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BÖLÜM 2: KĐTABÜ’L-ĐKRAR BÖLÜMÜNÜN LATĐNĐZESĐ VE KAYNAK

2.12. Madde 1583

Do ponto de vista geológico-estrutural, a região de Guararema está situada no encontro de duas grandes zonas de falhamentos conhecidas como falhas de Taxaquara e Serra do Jambeiro. Tais alinhamentos tectônicos, de direção NE, em associação com falhamentos da região de Jacareí (falhas de Jacareí e São José e, possivelmente grandes fraturas perpendiculares), definem os principais condicionantes estruturais do alto-médio vale do Rio Paraíba do Sul. É justamente nesta região, que o rio altera drasticamente seu curso e passa a

20 Item retirado do Relatório Técnico de Resgate do Sítio Topo do Guararema. Scientia Consultoria Científica. São Paulo, agosto/2006.

correr em sentido inverso, ou seja, de NE-SW à SW-NE. A inversão do curso praticamente coincide com mudanças nas características geológico-sedimentares e geomorfológicas da bacia hidrográfica, principalmente se compararmos a área em questão, com os aspectos de formação do baixo vale.

Assim, a presença de morros cristalinos bordejando o rio Paraíba do Sul contrasta com os relevos de colinas sedimentares associados ao curso inferior, cujo substrato compõe à bacia sedimentar de Taubaté. Estas distintas associações acabam por definir compartimentos hidrográficos e paisagísticos próprios, sugerindo ainda, diversidade ecológica em termos florísticos, faunísticos e micro-climáticos. Tais aspectos precisam ser considerados nas análises arqueológicas de cunho regional, pois permitem definir sob o ponto de vista da ocupação humana, controles para o estabelecimento de inferências em termos de padrões de implantação e subsistência, incluindo a problemática relativa à presente pesquisa.

Um primeiro ponto a considerar refere-se à variação existente entre os compartimentos paisagísticos associados à bacia de Taubaté e os demais. O antigo ritfteamento dessa área permitiu uma deposição sedimentar espessa a partir do início do Cenozóico, criando um importante “corredor” de áreas colinosas em meio ao Planalto Atlântico. Do ponto de vista de ocupação humana esta área apresenta-se bastante favorável à implantação de assentamentos humanos, notadamente de grupos horticultores ceramistas e históricos. Suas características também permitem prever situações de preservação de registros arqueológicos devido à existência de planícies aluvionares mais extensas, e uma capacidade erosiva mais restrita aos canais fluviais. Por sua vez, presença de zonas de morros no entorno da bacia de Taubaté e de serrarias adjacentes a Baixada Litorânea, criam possíveis limites em termos de padrões de ocupação, considerando que tais áreas podem se traduzir como “barreiras compartimentais” naturais. No entanto, estas zonas de maior declividade e vales paralelizados são áreas potenciais em termo de mobilidade (acampamentos, áreas de caça-coleta, etc.) e deslocamento (rotas ou vias de migração).

Na área de Guararema, apesar do aspecto meandrante do rio Paraíba do Sul em alguns pontos, o curso obedece a um forte controle estrutural, assim como os padrões de drenagem, que seguem as direções de foliação, xistosidade, falhas e juntas. Apenas em alguns trechos, mais amplo e abertos, situados em geral nas margens convexas, é possível definir feições de construções tipicamente fluviais, tais como planícies de inundação, meandros abandonados e algumas evidências de migrações laterais do curso. O aspecto geral de calha, também reduz a

ocorrência de terraços mais antigos e extensos. Segundo os dados do IPT (1981), os terraços modernos ocorrem principalmente na parte superior do médio Paraíba do Sul. As implicações dessas condicionantes na paisagem são evidentes, com a formação de planícies restritas, vales encaixados e a incidência de corredeiras, entre outros. O domínio dos morros apresenta amplitudes médias de 100 a 300 metros com declividades médias a altas (acima de 15%). Formam cristas sinuosas e alongadas que acompanham os alinhamentos tectônicos e, conseqüentemente, a direção das principais drenagens. Esta conformação sugere, do ponto de vista arqueológico, a possibilidade de rotas migratórias através dos vales estreitos, mas também seguindo as extensas cristas.

Em contraste, na bacia de Taubaté, a paisagem muda significativamente, apresentando extensas planícies de inundação, antigos terraços e meandros abandonados. Os terraços fluviais, que bordejam as várzeas nesta área, se elevam em cerca de 3 a 8 metros acima do nível de inundação. Um aspecto importante refere-se ao registro de eventos de erosão- sedimentação holocênicos no médio vale do Paraíba do Sul, demonstrando a existência e importantes marcos estratigráficos com significado regional (Moura & Mello, 1991). Conforme Mello et al., (1995) destacam-se neste sentido: 1) a presença de um possível marcador do limite Pleistoceno-Holoceno, caracterizado como uma fase de formação de solos e sedimentação orgânica; 2) a presença de um episódio erosivo-deposicional no domínio das encostas e dos vales fluviais a partir de pelo menos 8.500 anos A.P. (não sendo possível identificar o intervalo temporal de duração) e 3) um novo episódio de sedimentação no domínio fluvial por volta de 1.000 anos A.P, provavelmente intensificado entre 200 a 100 anos pela ocupação humana na região.

As litologias predominantes correspondem a rochas granitóides e migmatíiticas, ambas associadas cronologicamente ao pré-cambriano superior (IPT, 1978; 1981). Em áreas mais distantes ocorrem ainda piroxênio-granulitos e rochas metadioríticas e metabásicas. São comuns ainda as intercalações, enclaves ou ocorrências de rochas calcossilicatadas, metassiltitos, filitos e quartzo-filitos, mica-xistos e talco-xistos, anfibolitos, quatzitos, metaconglomerados que podem indicar fontes para algumas matérias primas encontradas nos sítios arqueológicos.

O sítio arqueológico Topo do Guararema ocupa a parte superior e sub-plana de um morro elevado e alongado e está situado a cerca de 100 metros da margem esquerda do rio Paraíba do Sul. Nos limites e entorno imediato do sítio, sobressaem às encostas íngremes,

notadamente aquelas com a face voltada para o rio (Figura 4). Nas proximidades também

ocorrem morros com aspectos similares, porém, com topos mais restritos e cristas alongadas e sinuosas. Na margem oposta ao rio (margem direita), pode-se perceber o contato da planície aluvial, com terraços mais antigos e depósitos coluvionares. Os afloramentos rochosos estão dispostos, em geral, junto às margens do rio, em alfuentes e drenagens menores e nas cristas de alguns morros (predominam quartzitos). Também foram observados níveis de “paleopavimentos” detriticos (stone lines) sob a área do sítio e, nas encostas laterais, além da ocorrência de seixos rolados junto a uma drenagem atualmente seca. O solo apresentou coloração marrom avermelhado a rosado, sendo que localmente ocorreram níveis mais escuros, devido à presença de carvões ou camadas orgânicas. A textura variou de silto-arenosa a argilo-arenosa, com ocorrência de abundantes minerais prismáticos (ex. turmalinas), plaquetas de micas (muscovita) e grânulos de quartzo. O substrato geológico na área do sítio é composto por quartzo-filitos com variações mais ou menos xistosas.

Foto 8: Paisagem associada à implantação do sítio Topo do Guararema (circulo amarelo) nas proximidades do rio Paraíba do Sul (setas azuis), na confluência entre morros cristalinos e a planície aluvial.

Figura 4: Modelagem aproximada do relevo nas proximidades do sitio Topo do Guararema (tratamento gerado a partir de imagens do google earth).