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2.3. DÜNYA’DA MEDİKAL TURİZMİN GELİŞİMİ

2.3.2. Medikal Turizmde Güncel Gelişmeler

Buscaremos neste último tópico abordar brevemente algumas das consequências das políticas adotadas pelo governo Sarney no que diz respeito ao salário, ao emprego e à renda, a partir do exame dos indicadores sociais do período. Como se sabe, os grupos sociais dominantes são capazes de proteger seus rendimentos e, como vimos, com a ajuda do governo, eles estiveram sempre garantidos.

Já a parcela mais pobre da população tem menos meios – e, em geral, menos efetivos – de proteger seus rendimentos. A inflação tem sempre como consequência primeira diminuir o rendimento real dos trabalhadores e transferir esse diferencial para as mãos dos capitalistas. Como já foi dito, o ano do Plano Cruzado foi de crescimento da economia e queda das taxas de inflação, o que se refletiu diretamente nas taxas de desemprego e nos salários.

227 TAVARES, Maria da Conceição. Inflação – os limites do liberalismo. In: REGO, José Márcio (Org.). Inflação e hiperinflação: interpretações e retórica. São Paulo: Bienal, 1990, p.134-135.

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Gráfico 10 - Taxa de Desemprego (%) (Média das áreas metropolitanas do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife).228

Gráfico 11 - Salário Mínimo Real (em R$).229

Nos Gráficos 10 e 11 vê-se que o ano de 1986 é realmente um momento melhor para os trabalhadores, quando há uma ligeira melhora nas taxas de desemprego e no salário mínimo real. Porém, os anos seguintes demonstram uma deterioração acentuada, principalmente no salário.

Entretanto a suposta neutralidade distributiva pretendida pelos programas de estabilização não se sustenta, quando se verifica a forma arbitrária implícita na preservação de determinado quadro distributivo. Um exemplo disso é a escolha do período para base de cálculo do salário médio compatível com a neutralidade, constituindo-se no salário real de equilíbrio da economia. Na verdade, apenas um grande acordo nacional sobre preços e salários entre os agentes econômicos — um pacto social — é que possibilitaria a determinação de uma neutralidade

228 Fonte: A economia brasileira e suas perspectivas, XXX, Rio de Janeiro: APEC, 1991, p. D-1. 229 Fonte: IPEADATA – Base de dados macroeconômicos.

5,42 6,97 4,00 5,63 4,80 3,15 2,16 2,86 4,28 3,35 3,93 0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00 8,00 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 300,00 350,00 400,00 450,00 500,00 550,00 600,00 650,00 700,00 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991

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distributiva aceitável e duradoura. Do contrário, uma das partes envolvidas será provavelmente lesada na sua participação na renda. E, nos programas de estabilização até agora implantados, são os salários que amargam as perdas contidas numa arbitragem média.

Nesse sentido, o Plano Verão mostrou-se ainda mais "perverso" do que os anteriores, em especial o Plano Bresser, pois o salário médio real que ele buscou preservar — o de 1988 — foi o mais baixo dos últimos três anos, em virtude da defasagem entre o indexador salarial e as taxas mensais de inflação. Já os preços, devido ao "vazamento" de informações a respeito do provável congelamento e/ou à expectativa da incorporação da Unidade de Referência de Preços (URP) de fevereiro aos salários, haviam sido reajustados para níveis elevados. Assim sendo, o conflito distributivo não só deixou de ser amenizado na economia, como ainda provocou e sancionou uma posição mais desfavorável dos trabalhadores na repartição da renda nacional. A consequência óbvia desse estado de coisas, na medida em que os trabalhadores conseguissem reajustes salariais acima da média de 1988, seria, como de fato foi, um fator realimentador do processo inflacionário.230

Segundo Campos, vê-se que os planos de estabilização pós-Cruzado tiveram uma tendência distributiva que não pendia para o lado dos trabalhadores. Do ponto de vista da renda total, vê-se nos Gráficos 12 e 13, que a renda total, a partir de 1986, cai para os 50% mais pobres na mesma proporção que cresce para os 1% mais ricos.

Gráfico 12 - Percentual da Renda Total.231

230 CAMPOS, Silvia Horst. Salários e política salarial no final dos anos 80: uma discussão. Indicadores Econômicos FEE. v. 17, n. 4, 1990.

