3. BÖLÜM: BULGULAR VE YORUM
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A importância da atividade pecuária para a economia brasileira remonta às origens do Brasil colonial. Quando os portugueses desenvolveram a economia açucareira no nordeste da colônia, desenvolveram também nos vales dos rios nordestinos (São Francisco, Parnaíba e Gurguéia) a criação de equinos para transporte de cargas nos engenhos de açúcar e de bovinos para suprimento de carne e de couro. A pecuária também esteve vinculada ao ciclo da mineração, com a criação de gado equino e bovino nos campos gerais do sul da colônia (atual Rio Grande do Sul), destinados ao transporte de minério e ao abastecimento de subprodutos do gado.
Deve-se assinalar, nesses períodos, o papel destacado que a pecuária teve no processo de desbravamento e ocupação do território nacional. Não por acaso, grande parte das fronteiras nacionais são constituídas por regiões em que predominam a atividade pecuária, como o pampa gaúcho e o pantanal matogrossense.
Igualmente, durante o ciclo do café, mesmo com a enorme participação que este produto teve na economia nacional, a pecuária manteve-se como atividade relevante para o País, gerando renda e empregos para milhares de camponeses. Na República Velha, por exemplo, a “política do café com leite” era referência ao domínio político dos cafeicultores de São Paulo e dos pecuaristas de Minas Gerais.
Nas duas últimas décadas, contudo, o setor passou por um vigoroso processo de modernização e industrialização, o que tornou o Brasil o segundo maior produtor mundial de carne bovina, assim como de couro bovino e o quarto principal produtor mundial de leite e derivados. Embora a maior parte da produção nacional esteja direcionada para o enorme mercado interno, a atividade tem gerado excedente suficiente para tornar o Brasil o maior exportador mundial de carne e de couro bovinos.
O rebanho bovino, de quase 210 milhões de cabeças em 2010, disponibiliza para o abate, segundo a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Carne (ABIEC), antiga Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne Bovina, entre 21% e 22% do efetivo, ou seja, algo entre 44 e 46 milhões de cabeças (além de 500 mil a 1 milhão de animais vivos que são exportados anualmente, principalmente para a Venezuela e o Oriente Médio). Como o peso médio da carcaça oscila em torno de 210 kg, a produção nacional gira entre 9 e 9,5 milhões de toneladas de carne bovina/ano.
De acordo com a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o valor total da produção de carne bovina em 2010 foi de R$ 45 bilhões, que somados ao valor dos subprodutos, como couro (45 milhões de peças/ano) e de leite (31 bilhões de litros) resulta numa movimentação total do setor de quase R$ 70 bilhões, o que representa mais de 25% de toda a atividade agropecuária do país. Se for considerado o valor agregado
no processamento industrial do segmento (carne industrializada, laticínios e subprodutos do couro), o valor da produção aumenta substancialmente.
Estima-se, ainda segundo a CNA, que toda a cadeia da pecuária bovina empregue, direta e indiretamente, cerca de 5 milhões de pessoas no País. Tais números são suficientes para dimensionar a importância da atividade no Brasil e, naturalmente, o desenvolvimento de atividade econômica tão relevante se inscreve no processo de desenvolvimento da economia capitalista em nosso país. Sabe-se que a dinâmica de ocupação e de uso do território são determinadas nas sociedades capitalistas pela lógica da acumulação do capital, e isso não foi e nem é diferente nas “regiões de fronteira agrícola”.
Segundo Oliveira (2005), é a lógica dos monopólios privados que se instauram e determinam a lógica do campo. De fato, com a crescente monopolização e internacionalização da economia brasileira, passou-se a requerer da agricultura o aumento de sua produtividade e competitividade. Esse processo no Brasil começou no Centro-Sul, mas penetrou fortemente na Amazônia, auxiliado pelas mãos do Estado, mediante políticas territoriais como o Programa de Integração Nacional (PIN), o Proterra, o Polocentro, o Polamazônia, o Polonoroeste, etc:
O território capitalista na Amazônia foi estabelecido sob a lógica dos monopólios, produzindo frações territoriais, regiões distintas na Amazônia brasileira. O norte mato-grossense é exemplo dessa diferença histórica. (OLIVEIRA, 2005, p.73).
