4.6. Film Analizleri
4.6.6. Masumiyet
O município de Florianópolis possuía população de 350.000 hab e a coleta seletiva era operada pela Companhia de Melhoramentos da Capital-COMCAP.
O sistema de coleta regular de resíduos sólidos domiciliares operava com 350 a 400t/dia, sendo com freqüência diária nas zonas comerciais e alternada em bairros periféricos.
Durante o verão, devido ao grande fluxo de turistas, o sistema sofria algumas adequações.
Modalidade de coleta seletiva implantada –
Em 2002, o município de Florianópolis operava, exclusivamente, com a modalidade de coleta seletiva porta a porta.
A Coleta Seletiva Porta a Porta, por sua vez, foi iniciada em 1994, na área central do município, tendo crescido gradativamente para os bairros do entorno, alcançando, em 2002, 100% da área do município.
A coleta seletiva no município foi implantada em 1986, por meio de postos de entrega voluntária-PEVs, os quais foram, posteriormente, desativados devido à ocorrência de ações de vandalismo. Existiam planos para sua reativação, com um novo modelo de recipiente coletor.
Operação do programa de coleta seletiva
O gerenciamento da operação da coleta seletiva estava centralizado na gerência responsável por todas as atividades de coleta e transporte da COMCAP, sendo que o pessoal envolvido na atividade era funcionário dessa empresa.
A coleta seletiva porta a porta operava em dias e horários diferenciados, em relação à coleta regular e acreditava-se que esta estratégia contribuía para menor presença de matéria orgânica e outros rejeitos no material reciclável coletado. A programação visual diferenciada dos veículos e a realização da coleta seletiva em períodos diurnos também contribuíam favoravelmente para esse mesmo propósito.
Adotavam como critério que o percentual de rejeitos pós-triagem do material reciclável, obtido na coleta seletiva porta a porta, deveria ser da ordem de 10 a 15%. Resíduos sólidos coletados seletivamente com percentuais de rejeito acima de 30% não poderiam ser considerados como oriundos de coleta seletiva.
Para manter este padrão, a equipe técnica responsável pela coleta seletiva de Florianópolis, adotava a estratégia de não coletar resíduos sólidos que não estivessem adequadamente separados no dia especificado para coleta.
A partir do acionamento ou reclamação pelo cidadão, via linha telefônica específica, quanto à não realização da coleta dos resíduos sólidos, novo esclarecimento e orientação sobre a forma adequada de separação dos resíduos sólidos para apresentação à coleta seletiva era realizado.
Eram utilizados caminhões tipo baú (figura 18) e coletores compactadores (figura 19) para realizar a coleta seletiva porta a porta.
Figura 19 - Operação da Coleta Seletiva, Florianópolis, 2002.
A maior facilidade e capacidade de carga e conseqüente redução do esforço físico do coletor, bem como o fato da descarga ser automatizada, eram vantagens na utilização do caminhão coletor compactador. Como desvantagem, havia o fato de, algumas vezes, os materiais perfuro-cortantantes, como vidros quebrados, aderirem a outros materiais recicláveis, como o papelão, gerando dificuldades e acidentes na operação de triagem.
A guarnição de coleta, a qual foi possível contatar, apresentava-se motivada e consciente quanto à importância do seu trabalho.
O pessoal trabalhava uniformizado e com EPI´s, sendo o uniforme da guarnição da coleta seletiva diferenciado (figura 20).
Figura 20 - Operação da Coleta Seletiva, Florianópolis, 2002.
Todo material reciclável coletado pela coleta seletiva porta a porta era levado ao Centro de Transferência de Resíduos Sólidos-CETRE para pesagem e posterior encaminhamento à triagem e beneficiamento. No CETRE também funcionava a unidade de transbordo que atende aos serviços de coleta regular de resíduos sólidos urbanos que, segundo a COMCAP, coletava principalmente a parcela dos resíduos sólidos orgânicos.
A partir de parcerias firmadas com associações de recicladores, a COMCAP estava repassando todo material reciclável coletado pela coleta seletiva porta a porta para os catadores organizados.
Na oportunidade, visitou-se a Associação de Recicladores Esperança-ARESP, formada, basicamente, por moradores do assentamento da prefeitura conhecido como Chico Mendes, que possuía 34 associados e utilizava espaço e equipamentos cedidos pela COMCAP, dentro do próprio CETRE, para realizar a triagem, beneficiamento e comercialização dos materiais recicláveis.
A ação desenvolvida para a região do centro, onde existia muito comércio e a presença de catadores, era diferenciada. Com apoio da prefeitura local, foi organizada, em 1999, uma entidade conhecida como papeleiros, que trabalha com a coleta e comercialização de papel e papelão na região central da cidade.
