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BÖLÜM 2: KĐTABÜ’L-ĐKRAR BÖLÜMÜNÜN LATĐNĐZESĐ VE KAYNAK

2.15. Madde 1586

O Vale do Paraíba paulista foi um importante corredor de circulação desde os tempos pré-coloniais e históricos (Caldarelli, 2004:1). Até hoje é usado como um importante eixo de ligação dos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. No entanto, a história indígena da região no período pré-colonial e próximo à entrada do elemento europeu abordada por algumas pesquisas etno-históricas apresenta lacunas e questões mal resolvidas (Caldarelli, op. cit; Reis, 1979). As pesquisas arqueológicas realizadas no Vale vêm ajudando a preencher e esclarecer algumas questões. Segundo indicam as pesquisas até pouco tempo a área havia sido ocupada por duas populações indígenas ceramistas pré-coloniais, ligadas as tradições arqueológicas: Aratu e Tupiguarani. Sítios arqueológicos e vestígios materiais da tradição Aratu foram registrados nos municípios de Aparecida do Norte (Camargo e Camargo, 1990), Natividade da Serra (Caldarelli et al., 2003), Caçapava (Caldarelli et al., 2003) e Jacareí (Bornal, 2000). A partir de datações absolutas obtidas no Sítio Caçapava 1, no município de Caçapava foi possível a confirmação da presença dessa população indígena por um período de

quase três séculos, entre o século XI e meados do século XV d.C (Caldarelli, 2003). Apesar de outras evidências da ocupação Aratu presentes em vários pontos do Vale, desde sua porção mais ao norte até o município de Jacareí, o único sítio datado até o momento é ainda o Caçapava 1.

Conforme informações dos pesquisadores, o Sítio Caçapava 1 parece ter-se revestido de especial significado simbólico para as populações indígenas, não apenas pelo elevado número de urnas funerárias, ali existentes, como pelo grande período de tempo de seu uso como cemitério. Com relação aos outros sítios localizados os dados são poucos, restringindo- se a notícias sobre escavações realizadas por arqueólogos amadores, em Aparecida, na década de 1960 (Camargo & Camargo, 1990) e ao registro de um outro sítio Aratu, no município de Natividade da Serra realizado durante uma visita feita pelos arqueólogos responsáveis pelas pesquisas arqueológicas na Rodovia Carvalho Pinto, a convite de pesquisadores do Museu Histórico de Taubaté.

Outras informações disponíveis são provenientes de estudos do sítio Light, situado às margens da represa, no município de Santa Branca (Bornal, 2000). Este sítio apresenta camada arqueológica de 30 centímetros. A presença de formas e de atributos típicos da tradição Aratu não deixa dúvidas quanto a sua filiação. Foram encontradas vasilhas esféricas com base cônica; cilíndricas de contorno infletido com base cônica, ovóides e semi-esféricas, bem como um cachimbo tubular. Além disso, aparecem, em porcentagens menores, fragmentos com decoração plástica corrugada, ungulada, pintura vermelha sobre branco indicando contato com grupos Tupi-Guarani, o que demonstraria ser este sítio mais recente que o Caçapava 1.

De fato, a ocupação Aratu representada pelo Sítio Caçapava 1, iniciada no século XI, não ultrapassa a primeira metade do século XV.

A ocupação tupiguarani do vale do Paraíba, de acordo com os dados disponíveis, parece ser mais recente, começando no máximo um século antes da chegada do colonizador europeu.

De acordo com González e Zanettini (1999: 93), o sítio tupiguarani Santa Marina, situado em Jacareí, dataria do século XV. Portanto, a população tupiguarani estaria adentrando o vale quando a população Aratu estava-se retirando. É possível que esta correspondência não seja uma coincidência, e que a saída da população Aratu tenha sido

provocada pela penetração Tupi, mas apenas pesquisas mais aprofundadas em outros sítios do Vale do Paraíba, tanto Aratu quanto Tupiguarani, poderão esclarecer a questão.

