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BÖLÜM 3: ENTELEKTÜEL LİDER PROFİLİ OLARAK ALİYA

3.4 Veri Toplama ve Analizi

3.4.6. Medeni Cesarete Sahip Olmak

Outro aspecto marcante no panorama cultural paulistano durante a década de 1950 foi a construção do território das Galerias Comerciais no Centro Novo.13 O espaço

compreendido entre as praças Ramos, República, Dom José Gaspar e Largo Paissandu coni gurara-se como um ponto de grande representatividade da burguesia paulistana, concentrando lojas de grifes importadas, bares, livrarias e cafés, onde já se encontravam instalados importantes pontos de referência do itinerário cultural da cidade como o MASP e o MAM, a Biblioteca Pública e o Teatro Municipal.14 O procedimento de

ocupação do interior dos lotes para a construção de novas passagens de acesso, desdo- brando a sua superfície de aproveitamento para incorporação de novas lojas, já se fazia presente como projeto no imaginário paulistano desde as célebres gravuras de Jules Martin (1832-1906), que inspiradas nas grandes galerias de Milão, Nápoles e Bruxelas, propunham a sua aplicação entre as ruas do centro velho já no i nal do século XIX.15 O

já citado edifício Esther é um exemplo representativo de uma operação análoga, reali- zada ainda em 1935: a criação de uma nova rua (Gabos Mendes), que multiplica as fa- chadas do edifício, e conseqüentemente, suas vitrines. Dois anos antes da construção do Esther, abria-se uma das primeiras galerias comerciais do Centro Novo, através de uma reforma que uniu o pavimento térreo de duas construções pertencentes à Cia. Agrícola

13 O termo “território” foi aqui empregado para designar uma área especíi ca do Centro Novo, situada em torno das praças Ramos, República, Dom José Gaspar e Largo Paissandu, onde as galerias comerciais constituem ao nosso ver o evento urbanístico mais característico.

14 Para o estudo das Galerias Comerciais no Centro Novo consultamos: ALEIXO, Cyntia Augusta Poleto. Edifícios e Galerias Comerciais. Arquitetura e Comércio na cidade de São Paulo, anos 50 e 60. 2005, Dissertação de mestrado – Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo, São Carlos.

15 IDEM. p. 74. acima:

Planta das galerias do Centro Novo em São Paulo, 2008. desenho realizado com base em fontes diversas

Guatapará (1933)16 e possibilitou uma passagem entre as ruas Barão de Itapetininga e

24 de Maio. Esta nova operação, empreendida por motivações estritamente comerciais, acabou por se mostrar extremamente proveitosa, tendo sido então ali empregada su- cessivamente por diversos empreendedores durante as décadas de 50 e 60. O conjunto urbanístico resultante daquela somatória de empreendimentos oferece um traçado alternativo pelo qual se pode caminhar, transpondo o interior das quadras do Centro Novo em uma trama independente do seu sistema viário. Os espaços comerciais que abrigam o passeio pelo interior dos edifícios confundem-se com as praças e as calçadas do logradouro público, multiplicando as suas possibilidades de apropriação.

A incorporação destas novas passagens no interior da trama urbana do Centro Novo teve de vencer os limites impostos pela divisão fundiária daqueles quarteirões. Muitas delas tiveram de utilizar o pavimento térreo de edifícios vizinhos já construídos, estipulando novas conexões através das divisas de fundo dos lotes. Este foi o procedi- mento empregado no projeto da Galeria Ipê (1949-51), de Plínio Croce. Ali o desenho da passagem acomoda, através de uma suave curvatura, a orientação distinta dos ali- nhamentos do edifício novo com relação ao existente. No projeto da Ipê, assim como nas demais galerias então implantadas, há uma sobreposição de funções. Enquanto os pavimentos térreos desdobram-se para acomodar o encaminhamento dos percursos existentes na implantação das lojas e dos acessos às prumadas verticais de circulação, os demais andares abrigam programas privativos de escritórios e, de forma menos freqüente, habitações. Alguns dos projetos implantados a partir dos anos 50 ensaiariam maneiras diversas de resolver esta sobreposição funcional: em 1951 Oscar Niemeyer realiza o projeto da Galeria Califórnia,17 através do remembramento de um conjunto

de lotes situados entre as ruas Barão de Itapetininga e Dom José de Barros. O equacio-

16 IBIDEM. p. 172

17 Os projetos realizados por Niemeyer em São Paulo foram desenvolvidos no escritório de Carlos Lemos, arquiteto então recém formado no Mackenzie, colega mais novo da turma de Salvador Candia. (LEMOS: 2005. p. 145)

esquerda acima:

Galeria Ipê, São Paulo.Maquete.Plínio Croce, 1949. fonte: Acayaba (1994. p. 44)

esquerda abaixo:

Galeria Ipê, São Paulo. Planta do pavimento térreo.

