A- Mali Bilgiler
3- Mali Denetim Sonuçları
A situação do atual ensino de Ciências do Ensino Fundamental e Médio possibilita formar a ideia de que o mesmo não alcançou a fase definitiva de conseguir desenvolver capacidades, com orientação objetiva para a real formação do educando.
Apesar de existirem professores entusiasmados por seu trabalho, e diversos recursos que podem ser utilizados, a realidade é que o ensino de Ciências continua deficiente. Não é de baixo nível, mas, apenas, não acompanhou a evolução que ocorre nos tempos atuais, com o surgimento de novas situações criadas pelo desenvolvimento social e cultural.
Observa-se que, nem todos os alunos ao concluírem seus estudos adquirem condições mínimas e necessárias para enfrentar as solicitações e os problemas, sempre crescentes, do mundo em que vivem. Falta-lhes a confiança em assumir atitudes próprias e adequadas, frente aos imprevistos que surgem como consequência de vivermos em um mundo constantemente em mudança.
Segundo Hennig (1994), o ensino cheio de regras oferecido aos alunos faz com que muitos se tornem inseguros em relação à disciplina. Esse estado de espírito desestabiliza forças, já que em vez de valorizar sua experiência acumulada e dar-lhe oportunidade de explorar as próprias ideias, privilegia a linguagem simbólica e formal que, além de complexa, está distante do que os indivíduos veem, ouvem e falam no cotidiano. O aluno vai perdendo a iniciativa, deixa de pensar por si mesmo e passa a repetir o que ouve ou tudo aquilo que está nos livros didáticos. O autor retrata, de forma precisa, a realidade observada e descrita, anteriormente.
A aprendizagem pode ser entendida como processo progressivo que promove mudança comportamental, relativamente permanente, que se integra à personalidade do indivíduo e que direcionará o seu pensamento e suas ações em novas situações de aprendizagem ou na solução de problemas posteriores. Mas, para haver aprendizagem é necessária uma mudança nas disposições internas do indivíduo, e isto se relaciona com a maneira como o professor encaminha o processo ensino-aprendizagem considerando o aluno como ser humano crítico, consciente e participante.
Sabe-se que, aprender é adquirir novas atitudes e tudo o que se faz tem um objetivo ou motivo, que é a força interior que leva o homem a agir. Na escola tradicional, os alunos
apenas decoram tudo. Já em um novo modelo de escola, a motivação é o centro do processo de aprendizagem.
Motivação é algo que leva os alunos a agirem por vontade própria: ela inflama a imaginação, excita e põe em evidência as fontes de energia intelectual, inspira o aluno a ter vontade de agir, de progredir. Em suma, motivar é despertar o interesse e o esforço do aluno. É fazer o estudante desejar aprender aquilo que ele precisa aprender. (ZÓBOLI, 1999, p. 16)
Concorda-se com a autora, pois, quando a escola e nós educadores não oferecemos motivação, o aluno se desinteressa e fica, muitas vezes, indisciplinado. Portanto, deve-se incentivar a iniciativa nos alunos, respeitando a história pessoal dos mesmos, estimulando a participação ativa dos indivíduos nas atividades escolares. Quando a classe encontra-se indisciplinada, é hora de o professor repensar a sua prática educativa para verificar as causas desse comportamento.
Todo professor, em algum momento da carreira, já pensou nas transformações necessárias para melhorar suas condições de trabalho, permitindo-lhe realizar suas aspirações de ensinar de forma que os alunos realmente aprendam com prazer. (KRASILCHIK, 1996, p. 247)
Nesta perspectiva, uma reflexão dessa natureza, realmente complementa a necessidade de uma mudança, diante do que se observa na maioria das aulas de Ciências e Biologia, em que o professor é o agente ativo na maior parte da aula e o restante do tempo, geralmente, é preenchido pela fala dos alunos que quase sempre consiste em pedidos de esclarecimentos sobre as tarefas que devem executar. Numa situação assim, os alunos não têm grandes oportunidades de melhorar sua capacidade de expressão, pois os professores não os ouvem, não ficam sabendo o que eles falam e o que pensam. Uma transformação que se impõe é a substituição de aulas expositivas por aulas em que se estimule a discussão de ideias, intensificando a participação dos alunos por meio de comunicação oral, escrita ou visual.