231 Fonte: IPEADATA – Base de dados macroeconômicos. (PNAD-IBGE). 0,00 10,00 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1% mais rico 10% mais ricos 50% mais pobres 20% mais pobres

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Gráfico 13 - Percentual da Renda Total.232

Gráfico 14 - Coeficiente Gini.233

Como se sabe, o Coeficiente Gini mede a concentração da renda, da propriedade fundiária e da oligopolização da indústria. Quanto mais o índice se aproxima de 1,0, mais concentrados são esses elementos. Vê-se como, a partir de 1986, o índice cresce sensivelmente, chegando, em 1989, a 0,636. Na Argentina, uma país periférico como o

232 Fonte: IPEADATA – Base de dados macroeconômicos. (PNAD-IBGE). 233 Fonte: IPEADATA – Base de dados macroeconômicos. (PNAD-IBGE).

0,00 2,00 4,00 6,00 8,00 10,00 12,00 14,00 16,00 18,00 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1% mais rico 50% mais pobres

0,580 0,590 0,600 0,610 0,620 0,630 0,640 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991

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Brasil, que também passava pela crise da dívida e avanço neoliberal, também tendo acabado de sair da ditadura militar, o Coeficiente Gini, em 1988, era de 0,450.234

A única conclusão a que se pode chegar ao observar-se esses dados é a de que a política econômica do governo Sarney esteve orientada, assim como a de seus antecessores, para reduzir o poder de compra dos salários e acentuar o nível de concentração de renda vigente no país. Ou seja, os mais pobres que pagassem a conta.

Vejamos as conclusões que Lacerda chegou acerca da distribuição de renda nos anos 1980 no Brasil.

a. O primeiro ponto é que o processo de concentração cerificado nos anos 80 nos mostra que o processo inflacionário brasileiro, agravado com as sucessivas intervenções na política de estabilização, acabou transformando-se num processo de transferência de renda, que tendeu a privilegiar os mais ricos, em detrimento dos mais pobres.

O fenômeno inflacionário brasileiro acaba intensificando o processo de concentração de renda, à medida que os processos formais ou informais de indexação fortemente presentes na economia e os elevados juros reais, mesmo em aplicações de curtíssimo prazo, tendem a favorecer os detentores de capital, que obtêm vantagens com a receita inflacionária e financiando a dívida do governo, através de aplicações financeiras lastreadas em títulos públicos.

Do outro lado, o processo inflacionário é cruel com a população mais pobre, que tem seu rendimento real reduzido e, devido à falta de acesso, ou mesmo de conhecimento, tem menos mecanismos de defesa relativamente à população mais rica e esclarecida.

b. o segundo ponto é que o grau de concentração de renda observado na sociedade brasileira, aliado à baixíssima participação dos salários na renda nacional, é um fator limitador de expansão do mercado interno e da própria estabilização da economia.

A limitação da expansão do mercado se faz sentir principalmente no mercado de bens de consumo duráveis, que tende à estagnação, já que a parcela da população cuja renda permite o acesso a esse mercado é extremamente restrita.

Esse fenômeno é claramente observado na demanda por bens duráveis, que se estagnou ou mesmo declinou nos anos 80. A demanda interna de automóveis, por exemplo, permaneceu constante no patamar médio de 750.000 veículos por ano, revelando que, embora a população tenha aumentado substancialmente no período, a parcela dos que possuem renda para ter acesso a esse bem permaneceu constante.

c. no tocante às políticas de ajustamento, a concentração de renda tende a anular ou pelo menos diminuir a eficácia das políticas de estabilização, principalmente das ortodoxas, já que a parcela da população que concentra a maior parte da renda tende a ficar mais imune ao ajuste, ao contrário do que ocorre com a imensa maioria mais

234 BAER, Werner; MALONEY, William. Neoliberalismo e distribuição de renda na América Latina. Revista de Economia Política, v.17, n.3 (67), jul.-set. 1997, p.44.

