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Tip 4 Marcus Aurelius – Severuslar Dönem

4. GENEL DEĞERLENDİRME 1.Anadolu’daki Korinth Başlıkları

4.2. Side Müzesi’nde Bulunan Korinth Başlıkları

4.2.4. Tip 4 Marcus Aurelius – Severuslar Dönem

Outra discussão que emerge dos dados é a da adequação do uso da RBV como lente teórica para o estudo das capacidades políticas. O uso da RBV como lente, embora tenha se desenvolvendo, ainda está em sua infância (Bonardi, 2011). Bonardi coloca uma série de questões sobre a adequação de RBV como lente teórica para o estudo de CPA. Em resumo, as questões por ele colocadas são:

a) Quais são e a qual natureza dos recursos políticos? Quais são as habilidades necessárias para as capacidades políticas. Recursos de mercado podem ser utilizados em CPA?

b) Qual os custos de integração das estratégias nonmarket com as estratégias de mercado?

c) Como diferentes sistemas institucionais afetam a valorização de determinados recursos?

d) Como se pode reduzir os custos de transação associados a contratos “incertos”? e) Como se valorizam as diferenças de recursos políticos entre as firmas?

A presente pesquisa, ao fazer uma descrição e análise das capacidades políticas, partindo de um modelo teoricamente fundamentado, acaba por contribuir com algumas destas questões. A questão da natureza dos recursos políticos, já tinha sido avançada por Dahan (2005a, 2005b), muito embora esta contribuição pareça ser desconhecida por Bonardi. Os dados da pesquisa aqui apresentadas ajudam, através de uma série de evidências de uso dos diferentes tipos de recursos, a confirmar as previsões de Dahan. Esta série de evidências mostram a importância dos recursos de reputação, em conjunto com outros recursos, principalmente os recursos relacionais, para o funcionamento das capacidades políticas no caso apresentado. Analisando as proposições de Dahan da relação entre os recursos e as capacidades de baixa ordem (acesso, legitimidade e influência), é possível contribuir com uma visão aprimorada da relação de recursos e capacidades, como a demostrada na tabela a seguir:

Tabela 32 – Relação entre os tipos de recurso políticos e as capacidades políticas e as contribuições da pesquisa

Capacidades

Recursos Acesso Influência Legitimidade

Financeiros Original Original

Expertise Original Original

Suporte Original Original

Relacionais Original CONTRIBUIÇÃO CONTRIBUIÇÃO

Reputacionais CONTRIBUIÇÃO Original CONTRIBUIÇÃO

Imagem CONTRIBUIÇÃO Original

Fonte: Análise do autor a partir dos dados da pesquisa e de Dahan (2005)

Nota: Áreas hachuradas são contribuições desta pesquisa. Original=Originalmente em Dahan (2005). Células em branco: o recurso não se aplica.

Esta tabela equivale a Tabela 10, mas em outra organização. Como já reportado, os recursos reputacionais apareceram de maneira importante nos relatos dor profissionais de Relgov entrevistados. Acompanhando uma tendência de maior profissionalização da profissão, bem

como, disputando a atenção de agentes políticos, a evidência coletada mostra que estes profissionais se valeram de recursos de reputação, não apenas para exercer influência sobre os tomadores de decisão, mas também, como forma de ter mais acesso a estes tomadores e de ter mais legitimidade sobre os pleitos defendidos. Este uso dos recursos reputacionais, não tinha sido proposto por Dahan (2005). Adicionalmente, também se coletou evidência de que a imagem pública da empresa facilita o acesso aos políticos. Esta pesquisa traz estas duas contribuições para o quadro da relação entre os recursos políticos e a capacidade política. Uma contribuição desta pesquisa para as habilidades necessárias para sucesso em CPA é a noção da necessidade constante de recombinação dos recursos políticos, numa base issue-by- issue. Esta lógica de que a montagem das capacidades de baixa ordem é constante, faz com que a habilidade de recombinação dos recursos seja primordial em CPA. Finalmente, a questão do procurement lobbying é um bom exemplo da utilização de recursos de mercado

para a execução de CPA.67

A descrição da organização de procurement lobbying parece responder parcialmente a segunda questão de Bonardi, que é do custo da integração de ativos mercado e não

mercado. Quando decidiram por fazer, os casos descritos parecem indicar que as MNE´s

puderam fazer esta integração com certa facilidade. Uma série de respondentes citou, entretanto, os riscos associados a tal prática (Ent31).

