O profissional da educação, em especial, o professor, precisa sentir-se parte integrante do processo educativo, objetivando ser um transformador consciente da sociedade. Como este objetivo está inserido, normalmente, na função da escola, é comum que ele seja alvo de questionamentos no contexto social, qual a função real da escola e como estão as práticas dos professores na educação escolar, com ênfase na formação dos discentes.
Nessa discussão educacional, um dos eixos principais é a formação dos educadores e como se configuram suas práticas de ensino. Hoje é uma realidade encontrar professores totalmente desmotivados diante das circunstâncias e dificuldades da profissão. Segundo a afirmação da autora Aranha (2006, p. 45): “O professor é um profissional e, como tal, além da boa formação deve ter garantidas condições mínimas para um trabalho decente”. Infelizmente isso não é uma realidade constante na educação, a desmotivação dos professores começa pelo
descaso com os baixos salários, bem como, às vezes, o atraso e o não pagamento dos mesmos. Ainda, nas escolas são comuns as péssimas condições de infraestrutura, a falta de materiais didáticos e pedagógicos, assim como de recursos humanos, e a própria insegurança no interior das escolas advinda, muitas vezes, do consumo de drogas por parte dos próprios alunos.
Nesse sentido, o educador pode ser percebido como um aprendiz, que apresenta limitações humanas e que, portanto, é mais do que necessária a discussão em torno de sua formação. Baseado na temática de Freire (1996), ele esclarece que a formação docente deve causar a indagação no educador desafiando-o à apropriação de saberes que são necessários à prática educativa. É essa apropriação de saberes e práticas, por parte do educador, que estará diretamente relacionada à vida do educando, conduzindo-o a ser um indivíduo capaz de administrar as suas próprias ideias.
Ao discutir sobre formação de professores, conforme o pensamento de Oliveira (2008), acredita-se na necessidade da compreensão de aspectos da educação tais como: perceber o profissional como um indivíduo, que luta para realizar sua profissão de educador, e o aluno como um ser pensante, capaz de construir juntamente com o educador seu aprendizado, estimulando dessa maneira o prazer de estudar. É fato, que o estímulo pelo gosto de estudar vem, em muitas das vezes, pela atuação do professor. Particularmente, já ouvi de muitos alunos que passaram a estudar e a gostar de determinada disciplina, após o incentivo do professor, bem como a sua forma de administrar e lecionar sua disciplina. Já tive alunos que hoje cursam graduação em Biologia e em Fisioterapia, e que relatam a minha influência em suas decisões por tais cursos, graças à minha atuação em sala de aula como professora das disciplinas Ciências e Biologia. Ouvir o testemunho desses alunos foi gratificante demais para mim, pois é o reconhecimento de um trabalho realizado com todo empenho e dedicação. Esta é uma das grandes alegrias de um educador, saber que teve uma participação essencial na formação crítica de seus alunos, tornando-os cidadãos conscientes daquilo que realmente querem para suas vidas.
De acordo com Brandão (1995), a educação faz parte de um todo na sociedade e deve ser ofertada para todos. A escola não é o único lugar em que ela ocorre. Nessa assertiva é perceptível que a educação está condicionada ao processo de transformação social por meio de práticas educativas, e a escola aparece como espaço privilegiado da aquisição dos saberes socioculturais historicamente construídos. Ainda na concepção do autor, não há uma forma única e nem um modelo específico de educação, mas, ninguém escapa da educação. Todos nós dedicamos parte da vida a esse caminho: quer seja para aprender, ou para ensinar, todos os dias a nossa vida se entrelaça à Educação.
