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Os coeficientes, indicadores e variáveis de avaliação das incubadoras perpassam pelo conceito de eficiência, que está relacionado à gestão dos recursos; pelo conceito de eficácia, que está relacionado ao grau em que são alcançados os objetivos de acordo com o planejamento realizado; pelo conceito de impacto, que se liga ao efeito causado na população ou na região; e, por fim, pelo conceito de pertinência, que é uma observação qualitativa acerca da solução proposta em relação aos problemas a serem resolvidos, ou seja, o coeficiente de pertinência é definido pela relação entre as soluções apresentadas e o contexto socioeconômico, político e cultural da região.

A ANPROTEC concede alguns indicadores de sucesso e evolução de uma incubadora, a saber: número de empresas graduadas; número de empresas graduadas com sucesso (empresas com mais de dois anos no mercado); número de empresas incubadas; número de postos de trabalho; número de pessoas treinadas; número de produtos apoiados; número de produtos aceitos no mercado; valor total dos impostos gerados pelas empresas incubadas; número de linhas de financiamento utilizadas; número de parcerias efetivadas; número de consumidores que demandaram pelos produtos da empresa; número de consumidores que foram atendidos; quantidade e qualidade dos serviços oferecidos; capacidade de inovação; número de patentes criadas pelas empresas incubadas; receita e investimentos; entre outros.

Somando-se a todos esses indicadores, tem-se a relevância científica e social das áreas de atuação.

O sucesso de todo o processo de incubação depende de uma somatória de fatores, sendo o papel exercido pelo profissional de administração um dos fatores preponderantes nessa somatória. Os conhecimentos e técnicas da área administrativa são essenciais nos processos de incubação para a interpretação de cenários, para a condução dos processos que lidam com inovações tecnológicas e para as experimentações de processos e ferramentas.

A ANPROTEC recomenda que o indicador de inovação de uma incubadora perpasse por questões, tais como: constante preocupação com a gestão tecnológica das incubadoras e empresas incubadas; capacitação da sua força de trabalho; preocupação com a qualidade dos serviços e produtos gerados; nível de investimentos realizados; constituição de cooperações que geram relação “ganha/ganha”, no sentido de minimizar custos e riscos do processo de inovação; diversificação dos produtos/programas; diversificação de fornecedores; relação cliente/fornecedor; e estratégias para introduzir inovação no mercado.

Conforme a abordagem feita, verifica-se que as incubadoras são caminhos ideais a serem percorridos pelas instituições modernas de ensino de cursos técnicos, de graduação e de pós-graduação, pois são fontes de desenvolvimento de competências e de criatividade. Elas têm complementado o ensino de empreendedorismo e apoiado de forma concreta o surgimento de novos empreendimentos, já que o sistema educacional não tem sido muito eficaz no preparo de indivíduos com iniciativas necessárias em decisões relativas a negócios, mas apenas para serem meros cumpridores de tarefas.

As discussões sobre as incubadoras de empresas inserem-se dentro da Sociologia do Trabalho, por fazerem parte de um contexto social em que se buscam saídas ao crescente desemprego. Elas são vistas como suporte ao surgimento de pequenas e médias empresas, ao desenvolvimento tecnológico e, é claro, à criação de oportunidades de trabalho qualificado. Sendo assim, aos que estão envolvidos em processos de incubação, é necessário que tal envolvimento não seja apenas intelectual, mas sim uma participação prática, no intuito de promover uma mudança de paradigmas e, por fim, uma mudança nas relações sociais.

Não se pode perder de vista o impacto socioeconômico e cultural no desenvolvimento local e regional promovido pelas incubadoras, principalmente, em relação à geração de emprego e renda e à mudança dos valores culturais das instituições, no que se refere à promoção da interação do ternário universidade-empresa-sociedade.

Outra questão a não se perder de vista pelas incubadoras é a da sustentabilidade ambiental, social e econômica. Produzir menos lixo, poluir menos, reciclar, aproveitar melhor os recursos naturais, preservar a biodiversidade, promover projetos de redução da desigualdade, gerar emprego e renda, dar suporte à qualificação profissional e promover a inclusão social são ações nas quais as empresas incubadas têm se destacado.

Destacam-se por apresentarem projetos inovadores e criativos, baseados, sobretudo, no conhecimento e na tecnologia. As empresas incubadas refletem a consciência da sustentabilidade no conjunto de seus produtos, em suas práticas gerenciais e no comportamento dos empreendedores: umas empresas estão buscando alternativas inteligentes para solucionar problemas vinculados à relação entre o ser humano e o meio ambiente; outras se preocupam com a funcionalidade, economia e sustentabilidade; outras se preocupam em inovar materiais; ou, além da inovação e dos lucros, preocupam-se com o bem estar das comunidades. A verdadeira responsabilidade social, que vai muito além da filantropia, deve orientar as atividades da empresa, da pesquisa científica e da gestão das instituições, tornando todos os atores corresponsáveis pelo desenvolvimento da sociedade.

O princípio condutor da gênese das incubadoras de empresas é o de desenvolver habilidades gerenciais em indivíduos empreendedores, aproveitando a vocação local ou regional, e apoiar empresas nascentes com informações científicas, tecnológicas, gerenciais e mercadológicas, desde seu nascimento até sua maturação e inserção no ambiente de competitividade local, nacional, ou mesmo, internacional. Esse apoio é possibilitado pelo estabelecimento de redes de cooperação institucional ou de arranjos formais e informais entre instituições ou pessoas. O que é proposto, nesta pesquisa, é fazer um estudo de caso da Nascente, incubadora de empresas do CEFET-MG, localizada na cidade de Belo Horizonte, observando aspectos para além dos políticos, gerenciais, operacionais e financeiros. Pretende- se, portanto, sinalizar seus aspectos sociais, levando-se em consideração que as incubadoras são experimentos com potencial indicativo de caminhos de transformação de realidades.

Benzer Belgeler