BÖLÜM 2: HIRĐSTĐYANLIKTA MERYEM GÖRÜNÜMLERĐ:
2.1. Meryem Görünümleri
2.1.1. Meryem Görünümlerine Genel Bir Bakış
O buraco negro das teorias de Leviatã
“Quando indivíduos têm aversão a Bismarck por causa do seu realismo, o que realmente lhes desagrada é a realidade”.
Martin Wight
(A política de poder)
pressuposto central das teorias realistas em política internacional é a separação ontológica, ou estrutural, entre as dimensões voltadas para dentro e para fora do domínio territorial do Estado, o que projeta dois entes políticos, ou duas realidades distintas, a interna e a externa. Embora a política se condense na definição maquiavélica de arte da conquista ou conservação do poder, sujeita às tensões entre a virtú e a fortuna, o seu exercício em cada uma das dimensões compreende procedimentos diferentes e até mesmo noções distintas acerca do próprio homem e do nacional, sujeito às mesmas leis, e o estrangeiro, submetido a outras soberanias. Trata-se, a rigor, de duas estruturas antagônicas de prática da violência entre os homens, num caso, artificial e civilizada, monopolizada pelo Estado e, no outro, natural, compartilhada pelo conjunto de Estados ou pelos sucessivos condomínios de grandes potências, na dicotomia paz e guerra, ambos tendo como ator principal o mesmo sujeito. Apesar de comportar diversas versões e correntes de pensamento, o realismo tem, por conseguinte, dois traços distintivos: é estadocêntrico e bidimensionalista político. Basta não atribuir papel central ao Estado e/ou não operar com a noção de distinção entre política interna e internacional para ter outra filiação paradigmática. Se o Estado, para os realistas, é imaginado como garantidor da vida de seus súditos, oferecendo-lhes a segurança necessária para produzir e se reproduzir, ele o faz em troca da sua liberdade individual, mas acaba cobrando de volta a segurança proporcionada aos súditos,
O
levando-os à guerra, arriscando a existência individual em favor da coletiva. Ele é um agente simultâneo da paz e da guerra, um ator coerente e racional mas com duas faces, uma amistosa, a outra crispada. Numa das suas dimensões, exerce o monopólio legítimo da força, sobre um tecido hierárquico. Ou seja, ele encontra seu fundamento na expropriação da liberdade dos súditos, centralizando os meios e o direito ao uso da força, num processo simultâneo de concentração e legitimação do poder, que criaria uma hierarquia aceitável e aceita pelos desapropriados. Na outra dimensão, graças ao assentimento dos governados, o Estado se relaciona com seus congêneres num ambiente de soberanias com funções iguais, embora com capacidades diferentes, igualmente sob o sentimento de ameaça à sua sobrevivência e de busca de formas de ampliação do próprio poder, em que a ameaça nunca é abolida e ele jamais deixa de ser ameaçador para os demais; neste ambiente, anárquico, a paz é entendida em termos negativos, como ausência de guerra, e planejada somente como temporária (armistício). A propósito, o primeiro subtítulo do verbete “Relações internacionais”, de Sergio Pistone, no Dicionário de Política, por isso, é “A dicotomia „soberania estatal-anarquia internacional‟ como fundamento das relações internas e relações internacionais”.
O conceito fundamental de onde se há de partir é que, se a soberania, ou monopólio interno da força, é o poder de garantir, em última instância, a eficácia de um ordenamento jurídico, sendo por isso a garantia de relações pacíficas dentro do Estado, ela é também, por outro lado, a causa da guerra nas relações entre os Estados (Kant). No contexto internacional, a soberania do Estado significa, por outras palavras, a existência de uma situação anárquica. (In: BOBBIO; MATTEUCCI; PASQUINO, 2004, p. 1089)
Para o Norberto Bobbio de Estado Governo Sociedade – Para uma teoria geral da política [1985], que raciocina em cadeias de dicotomias principais e derivadas, a “grande dicotomia” é a que opõe as noções de público e privado. Trata- se de uma dialética constituída por exclusões recíprocas, em que uma se constitui em oposição à outra, como totalidades exteriores e simétricas, plenas de sentidos opostos, uma vez que uma é a negação da outra e, por conseguinte, o sentido de uma só se estrutura como o contrário do da sua antípoda.
