• Sonuç bulunamadı

1.2. MISIR’DA KAVALALI MEHMED ALİ PAŞA DÖNEMİ (1805-1848)

1.2.3. Mehmed Ali Paşa’nın Suud Seferi ve Vehhabi Operasyonu

O presente capítulo é destinado à exposição da metodologia adotada para a realização de nossa pesquisa. Com base nas análises dos dicionários do tipo 2 e nas pesquisas de campo realizadas, elaboramos e redigimos nossa proposta de DTI. Os resultados dessas etapas estão disponibilizados no capítulo 3: Resultados de nossas pesquisas. A seguir, a descrição das partes.

2.1 APRESENTAÇÃO DO CORPUS

Segundo Berber-Sardinha (2004, p. 18), corpus é

um conjunto de dados linguísticos (pertencentes ao uso oral ou escrito da língua, ou a ambos), sistematizados segundo determinados critérios, suficientemente extensos em amplitude e profundidade, de maneira que sejam representativos da totalidade do uso linguístico ou de algum de seus âmbitos, dispostos de tal modo que possam ser processados por computadores, com a finalidade de propiciar resultados vários e úteis para a descrição e análise.

Para a realização deste trabalho, adotamos o conceito de corpus proposto por Berber- Sardinha (2004, p.18) e tomamos como ponto de partida a lista de nomes de dicionários avaliados e indicados pelo Ministério da Educação – MEC em parceria com o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD 2006), que consta no item “Critérios propostos pelo PNLD/MEC 2006 para avaliação dos dicionários”, página 35 desse trabalho.

Com base na proposta do PNLD/MEC 2006, nosso objeto de estudo está centrado naqueles denominados “Dicionários do tipo 2”, ou seja, destinados a turmas em processo de desenvolvimento da língua escrita.

Portanto, nosso corpus selecionado consta das obras listadas a seguir: Biderman, Maria Tereza Camargo. Dicionário Ilustrado de Português. São Paulo: Ática, 2004. 344 p.;

do Pica-Pau amarelo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005. 495 p.; Saraiva Júnior. Dicionário da Língua Portuguesa Ilustrado. São Paulo: Saraiva, 2005. 482 p.

O procedimento metodológico adotado na sequência de nossas pesquisas foi a descrição e análise dos dicionários que constituem o corpus de nossa pesquisa. Nosso objetivo foi evidenciar as suas características, bem como as particularidades de cada obra. Com base nessa análise, buscamos subsídios lexicográficos pedagógicos para a construção de nossa proposta de DTI. Adotamos o modelo de análise proposto por Gomes (2007), ou seja, elaboramos um resumo que versa sobre os aspectos relacionados à concepção geral da obras, seguida da análise de suas microestruturas.

Em seguida, realizamos duas pesquisas de campo. A primeira teve o objetivo de selecionar os campos temáticos que compuseram o DTI. A segunda pesquisa procurou levantar as principais dificuldades enfrentadas pelos usuários no momento da consulta a um dicionário tipo 2. Segue o detalhamento de cada uma das etapas.

2.2 PESQUISA 1: SELEÇÃO DOS CAMPOS TEMÁTICOS

Como afirmamos, a pesquisa de campo 1 realizada por nós objetivou selecionar os campos temáticos que compuseram o DTI com base na escolha de alunos, refletindo, assim, as suas necessidades e expectativas em relação a um dicionário.

Para tanto, criamos um questionário para levantamento de dados que consta no anexo 1 deste trabalho, cujo principal objetivo foi selecionar quais campos temáticos poderiam fazer parte do universo desse público-alvo, ou seja, alunos que cursavam o quarto e quinto anos do ensino Fundamental.

Para organizar esse questionário, procedemos da seguinte maneira: inicialmente fizemos uma pesquisa nos livros didáticos indicados pelo PNLD/MEC 2006. Os títulos das obras podem ser encontrados no endereço eletrônico: http://portal.mec.gov.br

/index.php?Itemid=859&catid=195%3Aseb-educacao-basica&id=12637%3Aguias-do- programa – nacional -do-livro-didatico&option=com_content&view=article

Após essa pesquisa nos livros didáticos, também buscamos na publicação de RANGEL, E. O; BAGNO, M. Dicionários em sala de aula. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria da Educação Básica, 2006, outras indicações de campos temáticos destinados a esse nível de ensino. Logo após esse levantamento, listamos os campos que poderiam inicialmente ser apresentados aos alunos.

