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REDİFLİ ŞİİRLERİ

METİNLERARASI KARŞILAŞTIRMA

Conforme anunciado no início desta discussão a ergologia pressupõe na realização da atividade do trabalho dois tipos de saberes: o saber constituído e o saber investido. O saber constituído é adquirido cientificamente, por meio acadêmico, em suma o que se aprende na escola. Já o saber investido é o que parte da experiência na realização do trabalho, no fazer, na área pessoal, familiar, etc. Portanto, é na interlocução destes dois saberes que se concebe a mensuração entre o prescrito e o real da atividade. O saber constituído faz uso das técnicas e metodologias prescritas. O saber investido faz uso da técnica pessoal, do modo particular de fazer de cada um e do acúmulo do aprendizado na prática.

A metodologia Ergológica une os saberes constituído e investido aos meios (exigências ergológicas) dos quais a atividade necessita para ser realizada e formar um conjunto denominado Dispositivo Dinâmicos de Três Polos (DD3). A estratégia metodológica concebe polo como “um lugar virtual onde se agregam, sintetizam-se e exprimem-se objetivos, competências, saberes e conhecimentos, interesses, etc., mais ou menos comuns, da realidade coletiva” (TRINQUET, 2010, p. 103).

94 Observamos na figura 12 aplicada à realidade investigada:

Figura 12 – Dinâmica da gestão do trabalho no Suas/Cras Fonte: Autora

Na investigação proposta nos apropriamos do modelo do DD3P identificando como:

a) Polo 1: saber constituído diz respeito à formação e às competências técnicas dos

profissionais que compõem as equipes dos Cras - Assistentes Sociais e Psicólogos;

b) Polo 2: o saber investido atribuímos à experiência dos profissionais, ou seja, à

experiência que carregam na trajetória profissional;

c) Polo 3: Cras - unidade física que representa as condições estruturais, as exigências e

os meios pelos quais a atividade é realizada.

O uso dessa estratégia ergológica possibilitou, a partir da formação de um coletivo de pesquisa – Encontros sobre o trabalho, uma maior aproximação coma realidade pesquisada atingindo assim os o objetivos desse estudo dissertativo. A intervenção numa perspectiva de abordagem qualitativa permitiu elucidar temas e questões pertinentes ao campo das ciências sociais, conforme assinala Minayo:

O objeto de estudo das ciências sociais possui consciência histórica. Noutras palavras não é apenas o investigador que dá sentido ao seu trabalho intelectual, mas os seres humanos, os grupos e as sociedades dão significado e intencionalidade a suas ações e a suas construções, na medida em que as estruturas sociais nada mais são que ações objetivadas. (1994, p. 13-14).

Essa perspectiva de abordagem metodológica tornou-se fecunda ao campo do Serviço Social, ou seja: aplicada à gestão do trabalho do Suas, no âmbito da proteção básica da através

95 de uma experiência de pesquisa vivenciada a partir de um coletivo de trabalhadores/pesquisadores. Permitiu assim, a troca de saberes - constituídos e investidos no âmbito de uma experiência de trabalho e atividade.

A rica experiência de pesquisa vivenciada nos Encontros de trabalho, pautada no método ergológico e análise da atividade realizada sob o ponto de vista dos trabalhadores que a realizam - dos Cras do município de João Pessoa, desencadeou outros processos na investigação, tais como: as visitas in loco em todos os Cras, na perspectiva da Observação participante, técnica utilizada com objetivo de acompanhar a dinâmica do cotidiano da atividade e identificar as condições e meios utilizados na organização e processo de trabalho. O registro do processo investigativo utilizou instrumentos diversos: gravador nos Encontros coletivos, diário de campo, entre outros.

No trabalho com o coletivo de pesquisa foi utilizada a ferramenta metodológica de Grupo Focal, a qual consiste na interação dos participantes acerca do tema abordado. Os participantes do grupo focal devem ter um conhecimento prévio do objeto de estudo, condição que permite a qualificação da discussão. Considerando a pertinência dessa estratégia para abarcar o objeto de estudo – a atividade dos trabalhadores – foi analisada a partir do ponto de vista de quem executa, até porque no processo cotidiano de realização da atividade também ocorre de forma coletiva.

De acordo com a normatização da atividade, regulamentada pela NOB- SUAS/RH/2006, a configuração do trabalho nos Cras se materializa através da formação de equipes de trabalho, com definição da tipificação dos serviços socioassistenciais (Resolução CNAS 109/2009), compreendendo que há distribuição de tarefas individuais. Todavia, o produto dos serviços atribuídos e realizados é resultante de um conjunto de ações realizadas coletivamente. Trata-se de um processo interdisciplinar, vivenciado coletivamente por profissionais/trabalhadores da assistência social no âmbito da proteção básica.

O instrumental – grupo focal - possibilitou interações dos participantes e reflexões sobre as situações de trabalho vivenciadas no cotidiano das atividades nos Cras. A partir do primeiro encontro percebemos a auto-reflexão enquanto profissional, a troca de saberes e experiências, o compartilhamento das angústias, um descortinar da visão individual para o coletivo acerca do significado da atividade, como essa se processa e em que condições se realiza. Portanto, os resultados desse processo produziram (re) significações e indagações possíveis de serem percebidas ou coletadas no decorrer da pesquisa.

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O trabalho com grupos focais permite compreender processos de construção da realidade por determinados grupos sociais, compreender práticas cotidianas, ações e reações a fatos e eventos, comportamentos e atitudes, constituindo-se uma técnica importante para o conhecimento das representações, percepções, crenças, hábitos, valores, restrições, preconceitos, linguagens e simbologias prevalentes no trato de uma dada questão por pessoas que partilham alguns traços em comum, relevantes para o estudo do problema visado. A pesquisa com grupos focais, além de ajudar na obtenção de perspectivas diferentes sobre uma mesma questão, permite também a compreensão de ideias partilhadas por pessoas no dia-a-dia e dos modos pelos quais os indivíduos são influenciados pelos outros.

Deste modo, percebe-se que a escolha pela investigação a partir de grupos focais não foi aleatória, justifica-se pela oportunidade de discussão interativa que essa metodologia permite, assim como as características homogêneas dos participantes do grupo. Tendo em vista a investigação se propor a analisar a atividade de um coletivo de trabalho – a equipe Cras –, com objetivo de compreender a atividade, conhecê-la, refletir acerca dos limites, pontuar os desafios, mensurar a distância entre o prescrito e o real.