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DEVRİMCİ ÇİZGİ VE REVİZYONİZM

Após a adesão da UFERSA ao programa REUNI, o então reitor, assim como se comprometeu com o conselho universitário, parte para Brasília em busca de recursos para a implantação dos campi.

Ainda segundo o prof. Josivan Barbosa, no projeto de adesão ao programa, ainda não havia a definição das cidades, somente das regiões do estado onde a UFERSA pretendia atuar, sendo elas: a região Central Potiguar, o Médio Oeste e o Alto Oeste. Posteriormente, foram definidas as cidades de Angicos, Limoeiro do Norte e Pau dos Ferros, para cada região, consecutivamente. Limoeiro do Norte é uma cidade localizada no Vale do Jaguaribe que tem grande potencial de desenvolvimento para a região do Semiárido, assim, a proposta era desenvolver a região do Vale e, possivelmente, a da Chapada do Apodi, tendo em vista que são regiões que fazem fronteiras. No entanto, “Apodi viu que o projeto beneficiaria Limoeiro e não Apodi, entrou na briga e nós acabamos cedendo” (Prof. Josivan Barbosa, primeiro reitor da UFERSA, em entrevista cedida em outubro de 2014), o que mais tarde não veio a acontecer, uma vez que o campus teve como sede a cidade de Caraúbas.

A região Central Potiguar do estado era citada no projeto, com destaque para a microrregião de Angicos, que possuía apenas 1,8% dos jovens matriculados na educação superior, ou seja, embora não definisse claramente a cidade de Angicos como uma cidade a sediar o campus da UFERSA, indicava dados que justificavam tal fato.

Já no início de 2008, o senador norte-rio-grandense Garibaldi Alves Filho assumiu o Congresso Nacional. Esse fato foi propício para o momento histórico vivenciado pela UFERSA, que necessitava ainda mais de um “movimento de balcão” em Brasília, para conseguir recursos para a instalação dos campi. Sobre o processo de instalação do Campus da UFERSA Angicos, o Professor relata:

Garibaldi assumir o congresso nacional foi uma mão na roda para aprovar o

Campus de Angicos, concorda? É a cidade dele, né? Aí fui pra cima dele:

Garibaldi, é o seguinte: o projeto da UFERSA são três campi. A UFERSA tem que criar isso, aí fui explicando e tal, fui pra cima dele, pra cima da bancada, fazia reunião com a bancada, mostrava o projeto, a bancada foi pra cima dele e tal. Aí Garibaldi falou: – não, mas primeiro eu quero que instale em Angicos. [...] Era uma sexta-feira, ou uma quinta, lembro demais, Garibaldi liga para Fernando Haddad: – Fernando Haddad, daquela nossa última reunião não avançou nada da UFERSA Angicos? Será, Ministro, que eu vou ter que pedir ao Presidente Lula para fazer um campus universitário

na terra de Aluízio Alves16, na minha terra? Essa ligação foi 10, pode

acreditar na terça-feira eles me chamam em Brasília: – reitor, vamos elaborar o projeto desse Campus Angicos. Eu falei não, o projeto está elaborado, está aqui, já trouxe [...] custa 28 milhões, tem tantos blocos de sala de aula, tem tantas pessoas pra trabalhar lá. Então, começamos, vamos começar a liberar, aí começaram liberando 10 vagas pra professor. Pronto, isso aqui está ótimo, está bom, começou o campus, porque como começa um campus? Quando tem professor (Prof. Josivan Barbosa, primeiro reitor da UFERSA, em entrevista cedida em outubro de 2014).

Ainda que a região Central Potiguar necessitasse de um campus universitário, fica evidente que a implantação do Campus de Angicos se deu mediante apadrinhamento político, principalmente por Garibaldi Alves, que, embora não seja natural da cidade, tem sua origem familiar nesse município. Outro fator que percebemos foi a não participação popular local para a chegada desse campus, como o Professor mesmo relatou: “Nunca o povo de Angicos pediu um campus universitário, nós que identificamos como sendo Angicos” (Prof. Josivan Barbosa, primeiro reitor da UFERSA, em entrevista cedida em outubro de 2014).

É preciso também considerar o interesse de desenvolver a região, que teve seu apogeu na década de 1980, polarizando a região central do estado. Essa região encontrava-se em decadência, nesse sentido, a chegada de um campus universitário federal poderia favorecer o seu desenvolvimento.

Após a aprovação do Campus Angicos, as atividades da instituição se iniciaram com um total de dez professores, mas havia a necessidade de sessenta docentes, cujas vagas foram sendo liberadas conforme a demanda.No entanto, embora reconheçamos o papel fundamental do professor para o processo de ensino-aprendizagem, não concordamos que para a instalação de um campus universitário a presença do professor isoladamente seja suficiente, tendo em vista que esse profissional necessita de qualidade de trabalho, estrutura física adequada e recursos para a execução de seu trabalho. A falta desses elementos, a nosso entender, compromete o trabalho desse profissional da educação.

As instalações onde se iniciaram as atividades do Campus da UFERSA em Angicos foram improvisadas, até que sua construção, tal qual está no projeto (o mesmo para os demais campi), fosse concluída. Diante disso, foi realizada uma reforma numa escola do município, conforme Figura 4 abaixo:

16 Ex-governador do estado do Rio Grande do Norte, natural da cidade de Angicos, e tio do senador Garibaldi

Figura 4: Antes e depois da reforma da escola, cedida pelo município para instalação do Campus da UFERSA em Angicos

Fonte: Disponível em: <http://pordeus77.blogspot.com.br/2012/04/consolidacao-e-crescimento-da- ufersa-no_10.html>. Acesso em: 9 mar. 2015.

A partir dessas imagens, percebemos que, embora tenha sido realizada uma reforma na escola que passou a ser a sede do Campus UFERSA Angicos, não são instalações adequadas para iniciar atividade em nível de graduação, principalmente com cursos na área de tecnologia, que era a proposta inicial para os campi, com os cursos de bacharelado em Ciência e Tecnologia (CeT). No entanto, o Campus Angicos estendeu suas atividades de forma provisória por três anos, passando, somente em 2011, a ocupar a estrutura física própria, que ainda se encontra em fase de finalização de algumas obras, conforme Figura 5 a seguir:

Figura 5: Atual estrutura do Campus da UFERSA em Angicos

Fonte: Disponível em: <http://www2.ufersa.edu.br/portal/noticias/3119/ Angicos:%20cidade%20universit%C3%A1ria%20do%20Sert%C3%A3o%20Central%20Potiguar>. Acesso em: 9 mar. 2015.

Como podemos perceber, algumas obras ainda permanecem em construção, pois o projeto contempla muitos prédios, residência universitária, restaurante universitário, espaço de convivência, sala de professores, laboratórios etc. Assim, conforme a figura acima, é possível inferir que, frente às antigas instalações, houve uma melhoria considerável em relação à estrutura física, embora não tenhamos realizado visita de campo nessa cidade. No entanto, como o projeto é o mesmo para os três campi, a partir da visita realizada ao Campus de Pau dos Ferros, podemos depreender essa qualidade.

Benzer Belgeler