As opções a seguir foram as apresentadas por nós: alimentos, animais, aparelhos, áreas do conhecimento, astronomia, brincadeiras e jogos, brinquedos infantis, cores, corpo humano, dias e meses, documentos, elementos químicos, esportes, estações do ano, fenômenos naturais, ferramentas, folclore, gírias, instrumentos musicais, Língua Portuguesa/gramática, informática, lugares, matemática/geometria, medicina, meios de transporte, mitologia, mobília, música/dança, na escola, nacionalidades, objetos, relações interpessoais, pedras preciosas, plantas, pontos cardeais, profissões, relevo, religiosidade, sentidos humanos, sentimentos/sensações, substâncias, títulos de nobreza, vegetação, vestuário/acessórios.

Destacamos que, em nosso questionário, também havia um campo denominado “Outros”, destinado ao aluno que quisesse registrar qualquer campo que não constasse em nossa lista. A pergunta a ser respondida era: “Na sua opinião, sobre qual assunto você gostaria de aprender novas palavras?”

Depois da elaboração do questionário, fomos a campo e entrevistamos, no primeiro semestre do ano de 2009, um total de 700 (setecentos) alunos que cursavam o quarto e quinto anos do ensino Fundamental de diferentes escolas públicas municipais, estaduais e particulares da cidade de Uberlândia, escolhidas aleatoriamente.

De posse das escolhas feitas pelos alunos, selecionamos os dez campos que foram mais citados por eles no questionário. Depois disso, nosso objetivo era selecionar as unidades

léxicas que pertenciam a cada campo selecionado e que compuseram o DTI. A seguir, a descrição de como se deu a seleção dessas unidades léxicas.

2.3 SELEÇÃO E ARMAZENAMENTO DAS UNIDADES LÉXICAS

Com base nos dez campos temáticos mais citados pelos alunos para compor o DTI, percorremos as obras que compõem o nosso corpus em busca dos lexemas que pertencessem a esses campos. Para organizá-los, como não precisamos de uma base de dados mais sofisticada, criamos uma ficha que continha os seguintes campos: unidade lexical; separação silábica, indicação da sílaba tônica, categoria gramatical, definição (ões) encontrada (s) nos dicionários, exemplos, outras informações tais como, sinônimos, antônimos, femininos, aumentativos, expressões idiomáticas etc.

Nosso modelo de ficha pode ser visualizado a seguir:

Unidade lexical:

Separação silábica/indicação da sílaba tônica Categoria gramatical: Definição/Fonte 1 (SARAIVA):

Definição/Fonte 2 (BIDERMAN): Definição/Fonte 3 (CALDAS) :

Exemplo/Abonações/Fonte 1 (SARAIVA): Exemplo/Abonações/Fonte 2 (BIDERMAN): Exemplo/Abonações /Fonte 3 (CALDAS): Outras informações:

Com o estabelecimento dessa ficha foi nos possível proceder a uma análise comparativa das definições empregadas pelas obras, bem como o tipo de exemplo utilizado pelo autor, além de coletar as diversas informações presentes em cada uma das obras selecionadas.

Como resultado de nosso levantamento, a proposta apresentada no âmbito deste trabalho definiu 838 lexemas que serão apresentados no próximo capítulo: Resultados de nossas pesquisas.

2.4 PESQUISA 2: ANÁLISE DOS DICIONÁRIOS TIPO 2

Esta pesquisa de campo teve como principal objetivo analisar aspectos da constituição estrutural dos dicionários do tipo 2, no que diz respeito à funcionalidade para os seus usuários. Os aspectos levantados são aqueles que julgamos que podem ser melhorados nessas obras, como o tamanho da letra utilizada em algumas delas, por exemplo. Nossa intenção, ao abordarmos esses aspectos, foi levantar algumas dificuldades enfrentadas pelos usuários no momento da consulta a esses dicionários e, a partir disso, propor um DTI mais adequado ao nível de aprendizado dos alunos.

Para a realização desta pesquisa, quatro perguntas nortearam nossa proposta:

1) Há, nos dicionários do tipo 2, palavras que não deveriam constar na nomenclatura dessas obras por não fazerem parte do universo infantil?

