2.5 Marka Ġle Ġlgili Kavramlar
2.5.1 Marka Değeri
As soluções tentadas por Chagnon e Kanazawa de tentar explicar variações culturais estavam fadadas ao fracasso por tentarem utilizar de universais psicológicos para explicar fatores específicos. Tal tentativa de solução através de universais psicológicos não resolve e nem podeira resolver o problema proposto, uma vez que apenas inverte o problema. E não poderia ser diferente.
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“cultures have more relaxed attitudes about sexuality, including extramarital sex, than does the American culture,” (Buunk, Bram P., Alois Angleitner, Viktor Oubaid, and David M. Buss. 1996. p. 359–363. apud BULLER, 2009).
Ao explicarem certos fenômenos, partem de teorias puramente sóciobiológicas e proclamam orgulhosos o papel importante da biologia agindo nos bastidores rindo das declarações públicas. Se tiverem dificuldades, recorrem à consciência como estratagema ad hoc, e proclamam orgulhosos que não são deterministas biológicos. Mas o que muitos críticos da sociobiologia como Kitcher, Buller e, Richardson têm feito, como procurei mostrar, que teorias alternativas baseadas na nossa psicologia de senso comum são igualmente possíveis, sem recorrer aos jogos de genes hipotéticos. Se a sociobiologia tem de recorrer às crenças conscientes para explicar o desvio nas tendências inatas, não seria muito prudente assumir, ainda que pragmaticamente, que haja situações onde não haja influências ambientais e conscientes, ou que tais influências sejam poucas, situações essas onde a natureza humana se mostraria tal como é. Se conseguirmos explicações que evoquem menos tipos de variáveis, e com o mesmo poder explicativo, melhor; e teorias puramente biológicas não são capazes de explicar por si só a variedade de formas culturais que encontramos na realidade, tendo de recorrer à variáveis não-biológicas. Mas o contrário não é igualmente válido. Teorias que recorrem à fatores não-biológicos não necessariamente têm de recorrer à fatores biológicos, estando assim em vantagem na medida em que consiga explicar o mesmo evento. A sociobiologia não gera teorias com maior poder de predição do que as teorias baseadas em folk psychology. Assim, podemos concluir que tanto os aspectos inatos quanto sua provável explicação darwiniana neste tipo de explicação são vãos, ou como afirmou Lewontin, são idles darwinizations, ou como disse ainda Stuart Mill em seu Princípios da Economia Política “De todas as maneiras vulgares de furtar-se à consideração do efeito de influências sociais e morais sobre o espírito humano a mais vulgar é atribuir as diversidades de conduta e de caráter a diferenças naturais intrínsecas”
3.6. 6ª via: Imposição de Limites à variação sócio-cultural
Um outro programa sociobiológico versa sobre o estabelecimento de limites para a variação cultural. Enquanto o sociobiólogo Richard Alexander via a imposição de limites como empreendimento vão, ou mais do que isto, como armadilha intelectual (KITCHER, 1987, p.282), Wilson acreditava em sua possibilidade, e começa a focar a partir do início da década de 1980 na idéia de que “genes seguram a cultura numa correia”, posta anteriormente, mas até então pouco desenvolvida. Neste programa, a Sociobiologia teria admitido que certas críticas faziam sentido, principalmente a da falta do elemento “cultura” e tentou dar-lhes
resposta. Não há controle genético direto do comportamento, mas também a cultura não poderia variar indefinidamente. Wilson desenvolveu melhor o argumento junto ao matemático Lumsden em Genes, Mind and Culture e em Promethean Fire tentando estabelecer equações matemáticas para tentar identificar como genes e cultura coevoluíram86. Seria o caso das “regras epigenéticas”, isto é, como genes e ambiente interagem para formar o fenótipo. Isto, segundo Wilson, seria “the central problem of the social sciences and humanities” (WILSON, 1998, p. 126):
Culture is created by the communal mind, and each mind in turn is the product of the genetically structured human brain. Genes and culture are therefore inseverably linked. But the linkage is flexible, to a degree still mostly unmeasured. The linkage is also tortuous: Genes prescribe epigenetic rules, which are the neural pathways and regularities in cognitive development by which the individual mind assembles itself. The mind grows from birth to death by absorbing parts of the existing culture available to it, with selections guided through epigenetic rules inherited by the individual brain. (WILSON, 1998, p. 127).