Já nos anos 1970, Cardoso (1978) ao analisar o processo histórico de ocupação da Amazônia, apontava a intervenção do Estado no sentido de assegurar as condições propícias para a ocupação e expansão das empresas capitalistas, no que ele chamou de devassamento da Amazônia, incluindo a desapropriação e reapropriação de terras, o esmagamento da população indígena e a condução do fluxo de novas populações para cumprir a função de mão de obra.
O autor conclui que “neste contexto, o espaço amazônico – embora, de fato, ainda não integrado ao modelo exportador senão através de alguns recursos minerais - ganhou novas dimensões na economia nacional”. (CARDOSO, 1978, p. 8)
O processo que tem caracterizado a ocupação recente da Amazônia é bastante antigo no País. Como a oferta de terras é abundante, os capitais privados tem buscado sempre novas “oportunidades”, abrindo e deslocando continuamente as fronteiras agrícolas. Prado Jr. (1977) via de forma muito crítica este processo de expansão da agricultura brasileira. Ao analisar o novo quadro nas décadas de 1940 e 1950, quando abordava a nova “frente paranaense”, denominou a agricultura brasileira de itinerante, afirmando que:
Não há nisso, para a história do Brasil, nada de original. E considerando-se que esse avanço se faz à custa do depauperamento de regiões de exploração mais antiga onde decai a cultura do solo, verifica-se que o Brasil persiste nos seus tradicionais métodos de agricultura itinerante,
verdadeira extração e ‘bombeamento’ de recursos naturais em benefício de uma fugaz atividade econômica que não cria raízes (PRADO Jr., 1977, p. 335).
Se é fato que o notável progresso tecnológico no campo fez cair por terra a segunda parte de sua afirmação, também é verdade que em muitas regiões a agricultura brasileira ainda mantém suas antigas características.
A forte relação entre agricultura e capital monopolista foi demonstrada por Sampaio (1980) ao identificar que entre as 400 maiores empresas estrangeiras operando no Brasil em 1974, nada menos que 109 realizavam atividades ligadas à agricultura: tratores e máquinas (10), fertilizantes e defensivos agrícolas (10), produtos veterinários e rações (13), empresas agropecuárias (5), alimentação, bebida e fumo (30), madeira (2), celulose e papel (9), processamento de matéria prima agrícola (17) e sua comercialização (13). Provavelmente, com a forte expansão do agronegócio nos últimos 30 anos, este elenco tenha se ampliado.
Neste curso singular da agricultura brasileira, deve-se destacar as movimentações populacionais, que ocorriam tanto acompanhando as incursões do capital (imigração), quanto em decorrência da atuação deste (emigração).
Villela e Suzigan (2001) analisam estes movimentos e afirmam que o forte processo de urbanização que o País experimentou a partir da década de 1930 (migração rural- urbano) não eliminou os expressivos fluxos migratórios rural-rural, identificando o Paraná, a Região Centro-Oeste e o Maranhão como os principais beneficiários destes fluxos. Somente a partir da década de 1970, com a progressiva modernização no campo e o intenso processo de mecanização agrícola, estes fluxos vão sofrer forte desaceleração.
Deve-se destacar também qual tem sido o papel do Estado no processo de contínuo deslocamento da fronteira agrícola. No caso da atual fronteira (Centro-Oeste, deslocando-se mais recentemente para a franja da Floresta Amazônica), ele foi determinante e deliberado. Todo o processo de profundas transformações ocorridas no Centro-Oeste está intimamente vinculado à transferência da Capital Federal para o Planalto Central, com a “feliz” coincidência dela se dar no período de implantação da indústria automobilística e da indústria petrolífera no País, com a superação do transporte ferroviário pelo rodoviário.
Num prazo muito curto, até o final da década de 1960, a Capital Federal foi ligada às principais metrópoles litorâneas do País por rodovia asfaltada: BR-040 (ligação com Belo Horizonte e Rio de Janeiro); BR-050 (ligação com São Paulo e as capitais da Região Sul); BR-020 (ligação com Fortaleza) e BR-030 (ligação com Salvador e Recife).