Pode-se dizer que os dois termos de uma dicotomia condicionam-se reciprocamente, no sentido de que se reclamam continuamente um ao outro; na linguagem jurídica, a escritura pública remete
imediatamente por contraste à escritura privada e vice-versa. (BOBBIO, 2007, p. 14).
As demais dicotomias derivam dessa primeira, como Estado de Natureza- Estado civil, Guerra-Paz, Autocracia-Democracia, Heteronomia-Autonomia, Comunidade-Sociedade, Lei do mais forte-Lei civil. São todas dicotomias excludentes, pois se constituem em referência a sua negação. O Estado, nessa rede conceitual, só pode ser pensado como o domínio por excelência do público, tanto do ponto de vista histórico, pois ele emerge do privado e da anarquia, em que havia hierarquias provisórias, impostas pela força, quanto do ponto de vista de seus fundamentos, pois ele tem por norte a supremacia do coletivo sobre o particular, como desapropriação do direito à violência particular e sua concentração no público, que age por força da vontade comum ou da vontade do soberano. A transição da violência privada ao monopólio público e legítimo da violência acentua a dicotomia principal, entre o público e o privado, pois aquele concentra em si a única possibilidade de vida pacífica para os particulares, subtraindo-lhes a liberdade, mas, ao cabo, para se defender ou ampliar seus domínios territoriais, usa a força autorizada da convocação para levar os súditos à guerra e, assim, depois de subtrair-lhes a liberdade natural, os expropria também da segurança artificial à sua vida oferecida pelo Estado. Na sua objeção ao Abade de Saint Pierre (transcrita por Raymon Aron, em Os últimos anos do século [1982]), Jean-Jacques Rousseau diz que a constituição do Estado, no plano interno, reduziu os indivíduos à condição de cidadãos, e a manutenção da guerra entre os Estados, no plano externo, os reteve como soldados nacionais. Isso deixou o homem com o pior dos aspectos de cada um dos mundos, o da paz e o da guerra, por ter sido expropriado, no primeiro, da liberdade, e, no segundo, da segurança vital.
Como homens vivemos no Estado civil, sujeitos às leis; enquanto povos, cada qual desfruta da liberdade natural; isto torna a nossa situação pior do que se essas distinções fossem desconhecidas. Pois vivendo simultaneamente na ordem social e no estado de natureza, estamos sujeitos aos inconvenientes de ambos, sem encontrar segurança em nenhum dos dois [...] Na condição mista em que nos encontramos, qualquer desses dois sistemas a que se dê preferência, fazendo de mais ou de menos, não fizemos nada e estamos no pior estado possível. (ROUSSEAU, in: ARON, 1987, p. 18-19)
A separação entre os dois mundos não é apenas epistemológica, mas também ontológica e, em Hans Morgenthau, axiológica. O pesquisador deve colocar entre parênteses suas preferências pessoais, as características culturais de seu povo e a sua forma preferida de organização institucional para analisar com objetividade os fenômenos da correlação de forças ou da capacidade de cada lado de infringir danos ao outro. Essa postura não tem somente raízes metodológicas, mas deriva da própria natureza do objeto de estudo, cuja complexidade caracteriza uma estrutura ontológica diferenciada e autônoma. Ao estudioso das relações internacionais, Morgenthau recorda as lições de Maquiavel, segundo quem, para pensar a política, é necessário separá-la da moral, discernindo também aquilo que os poderosos fazem daquilo que dizem, para dar voz ao sentido de suas ações e recuperar a lógica dos empreendimentos voltados à conquista e conservação do poder. N‟A política entre as nações – A luta pelo poder e pela paz, Morgenthau aponta a centralidade do “conceito de interesse definido em termos de poder”, no caso das relações internacionais o interesse em termos de poder do Estado.
