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MADDİ DURAN VARLIKLARIN MALİYET UNSURLARI

A central de triagem e o aterro de RCC foram instalados na mesma área em que existia a erosão mencionada no item anterior. De acordo com a Lei Municipal nº 13.691 (SÃO CARLOS, 2005), a qual institui o Plano Diretor do Município de São Carlos e dá outras providências, a área em estudo pertence à Macrozona Urbana do município.

Das divisões da Macrozona Urbana, a área em questão está situada na Zona 3A – Zona de recuperação e ocupação controlada, conforme apresentada o mapa da Figura 2.61.

Figura 2.61 – Zona de recuperação e ocupação controlada Fonte: SÃO CARLOS (2005)

Segundo a referida lei, em seu art. 32, a Zona 3A possui as seguintes características: encostas com alta declividade, solo suscetível a erosões com córregos assoreados, infraestrutura precária, parcelamentos irregulares e concentrações de população de baixa renda. O Art. 33 menciona que a Zona 3A deve promover a recuperação urbana, social e ambiental das áreas que a compõe (SÃO CARLOS, 2005).

Na porção nordeste da área da central de triagem existe uma APP - Área de Proteção Permanente, a qual faz parte do Parque Florestal Urbano. Portanto, de acordo com o Plano Diretor, é correto afirmar que parte da área em questão pode ser denominada de Área Especial de Interesse Ambiental. Segundo o Plano Diretor Municipal as Áreas Especiais de Interesse Ambiental são porções destinadas a proteger e recuperar os mananciais, nascentes e corpos d’água; a preservação de áreas com vegetações significativas e paisagens naturais

notáveis; áreas de reflorestamento e de conservação de parques e fundos de vale (SÃO CARLOS, 2005).

Por fim, a central de triagem e aterro de RCC se enquadravam no quesito “Dos Usos e Atividades Incômodas” como sendo CS 7 - 02 – Comércio ou Serviço Especiais: instalações para tratamento e disposições de resíduos de qualquer natureza inclusive oficinas de desmontes de veículos e depósitos de sucata. A referida classificação classifica essa área como de Uso Incômodo 2 (NR) – incompatível com o uso residencial, a qual deverá dispor das seguintes medidas mitigadoras:

 Execução de sistema de retenção dos despejos de óleo, graxas e gorduras, antes de serem lançados em rede pública, ao solo e/ou corpo d’água;

 Controle da atividade impedindo a emissão de material particulado para fora dos limites da propriedade;

 Controle da atividade impedindo a emissão de odores para fora dos limites da propriedade;

 Destinação adequada para os resíduos sólidos gerados pela atividade, sendo vedado dispô-los a céu aberto ou incinerá-los, em conformidade com a ABNT - NBR 10.004/2004;

 Implantação do número de vagas de estacionamento de acordo com legislação específica existente ou por meio de análise específica do setor competente da Prefeitura Municipal de São Carlos;

 Cumprimento a Lei Municipal n.º 7.379/74 e Decreto n.º 72/99, bem como das orientações dos órgãos públicos competentes;

 Atender a Lei Estadual 1817/78, que trata do controle da poluição atmosférica;  Atender o Decreto Estadual 8486/76, que trata do controle da poluição hídrica;  Executar muro de isolamento de no mínimo 2,5 m de altura, baias

compartimentadas para separação dos diversos tipos de sucatas estocadas e manter procedimentos de limpeza e controle de proliferação de insetos e roedores (ANEXO 09 – Texto 01 – SÃO CARLOS, 2005; grifo nosso).

A central de triagem e o aterro de RCC classe A foram inaugurados em 16/09/2006, com tempo previsto para operação do aterro de três anos. Segundo Lopes (2007), o projeto levou cerca de um ano e meio para sua conclusão, e começou sua operação apenas com a

Licença de Instalação Provisória aguardando obras exigidas pela CETESB para obtenção da Licença de Operação.

No estudo para projeto do aterro de resíduos da construção civil ficou estabelecida que somente os resíduos denominados classe A pela Resolução CONAMA nº 307/2002 poderiam ser dispostos neste local (MARQUES NETO e SCHALCH, 2004).

Segundo a PMSC (2011) a área total da central de triagem e aterro de RCC classe A é de 61.657 m². A Figura 2.62 apresenta a imagem aérea da central de triagem e do aterro de RCC classe A durante o período que estava em operação.

Figura 2.62 – Imagem aérea do aterro de RCC em fase de encerramento Fonte: Google Earth, 17 de nov. 2010 adaptada pelo autor.

No Anexo C é possível observar um croqui da área, no qual estão ilustrados os limites da disposição de resíduos e os limites da erosão – voçoroca.

Compondo a infraestrutura do local foi indicado construir uma guarita de entrada na área, um reservatório de água elevado, redes de água e esgoto, banheiros para as pessoas que trabalham no local, e galpão com 50 m² para triagem e estocagem de resíduos Classes “B”, “C” e “D”.

Segundo dados existentes no estudo de Marques Neto e Schalch (2004), o aterro foi projetado com uma área de 12.750 m² e volume de disposição na cava de 60.650 m³, o que segundo a NBR 15.113 (ABNT, 2004), classifica este como não sendo um aterro de pequeno

porte50. Assim, a referida normatização exige a construção de sistemas de monitoramento de águas subterrâneas, e monitoramento de águas superficiais, podendo este sistemas serem dispensados pelo órgão ambiental competente em função da condição hidrológica local (CÓRDOBA, 2010).