2) Qual o tamanho da fonte adequada para esse público?

3) Os consulentes, ou seja, alunos em fase de consolidação do domínio da escrita, entendem o significado das diversas abreviaturas utilizadas nessas obras?

4) Da maneira como foram apresentadas algumas definições, elas realmente auxiliam o consulente na construção do significado?

Imbuídos desses questionamentos, entrevistamos, no segundo semestre de 2011, um grupo de 62 alunos que cursavam o quarto e quinto anos do ensino Fundamental de uma escola estadual da cidade de Uberlândia, escolhida aleatoriamente.

Elaboramos um modelo de pesquisa para levantamento de dados que consta no anexo 4 desse trabalho e, para organizá-la, procedemos da seguinte maneira:

Para responder nosso primeiro questionamento, ou seja, “há, nos dicionários do tipo 2, lexemas que não deveriam constar na nomenclatura dessas obras por não fazerem parte do universo infantil?”, elaboramos uma lista que continha trinta e seis lexemas. Nela registramos não só aquelas que julgamos inadequadas ao nível de escolaridade do consulente, mas também aquelas que acreditamos fazerem parte do vocabulário desses alunos. Em um dicionário especialmente desenvolvido para crianças, chamou-nos à atenção o registro dos itens lexicais lexicografia e lexicólogo, por exemplo, dada a especificidade dessas palavras.

Já na elaboração do exercício no 2, abordamos o tamanho da fonte empregada nas obras que compõem o nosso corpus. A maioria desses dicionários são confeccionados com letras pequenas e, como já atuamos no ensino Fundamental, cremos que isso possa significar uma dificuldade para os alunos no momento da consulta. Nossa intenção era, com base nessa pesquisa, verificar a opinião dos alunos e ratificar ou não a nossa dúvida.

Os exercícios 3 e 4 abordam as abreviaturas presentes nessas obras lexicográficas e que fazem referência, geralmente, à categoria gramatical dos lexemas, ortoépia, pronúncia, marcas de uso etc. Nosso objetivo era verificar se os alunos conseguiam reconhecê-las, ou se elas também poderiam representar-lhes dificuldades.

E, por fim, os exercícios 5 ao 16 levantam aspectos relacionados a algumas definições que encontramos nessas obras e que julgamos serem inadequadas por acreditarmos não auxiliarem o consulente na construção do significado. Elaboramos nossa definição que foi colocada junto ao grupo de outras três (cada uma retirada de um dicionário) e, por meio de

adivinhações, elaboramos os exercícios solicitando aos alunos que tentassem, com base na leitura, descobrir o que estava sendo definido e quais foram as definições que os ajudaram a construir os conceitos.

Como afirmamos anteriormente, com base nas análise dos dicionários do tipo 2 e nas pesquisas de campo realizadas, elaboramos e redigimos nossa proposta de DTI. O projeto lexicográfico de nossa proposta ora se valeu das análises das obras que compuseram nosso corpus e ora dos resultados obtidos em nossas pesquisas de campo.

Para selecionarmos quais seriam os textos iniciais, a disposição que seria apresentada em nossa proposta e as informações neles presentes, fizemos uso das análises dos textos iniciais dos dicionários do tipo 2.

A pesquisa de campo 1, como afirmamos, auxiliou-nos na seleção dos campos temáticos que compuseram nossa proposta de DTI e, consequentemente, no tamanho da nomenclatura selecionada, pois foi com base nesses campos que selecionamos as unidades léxicas.

Tanto a análise das obras que compuseram nosso corpus, quanto a pesquisa 2, que versava sobre aspectos estruturais e sobre a funcionalidade dos dicionários do tipo 2, auxiliaram-nos na seleção das informações que deveriam estar presentes na microestrutura de nossa proposta de DTI.

Em relação ao modelo de definição adotado em nossa proposta, baseamos-nos em Biderman (1993) e nos restringimos à definição do nome. As demais categorias de palavras não foram pormenorizadas por não fazerem parte de nossa proposta inicial de DTI.

Consideramos dois tipos de substantivos: os concretos e os abstratos e uma classificação dividida em seis tipos, a saber: sinonímica, metonímica, hiperonímica, enumerativa, aproximativa, antonímica. Nas próximas páginas, exporemos a análise contrastiva dos dicionários do tipo 2 que realizamos.

Benzer Belgeler