Uma teoria da política, de âmbito internacional ou nacional, seria inteiramente impossível, uma vez que, sem o mesmo [o conceito de interesse definido em termos de poder], não poderíamos distinguir entre fatos políticos e não-políticos, nem poderíamos trazer sequer um mínimo de ordem sistêmica para a esfera política. (MORGENTHAU, 2003, p. 6-7)
O interesse em termos de poder compreende sempre o projeto de sobrevivência do próprio Estado e, sempre que possível, a ampliação de seu território ou da sua influência sobre outros Estados. A sobrevivência implica capacidade de coação sobre os atores ameaçadores à sua soberania ou capacidade de articulação para a busca de proteção contra Estados mais poderosos. Ambas sintetizam-se no jogo entre a arregimentação de força física de dissuasão e gestões diplomáticas e, para elas, é preciso a clareza necessária para definir seus interesses e a determinação para impor seus projetos. É o casamento de interesses que permite edificar alianças sólidas, a construção de coalizões duráveis, necessários tanto para a estabilidade das instituições internas quanto para a longevidade das ordens internacionais.
As forças armadas são o instrumento de política externa e não o seu mestre. Não pode haver uma política externa com êxito sem a obediência a esta regra. País algum poderá exercer uma política de conciliação caso os meios e os fins de sua política exterior sejam definidos pelos militares. (MORGENTHAU, 2003, p. 1.016)
A noção de interesse faz parte realmente da essência da política, motivo por que não se vê afetada pelas circunstâncias de tempo e lugar. A afirmação de Tucídides, fortalecida pelas experiências da Grécia antiga, de que „a identidade de interesse é o mais seguro dos vínculos, seja entre Estados, seja entre indivíduos‟, foi retomada no século XIX pela observação de Lord Salisbury, segundo a qual „o único vínculo de união que permanece‟ entre as nações é a „ausência de quaisquer interesses em conflito‟ [...] A mesma idéia foi repetida e amplificada no século XX pela observação de Max Weber: „São os interesses (materiais e ideais), e não as idéias, que dominam de modo direto as ações dos homens‟. (MORGENTHAU, 2003, p. 16- 18)
O conhecimento político (ou a ciência política) resulta da identificação de interesses, os próprios e os de terceiros, para apontar e dimensionar as afinidades e discrepâncias, as possibilidades e ameaças, definir as noções de amigo e inimigo, aliado, leque de alianças e objetivos das coalizões. Este tipo de conhecimento afasta os equívocos produzidos pelas preferências subjetivas ou culturais, induz à objetividade e tem, portanto, um caráter atemporal e universal. Ou seja, pela força de sua lógica interna ele vale para qualquer momento e pode ser empregado por qualquer Estado.
Assentado sobre a base sólida do reconhecimento do interesse definido em termos de poder, esse conjunto de conceitos é chave para a compreensão dos eventos de qualquer momento histórico e pode ser mobilizado, conforme Morgenthau, tanto por um grande quanto por um pequeno Estado, com conclusões evidentemente diversas, para definir acertadamente suas estratégias externas. Como objeto da ciência ou como móvel da ação prática, a política é diferente da moral. O estadista não pensa em termos de moral universal ou da prática da bondade ou mesmo da verdade, mas em termos da moral particular do seu Estado, da eficácia da sua ação para realizar seus interesses definidos em termos de poder. O que o move não são os valores abstratos, mas a permanência, e se possível a ampliação, da sua soberania. Da mesma forma, o cientista discerne a política da moral, para precisar o objeto de estudo daquela, assim como a separa da religião.
