C- VERGİ DENETİMİNİ GEREKTİREN NEDENLER
1. Mali Neden
As políticas públicas de fomento ao empreendedorismo social revelam-se primordiais para o desenvolvimento das comunidades rurais. Elas contribuem não apenas para a melhoria dos processos produtivos, mas também fomentam a integração social dos indivíduos. Algo
recorrente na fala dos entrevistados é que tais iniciativas públicas devem permanecer de forma a manter o campo como lugar de oportunidade e desenvolvimento para as gerações futuras.
O desenvolvimento pessoal está intimamente ligado ao desenvolvimento das comunidades, visto que, nesses contextos, o conhecimento tende a fluir socialmente de famílias em famílias, de geração em geração, demonstrando a forte condição social do empreendedorismo. Ainda há famílias em que os pais preferem que os filhos busquem outras oportunidades de crescimento profissional, haja vista uma percepção de sofrimento fortemente entrelaçada ao labor rural.
Felizmente, em relação ao desenvolvimento das comunidades, o qual gera não apenas o fomento a novas formas de renda e melhorias sociais, mas também uma notória e latente evolução da forma de se pensar política, a postura cidadã das comunidades organizadas tem se mostrado relevante. A maior atenção e ação da comunidade em resposta à movimentação dos agentes públicos revela uma maior atividade cidadã, assim como uma maior percepção dos direitos políticos e sociais inerentes à cidadania. Entender o papel da comunidade e do município no oferecimento de condições adequadas para a continuidade da produção familiar é uma conquista cognitiva que tem se manifestado nessas comunidades rurais.
Cabe ao município aproveitar os incentivos e apoios existentes nas políticas nacionais e estaduais, incorporando-as em seu planejamento integrado e sustentável, promovendo a transformação dos espaços locais e pensando o desenvolvimento de maneira planejada, organizada, integrada, participativa e sustentada. Organizar cooperativas, associações, grupos de apoio às micro e pequenas empresas, viabilizar aportes creditícios, entre outras ações, propicia modificações comportamentais e estruturais, fazendo do espaço local a chave para o desenvolvimento nacional e global (BRONZO, 2011; DANTAS, 2012; ROBERTO et al., 2014).
De acordo com Flory, Andreassi e Teixeira (2013, p. 28),
O desenvolvimento (das políticas de apoio as comunidades rurais), a partir das menores células políticas – os municípios – não pode ocorrer de modo acidental e ocasional, mas deve ser construído e pensado de maneira integrada e sistêmica, envolvendo os diversos segmentos que compõem o organograma do município: segmentos sociais, econômicos e ambientais, embasados pelos segmentos administrativos, políticos, institucionais, tecnológicos e jurídico-legais. [...] Cabe aos municípios a definição de critérios indicadores do desenvolvimento desejável e possível para os interesses locais e regionais, objetivos a serem atingidos a curto, médio e longo prazos.
O pensamento sistêmico das atividades do município em relação às comunidades rurais é necessário. Contudo, é importante frisar a possibilidade de os agentes municipais se
depararem com comunidades que não possuem tal conhecimento, sendo necessário um acompanhamento mais próximo delas, auxiliando-as nesse processo de sistematização das atividades. Isso também não significa que elas estão organizadas. Entretanto, tal elemento se dá como consequência de todo um processo cultural e histórico onde as famílias, de geração em geração, passam tacitamente, suas técnicas, modos de produzir e formas de se organizar.
Percebe-se que, apesar das iniciativas de educação formal inerentes ao processo de profissionalização da associação, a aprendizagem social é determinante para a continuidade da atividade empreendedora. As mudanças nos processos de produção precisam levar em consideração a legitimidade social advinda das comunidades para poder se consolidar neste meio, e para que isso seja possível é mister a adaptação das técnicas para que elas possam ser socialmente absorvidas pelas comunidades rurais.
Vale reforçar que existem dificuldades na concepção e na operacionalização dos projetos devido à pseudoautonomia proporcionada, o que demandaria iniciativas governamentais de fomento por meio de capacitação em gestão de projetos. É importante que os programas de incentivo estaduais e federais sejam incorporados na estrutura organizacional do município, onde necessariamente estejam previstos e planejados os programas de inclusão, promovendo a capacitação de pessoas da comunidade não apenas nas melhorias dos processos produtivos, mas também na construção escrita dos projetos que pleiteiam recursos públicos. Incentivar-se-ia, assim, e no longo prazo, uma possível autonomia tão apregoada nos ditames do empreendedorismo, mas que nem sempre condiz com a realidade, já que a natureza deste fenômeno social é coletiva.