Atualmente, a área do aterro possui um sistema de monitoramento das águas subterrâneas composto por quatro poços tubulares, sendo um instalado a montante do aterro e três a jusante, conforme estabelece a NBR 15.113 (ABNT, 2004).

Para a operação da unidade foi adotada uma central de triagem e armazenamento, a qual consistia em selecionar “in loco” os resíduos. Para a triagem foi sugerida as operações de recepção, classificação e avaliação, as quais deveriam ser coordenadas pelo gerente de operações, e catadores de RCC (MARQUES NETO E SCHALCH, 2004).

Cabe informar que neste projeto de triagem ficou estabelecido que os recipientes, equipamentos, veículos autorizados e caçambas que contivessem um valor acima de 20% em volume de resíduos classificados como não sendo resíduos Classe “A” não poderiam ser recebidos na área. No caso de descarte errôneo de resíduos inadequados no local ficou acordado que a responsabilidade pela retirada dos mesmos fosse do transportador responsável.

Segundo consta no projeto para atender as determinações estabelecidas pelas NBR 15.112 e NBR 15.113 (ABNT, 2004) a central de triagem e o aterro de RCC Classe A só poderia aceitar os resíduos transportados por veículos que possuíssem guia devidamente preenchida, denominada pelas referidas normas de “Controle de Transporte de Resíduos” (CTR). Segundo as normas NBR 15.112 e NBR 15.113 (ABNT, 2004) o CTR é o “Documento emitido pelo transportador de resíduos que fornece informações sobre: gerador, origem, quantidade e descrição dos resíduos e seu destino, conforme diretrizes contidas no Anexo A”.

Na central de triagem e aterro de RCC foram previstas a construção de dispositivos de drenagem para garantir um correto escoamento da água superficial, e ainda a construção de drenos profundos em virtude de afloramentos de água no interior da cava. Vale ressaltar que neste estudo foi indicada a reformulação de projetos de captação de água e esgotos situados nas proximidades da cava, a fim de não prejudicar a operação da área.

50 A NBR 15.113/2004 caracteriza como de pequeno porte os aterros com área inferior a 10.000 m² e volume de

A Figura 2.63 apresenta o fluxograma elaborado no estudo para o sistema de triagem e reservação dos resíduos encaminhados ao local.

Figura 2.63 – Fluxograma do sistema de triagem dos resíduos e sua destinação Fonte: MARQUES NETO e SCHALCH (2004) adaptada por CÓRDOBA (2010)

Cava – Compartimento 2 e 3 Banco de Solos Cava – Compartimento 1 Comercialização (Cooperativa) ou Coleta Seletiva Reservação para Destinação Final Comercialização (Cooperativa) ou Destinação Final Comercialização (Cooperativa) ou Aterro Sanitário Resíduos Classe A Solo Vegetal e Solo Resíduos Classe B Resíduos Classe C Resíduos Classe D Resíduos Pneus, tacos, tecidos e RSD Comercialização (Cooperativa) ou Compostagem Resíduos de Poda e Capina Recepção/Controle e Classificação dos materiais - dos RCC Materiais inadequados ao projeto de recuperação proposto, que eventualmente possam estar contaminando os

demais resíduos contidos nos veículos ou caçambas ¹

Triagem do Material

O projeto ainda contemplou a necessidade de compactação do material, no qual foram recomendadas a remoção ou redução de tamanho de resíduos de maior volume como, vigas, pilares, rachão e grandes peças de concreto.

Durante a operação o projeto privilegiou a compactação do material por veículos e equipamentos de esteira com o desejável umedecimento da superfície, a fim de propiciar melhor acomodação da camada, e ainda reduzir a emissão de material particulado.

Segundo Córdoba (2010), no projeto da área os resíduos deveriam ser dispostos em 3 (três) compartimentos, sendo o primeiro compartimento – o qual constitui o corpo do aterro – por resíduos granulares e finos Classe A, e os dois outros compartimentos por material fino (solo ou solo orgânico), ou material selecionado (solo argiloso ou orgânico) respectivamente. Neste projeto, foram também previstos algumas emergências que poderiam ocorrer durante a operação, por exemplo, a constatação de que algum resíduo inadequado foi disposto na cava. Assim, o projeto estipulou que nesse caso os resíduos deveriam ser removidos pelos funcionários, e destinados a lugares que satisfaziam as condições de disposição final destes resíduos indesejáveis.

Este estudo ainda contemplou medidas de isolamento da área, de segurança no local, de segurança de trabalho e treinamento aos funcionários, e de prevenção à emissão de ruídos e material particulado (MARQUES NETO e SCHALCH, 2004).

Por fim, segundo Córdoba (2010), o estudo dos referidos autores adotou como medida de ocupação, após o preenchimento da cava, a implantação de uma área verde no local mediante o plantio de um bosqueamento esparso com árvores nativas, que fossem adequadas para as condições do local. Neste bosqueamento também foi recomendada uma forração com gramínea, a fim de evitar o carregamento do material, e o surgimento de novas erosões no local.

Segundo Córdoba (2010) o projeto da central de triagem e do aterro seguem as determinações estipuladas pelas NBR 15.112 e NBR 15.113 (ABNT, 2004), o que propiciou ao município um instrumento adequado de manejo dos RCC e reservação de resíduos de construção civil classe A para usos futuros, a luz das normatizações brasileiras.