C- VERGİ DENETİMİNİ GEREKTİREN NEDENLER
2. Kanunlar
A questão da sucessão familiar emergiu a partir das reflexões sobre os contextos investigados, a priori, pela ênfase dos agricultores sobre a continuidade dos projetos sociais com vistas a captar recursos para a melhoria e desenvolvimento das atividades rurais. Assim sendo, refletiu-se não apenas na necessidade sinalizada pelos entrevistados, mas também nas gerações futuras. Sua abordagem se faz mister visto sua capacidade de exercer forte influência sobre a perenidade da atividade rural desenvolvida nas associações/cooperativa estudadas.
A sucessão é um processo inserido no contexto da reprodução social, em que o estabelecimento rural não é somente um lugar de produção, mas também o local do convívio familiar. O processo de sucessão está diretamente interligado com a questão da continuidade do estabelecimento/produção da agricultura familiar (SPANEVELLO, 2008). Não é recente a constatação da importância deste tema no meio rural. Abramovay et al. (1998, p. 17) indicam
a importância da sucessão no contexto da agricultura familiar ao afirmarem que “a questão
sucessória no campo não pode ser encarada como um tema microeconômico da administração empresarial. O que está em jogo neste processo, mais que o futuro de certas empresas e
famílias é o próprio destino de boa parte das regiões”, já que os investimentos na agricultura
familiar têm evitado o forte êxodo rural de outrora.
Almeida (1986) indica que a sucessão/reprodução na agricultura familiar envolve tanto uma reprodução de ciclo anual (ou no curto prazo) como também um ciclo geracional (ou no
longo prazo). A primeira abordagem representa “[…] como a unidade familiar se reproduz no
ciclo anual, combinando trabalho, recursos naturais e conhecimento tradicional para atender
ao consumo familiar e para repor os insumos necessários ao reinício do processo”
(ALMEIDA, 1986, p. 67). Esse ciclo tem por foco a lógica econômica da família, o que engloba aspectos como trabalho e consumo. Já a segunda abordagem leva em consideração
como a unidade familiar se perpetua, tendo por foco “[…] a lógica de parentesco que perpetua famílias via nascimento, casamento, morte e herança” (ALMEIDA, 1986, p. 67). Nesse ciclo,
incluem-se as questões relativas à formação das novas gerações de agricultores, em termos de sucessão e de troca de comando do estabelecimento familiar. A preocupação com a
continuidade das unidades produtivas é recorrente nas cooperativas e associações agropecuárias.
A sucessão ocorre não apenas do ponto de vista legal, em que os filhos herdam a terra, mas também no que tange à sucessão profissional, dos saberes acumulados ao longo do tempo pela transferência formal ou tradicional dos conhecimentos sobre a produção e sobre as interações sociais necessárias para o bom andamento das atividades.
Para Spanevello (2008), a sucessão ainda pode ser entendida como a transferência do controle/gerenciamento do uso do patrimônio da família aos sucessores. Já a transferência legal refere-se à questão da partilha de herança, tanto em termos patrimoniais quanto da terra. Esses processos devem ser entendidos como dinâmicos e concomitantes, e não como pontos isolados e com duração pré-determinada, visto que dependem de fatores legais e culturais.
Gasson e Errington (1993) já indicavam que a sucessão ocorre de variadas formas: quando o filho sucessor reside em estabelecimento/unidade produtiva separada dos pais, ou possui estabelecimento separado, ou quando o filho reside e trabalha com os pais na forma de parceria (aumentando gradualmente suas responsabilidades), ou ainda quando ele apenas trabalha com os pais sem acréscimo de responsabilidades. Para Spavanello (2008), esses padrões sucessórios apresentados não são estáticos e, portanto, podem ser a combinação de um ou mais elementos dos diferentes modelos. Isso porque devem levar em conta as particularidades das famílias, do ambiente econômico e das variações geográficas e temporais. Além das fases e dos padrões sucessórios, é necessário destacar a grande influência da inserção dos filhos desde crianças nas atividades agrícolas do estabelecimento familiar. O processo sucessório é realizado de forma mais facilitada se ações como o envolvimento dos filhos na gestão da produção familiar (com aprendizado das técnicas de produção e trabalho em parceria) e o desenvolvimento de habilidades forem levados em conta pelos proprietários atuais. Essas ações possibilitam que sucessor assuma gradativamente a unidade familiar.
São considerados pontos importantes para que ocorra a sucessão na agricultura familiar a inserção/socialização dos filhos na atividade agrícola, a identificação e escolha de um sucessor dentre os herdeiros, a preparação para o momento da transferência do controle da unidade e a forma de distribuição do patrimônio da família (se será repartido apenas para o sucessor ou entre todos os herdeiros). Chemin e Ahlert (2010, p. 72) enfatizam com relação a essa questão que:
[...] é importante referir que a família deve se preocupar desde cedo – e não esperar a doença/incapacidade e/ou a morte do sucedido – com um bom planejamento sucessório (quando se dará a sucessão, quais as qualificações necessárias para o
sucessor na gestão da propriedade, as necessidades econômicas dos pais e de outros dependentes, a partilha do patrimônio entre os descendentes etc.), uma vez que isso permite que os negócios e a vida na propriedade rural mantenham continuidade, que é fundamental especialmente para a sobrevivência financeira da Agricultura Familiar e para prevenir conflitos.