Alguns fatores que influem negativamente no ensino de Biologia, são: preparação deficiente de professores; ensino enciclopédico e livresco; a quase inexistência de atividades práticas nas aulas de biologia; falta de laboratório nas escolas; desarticulação entre teoria e prática e um ensino predominantemente teórico, exigindo do aluno muita memorização (decoreba). (PINHEIRO, 1996, p. 29-30)
Mas essa realidade pode e deve ser mudada. O ensino informativo, centrado no professor, representado pela aula expositiva, pode ser transformado pela introdução de discussões nas aulas, chamadas de exposições dialogadas. As perguntas intercaladas na exposição motivam os alunos, servem para controlar e ganhar sua atenção, auxiliam no
raciocínio e expõem os alunos a muitas ideias em lugar de limitá-los a ouvir apenas as do professor.
Não se aconselha ensinar Ciências Naturais por métodos passivos tradicionais ou meramente expositivos. O processo deve ocorrer através de métodos ativos, inovadores, experimentais, dialéticos-correlacionais que possibilitem o descobrimento e a investigação científica; que conduzam ao entendimento das inter-relações entre aprendizagens e aplicabilidade prática do saber. (PEREIRA, 2003, p. 102)
Concorda-se com Pereira, mas, infelizmente, a própria política educacional do nosso país favorece mais os programas rígidos, centrados apenas na avaliação da capacidade cognitiva, dando essencial importância à prática enciclopédica, livresca, considerada pronta e acabada nos diferentes tipos de ensino tradicional. Nesse sentido, observa-se que os talentos criativos não se desenvolvem exatamente pela ausência de educação criativa nas escolas de nível fundamental, médio e superior.
Apesar dessa política educacional, os educadores precisam educar crianças, jovens e adultos preparando-os para a vida, colocando-os frente à sociedade e tornando-os verdadeiros cidadãos, capazes de participarem, culturalmente, e de resolverem problemas do seu cotidiano, da maneira mais criativa possível. Sobre esse pensamento, Geglio (2011, p. 130) salienta que “se o objetivo imediato do professor é transmitir saberes, o da escola é contribuir para a formação de um cidadão que participe efetivamente da construção da sociedade”. Sendo assim, professores e escola devem desempenhar esse importante papel de formar cidadãos atuantes e com pensamento crítico acerca da sociedade.
Por natureza, o brasileiro já apresenta um potencial criativo muito grande. Observa- se isto, lembrando a forma genial de como os desfavorecidos, economicamente, conseguem lutar pela própria sobrevivência e encontrar solução para suas adversidades. Considerando esse aspecto, cabe aos educadores modernos, aguçar e incentivar o desenvolvimento da capacidade criativa do alunado. Para tanto, tem-se a grande obrigação de conhecer, analisar e aplicar nas salas de aula, a pedagogia da criatividade, uma vez que, o mercado de trabalho atual e competitivo exige pessoas criativas capazes de inovarem situações produtivas geradoras de eficácia e qualidade em serviço.
Para modernizar o processo ensino-aprendizagem, o que está faltando na realidade das escolas, é a criatividade docente. Em outras palavras, o próprio professor deve se interessar em inovar sua prática em sala de aula, pois, debate-se muito sobre o assunto, mas poucos são os que mudam sua prática. Certamente, se o professor buscar novos procedimentos metodológicos, que oportunizem o fazer e o refazer pedagógico, de forma
crítica e reflexiva, em todos os momentos do processo ensino-aprendizagem, o desenvolvimento da capacidade criativa do aluno irá acontecer de forma espantosa. Nesse sentido, a realidade do aluno se interconecta com a capacidade de aprender, de criar e de recriar. Isso retrata exatamente o pensamento da autora, quando afirma:
Criatividade significa energia vital, impulso natural e saudável de todo ser humano, portanto, é possível dizer que a melhoria do processo ensino- aprendizagem ocorrerá mais facilmente quando professores e alunos forem devidamente estimulados para criarem e recriarem situações democráticas em aula. (PEREIRA, 2003, p. 97)
Percebe-se, que no processo ensino-aprendizagem é de grande relevância que o professor oriente e desperte o potencial criador do aluno, bem como crie oportunidades favoráveis à sua manifestação, dando ênfase à dimensão da criatividade em seus planos de ensino. É muito importante que o professor priorize em seus planos de ensino, atividades em classe, com o objetivo de favorecer a manifestação criativa dos alunos.