E se relaciona com a cultura segundo o chamado “princípio da correia” (leash principle):
“The epigenetic rules will...tend to channel cognitive development toward certain culturgenes as opposed to others. We refer to this relation informally as the ‘leash principle’ in order to make it metaphorically more vivid: genetic natural selection operates in such a way to keep cultures on a leash.” (LUMSDEN e WILSON, 1981, p. 13. apud SEGERSTRÅLE, 2000, p. 159).
Assim, cultura seria gerada e moldada por imperativos biológicos, ao passo que a biologia seria alterada simultaneamente pela evolução genética em resposta à inovação cultural. Cultura seria aprendida através de pacotes de informação cultural (os “culturgenes”) que seriam adotados conforme imperativos biológicos. Tal processo levaria à preferência por certos comportamentos a outros, onde vieses genéticos (genetic biases) informariam que informação cultural seria adotada em detrimento de outras. Assim, mesmo pequenos vieses genéticos poderiam ser amplificados e ter uma maior influência na cultura, que retroagiria aumentando a velocidade da mudança genética.
Um dos exemplos dados por Wilson foi de que partindo do suposto medo inato por cobras – medo este compartilhado entre os primatas – desenvolve-se toda uma gama de efeitos psicológicos e culturais, outro exemplo foi o do tabu do incesto. Agora não se falaria mais de tendências gerais como territorialidade e incesto, mas sim que pode-se esperar certos
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Na impossibilidade de recorrer diretamente a tais obras, recorri a outras, como Kitcher (1987), Segerstråle (2000) e Wilson (1998).
padrões culturais específicos ao invés de outros. “When oral tradition is supplemented by writing and art, culture can grow indefinitely large and it can even skip generations. But the fundamental biasing influence of the epigenetic rules, being genetic and ineradicable, stays constant” (WILSON, 1998, p. 127). Um exemplo disto seria a explicação da proeminência de serpentes nas lendas e artes dos xamãs da Amazônia, que enriquece sua cultura através das gerações sob a guia das “serpentine genetic rule”, isto é, do medo inato por cobras. Cobras venenosas seriam fontes importantes de mortalidade em quase todas as sociedades através da evolução humana. “Close attention to them, enhanced by dream serpents and the symbols of culture, undoubtedly improves the chances of survival” (ibid), e acrescenta:
The nature of the genetic leash and the role of culture can now be better understood, as follows. Certain cultural norms also survive and reproduce better than competing norms, causing culture to evolve in a track parallel to and usually much faster than genetic evolution. The quicker the pace of cultural evolution, the looser the connection between genes and culture, although the connection is never completely broken. Culture allows a rapid adjustment to changes in the environment through finely tuned adaptations invented and transmitted without correspondingly precise genetic prescription. ln this respect human beings differ fundamentally from all other animal species. Finally, to complete the example of gene-culture coevolution, the frequency with which dream serpents and serpent symbols inhabit a culture is seen to be adjusted to the abundance of real poisonous snakes in the environment. (ibid, p. 128, itálicos no original).
Primeiramente, várias objeções contra este suposto medo inato por cobras foram levantadas. Além do medo inato por cobras, sociobiólogos destacam, também teríamos medo inato por aranhas, pessoas estranhas e de altura. Richardson (2007, p. 16) destaca que a distribuição de cobras e aranhas venenosas não parece dar suporte à suposição sociobiológica. Aranhas não apresentam grandes perigos para humanos, e a maioria nem é venenosa: talvez oito espécies de um total de 37 mil espécies, localizados na Austrália e Américas, sem ter ancestralidade na África. O risco das aranhas é, portanto, exagerado. Já cobras na África são realmente venenosas, um quarto das cobras de Uganda representam realmente ameaça a humanos. Só na Austrália que a maioria das cobras são realmente venenosas. Também quanto à cobras o medo parece ser exagerado. Kitcher (1987, p.352) questionava se o medo por riachos, lugares fechados, multidões, por ratos (e poderíamos acrescentar, por baratas), teriam alguma vantagem reprodutiva.