uma falha bastante expressiva que intercepta desde o horizonte Embasamento ao Eoeoceno (Figura 6.9).

Figura 6.7 – Correlação da interpretação sísmica 2D na direção do plano subvertical com direção NNW-SSE 1 (341º).

Figura 6.8 – Correlação da interpretação sísmica 2D na direção do plano subvertical com direção NNW-SSE 2 (341º).

Figura 6.9 – Correlação da interpretação sísmica 2D na direção do plano subvertical com direção NNW-SSE 3 (341º).

A análise da estruturação na zona de influência do plano nodal subvertical evidencia a ocorrência de falhas bastante expressivas, grande parte delas interceptando horizontes cenozóicos, o que mostra que estas falhas possuem atividade recente, muitas delas associadas às feições de degraus abruptos encontrados no horizonte Fundo do Mar.

Nota-se que na correlação do plano subvertical 2 ocorrem falhas bastante expressivas, que cortam todo o pacote sedimentar. Uma feição presente nas linhas 0231-1328 e 0231-1331 fica bastante evidente, é uma falha normal que intercepta todo o pacote sedimentar e se prolonga até o embasamento associada a uma estrutura em flor negativa, com grandes rejeitos.

O resultado da correlação de ambos os planos nodais assume uma visualização retilínea ao longo das seções sísmicas, restrita as direções dos planos. A partir da visualização da estrutura nas seções 0231-1328 e 0231-1331, a falha foi mapeada em outras seções de modo a estabelecer sua trajetória ao longo dos dados (Figura 6.10).

Notar que as seções sísmicas interpretadas estão representados em escala horizontal aproximada 1:3.000, desta forma, os falhamentos interpretados apresentam um mergulho real inferior ao visualizado.

Tendo conhecimento de dois pontos do plano de falha (um no horizonte Embasamento e outro no horizonte Fundo do Mar) e da profundidade do embasamento, segundo Constantino (2012), foi possível estabelecer o mergulho médio do plano de falha mapeado, o qual mergulha em média 40º pra oeste.

A figura 6.11 mostra a seção 0248-0047 distante 870 metros do epicentro, com a feição correspondente ao Graben Merluza e a falha antitética associada, localizadas próximas ao hipocentro.

Figura 6.11 – Seção sísmica dip interpretada e a localização do hipocentro do sismo.

Quanto a análise das tensões, se assumirmos o plano de falha com direção 82º na região do epicentro, ligeiramente mergulhando para NW com o bloco superior movendo-se para leste a orientação mais favorável para a máxima compressão principal (S1) seria 52º (30º da falha). Para o caso da falha subvertical NNW com o lado W da falha se movendo para baixo, a orientação mais favorável para a máxima compressão principal (S1) seria 11º (30º da falha).

Coerente com a proposta apresentada por Assumpção et al (2011) que sugere que o sismo São Vicente ocorreu na zona de transição entre a compressão horizontal e a extensão horizontal, com S1 mergulhando aproximadamente para NE, para fora da carga máxima, que está concentrada a SW do epicentro sobre o talude da bacia. Corroborada por modelagens das tensões de flexura causadas pela carga sedimentar (CLOETINGH et al. 1984, 1989; DRISCOLL & KARNER 1994; WATTS et

al. 2009 apud ASSUMPÇÃO et al., 2011) que mostram que logo abaixo as carga máxima de sedimentos a tensão é compressional (S1 horizontal), já ao longo do arqueamento periférico a tensão na crosta superior é extensional (S1 vertical e S3 horizontal).

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Benzer Belgeler