Estes exemplos também ajudam a responder à pergunta de Bonardi: se diferentes contextos

institucionais valorizam diferentes recursos políticos. As evidências apontam para uma

valorização dos recursos de relacionamento e reputação, em resposta a influências institucionais locais, bem como a mudanças recentes na legitimidade de certas atividades políticas. Também carece se mencionar que esta pesquisa levanta a questão sobre as diferentes naturezas dos recursos relacionais e que é possível, que diferentes arcabouços institucionais valorizem diferentes facetas dos recursos relacionais (em linha com a discussão de Wong [2007] sobre as diferenças dos tipos de relacionamento).

A reputação também pode ser apontado como um redutor dos custos de realizar

“transações” não contratualmente asseguradas (Bonardi et al., 2005). Reputação

“comportamental” e mesmo de “expertise” podem servir como um mitigador para estes custos

67 Um argumento na direção oposta, i.e., que são os recursos não mercado que estão a serviço dos ativos de

de transação. Assim é possível supor que recursos de reputação são recursos importantes em

ambientes onde a incerteza do “exchange” político seja exacerbada.

Finalmente, a utilização dos ativos de reputação também parece responder à questão de como

se valorizam as diferenças de recursos políticos entre as firmas? A utilização dos

mecanismos de reputação parece voltado a exacerbar as diferenças (de confiança, de comportamento e técnicas) entre os proponentes de uma mesma issue. Desta maneira, os recursos de reputação servem como auxílio para a valorização das diferenças entre as firmas.

Outra discussão relevante dentro do uso de RBV com uma lente para o estudo de CPA é a quantidade de evidências, narradas através dos exemplos e pequenos casos, da combinação de diversos recursos para a configuração das capacidades políticas. Essa amálgama remete as definições de Amit e Schoemaker para capacidades (Amit & Schoemaker, 1993). Tal combinação de diversas categorias de recursos políticos encontrada em campo se choca com um dos argumentos do artigo seminal em CPA (Hillman & Hitt, 1999). Hillman e Hitt propõe escolhas mais cartesianas em CPA. A descrição das escolhas entre as possíveis táticas descreve escolhas excludentes. Entretanto, as evidências apresentadas da utilização de diversas categorias de recursos políticos em combinação, aponta justamente para a inadequação desta definição.

6 CONCLUSÕES

Este estudo de caso teve como objetivo entender as configurações das capacidades políticas das subsidiárias de multinacionais operando no Brasil. Partindo da premissa que as capacidades políticas são contexto-específicas, este estudo assumiu, como premissa de trabalho, que as configurações das capacidades deveriam ter peculiaridades locais.

Um primeiro passo da pesquisa foi a proposição de um modelo de capacidades políticas que fosse teoricamente fundamentado. Usando contribuições de autores da RBV (Salvato & Rerup, 2010) e de diversos autores de CPA e Public affairs (Dahan, 2005b; Oberman, 2008; Palese & Crane, 2002), este trabalho propôs um modelo que trouxesse os componentes básicos de uma capacidades: recursos, rotinas, capacidades de baixo nível e as questões de gestão das capacidades.

Com base neste modelo teórico, um estudo de caso foi conduzido. Foram entrevistados mais de 30 respondentes, colhidos dezenas de depoimentos e foram analisados mais de oitenta documentos para geração de categorias e triangulação dos achados. A maioria das entrevistas dos depoimentos foram gravados e transcritos. Através da análise destes dados, foi possível descrever as capacidades políticas das subsidiárias das MNE´s operando no Brasil. Várias características peculiares foram destacadas nesta descrição. Entre elas, os times enxutos, a grande utilização de prestadores externos de serviços (consultorias e associações), bem como a grande utilização de recursos relacionais, como esperava-se das proposições teóricas, mas também a grande utilização dos recursos de reputação.

Uma categoria que se destacou na análise dos dados foi a das capacidades políticas em empresas com significativas vendas para o governo. O estudo de caso mostrou a ação deliberação gerencial na alteração destas configurações políticas. Uma das alterações é a da absorção de rotinas, originalmente da função de vendas, pela função de Relgov. A lógica subjacente a esta configuração parece ser a sinergia de relacionamentos com o governo, que nesta configuração, ficam mais fáceis de serem exploradas. Entretanto, o caso também explora a variação da utilização destas capacidades de procurement lobbying por parte das subsidiárias de MNE´s. É também importante frisar que, possivelmente, estas configurações de procurement lobbying não sejam exclusivas do Brasil ou de mercados emergentes.