Por outro lado, novas rodovias passaram a ligar Brasília ao vasto interior do País: a BR-010 com Belém e toda a Amazônia Oriental; a BR-070 com Cuiabá e o Cerrado Setentrional e a BR-060 com Campo Grande e o Cerrado Meridional. Esta extensa malha rodoviária veio propiciar um fácil acesso das populações das regiões Nordeste, Sudeste e
Sul à nova Capital, assim como possibilitou o acesso, através de Brasília, às vastas áreas desocupadas do Planalto Central e da Amazônia Oriental. Estava assim facilitado o caminho não só para a afluência de novos contingentes populacionais rumo à Brasília, como também para a intensificação da ocupação do cerrado.
Quando se aborda a modernização ocorrida no campo, pode-se observar, através de indicadores muito precisos, que ela se deu principalmente a partir da década de 1980 e notadamente na nova região de fronteira, a Região Centro-Oeste.
Gasques e Conceição (2001) ao estudarem o comportamento da produtividade da terra, da mão de obra e a produtividade total dos fatores (PTF) entre 1985 e 1995, constataram que o crescimento médio anual no País foi respectivamente de 1,61%, 1,91% e 2,27%. A título de comparação, observemos os resultados nos estados do Centro-Oeste: Goiás (2,62%, 3,09% e 2,38%); Mato Grosso do Sul (5,41%, 5,56% e 5,41%) e Mato Grosso (7,65%, 9,56% e 5,58%).
A escala de transformação ocorrida no Centro-Oeste pode ser medida por alguns números. Segundo dados do IBGE, entre 1920 e 2010, a produção de grãos aumentou em 131 vezes. De 210 mil toneladas, ou 3% do total nacional em 1920, passou a 55 milhões em 2010 (35% do total nacional).
Já o rebanho bovino passou de 5,8 milhões de cabeças em 1920 (17% do total do país) para 72 milhões em 2000 (35%). Este processo de rápida e intensa ocupação da nova fronteira gerou impactos ambientais e sociais de grande dimensão. A ocupação intensa do cerrado transbordou para a franja meridional da floresta Amazônica, alarmou setores ambientalistas e provocou protestos no Brasil e no mundo.
Ao mesmo tempo, ganhava relevância a questão do desenvolvimento sustentável e, dessa forma, a nova fronteira agrícola no Brasil se viu no centro desta nova discussão.
Tal cenário remete para uma situação de conflitos generalizados, próprios das sociedades capitalistas, e que nas regiões de fronteira são escancarados. São conflitos pela posse da terra, opondo populações que tradicionalmente ocupam o território e os contingentes recém-chegados; que se opõem as atividades produtivas tradicionais e as modernas; que opõem estas e a preservação ambiental; ou que opõem esta última e as populações tradicionais; entre muitos outros.
Ao tratar desta última questão, Coelho (2000) lembra que somente a partir da década de 1970 começou a ser superado o conceito de que deveria ser vedada a presença de populações humanas em áreas de reserva, com exceção das terras indígenas. E tal só aconteceu pela forte resistência das populações tradicionais, inicialmente das indígenas e dos caboclos extrativistas.
A autora cita os casos da Floresta Nacional do Tapajós (PA), da Reserva Biológica do Guaporé e da bacia do rio Trombetas como exemplos, entre tantos outros, de como as
populações que nelas residiam sofreram toda sorte de intimidação. Os conflitos entre as atividades produtivas tradicionais e as modernas, assim como os conflitos pela posse da terra tem, via de regra, pendido para este último segmento, particularmente pelo seu poderio econômico, rapidamente traduzido em poderio político.
Mas o embate que permeia todo este cenário descrito se dá entre o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental. Alencar et al (2004) destacam que entre as três principais atividades responsáveis pelo desmatamento na Amazônia – pecuária, agricultura familiar e agricultura mecanizada - a primeira tem sido a de maior impacto, destacando que, ao longo da década de 1990, ela respondeu por cerca de 75% das florestas desmatadas na região. Segundo os autores, o principal estímulo para o avanço da pecuária (assim como para o avanço da soja e outras culturas mecanizadas) vem da demanda internacional.