A preocupação com os desígnios divinos está afeta ao campo da teologia ou à atuação do clérigo, enquanto o político, de acordo com Morgenthau, deve preocupar-se com a adequação entre os fins e os meios de sua ação e o estudioso da política com a lógica das relações de força, com a análise objetiva dos procedimentos definidos como virtuosos do ponto de vista da realização dos projetos. O cientista político deve discernir o seu objeto de estudo, ainda, de outros campos, como a economia e o direito internacionais. Se o economista está preocupado com as dinâmicas que produzem o acúmulo ou a perda de riquezas52 e o advogado com a conformidade das ações dos Estados às normas e tratados internacionais53, o cientista político tem por objeto explicar as questões relativas ao poder, as relações de mando e obediência, identificando a maneira pela qual alguns se sobrepõem aos outros e as razões que levam os últimos a se subordinar aos primeiros. Ele se preocupa com o balanço de poder e o equilíbrio de forças, que pode ser favorável, desfavorável ou estar indefinido. A questão central da política internacional diz respeito, portanto e permanentemente, à guerra, não do ponto de vista moral sobre o emprego da violência na relação entre os homens ou jurídico no que diz respeito aos tratados e costumes que deveriam reger as relações interestatais, mas como um expediente a que os Estados soberanos recorrem para resolver a seu favor situações desfavoráveis ou indefinidas. É por isso que Morgenthau nivela as abordagens religiosa e liberal como igualmente imoderadas e imprudentes, presumivelmente danosas ao interesse comum. Ele deprecia as preocupações com a legalidade internacional, a opinião pública interna e a valorização de questões como os direitos humanos no cenário internacional como “enfoque moralista-jurídico” e classifica essas abordagens ora como “futilidades”, ora como produtos da “banalidade” acadêmica.
O realismo sustenta que os princípios morais universais não podem ser aplicados às ações dos Estados em sua formulação universal abstrata, mas que devem ser filtrados por meio das circunstâncias concretas de tempo e lugar [...] Não pode haver moralidade política sem prudência, isto é, sem a devida consideração política da ação aparentemente moral. (MORGENTHAU, 2003, p. 20)
52O economista procura responder a uma questão: “De que modo esta política pode afetar a riqueza da sociedade, ou de um segmento dela?”. (MORGENTHAU, 2003, p. 22).
53
“O advogado quer saber: „estará esta política de acordo com as normas da lei?‟” (MORGENTHAU, 2003, p. 22).
Os pressupostos teóricos do realismo, expostos até com certa rudeza por Morgenthau, representam uma mudança paradigmática face aos do chamado utopismo liberal que nortearam a Paz de Versalhes e a Liga das Nações. A recuperação da noção de anarquia, inspirada no Estado de natureza hobbesiano, correspondeu à ascensão a um outro patamar para a observação do mundo e a sua organização conceitual. A análise da realidade internacional segundo o critério kantiano das formas de governo se baseava num ranking moral dos Estados, em que as formas não-republicanas eram descritas como inferiores, incivilizadas ou bárbaras, fundamentadas na figura da autoridade e não na supremacia da lei. Sua variante hegeliana, ou historicista finalista, descrevia os Estados ainda autocráticos como transitórios, fadados à superação no devir histórico por instituições republicanas, moralmente superiores e perfeitas, historicamente acabadas. De uma forma ou de outra, kantiana ou hegeliana, a abordagem liberal representava uma forma de organização mental do mundo eurocêntrica, que o imaginava em meio a uma caminhada para a estação terminal republicana, o que justificava a intolerância contra o atraso e a barbárie, e o esforço necessário para sua introdução, ainda que induzida, num período de paz eterna, tomando mais especificamente o Reino Unido e suas instituições como ponto de observação e julgamento do mundo, pois a filosofia alemã teria pensado a experiência histórica liberal ocidental.
A mudança para o paradigma realista significou simultaneamente, portanto, duas coisas: a concessão de um estatuto de existência plena, ou seja, não como inferior ou incompleta, à dimensão externa, e a definição da esfera das relações interestatais como um lugar extremamente perigoso, pois sujeito às incertezas da guerra, a qual passa a ser pensada como carregada de riscos para todos os envolvidos e para a vida de seus súditos. Ela correspondeu, ainda, à transição de uma ordem multipolar a uma ordem bipolar e para uma maneira de organização mental do mundo segundo os interesses definidos dos Estados Unidos, numa fase da história sob o risco do confronto nuclear, em que passara a ser menos importante avaliar as diferenças institucionais, econômicas ou ideológicas e vital dimensionar os riscos representados pelo contendor em função de sua capacidade de destruição, independentemente de seu sistema de valores. Nesse quadro, o principal dos seis princípios definidos por Morgenthau, o do “interesse definido em termos de poder”,
diz respeito, por uma questão de racionalidade, ao Estado como monopólio legítimo da violência, não à opinião pública; aos estadistas, não aos seus súditos.
