C- İdareye İlişkin Bilgiler
II- Amaç ve Hedefler
Segundo Pernambuco e Silva, citados por Delizoicov (1994), a educação em Ciências sempre esteve vinculada ao desenvolvimento científico do país ou região, e ao desenvolvimento científico mundial. Historicamente, países com longa tradição científica, tais como Inglaterra, França, Alemanha e Itália, definiram cada um, com suas prioridades e inclinações, o que e como se deve ensinar Ciências, do nível elementar até o superior. Desde o século XVIII, esses países estabeleceram políticas nacionais tanto para a educação em geral como para o ensino de Ciências em particular.
No Brasil, comparativamente àqueles países, não possuímos aquela tradição científica. Além disso, a Educação no país, durante os séculos de colonização e império, caracterizou-se por privilegiar uma formação “bacharelesca” que praticamente excluía o conhecimento em Ciências Naturais, que já era contemplada na educação escolar de outros países, sobretudo europeus.
Em nosso país, o ensino de Ciências teve início somente a partir do século XX, ainda muito incipiente na sua primeira metade. Historicamente, o ensino de Ciências no Brasil pode ser analisado sob dois ângulos: o primeiro, de caráter interno, estrutural, vinculado à economia e política brasileiras; o segundo, de caráter externo, de ordem mundial, pautado, principalmente, pela comunidade científica internacional e pela formação de pesquisadores brasileiros em centros e instituições estrangeiros, associadas à destinação de recursos para a pesquisa e para o ensino, que também condiciona a evolução do ensino de Ciências.
2 Capítulo baseado em monografia apresentada ao Curso de Especialização em Tecnologia Educacional em
Ciências Naturais da Universidade Federal da Paraíba, intitulada “A aplicação do método lúdico criativo experimental em aulas de Botânica: um estudo de caso”, de nossa autoria, (OLIVEIRA, 2005).
Em nível interno, verifica-se que o ensino de Ciências só chega à escola elementar em função de necessidades geradas pelo processo de industrialização, ou seja: a crescente utilização de tecnologia nos meios de produção impõe uma formação básica em Ciências, para além da formação de técnicos oriundos das escolas chamadas profissionais. Verifica-se uma preocupação com o ensino de Ciências na escola primária do começo do século até 1920, época em que a economia do país era caracterizada por um modelo agrário-exportador, comercial e dependente, que provocou uma crescente urbanização. No entanto, a efetiva intervenção do Estado na educação fundamental somente se dá a partir da década de 50, época em que o país transitou para o modelo nacional-desenvolvimentista, com base na industrialização. A partir dos anos 70 é que se verifica o maior investimento de recursos oficiais no ensino de Ciências sob orientação inicial do novo modelo, o do “milagre” econômico brasileiro.
Quanto ao segundo nível de abordagem, tem-se a formação de pesquisadores no exterior e a participação de brasileiros em congressos internacionais sobre o Ensino de Ciências e, paralelamente, o financiamento direto de novas atividades no país, por órgãos estrangeiros, como o Banco Mundial, a Fundação Ford, a Agência Norte-americana para o Desenvolvimento Internacional e Organização dos Estados Americanos. Estabeleceram-se assim grupos e linhas de pesquisas na área, com cursos de pós-graduação em alguns centros e atividades diversos, enriquecidos e alimentados pelos professores e pesquisadores que inicialmente tiveram formação de quadros aqui no Brasil.
Com base nesses critérios, podem-se demarcar três épocas distintas na evolução do Ensino de Ciências no Brasil: do início do século até o final da década de 50; do final dos anos 50 ao início dos 70, e dessa época até nossos dias.
Do começo deste século, até o final da década de 50, o Ensino de Ciências é introduzido e desenvolvido sempre sob o parâmetro de outras disciplinas e do ensino tradicional: verbalização; aulas teóricas em que o professor explana o conteúdo, reforça as características positivas da ciência e da tecnologia, ignorando as negativas; conteúdo baseado na ciência clássica e estável do século XIX, com base em livros didáticos estrangeiros, sobretudo europeus e em relatos de experiências neles contidas, com eventuais demonstrações em sala, sempre para confirmar a teoria exposta. Este ensino visava, desde a escola primária, capacitar o estudante a prosseguir seus estudos até a sua formação no 3º grau. A população estudantil era elitizada e as escolas públicas definiam o padrão de qualidade em ensino, oferecendo-o para poucos. Estabeleceram-se também, escolas de formação profissional para indústria e comércio. Os cursos de Magistério, embora profissionalizantes, eram uma
extensão do ginásio público, destinados a futuras professoras pertencentes, em sua maioria, à elite. Destaca-se, neste período, o prestígio social e mesmo salarial de que desfrutavam as professoras primárias, com seu trabalho respeitado, principalmente por reproduzir conhecimento e formação de crianças, sobretudo das classes privilegiadas.
A partir do final da década de 50 surgem novas tendências, paralelamente a uma expansão da rede pública de ensino. O reflexo mais marcante deste período são os chamados “projetos de ensino de Ciências”, destinados ao ensino de 1ª a 8ª séries (principalmente de 5ª a 8ª) e mais fortemente ao 2º grau, nas áreas de Física, Química, Biologia e Geociências.
Esses projetos de ensino se caracterizavam, basicamente, pela produção de textos, material experimental e treinamento para professores, vinculados a uma valorização do conteúdo a ser ensinado. Assim, além de introduzir conteúdos fundamentais, abordados com metodologias mais modernas, os projetos tentavam suprir as deficiências de formação e o desconhecimento dos docentes em relação a essas novas técnicas de ensino por meio do próprio material, que trazia um auxílio de guias para o professor.
Três foram as principais tendências do ensino de Ciências nesse período: tecnicista, baseada em concepções oriundas da psicologia comportamental; caracterizou-se pelo uso de instrução programada, análise de tarefas, ensino por módulos, autoinstrutivos, com ênfase na avaliação; escola-novista, com preocupação excessiva em ensinar o “método científico” e o uso de uma abordagem “psicológica” dos conteúdos e valorizava as atividades experimentais, enfatizando o chamado método da redescoberta; ciência integrada, que, através de uma suposta integração entre as Ciências Naturais e excluindo as Ciências Sociais, chega quase ao esvaziamento completo dos conteúdos. Essa premissa firma-se na proposta de que o professor de Ciências precisa saber quase que unicamente usar os materiais instrucionais, não necessitando ter conhecimento seguro e relativamente profundo do conteúdo a ser ensinado. Esta tendência se refletiu em muitos cursos de formação de professores de Ciências criados em todo o país a partir da implantação das chamadas licenciaturas curtas, disseminadas por um grande número de escolas privadas.
A partir de meados da década de 70, os grupos de pesquisa em ensino de Ciências, estabelecidos em alguns centros, iniciaram uma reflexão sobre o trabalho já realizado na área e sobre variáveis não consideradas adequadamente. Entre elas, a preocupação com o desenvolvimento histórico do conhecimento científico e suas implicações no ensino, bem como os impactos sociais provocados por aquele conhecimento e, sobretudo, por suas aplicações tecnológicas com relação ao meio ambiente e ao homem. Atualmente pode-se afirmar que há uma evolução desta reflexão, bem como de algumas práticas já realizadas.
Novas tendências estão se delineando, embora seja prematuro classificá-las com relativa precisão, dada a sua contemporaneidade.