Ao tratar da questão específica da soja, os autores afirmam que o bioma mais afetado por sua expansão (assim como da pecuária) na Amazônia Legal tem sido a floresta de transição, localizada entre o cerrado do planalto central e a floresta densa, devido inclusive às condições topográficas favoráveis ao cultivo mecanizado.
Para os autores, a influência da soja sobre o desmatamento é, sobretudo, indireta, pois a expansão tem acontecido “fundamentalmente em pastagens já formadas, onde o custo de implantação da atividade é menor. No entanto, ao ocupar pastagens, a soja acaba por pressionar a expansão da atividade pecuária para as áreas com florestas”. (ALENCAR
et al, 2004, p. 12).
Mas as afirmações alarmistas quanto à expansão das atividades produtivas em direção à floresta Amazônica não são consensuais. Ao analisar o novo lugar da Amazônia no Brasil, Becker (2006) percebe uma tendência ao esgotamento da Amazônia como fronteira móvel. Para a autora, as designações dadas à nova fronteira (Amazônia Meridional) como “Arco do Fogo”, ou “Arco do Desmatamento” são ultrapassadas ou se constituem numa forma reducionista de captar o quadro atual do uso da terra na região, tratando-se mesmo de uma falácia:
Hoje, é ainda no contato deste arco com a floresta que se concentra o desmatamento na Amazônia. Mas o que se deseja aqui demonstrar é que a escala e a lógica do desmatamento são outras, associadas a atividades que tendem a se intensificar, e que essa vasta área não é mais uma fronteira de ocupação, mas sim uma área de povoamento consolidado, com significativo potencial de desenvolvimento, seja pela intensificação do povoamento e das atividades produtivas, seja pela recuperação das áreas alteradas e/ou abandonadas (BECKER, 2006, p. 76).
A autora defende ainda que a entrada e expansão da agricultura capitalizada na Amazônia constitui-se numa novidade histórica, particularmente por se tratar de uma região fortemente dominada por atividades extrativistas, mineral e vegetal e que a sua consolidação não deve ser vista como contraditória com a manutenção da riqueza
ambiental, desde que sejam respeitados os limites impostos pela fragilidade do seu bioma. Segundo ela, os movimentos recentes são positivos pois o crescimento da fronteira agropecuária nessa região começa, de certo modo, a dissociar-se do movimento de incorporação territorial contínua, substituindo a expansão horizontal pelo crescimento vertical/intensivo.
O Brasil, no curso das duas últimas décadas, constituiu-se no segundo maior produtor de carne bovina do mundo e no principal exportador. Segundo o IBGE, no período entre 1990 e 2010, o efetivo bovino cresceu 42%, de 147,4 para 209,5 milhões de cabeças (aumento de 62,1 milhões) e a produção de carne mais que duplicou, aumentando de 4,4 para 9,0 milhões de toneladas. Já as exportações, segundo a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Carne (ABIEC) aumentaram mais de 1.500% entre 1990 e 2010, saltando de 110 mil para 1,8 milhão de toneladas (equivalente carcaça).
Neste período, quase a totalidade do crescimento do rebanho se deu nas regiões Amazônica e Centro-Oeste, tendo o efetivo nessas duas regiões passado de 63,5 milhões (43% do total nacional) para 121,5 milhões de cabeças (58% do total).
Mais impressionante foi o fato de que o crescimento de 58 milhões de cabeças no rebanho nessas duas regiões responderam por nada menos que 93% do crescimento do rebanho bovino no País, sendo que 82% do crescimento ocorreu nos nove estados da Amazônia Legal, cujo efetivo cresceu 193%, saltando de 26,3 milhões em 1990 para 77,8 milhões em 2010, fazendo com que sua participação no total nacional duplicasse de 18,0% para 37,2% (em 1970 esta participação era de tão somente 7,2%).
As Figuras 5.1 e 5.2 revelam que no período 1900/2005, os seis estados com maior expansão do rebanho bovino estavam todos na Amazônia Legal, com destaque maior para Mato Grosso (acréscimo de 18,31 milhões de cabeças), Pará (10,68 milhões) e Rondônia (9,81 milhões). Em segundo plano, apareciam Tocantins (3,30 milhões), Maranhão (3,0 milhões) e Acre (2,11 milhões).