O Vale do Paraíba teve, provavelmente, uma extensa ocupação Aratu, distribuída por vários dos atuais municípios, e que, quando os primeiros portugueses lá penetraram as aldeias Aratu não mais existiam.

Mais recentemente, pesquisas arqueológicas realizadas para o licenciamento ambiental da Linha de Transmissão Tijuco Preto – Cachoeira Paulista II, levaram à descoberta de um outro sítio arqueológico indígena, não relacionado a nenhuma das duas tradições anteriormente descritas (Aratu e Tupiguarani). Esse sítio arqueológico, denominado Sítio Topo do Guararema, representa um fato novo no quadro acima esboçado. Situa-se em região serrana, habitat explorado pelos puri e guaru. Segundo os cronistas e estudiosos, essas sociedades indígenas, caracterizadas por uma alta mobilidade, não eram produtoras de cerâmica. A cerâmica registrada no sítio topo do Guararema é simples e não apresenta atributos nem da tradição Tupiguarani, nem da tradição Aratu. O material resgatado encontra- se em análise. É possível que tenha sido um assentamento guaianá, apesar da falta de dados etno-históricos sobre a confecção de cerâmica por essa população (Caldarelli et al., 2003; SCIENTIA, 2004).

Em termos cronológicos, as datações radiocarbônicas realizadas no laboratório Beta Analytic sobre amostras coletadas no sítio Topo do Guararema demonstram a presença desses indígenas na região ao menos entre 1.010 e 1.410 AD, ou seja, no mesmo período dos sítios Aratu anteriormente citados. A recente descoberta de outro sítio cerâmico similar ao sítio Topo do Guararema em suas proximidades, a cerca de 1 km em linha reta, o sítio Lagoa Jovem, implantado em local com as mesmas características geomorfologicas e topográficas, reforça o argumento d a longa permanência deste grupo na região.

Conforme Caldarelli (2004) tendo em vista que a cerâmica do Topo do Guararema é indubitavelmente uma cerâmica característica dos antepassados dos indígenas de língua Ge, historicamente registrados, as descobertas arqueológicas feitas até a presente data apontam para uma ocupação Gê em todo o Vale do Paraíba entre os séculos XI e XV de nossa era (Aratu ao Sul e Guaianá ao Norte), possivelmente adentrando o século XVI (como aponta o sítio Light), data em que os indígenas de língua Tupi teriam penetrado no vale.

Nessas áreas de solo ainda preservado devem ser buscados, como indicadores de antigos assentamentos, os bens culturais móveis deixados pelos antigos ocupantes do

território, em especial aqueles de maior durabilidade: objetos de pedra (lascada e polida) e de cerâmica. Tais objetos, que devem ter sido preservados em contextos deposicionais que permitiram seu soterramento, podem revelar ainda, através de escavações sistemáticas, estruturas que elucidem a organização do espaço interno aos sítios, indicativa de relações sociais a serem interpretadas pelos especialistas, além de fornecer informações valiosas sobre as práticas de captação de recursos de seus habitantes, no território de inserção do assentamento.

Levantamentos oportunísticos e coletas de informação da comunidade de Guararema realizadas durante esta pesquisa elucidaram outros dados para a arqueologia do município.