Inclui-se, nesse processo, o oferecimento de cursos profissionalizantes e de qualificação que não só proporcionem a formação de novos empreendedores e profissionais de mercado, mas principalmente acompanhem seu desenvolvimento, para que haja continuidade e permanência das ações propostas nos planejamentos dos Municípios. Sobretudo, faz-se premente a legitimação política das cooperativas e das associações, já que, no contexto investigado, há aquelas que ainda sofrem perseguição política, descaso ou consideração inferiorizada por parte dos agentes públicos, que consideram tais organizações apenas como massa de manobra para sua continuidade política no município.
Apesar do apoio da prefeitura, tal necessidade de legitimação se dá na Ascamar de Bonito de Santa Fé, pois os relatos evidenciaram situações de tensão, como o incêndio criminoso e a dificuldade de se estabelecer parcerias com outros municípios devido aos conflitos com a prefeitura da cidade. Semelhantes conflitos em decorrência de um terreno
também foram relatados no contexto das associações em Aparecida (ASPA) e Lagoa de Roça (COPAF), onde há divergências políticas entre as associações e os prefeitos.
A necessidade de legitimação configura-se como um dos maiores desafios para o desenvolvimento sem amarras do empreendedorismo social, haja vista suas raízes históricas e culturais de longa data. Em Lagoa de Roça, percebem-se as intenções veladas de prejuízo à COPAF com a doação de um terreno, a priori, impróprio para o desenvolvimento de uma atividade produtiva, assim como a indiferença do município para com a produção familiar. Já em Aparecida, o poder da prefeitura local, de acordo com os relatos dos apicultores, age de forma a boicotar o produto da ASPA.
O cenário de Pombal e de Bonito de Santa fé apresenta um quadro aparentemente diferente, no qual os municípios se mostram apoiadores das associações, todavia tal apoio não se demonstra genuíno. Em Pombal, por conta da vontade política, ocorrem oscilações quando outros grupos tomam posse da governança municipal e põem em risco a continuidade dos trabalhos desenvolvidos pela associação rural. Em Bonito de Santa Fé, ocorre a utilização da Ascamar como massa de manobra, que, apesar de gerar uma fonte de renda alternativa, não atua de forma a maximizar a rede de apoio da associação devido aos seus entraves políticos com outros municípios.
É preciso repensar o papel dos agentes públicos municipais, proporcionando uma efetiva participação dos grupos organizados que contribuem não apenas para a economia local, como também para a promoção de melhores condições de vida e de pensamento político. E isso evoca questões mais amplas como a melhoria da formação dos políticos e a maior reivindicação do povo, que precisa desenvolver, de fato, a sua consciência política não apenas no voto, mas em todo o processo de acompanhamento de seus representantes. Desta forma, pode-se pensar em uma aproximação a uma cidadania plena, e o empreendedorismo social tem se comportado a gerar, gradativamente, condições que possibilitem tal aproximação, mas que não são únicas, sobretudo pelo seu caráter processual e coletivo no que tange ao apoio de diversos agentes de fomento.
A autonomia dos municípios brasileiros, prevista no artigo 30 da Constituição de 1988 (BRASIL, 2009), tanto assegura como limita atribuições, direitos e prerrogativas sob três aspectos: o político, na composição do governo e na edição de normas locais; o administrativo, que prevê organização e execução de serviços públicos; e o financeiro, que envolve decretos, arrecadação e aplicação de impostos municipais. Constitui-se o município como ponto-chave para a efetivação de políticas públicas nas comunidades rurais, algo indispensável para as dimensões continentais do País. É por meio do planejamento integrado,
legitimador e sustentável que as comunidades locais podem decidir seus assuntos de interesse imediato e as suas propostas para o futuro, utilizando os repasses de verbas estaduais e federais a que têm direito e explorando suas potencialidades com vistas a um desenvolvimento do empreendedorismo social e da cidadania.