A maioria dos filhos dos entrevistados ainda se encontra em tenra idade, todavia, os sujeitos que participaram das expressões narrativas, são filhos de pais agricultores e demonstraram aumentar sua responsabilidade com o passar dos anos. O que se pode perceber com as entrevistas narrativas é que não há como assegurar que as associações/cooperativas tenham, de fato, um processo sucessório coeso.
Nas associações que trabalhavam efetivamente com a terra, como é o caso da Associação de Pombal, a COPAF e a ASPA, a intenção de continuidade das atividades pelos filhos é um desejo que reside no pensamento dos pais entrevistados, porém, a instabilidade política e a inconstância dos projetos sociais atrelada ao forte período de estiagem levam muitos deles a refletir sobre até que ponto as atividades herdadas pelos filhos terão um contexto que os ajude a continuar desenvolver o sertão.
A Ascamar, associação de Bonito de Santa Fé que lida com o processo de reciclagem, é o que mais destoa desta intenção de continuidade. Os catadores querem que seus filhos estudem e enveredem por outros caminhos que não a coleta seletiva, mas entendem que, se eles não conseguirem outras oportunidades, a associação é um caminho possível para a complementação da renda familiar das futuras gerações.
Até pouco tempo eu entendia que meu filho podia viver da terra, que ele não precisaria ir para a cidade para tentar a vida lá, se ele quiser estudar, virar um doutor, eu vou apoiar, mas eu vou dizer pra ele que ele pode criar seus filhos trabalhando aqui. Eu ainda penso assim, mas a situação do governo atual cortando os incentivos para o campo tem me aperreado o juízo sobre nosso futuro. (Solange, presidente da Associação de Pombal).
Tem que ver se essa meninada vai querer continuar nosso trabalho né? Porque hoje com essa tal de internet eu vejo só os jovens querendo outras coisas, são poucos os adolescentes que eu vejo que se interessam no negócio da família. (Naldinha, agricultora em Pombal).
Quero me meus filhos estudem, que busquem trabalhar no que eles gostam, se eles tiverem gosto pelo que eu faço, ótimo, terei como ajudá-los mais ainda. Eu espero que eles queiram continuar com nosso trabalho: a apicultura, a agricultura. Eu vejo que eles podem se sustentar com essa herança. (João do Mel, presidente da ASPA). Eu prefiro que meu filho queira fazer outras coisas, coletar lixo é muito sofrido. E tem as pessoas que não veem nosso trabalho com bons olhos. Mas se ele não conseguir nada melhor, fazer o que né? É uma atividade que ajuda a tirar um complemento sim. Mas se eu puder, vou orientar ele a fazer outras coisas. (Rita, presidente da Ascamar).
A discussão sobre sucessão familiar não é recente. Silvestro et al. (2011) informavam que havia uma quantidade crescente de unidades produtivas cujo destino e continuidade estavam comprometidas pela falta de sucessores, em que os filhos deixavam o negócio familiar, para conseguir oportunidades mais promissoras de geração de renda, na esmagadora maioria dos casos, fora do meio rural. A situação do contexto investigado mostra, para as gerações produtivas e que participaram da pesquisa, que esta situação tem se modificado. O homem do campo percebia, até o final da era do governo Lula, que havia possibilidades de permanência e desenvolvimento do meio rural familiar.
A questão da continuidade e manutenção das atividades envolve outras questões além das familiares, principalmente financeiras (VARGAS; SPANEVELLO, 2010). Isso porque uma unidade produtiva requer altos custos para implantação e manutenção. Diversos investimentos em equipamentos, mobiliário, adequação das instalações são solicitados aos produtores. No entanto, percebe-se que, para que essas alterações sejam realizadas, são gerados custos que demandam financiamentos os quais, na maioria dos casos, são de longo prazo. Uma unidade familiar sem perspectivas de sucessão e continuidade produtiva dificilmente executa as modificações necessárias, o que acarreta consequências na qualidade da produção, mas sobretudo no desenvolvimento rural das pequenas famílias.
Percebe-se que tais elementos que emergiram da análise do campo empírico configuram mediadores de tensão no desenvolvimento de um empreendedorismo social que se revela muito mais próximo de um contexto de solidariedade do que os modelos previamente postos teoricamente. As categorias postas pelo conceito de Empresa Social ajudaram como ponto de partida. O campo revelou outros elementos que, em conjunto com as categorias de empresa social, direcionam a compreensão do fenômeno de forma mais ampla, levando-nos a encarar sua manifestação mais próximo de uma postura mais solidária que necessita levar em consideração mediadores de tensão que agem de forma plural no fomento ou no recrudescimento de uma postura efetivamente cidadã.
O capítulo a seguir tem o intuito de contribuir teoricamente no sentido de estabelecer uma estrutura de referência que compreenda o fenômeno de um empreendedorismo social, mas que, no contexto investigado, demonstrou-se com uma postura mais próxima de uma perspectiva solidária.
6 DISCUSSÃO TEÓRICA: EMERGÊNCIA DO EMPREENDEORISMO SOLIDÁRIO