Na localidade da Freguesia da Escada foram levantadas informações sobre vestígios materiais existentes no em torno da Igreja Nossa Senhora da Escada e ruas anexas à praça localizada em frente à igreja. Segundo os senhores Luciano de Souza Marins e Antonio Palaci Filho, moradores a mais de 20 anos da localidade eram encontrados fragmentos cerâmicos e outros materiais no local sempre após chuvas fortes que lavavam o terreno. Posteriormente, na década de 1980 foi realizada uma reurbanização na área, uma das alterações efetuadas foi a colocação de aproximadamente 1,50 metros de aterro no local da praça. Na mesma ocasião, segundo os informantes foram achados fragmentos cerâmicos e uma lâmina de machado na esquina da rua Brasílio Leite Siqueira durante a pavimentação com paralelepípedo. Segundo o senhor Antonio Palaci Filho abaixo do paralelepípedo ainda existem materiais.As informações levantadas remetem provavelmente as camadas arqueológicas do aldeamento de Nossa Senhora da Escada, expostas pela erosão e alterações na topografia original do terreno. Associado provavelmente ao sítio arqueológico aldeamento da Freguesia da Escada está a ocorrência de uma pré-forma de lâmina de machado (Foto 15) encontrada durante a vistoria no terreno de propriedade do senhor Luciano de Souza Marins localizado na margem esquerda do rio Paraíba do Sul, a cerca de 300 metros da praça. Conforme o proprietário também foram encontrados no mesmo local, fragmentos cerâmicos.

Ainda no bairro Freguesia da Escada foram levantadas outras informações sobre cultura material remanescente do processo de ocupação histórica do município, como as estruturas arquitetônicas da antiga Cadeia da vila. Segundo a senhora Maria Santana, moradora a 30 anos no local, a parede construída em taipa de pilão ainda preservada em sua casa fazia parte da edificação da Cadeia (Foto 16). Também conforme dona Maria Santana, ao final da rua Pedro Mauro existia o antigo cemitério da localidade. Na vistoria realizada no local indicado,

a baixa visibilidade de solo dificultou a observação, mesmo assim foram encontrados fragmentos de cerâmica no acesso ao cemitério, na área interna forma localizados fragmentos de tijolos maciços e alguns túmulos bastante alterados. A senhora também informou sobre um antigo caminho existente atrás da rua Pedro Mauro, onde havia também uma bica, utilizada para lavar roupa. Hoje este caminho não existe mais, pois foram construídas casas no local.

Foto 14 – Vista parcial das ruas no em torno da praça da Igreja Nossa Senhora da Escada citas pelos senhores Luciano de Souza Marins e Antonio Palaci Filho. Foto 15 – Pré-forma de lâmina de machado encontrada no terreno de propriedade do sr. Luciano de Souza Marins. Foto 16 – Parede construída em taipa de pilão ainda preservada na esquina da rua Pedro Mauro, bairro Freguesia da Escada. Segundo a sra. Maria Santa a estrutura teria pertencido a edificação da antiga Cadeia da vila.

Em outras localidades do município foram encontras conforme o Professor Juca lâminas de machado polidas no bairro Ponte Alta e Lagoa Nova, entregues a ele por alunos. O professor também nos informou sobre a localização de cachimbos confeccionados com argila e três lâminas retiradas do rio Paraíba por de dragas. Estes materiais pertencem a uma

pequena coleção que é utilizada pelo professor durante suas aulas de história. Na entrevista realizada com a professora aposentada Maria Cecília Mendonça Meira, moradora a 22 anos em Guararema tivemos a oportunidade de registrar o achado de diversas contas decoradas de cerâmica que se assemelham a carimbos com uma variabilidade de desenhos geométricos. O material foi doado à professora por um aluno há aproximadamente 18 anos, a localização do achado é bastante imprecisa, no entanto sabe-se que possivelmente foi encontrado no bairro Vale dos Eucaliptos, localizado próximo ao centro da cidade. O pai do estudante identificou o material enquanto cavava um poço.

No início de 2005 foi localizado um sítio arqueológico, provavelmente pré-colonial na localidade do sítio dos quinze, contendo vestígios cerâmicos em superfície semelhantes aos localizados no sítio Topo do Guararema. O sítio Lagoa Jovem foi identificado por um ex- auxiliar de campo que prestou serviços na escavação do sítio Topo do Guararema (Jovino José Oliveira). O registro arqueológico foi encontrado a aproximadamente 1.200 metros do sítio Topo do Guararema, implantado em topografia semelhante.

3.6 Estruturação do Programa de Educação Patrimonial: possibilidades de