MEVLEVÎLİK’TE ÇELEBİLİK MAKĀMI VE MAKAM ÇELEBİLERİ
A. MEVLEVÎLİK’TE ÇELEBİLİK MAKĀMI
Quando se está a estudar a Lei n.º 11.705/08 sob a ótica do Direito Administrativo, na verdade se está a analisar o Poder de Polícia de Trânsito. Isso porque referida lei foi instituída com o intuito de restringir o exercício da liberdade de ir e vir dos indivíduos em prol da vida e saúde da coletividade. Dessa forma, houve a prevalência do interesse público sobre o privado.
Em se tratando dessa finalidade da Lei n.º 11.705/08, verifica-se que ela se mostra adequada, tendo em vista o triste quadro fático que permeia as estradas e vias urbanas brasileiras, com inúmeros acidentes de trânsito, muitas vezes causando mortes e lesões a inocentes por conta do estado de ebriedade de certos motoristas.
Sendo assim, a fim de inibir o consumo de bebidas alcoólicas por condutor de veículo automotor, a Lei n.º 11.705/08 alterou determinados dispositivos do CTB, tornando mais rígidas as infrações administrativas de trânsito já existentes, e introduziu ainda novas vedações aos particulares. Em razão dessas relevantes inovações, os estudiosos do Direito começaram a examiná-las, levantando suas interpretações, e chegando alguns deles a questionar a constitucionalidade da referida lei.
Analisando a redação do artigo 2º da Lei n.º 11.705/08, que trata da proibição da comercialização de bebidas alcoólicas nas rodovias federais, percebe-se que realmente ele padece de inconstitucionalidade, haja vista o legislador, ao seu bel prazer, ter excluído expressamente dessa vedação os estabelecimentos situados nas áreas urbanas, em total afronta ao princípio da isonomia.
Quanto ao novo texto legal da infração administrativa capitulada no artigo 165 do CTB, verifica-se que o prazo da penalidade de suspensão do direito de dirigir foi modificado, passando a ter um período fixo de 12 (doze) meses e não mais um prazo variável de 04 (quatro) meses a 01 (um) ano.
Apesar da louvável finalidade da Lei n.º 11.705/08, entende-se que a norma anterior, nessa parte, era mais razoável e proporcional, já que os casos concretos são diferentes, uns acarretando mais riscos e lesões que outros, sendo mais adequada a individualização da pena do que uma sanção geral e abstrata.
No que se refere ao dispositivo 276 do CTB, este também foi alterado, sendo que hodiernamente qualquer concentração de álcool por litro de sangue sujeita o condutor às
penalidades previstas no artigo 165 do CTB. É o que se denominou de “Tolerância Zero”. Por conta dessa inovação, mencionada lei tornou-se popularmente conhecida por “Lei Seca”.
Ainda, certamente essa redação legal foi uma das mudanças mais importantes que a Lei n.º 11.705/08 trouxe para o ordenamento jurídico brasileiro. A partir daí, principalmente com a divulgação da norma pela imprensa, parte dos condutores começaram a evitar a ingestão de bebidas alcoólicas, por menor quantidade que seja e por menor teor alcoólico que tenham, antes de dirigirem veículos automotores. Assim, a Lei n.º 11.705/08, em que pesem fatos em contrário, serviu como um instrumento de conscientização aos particulares.
É de se ressaltar que somente parte dos condutores se conscientizaram com a Nova Lei, pelo fato de que, como se diz corriqueiramente no meio jurídico, “muitas vezes os costumes mudam uma lei, mas nem sempre uma lei consegue mudar os costumes de uma sociedade”. Sendo assim, apesar de a Lei n.º 11.705/08 ser bastante efetiva no âmbito das infrações e sanções administrativas, para a diminuição dos inúmeros acidentes de trânsito, muitas vezes causados por motoristas alcoolizados, outros fatores, além dos legislativos, precisam ser considerados, como os sociais, políticos, econômicos e históricos.
Ademais, em relação ao devido processo administrativo, para se apurar a infração e se aplicar as penalidades, observa-se que as modalidades de prova foram estendidas. Além dos exames periciais, a autoridade de trânsito poderá constatar que o indivíduo se encontrava sob a influência de álcool através de testemunhas, documentos, confissão, e de quaisquer outros meios admitidos em direito.
Vale salientar que essa modificação é digna de aplausos, tendo em vista que proporcionou à infração administrativa do artigo 165 do CTB uma grande efetividade e aplicação. Com essa extensão, tornou-se mais fácil a comprovação do estado de embriaguez do motorista, e, consequentemente, a cominação das devidas sanções administrativas ao particular infrator.
Por fim, não se pode deixar de ressaltar o novo parágrafo 3º do artigo 277 do CTB, que estabelece o seguinte: “serão aplicadas as penalidades e medidas administrativas estabelecidas no art. 165 deste Código ao condutor que se recusar a se submeter a qualquer dos procedimentos previstos no caput deste artigo”.
De acordo com citado dispositivo, ao indivíduo que se recusar à realização dos testes de alcoolemia serão aplicadas as sanções administrativas de multa e de suspensão do direito de dirigir, e as providências acautelatórias de recolhimento do documento de habilitação e de retenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado.
Examinando referida norma, verifica-se que, em flagrante inconstitucionalidade, seu texto legal viola o princípio da ampla defesa, juntamente com o princípio da não auto- incriminação, que se apresenta no sentido de “ninguém ser obrigado a produzir provas contra si mesmo”.
Ainda, conforme já exposto, a ABRASEL NACIONAL, de forma correta, propôs perante o STF a ADIN n.º 4103, requerendo, entre os seus pedidos, a declaração de inconstitucionalidade do artigo 5º, inciso IV, da Lei n.º 11.705/08, que introduziu o parágrafo 3º no artigo 277 do CTB.
Isso posto, ao analisar as relevantes questões administrativas da Lei n.º 11.705/08, depreende-se que, apesar de haver certos exageros, equívocos e até mesmo inconstitucionalidades na mencionada norma, observa-se que em muitos aspectos o legislador acertou, de modo que, com a inserção da Nova Lei, as autuações aumentaram em grandes proporções, e as fiscalizações passaram a ocorrer de forma mais intensificada.
Contudo, aqui não se está a defender as desproporcionalidades e inconstitucionalidades da Lei n.º 11.705/08. Espera-se que o Egrégio STF, ao examinar a ADIN n.º 4103, decida de forma louvável e sensata, declarando a inconstitucionalidade dos artigos 2º, e 5º, inciso IV, da citada lei. No que tange ao estudo de seus aspectos administrativos, expurgando referidos dispositivos, entende-se que a Lei n.º 11.705/08 passará a ter o reconhecimento que merece.
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