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pobre, penalizada com a queda do salário real, com o desemprego e com a deficiência dos serviços públicos.235

Creio que as conclusões de Lacerda resumem bem o impacto das políticas econômicas do governo Sarney para a população mais pobre. Obviamente, o governo da chamada Nova República não criou nada novo, apenas manteve intacto o modelo de socialização dos prejuízos e privatização dos lucros, onde os trabalhadores e os pobres são sempre os principais afetados. Certamente, quando os militares entregaram o poder a Sarney, em 1985, imaginaram que o país estaria em boas mãos. A década de 1980 terminou com as classes dominantes agradecendo Sarney pelos seus mais brilhantes préstimos.

235 LACERDA, Antônio Corrêa. Distribuição de renda no Brasil nos anos 80. Revista de Economia Política.

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Conclusão

As relações capitalistas levaram o Brasil à famigerada opção pela “poupança externa”. Ela predominou na economia brasileira a partir do Golpe de 1964, com a desculpa de que o Brasil pertence à civilização ocidental e, portanto, não pode fazer reparos à mesma. Essa teoria satisfazia (ou satisfaz) àqueles que já são ricos, proprietários com seus bens em expansão. No seu entendimento, não haveria e nem há razão para o Brasil de portar como um país isolado, que expressasse essa condição num poder nacional. Caso o Brasil fosse ou pretendesse ser uma nação, ele deveria, no estilo Vargas, gerar um poder nacional que produzisse seus objetivos de operação permanentes e suas macroestratégias, a partir dos recursos domésticos, calibrando suas forças para o desenvolvimento interno econômico e social. Sem deixar de colaborar com outras nações, colocaria em primeiro plano o bem-estar de sua gente e o fortalecimento dos costumes e instituições nacionais.

Contudo, tal não foi nem é o objetivo das chamadas classes dominantes. Para essas, o Brasil é só um lugar no mundo onde se vem buscar riquezas, as quais são levadas para outros lugares mais interessantes, possivelmente Nova Iorque, Londres ou Paris. Desse ponto de vista, não há porque desenvolver um poder nacional. O mesmo só atrapalharia levar as riquezas para o exterior. Daí a lógica da poupança externa.

Países como Estados Unidos, Suécia, Alemanha, se desenvolveram a seu tempo lançando mão de vastos recursos de poupança externa. Tais recursos eram intercambiados entre entes privados, e os tomadores do empréstimo garantiam seus credores com seus patrimônios pessoais e familiares. Havia assim, uma esfera de responsabilidade jurídica e moral.

No caso da Ditadura brasileira, a tomada de empréstimos no exterior foi sempre vista como parte do mecanismo que Furtado chamou “socialização dos prejuízos”. Empresas privadas fizeram suas dívidas e depois as transferiram em moeda estrangeira para o erário público. Empresas públicas foram obrigadas a tomar empréstimos para cobrir as necessidades em divisas de setores privados ou do governo. No seu devido momento, a dívida externa quase toda ela foi tornada pública. Com isso, o menino que joga bola no terreno baldio da esquina, assumiu sem saber um compromisso internacional de pagar uma dívida pela vida toda, em moeda estrangeira.

É desnecessário qualificar as pessoas que tomaram tais decisões e com o nome de “política” as vem pondo em prática nos últimos 40 anos. Assim, o governo Sarney é

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apenas a ponta de uma seta que foi enviada ao coração daqueles condenados a serem brasileiros.

É possível, ao descrever com as palavras rudes precedentes a macroestratégia que a Ditadura adotou, verificar-se a pequenez do que tem sido a política econômica do Brasil. Os ricos com os benefícios de uma dívida colossal (externa e interna) e os pobres com a perspectiva de pagá-la a prestações. Esse foi o problema central de todas as administrações brasileiras das décadas de 1980 e 1990 e, obviamente, o fato explicador da posse de Sarney e do seu governo como um todo. Nas páginas precedentes fizeram-se umas elucubrações sobre seu comportamento, governo que disfarçou de nacionais os seus objetivos inconfessáveis.

É espantoso que o povo brasileiro haja sobrevivido a semelhantes falcatruas à custo somente de tornar-se mais violento e brutal, como indica a chamada “guerra civil oculta”. Certamente, em sua despolitização aperfeiçoada durante a Ditadura, o brasileiro passou a ver no seu colega de ponto de ônibus o inimigo fundamental a que se deve agredir e abater. É um trágico ensinamento de que a política econômica não é só econômica e nem só política, mas grava em brasa no coração de suas vítimas as inscrições fabricadas pelo ódio de classe.

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Benzer Belgeler