RO 16,0% AC 3,2% PA 19,8% TO 6,1% MT 29,3% MA 4,2% AM,RR,AP 1,2% OUTROS ESTADOS 19,5%
Figura 5.1: Participação dos estados no aumento do rebanho bovino da Amazônia Legal no período 1990 a 2005
Fonte: IBGE, Produção da Pecuária Municipal de 1990 e 2005
Em termos de ritmo de crescimento, a Figura 5.2 mostra que os mais acentuados foram registrados também na Amazônia Legal: Rondônia (571 %) e Acre (513%), secundados por Mato Grosso e Pará, ambos com incremento de quase 200%. Num patamar inferior, aparecem Amazonas, Tocantins e Maranhão. A partir de 2005, a concentração do rebanho bovino na Amazônia Legal se intensificou ainda mais.
Figura 5.2: Maiores ritmos de crescimento dos rebanhos, segundo os estados, no período 1990 a 2005 (em %)
Fonte: IBGE, Produção da Pecuária Municipal de 1990 e 2005
Quanto ao ritmo de expansão das pastagens no Brasil, o Quadro 4.1 mostra que essas aumentaram continuamente desde 1940 até 1985. Em 1940, as pastagens ocupavam 88,1 milhões de hectares, alcançando 154,1 milhões em 1970 e 179,2 milhões em 1985, caindo desde então e chegando a 158,8 milhões de hectares em 2006.
Durante todo esse longo período, as pastagens artificiais vêm ganhando terreno, sendo que em 1950 elas representavam somente 13,9% (15 milhões de hectares) do total das pastagens, passando para 24,0% em 1975 e 41,3% em 1985 (74,1 milhões ha). Apenas em 1995 elas se tornaram majoritárias, com 56,1% (99,7 milhões ha), passando a 63,9% em 2006 (101,7 milhões ha). 0 100 200 300 400 500 600
As pastagens naturais, por seu turno, vem refluindo desde 1975, quando ocupavam 126 milhões de hectares, passando a 78,0 milhões em 1995 e 57,3 milhões em 2006, ou seja, verifica-se uma clara tendência de queda na área ocupada com pastagens naturais e de estagnação na área com pastagens plantadas (Tabela 5.1).
Tabela 5.1: Evolução da área de pastagens no Brasil e na Amazônia Legal entre 1940 e 2006 (em mil hectares)
Ano Total das Pastagens Pastagens Naturais Pastagens Plantadas
Brasil Amazônia Demais Brasil Amazônia Demais Brasil Amazônia Demais
1940 88.142 11.077 77.065 - - - - 1950 107.633 16.104 91.529 92.660 15.447 77.213 14.973 657 14.316 1960 122.335 16.995 105.340 102.272 15.664 86.608 20.063 1.331 18.732 1970 154.138 25.024 129.114 124.406 21.701 102.705 29.732 3.323 26.409 1975 165.652 29.667 135.985 125.951 23.153 102.798 39.701 6.514 33.187 1980 174.499 38.033 136.466 113.897 25.241 88.656 60.602 12.792 47.810 1985 179.188 42.727 136.461 105.094 24.096 80.998 74.094 18.631 55.463 1990 178.000 47.000 131.000 90.000 22.000 68.000 88.000 25.000 63.000 1995 177.700 51.150 126.550 78.048 18.218 59.830 99.652 32.932 66.720 2006 158.753 54.036 104.717 57.316 11.983 45.333 101.437 42.053 59.384
Fonte: Censos Agropecuários do IBGE de 1940 a 2006
Ocorre que tais movimentações não ocorrem de forma uniforme em todas as regiões do país. As pastagens naturais, de fato, estão em queda em todas as regiões, inclusive na Amazônia. Só que nesta região, além da substituição das pastagens naturais pelas plantadas, ocorre ainda a incorporação de terras para a criação de gado, ao passo que no restante do país, ocorre redução tanto nas áreas de pastagens naturais quanto nas áreas de pastagens plantadas, ocorrendo, nesse caso, a substituição de pastos (naturais e plantados) por culturas agrícolas.