Os dias atuais mostram que houve uma mudança da civilização do aspecto puramente verbal (não se concebem mais aulas exclusivamente expositivas) passando-se para outra, a visual e auditiva. Hoje em dia, a imprensa, o jornal, o anúncio publicitário, a fotografia, o cinema, a televisão e o computador vêm modificando o homem e o próprio meio cultural. Essa apropriação dos meios de comunicação permite ao homem dominar o espaço e o tempo. Surge então, uma cultura de massa em que todos recebem os mesmos estímulos e os mesmos produtos. Vivemos hoje, a sociedade da informação.
Diante do exposto, concorda-se com a visão de Niskier (1993, p. 25), ao destacar que: “A escola é forçada à competição, procurando novas formas de aprendizagem para atender e cativar um estudante que, em sua escolaridade, como mostram as estatísticas, passa diante do cinema e da televisão 15.500 horas a mais do que numa sala de aula”.
Hoje, a função da escola é romper com os modelos adequados a séculos anteriores e tornar-se apta a criar um novo homem, um homem capaz de produzir e participar ativamente do processo ensino-aprendizagem.
O estudo ativo consiste, pois, de atividades dos alunos nas tarefas de observação e compreensão de fatos da vida diária ligados à matéria, no comportamento de atenção à explicação do professor, na conversação entre professor e alunos da classe, nos exercícios, no trabalho de discussão em grupo, no estudo dirigido individual, nas tarefas de casa etc. (LIBÂNEO, 1994, p. 104)
Partindo desse pressuposto, o aluno inserido em um contexto escolar assim descrito, certamente sentir-se-á agente ativo no processo ensino-aprendizagem. Nesse momento, o professor observará que o estudo ativo será fonte de autossatisfação para o aluno, vendo que ele está progredindo e animando-se para adquirir novas aprendizagens.
Dentro desse prisma, os professores dispõem dos materiais de aprendizagem que são fatores relevantes para auxiliá-los na tarefa docente e, quando colocados à disposição dos alunos, criam um espaço libertador, estimulador do campo experiencial do educando. Segundo o princípio da aprendizagem ativa, quando esse material é construído ou selecionado pelo próprio aluno tem seu valor ampliado, consideravelmente.
Quando o professor utiliza material trazido pelos alunos em suas aulas, ele incentiva a manifestação criativa do aluno, pois, existe aí, o respeito a um princípio de aprendizagem, através da atividade do aluno, que passa a se sentir estimulado e importante no processo.
Na aprendizagem de Ciências Naturais, as atividades experimentais devem ser garantidas de maneira a evitar que a relação teoria-prática seja transformada numa dicotomia. As experiências despertam em geral um grande interesse nos alunos, além de propiciar uma situação de investigação. Quando planejadas levando em conta estes fatores, elas constituem momentos particularmente ricos no processo de ensino-aprendizagem. (DELIZOICOV, 1994, p. 22)
Em síntese, a comunicação que tem por objeto a interação professor-aluno é fator relevante no processo de ensino-aprendizagem. A atitude científica leva o aluno a exercitar a capacidade de questionamento, quando ela faz parte essencial da metodologia dialógica que conduz o aluno para o centro do processo educativo, objetivando a construção ativa, responsável e motivadora do ato de aprender, através do processo de investigação científica. A criatividade e a realização de experimentos merecem uma atenção mais condizente com suas relevâncias, devido às suas implicações profundas na vida da pessoa, quer seja em situação escolar ou fora dela.
As opiniões dos autores, anteriormente citados, conduzem à afirmação de que as aulas tradicionais, onde o aluno é considerado como “aluno-objeto”, precisam ser reavaliadas, reestruturadas, e interconectadas com aulas inovadoras, onde o aluno tenha a oportunidade de atuar como “aluno-sujeito”.