Em cinza está marcado o lote vizinho, pertencente ao Instituto de Previdência do Estado de São Paulo.

O desenho foi realizado com base em: Aleixo (2005. p. 181) à direita:

Galeria Califórnia, São Paulo. Oscar Niemeyer, 1951. desenhos elaborado com base na planta de prefeitura e nas informações disponíveis em: Aleixo (2005. p. 195)

de cima para baixo:

1. Planta do pavimento térreo 2. Planta do pavimento superior 3. Corte transversal

rua d. josé de barros ru a b ar ão d e i ta p e tin in g a ru a b ar ão d e i ta p e tin in g a

rua d. josé de barros

namento do programa levou à criação de um embasamento em toda a extensão do lote para abrigar a galeria no pavimento térreo, e o cinema no subsolo. Para acomodar o vo- lumoso conjunto de escritórios em uma área exígua de geometria irregular, com pouca superfície de contato com as ruas, optou-se pela criação de um grande pátio elevado no miolo da quadra, sobre o qual foi pintado o painel-jardim de Di Cavalcanti (1897-1976), como um inusitado mural para ser visto de cima.18 Naquele mesmo ano, Niemeyer ini-

cia o projeto do Edifício Copan, que realiza a sobreposição entre apartamentos e galeria comercial de maneira claramente diferenciada em sua resolução formal, estabelecendo um novo modelo e uma nova escala a serem incorporados posteriormente por outros empreendimentos, conforme veremos adiante.

Dentre as galerias que seriam ainda implantadas no Centro Novo durante as décadas de 50 e 60, destacam-se os diversos edifícios empreendidos pela construtora Alfredo Mathias S.A., realizados em associação com o escritório de arquitetura Sif redi e Bardelli (em conjunto com outros empreendedores diversos). O grupo foi respon- sável pela construção de notáveis conjuntos comerciais associados aos programas de escritórios como a Galeria 7 de Abril (1959), Centro Comercial Presidente (1962), e Grandes Galerias (1962), incluindo por vezes também o programa habitacional, como na Galeria Nova Barão (1962).

O projeto da Galeria Metrópole, implantado na praça Dom José Gaspar entre 1959 e 1964 por Salvador Candia e Giancarlo Gasperini, insere-se portanto num momento em que o território das Galerias Comerciais já se encontrava idealmente constituído. Este novo edifício se implantaria então de forma coerente com aquele conjunto urbano peculiar, dando-lhe continuidade e contribuindo de forma determinante para a sua consolidação. Salvador Candia iria ainda empregar em vários de seus projetos posterio- res o uso das galerias comerciais como forma de interlocução entre o edifício e o “chão” da cidade, promovendo a continuidade do passeio público pelo seu interior.

GALERIAS DO CENTRO NOVO

PLANTA DO PAVIMENTO TÉRREO 1. EDIFÍCIO COPAN

2. CONDOMÍNIO ZARVOS/ AMBASSADOR 3. EDIFÍCIO LOUVRE 4. EDIFÍCIO ITÁLIA 5. EDIFÍCIO METRÓPOLE 6. EDIFÍCIO ESTHER 7. GALERIA IPÊ 8. GALERIA 7 DE ABRIL 9. GALERIA DAS ARTES 10. GALERIA NOVA BARÃO 11. GALERIA LOUZÃ 12. GALERIA CALIFÓRNIA 13. GALERIA ITAPETININGA 14. GALERIA R. MONTEIRO/ ITÁ 15. GALERIA GUATAPARÁ 16. CONJUNTO PRESIDENTE

N

av.Ip iranga av .S ã o Lu iz

pça. Dom José Gaspar

r. Consolação r. Ba rão de Itap etinin ga 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16