A produção dos papeleiros era comercializada diretamente com o aparista, sendo que a COMCAP monitorava os preços praticados para garantir melhor renda a esses trabalhadores. O comprador instalava contêineres metálicos para o acondicionamento do papelão, após a triagem, no próprio local de trabalho dos catadores que, no momento da visita, estavam instalados embaixo de um viaduto (figura 21 e 22).
A prefeitura viabilizou, ainda, uma creche para os filhos dos catadores da Organização dos Papeleiros, que funcionava em horário compatível com a atividade que realizam, e não permitia a presença de crianças na catação dos resíduos sólidos recicláveis. Cada catador trazia o material coletado, que era pesado, e recebia individualmente, segundo a sua produção.
A equipe da COMCAP atribuía à criação da organização dos papeleiros a solução do conflito existente entre catadores e sucateiros (atravessadores), tendo como
conseqüência a melhoria dos preços da comercialização de materiais recicláveis. Dessa forma os catadores continuavam ocupando seu espaço nas ruas do centro de Florianópolis, evitando a migração de outros catadores para o local.
Figura 21 - Vista do depósito de recicláveis dos papeleiros, Florianópolis, 2002.
Aspectos da participação social no programa de coleta seletiva
De acordo com informações coletadas, na implantação do programa de coleta seletiva (1994) foi realizada uma grande campanha de mobilização de massa, não sendo possível, na época, realizar abordagens individuais às residências e condomínios.
Os técnicos da COMCAP acreditavam que a abordagem individual teria sido a estratégia ideal de atuação para sensibilizar a população para a participação na coleta seletiva de resíduos.
Como forma permanente de divulgação, as guarnições de coleta dispunham de folhetos com informações sobre a coleta seletiva nas cabines dos caminhões para distribuirem aos munícipes interessados.
Não havia dados levantados sobre a participação da população, mas estimava-se que a recuperação, através da coleta seletiva, chegasse a cerca de 6% dos resíduos sólidos urbanos que seriam destinados à coleta regular do sistema municipal de limpeza pública.
De acordo com o pessoal da COMCAP, a produção da coleta seletiva vinha caindo gradativamente nos últimos dois anos, necessitando de investimento em ações de sensibilização junto aos condomínios, devido às constantes ocorrências de irregularidades quanto à separação e apresentação dos resíduos sólidos para a coleta seletiva.
A entidade responsável pela triagem e beneficiamento dos materiais recicláveis, Associação de Recicladores Esperança-ARESP, contava com o apoio do Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina para a capacitação do pessoal envolvido no trabalho.
No CETRE funcionava, também, um Centro de Educação Ambiental que recebia visitas de escolas e outros interessados.
Aspectos de custos e produção do programa de coleta seletiva
Na operação do programa de coleta seletiva, contavam com servidores efetivos da COMCAP que trabalhavam num regime de 40 horas semanais.
A coleta era realizada, semanalmente, por 4 caminhões do tipo baú, com capacidade de 20 m3, e 1 coletor compactador, com capacidade de 12 m3 , que operavam com 2 a 3 ajudantes, conforme o bairro e o veículo.
Os veículos coletores compactadores, com capacidade de 12 m3, operavam com compactação máxima de 2 para 1.
Os técnicos da Prefeitura Municipal de Florianópolis informaram que o peso médio da carga de materiais inorgânicos (resíduos sólidos secos) coletados seletivamente era de 1800 a 2000 kg, para os dois tipos de veículos utilizados. Valores superiores a 2500 kg/viagem indicariam presença elevada de resíduos sólidos orgânicos junto ao material reciclável.
A associação de papeleiros contava, na ocasião da visita, com 80 associados, sendo 40 fixos e 40 itinerantes, os quais coletavam cerca de 157/toneladas/mês, alferindo renda média entre R$ 500 e R$ 600,00. No entanto, durante a visita técnica não foi possível obter os custos do programa de coleta seletiva de Florianópolis.
Avaliação do programa de coleta seletiva implantado em Florianópolis
Em 2002, os maiores desafios verificados no programa de coleta seletiva de Florianópolis eram: implementação de ações sistemáticas de sensibilização e mobilização da população e registro e análise de informações sobre seu desempenho. Durante a visita, constatou-se que, após o lançamento ocorrido em 1994, não havia sido realizada nova campanha de divulgação do programa por meio de veículos de comunicação de massa para e informação sobre a coleta seletiva. No entanto, possuíam folhetos explicativos sobre o assunto para distribuição aos interessados (anexo 7).
As deficiências de registro e análise de dados eram reflexos da inexistência de equipe específica para gerenciar a coleta seletiva. Os técnicos, contatados na COMCAP, acreditavam que seria mais adequada a criação de uma gerência para operar, exclusivamente, a coleta seletiva. Esta gerência deveria contar com efetivo mínimo de: 1 gerente operacional, 1 fiscal de coleta e 2 educadores ambientais para realizar o trabalho de informação aos usuários e atendimento às demandas, principlamente, de condomínios.