Tais números revelam que a expansão do rebanho bovino, tanto no Brasil como, em particular, na Amazônia, vem ocorrendo, principalmente, em razão do avanço da produtividade dessa atividade, conforme revela a Tabela 5.2. Observa-se que a taxa de lotação média no País passou de 0,51 cabeças/hectare em 1970 para 0,71 cabeças/hectare em 1985, 0,86 cabeças/hectare em 1995 e 1,08 cabeças/hectare em 2006.
Tabela 5.2: Evolução da taxa de lotação das pastagens no Brasil no período 1940 a 2006, segundo as Unidades da Federação (em cabeças/hectare)
UF 1940 1950 1960 1970 1975 1980 1985 1995 2006 Brasil 0,39 0,41 0,46 0,51 0,61 0,68 0,71 0,86 1,08 Amazônia 0,24 0,22 0,32 0,25 0,31 0,39 0,44 0,70 1,05 RO - 0,68 0,70 0,19 0,25 0,33 0,70 1,35 1,77 AC 0,38 0,24 1,55 1,15 0,97 1,11 1,03 1,38 1,66 AM 0,54 0,94 1,15 1,09 1,05 0,90 0,89 1,39 1,43 RR - 0,27 0,24 0,21 0,18 0,20 0,25 0,26 0,67 PA 0,41 0,46 0,85 0,41 0,47 0,60 0,53 0,82 1,23 AP - 0,24 0,12 0,21 0,18 0,24 0,10 0,24 0,22 TO 0,11 0,17 0,22 0,18 0,22 0,27 0,34 0,47 0,75 MT 0,11 0,15 0,24 0,17 0,28 0,35 0,40 0,67 0,91 MA 0,78 0,27 0,56 0,44 0,47 0,58 0,60 0,73 0,98 Nordeste 0,84 - 0,53 0,50 0,61 0,64 0,64 0,71 0,80 PI 0,67 0,48 0,31 0,36 0,36 0,42 0,45 0,71 0,58 CE 0,43 0,49 0,55 0,42 0,54 0,58 0,71 0,91 0,81 RN 0,24 0,35 0,26 0,32 0,44 0,58 0,59 0,77 0,73 PB 0,48 0,51 0,41 0,42 0,59 0,71 0,69 0,72 0,78 PE 0,53 0,81 0,48 0,50 0,55 0,82 0,91 0,91 0,94 AL 0,92 0,92 0,76 0,69 0,83 1,02 0,94 1,12 1,02 SE 1,00 0,93 0,67 0,61 0,68 0,82 0,68 0,82 0,95 BA 0,82 0,85 0,73 0,62 0,73 0,64 0,62 0,60 0,80 Sudeste 0,45 0,50 0,55 0,60 0,75 0,80 0,84 0,95 1,24 MG 0,41 0,43 0,46 0,51 0,63 0,66 0,69 0,79 1,10 ES 0,72 0,79 0,78 0,76 0,99 0,93 0,94 0,98 1,34 RJ 0,59 0,59 0,75 0,70 0,89 1,00 1,02 1,17 1,50 SP 0,52 0,66 0,72 0,79 1,01 1,13 1,23 1,36 1,51 SUL 0,48 0,55 0,64 0,88 1,02 1,15 1,16 1,27 1,50 PR 0,23 0,36 0,62 1,04 1,32 1,43 1,43 1,48 1,93 SC 0,40 0,50 0,60 0,79 0,93 1,05 1,11 1,32 1,84 RS 0,53 0,59 0,65 0,84 0,92 1,05 1,04 1,13 1,21 Centro-Oeste 0,21 0,20 0,26 0,37 0,48 0,53 0,69 0,88 1,03 MS 0,16 0,18 0,25 0,36 0,43 0,56 0,69 0,91 0,97 GO 0,26 0,24 0,27 0,39 0,54 0,51 0,69 0,85 1,10 DF - - 0,19 0,28 0,37 0,51 0,53 0,89 1,00
Fonte: IBGE, Censos Agropecuários de 1940 a 2006 Nota: A Amazônia inclui os estados do Maranhão (excluído do Nordeste) e Mato Grosso (excluído do Centro-Oeste)