Com relação ao Campus de Caraúbas, diferentemente de como aconteceu em Angicos, houve de certa forma uma participação popular e política local. Embora, como já mencionado, a ideia inicial fosse desenvolver o Vale do Jaguaribe, houve uma participação muito forte da população de Apodi para que o campus fosse instalado no município; a partir de então, a bancada, junto ao então reitor da UFERSA, passa a pleitear a instalação do Campus da UFERSA em Apodi. Por sua vez, já estava sendo construído no município, pelo governo federal, o Campus do IFRN, o que, segundo o prof. Josivan Barbosa, veio a embargar o andamento da liberação da aprovação do Campus da UFERSA em Apodi. Ciente dessa questão, a população civil e principalmente política de Caraúbas passa a reivindicar a instalação do campus, conforme o relato a seguir.
Qual foi a confusão, o Ministro Fernando Haddad toda vida que a gente ia com a bancada lá, fomos quatro reuniões com a bancada lá, pra decidir os dois campi, Pau dos Ferros e Caraúbas. [...] Fernando Haddad, a gente chegava lá, e ele tinha um quadro no gabinete dele, mais ou menos do tamanho dessa parede, que mostra onde tinha IFs, aí quando a gente mostrou Apodi, ele botou o dedo assim e disse: não, aqui está sendo construído um IF, que terá curso superior, terá diretor, não vou construir um campus do IF e uma universidade no mesmo local, não. Durante duas reuniões ele insistiu que não faria o campus em Apodi. Aí o pessoal de Caraúbas começou a se movimentar, atrasou né? A decisão por Apodi. Aí resultado, quando eu recebo a equipe de Caraúbas, tudo, né? Eu disse: olha, é o seguinte, eu acho que é até bom a gente mudar pra Caraúbas, porque tanto faz, o campus é ali naquela estrada entre Apodi e Caraúbas, então pra os jovens do Médio Oeste não faz diferença, agora se nós não formos ativos a gente perde esse campus porque Haddad não quer. Aí quando foi na terceira reunião eu levei o nome Caraúbas. Aí quando falei Caraúbas, Haddad olhou assim, tem IF não. Sabe quem vestiu a camisa de Caraúbas, que nem soube usar isso agora? Foi Henrique Alves, ele botou isso debaixo do braço, ele é um cara forte demais, ele foi lá e negociou. O que o Ministro queria, veja como tudo é assim mesmo não tem diferença, fizemos a reunião lá com o Ministro, aí Zé Agripino não é oposição dura ao governo, né? Aí Haddad olhou pra Zé Agripino e disse: Zé Agripino, você que é liderança da oposição, e vocês estão travando a pauta do congresso pra criar as oito mil vagas de professores universitários, para todas universidades, eu faço um negócio com vocês, e aí o líder do PMDB aqui, que é o Deputado Henrique, faço um negócio com vocês dois, vocês lideram pauta, colocam esse projeto pra votar, porque o REUNI está todo comprometido porque não tem as oito mil vagas aqui, vocês liberando, na outra semana eu mando chamar o reitor aqui pra trazer o projeto de Caraúbas (Prof. Josivan Barbosa, primeiro reitor da UFERSA, em entrevista cedida em outubro de 2014).
A mudança de Apodi para Caraúbas configurou-se apenas como uma fragilidade política para o município de Apodi, mas, do ponto de vista de localização, houve pouca mudança, tendo em vista a proximidade17 entre essas cidades. De modo similar ao que aconteceu com o Campus de Angicos, a aprovação do Campus de Caraúbas foi movida por acordos de gabinetes. O estado do Rio Grande do Norte passava por um cenário importante no contexto da política nacional, uma vez que havia a influência de norte-rio-grandenses como: o líder da oposição do governo, o Senador José Agripino; o líder do PMDB, um dos maiores partidos do país; e o então presidente do senado federal, Garibaldi Alves. Assim, era uma oportunidade ímpar para pressionar as instâncias de Brasília, no sentido de captar recursos para a instalação dos campi, e com o de Caraúbas não foi diferente.
As atividades docentes da UFERSA em Caraúbas tiveram início no ano de 2010, e, assim como ocorreu em Angicos, começaram antes da conclusão das obras do campus. Durante os três primeiros anos de funcionamento, as aulas foram ministradas em três escolas da cidade, conforme Figura 6 abaixo.
Figura 6: Escolas que foram sede da UFERSA em Caraúbas
Fonte: Disponível em: <http://caraubas.ufersa.edu.br/historia-do-campus/>.
Na primeira imagem, na parte superior à esquerda, temos a Escola Estadual Antônio Carlos, onde funcionavam as aulas do período noturno; na segunda imagem, à direita, a Escola Estadual Lourenço Gurgel, que funcionava no período integral (manhã e tarde); e, na imagem inferior, a Escola Municipal Josué de Oliveira, a qual também funcionava no período noturno.
Essas três unidades de ensino receberam provisoriamente as atividades da UFERSA, sendo que eram ministradas de forma paralela atividades de ensino médio, fundamental e ensino superior no mesmo espaço. Desse modo, compreendemos que as dificuldades enfrentadas nesses primeiros anos de funcionamento da UFERSA Caraúbas foram enormes, uma vez que não havia estrutura física própria e era preciso dividir o mesmo espaço com os alunos da educação básica. Convém ressaltar que não estamos colocando a relação educação básica e ensino superior como um fator negativo, pelo contrário, entendemos que essa relação deve existir, no entanto, para esse momento de formação de futuros bacharéis em Ciência e Tecnologia, defendemos a ideia de que seria essencial ter um espaço direcionado especialmente para essa finalidade.
Em maio de 2013, toda a estrutura universitária foi transferida para a atual sede do campus. Abaixo, na Figura 7, há algumas imagens do campus.
Figura 7: Atual estrutura do Campus da UFERSA em Caraúbas
As obras ainda se encontram em andamento, mas a previsão é que ainda neste ano de 2015 o campus ganhe um novo bloco de aulas e laboratórios, um restaurante universitário e uma residência acadêmica com capacidade para abrigar até 160 estudantes. Mesmo com as possíveis dificuldades para estar em um campus que é um verdadeiro canteiro de obras, certamente é um ambiente mais adequado para a formação.