O governo é o líder da opinião pública e não o seu escravo. Os responsáveis pela condução da política externa só conseguirão satisfazer os princípios da diplomacia [...] se mantiverem sempre em mente o princípio acima. Como já foi apontado acima, com maiores detalhes, os pré-requisitos racionais de uma boa política exterior não podem de saída contar com o apoio de uma opinião pública cujas preferências sejam de natureza mais emocional que racional. (MORGENTHAU, 2003, p. 1.019)
Há, portanto, uma distinção entre a esfera interna e a externa. A primeira é sujeita tanto a normas legais quanto a emoções passageiras e subjetivas, às oscilações da opinião pública, enquanto a segunda é o produto objetivo das correlações de forças e exige uma ação racional dos Estados. Embora concebido numa fase em que era imperioso evitar a guerra quente na fase da guerra fria, os conceitos do paradigma realista revelaram-se eficazes para explicar também o passado das relações internacionais, aí incluídas as fases compreendidas pelo paradigma liberal, pois a noção de correlação de forças deu origem, também, ao conceito de ordem internacional, o que permitiu pensar a história internacional como sucessão das alternâncias de condomínios mundiais controlados pelas grandes potências.
O paradigma realista só é normativo na acepção de Morgenthau, que é muito diferente da de Kenneth Waltz54, quando prega a tolerância nas relações externas e, ao contrário do paradigma liberal, defende a convivência (e até uma certa cumplicidade) com Estados com instituições diferentes, inclusive autocráticas, desde que integrem a mesma coalizão mundial. As preferências racionais externas, portanto, não guardariam relações com afinidades ideológicas, econômicas ou institucionais, mas de segurança, ou seja, de defesa, e teriam a ver com o contexto das políticas de contenção da Guerra Fria. Ele define, desse modo, o divórcio não apenas epistemológico, mas ontológico, entre as dimensões externa e interna da política, e este é simultaneamente axiológico, pois significa também a tolerância e, em alguns casos, o endosso e até mesmo a promoção de regimes políticos autocráticos em outras partes do mundo, desde que eles se insiram nos planos de
54 A propósito, ver capítulo 1.
defesa do Estado americano e de sua forma liberal-democrática55. Uma política
externa de compromissos com ditaduras militares na África e América Latina seria compatível com a defesa do “mundo livre” durante o período do confronto bipolar nuclearizado. Apesar de justificado como atemporal e não-espacial, ou seja, como uma ciência neutra, por Morgenthau, o paradigma realista traz impregnadas suas marcas de origem: a fase inicial da Guerra Fria e o objetivo de interpretar o mundo para a formulação da estratégia de segurança nacional dos EUA. Trata-se, portanto, de assertivas eficientes para a interpretação das novas realidades e capazes de explicar os eventos passados, do ponto de vista da grande potência vitoriosa da Segunda Guerra Mundial, mas insuficientes para dar conta da mesma realidade de outros pontos de vista, como o das potências derrotadas ou das subordinadas, e mesmo dos interesses do mesmo ator em outras conjunturas, como os EUA no mundo globalizado e do pós-Guerra Fria, em que o exercício da hegemonia aparentemente mudou de caráter.
Mesmo em 1948, ano em que Morgenthau publicou a primeira edição d‟A política entre as nações, o pressuposto da separação entre as políticas externa e interna tinha validade explicativa quase inquestionável somente para os EUA, pois isto justificava tanto a aliança com os comunistas soviéticos durante a Segunda Guerra quanto as políticas econômicas de reconstrução dos ex-inimigos Japão e Alemanha. O enunciado segundo o qual as dimensões externa e interna são estanques, contudo, não contribui para explicar as derrotas, pois tanto o Estado alemão quanto o japonês se desestruturaram internamente exatamente porque