O professor é, por excelência, o profissional da educação que deve buscar sua profissionalização naquilo que faz, sua formação deve ser parte integrante da continuação de sua pesquisa e aprendizado. Dessa forma, o educador deve se manter em constante pesquisa, buscando uma formação continuada, entendendo-a como uma formação sem fim. Nesse sentido, concorda-se com Freire (1996, p. 44) quando afirma que “[...], na formação permanente dos professores o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática, de maneira que se pense na prática de hoje ou de ontem para melhorar a próxima”. Assim sendo, haverá sempre a necessidade e o uso da informação por parte do professor em sua prática educativa, a sua busca pela informação não vai cessar jamais, haverá sempre algo novo em sua sala de aula que o inquietará à busca informacional. Entre essas buscas, também está inserida a necessidade de informação para alterar, continuamente, seu estoque de conhecimento, atualizando-se nas suas áreas de magistério.
Esse pensamento também é confirmado pelas autoras Gasque e Costa (2003, p. 55), quando dizem:
Sob a ótica do comportamento informacional, os professores atuantes na educação básica são entendidos como usuários de informação, na medida em que esse comportamento é condicionado por necessidades de informação para a sua formação continuada.
Esse enfoque teórico permite uma ponte de aproximação entre os campos de estudo da Ciência da Informação e da Educação, pois nessa perspectiva o professor emerge, de fato, como um usuário da informação, quando ele se torna um usuário potencial de fontes de informação, que podem ser representadas por documentos e eventos (quer sejam, cursos, seminários, palestras, congressos, oficinas pedagógicas), além do seu papel nato de mediador/facilitador/agente de informação.
Segundo Pereira e Freire (1998), o professor assume uma função social ao ser considerado um mediador na transferência da informação entre um estoque de conhecimento, acumulado e disponível na sociedade, e um usuário que necessita de conhecimento no seu processo de desenvolvimento pessoal e social. Nesse sentido, o professor ainda pode ser abordado, como agente de informação, com possibilidades e barreiras de comunicação. Na visão dos autores, o professor atua como agente de informação ou mediador na transferência da informação, em um processo educacional que tem o propósito de gerar transformações nas estruturas cognitivas de seus usuários (os alunos), na medida em que lhes transmite um novo conhecimento.
Os autores, acima citados, ainda afirmam que em seu papel social, o professor tem a função de formar indivíduos conscientes e competentes, a fim de atuar num mundo em transformação a partir de um padrão sociocultural nacional rumo a uma sociedade global. Segundo esses autores, é nesse contexto que o processo educacional pode ser colocado na perspectiva da transmissão da informação.
Corroborando com essa reflexão, pode-se observar a seguinte afirmação:
O campo específico de atuação profissional e política do professor é a escola, à qual cabem tarefas de assegurar aos alunos um sólido domínio de conhecimentos e habilidades, o desenvolvimento de suas capacidades intelectuais, de pensamento independente, crítico e criativo. Tais tarefas representam uma significativa contribuição para a formação de cidadãos ativos, criativos e críticos, capazes de participar nas lutas pela transformação social. (LIBÂNEO, 1994, p. 22)
Ainda para este autor, o trabalho docente que se constitui no exercício profissional do professor é uma atividade fundamentalmente social, porque contribui para a formação cultural e científica do povo; tarefa indispensável para outras conquistas democráticas.
Cabe ao professor assumir, realmente, a função de transmitir o seu conhecimento, através de informações aos alunos, de tal forma que, estes ao se sentirem parte integrante do processo educativo, sejam capazes de receber aquelas informações, processá-las, assimilá-las e ao apreendê-las, transformá-las em conhecimento. No momento em que o aluno dispõe de liberdade para expor suas opiniões acerca de seus conhecimentos prévios, tendo suas dúvidas esclarecidas, fazendo seus questionamentos sobre o assunto, e construindo uma ponte entre o senso comum e a informação científica ora recebida, ele torna-se o sujeito da própria aprendizagem. Sendo portador de saberes e experiências que adquire em suas vivências, este aluno pode experimentar grandes transformações em suas estruturas cognitivas.
Voltando um pouco às reflexões no campo da Ciência da Informação, cabe ressaltar um termo cabível, explorado por Barreto (1996) que é o termo agregados de informação. Para o autor, as estruturas de informação são armazenadas ou estocadas no que ele denomina de agregados de informação. Estes agregados representam os diferentes estoques que as estruturas significantes de informação, disponíveis na sociedade, podem assumir, tais como, acervos de bibliotecas ou centros de informação/documentação, bases de dados ou estoques em qualquer outro meio eletrônico, redes de informação, ou até mesmo pessoas, que aqui no contexto estudado, podem ser representadas por professores. O autor apresenta como funções básicas de um agregado de informação, a função de produção da informação e a função de transferência da informação.
Ainda sob a ótica da Ciência da Informação, ao tratar do que se denomina saber ou conhecimento, Marteleto (1995) destaca que esse saber classifica-se e fragmenta-se em disciplinas que formam o currículo escolar, ressaltando a atuação do professor nas duas funções dos agregados de informação – de produção, enquanto estoque, e de transferência, enquanto agente. A autora considera a escola um espaço informacional por excelência e afirma, por conseguinte, que ao desenvolver sua atividade de magistério, o professor utiliza seus estoques de informação, acumulados através dos processos de formação e atualização profissional, objetivando promover a criação de conhecimento nos alunos.
Pereira e Freire (1998) consideram que, em seu papel social de facilitador da transmissão do conhecimento, o professor se coloca como um agregado de informação, um espaço existencial onde as funções de produção e de transferência da informação interagem para um tipo de atuação profissional que exige a busca regular de informação nas fontes disponíveis. Os autores afirmam que o professor assume um triplo papel informacional, quer sejam, emissor/produtor, mediador/canal e receptor/usuário da informação.
Ao considerar o triplo papel do professor, discutindo cada um deles, é notório que realmente o professor é um emissor/produtor de informações, pois, ao preparar suas aulas, seus materiais didáticos, textos, slides para apresentação de seus temas de aula, resumos de conteúdos, etc., ele está produzindo informação. Essa produção advém dos seus estoques de informação adquiridos ao longo de sua formação e atualização constantes. Como mediador/canal da informação, esse papel é ainda mais nítido. É ele quem media e dirige a aula, facilitando o aprendizado de seus alunos; essa é uma tarefa essencial na aprendizagem, pois, o entendimento por parte dos alunos vai depender de sua forma de ministrar os conteúdos. O professor precisa usar uma linguagem acessível e entendível aos seus alunos. Muitas vezes, nos deparamos com depoimentos de alunos, ao dizer que determinado professor sabe muito, mas não consegue repassar a sua informação de forma clara e transparente. Na função de receptor/usuário da informação, o professor precisa se manter em contato direto com as fontes de informação, atualizando suas aulas, fazendo um paralelo com o cotidiano dos alunos, e trazendo os assuntos atuais para debate em sala de aula. Essa necessidade de atualização por parte do professor, me faz lembrar do meu curso de graduação, quando tive um professor, de uma determinada disciplina, que tinha seus apontamentos de aula já amarelados pelo tempo, e não conseguia ministrar uma aula se não se orientasse por eles. Nos dias de hoje, isto ainda é uma realidade, embora seja lamentável uma situação dessas em plena sociedade da informação. Nesse caso, cabe um preocupante questionamento: Onde está a importância da atualização profissional para o professor?
Uma reflexão sobre essa questão pode ser proferida pelo pensamento de Silva (1996, p. 99-100) quando diz:
A formação contínua do professor é um processo que não pode ter um fim, considerando-se a natureza do trabalho pedagógico. Ser professor é assumir um compromisso com o conhecimento, com a cultura elaborada, renovando- a e renovando-se por meio dos diálogos travados com as novas gerações. Caso o professor pare de ler, de estudar, de interrogar, é bem provável que ele fique fora do seu tempo e, por extensão, fiquem também a sua escola e os seus alunos.
A atualização profissional, em qualquer que seja a área, é indispensável e, portanto, se torna inadmissível, em pleno século XXI, um profissional desatualizado, aquém das constantes mudanças e avanços científicos decorrentes da atual sociedade da informação. Logo, indiscutivelmente, o professor necessita de informações atuais em sua prática educativa, cotidianamente, de tal forma que contribua para a aprendizagem significativa de seus alunos.