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Mısır’ın Belli Başlı Tapınakları

B- ESKİ MISIR’DA ÖTE DÜNYA EVLERİ: TAPINAKLAR ve MEZARLAR

2- Mısır’ın Belli Başlı Tapınakları

Devido ao objetivo do nosso projeto e ao corpus56 que tomaremos em análise (a saber, LDs de italiano e inglês), nossa pesquisa se caracteriza no geral como qualitativa, contendo, contudo, alguns procedimentos quantitativos.

Ao estipular como objetivo de nosso trabalho a análise de determinados aspectos culturais57 em alguns LDs de inglês e italiano, nos deparamos com fenômenos cuja natureza complexa nem sempre é “adequada às medidas quantitativas” (MORSE apud CRESWELL, 2010, p.129), exigindo, portanto, uma abordagem predominantemente qualitativa, ou seja, uma abordagem que “visa a uma compreensão aprofundada e holística dos fenômenos em estudo e, para tanto, os contextualiza e reconhece seu caráter dinâmico” (FRAGOSO et alii, 2011, p. 67).

Segundo Miller (apud CRESWELL, 2010 p. 229-230), quando se fala em abordagem qualitativa, faz-se referência a um paradigma de pesquisa que se originou na antropologia cultural e na sociologia americana. Esse tipo de investigação visa o entendimento dos “significados que os indivíduos ou os grupos atribuem a um problema social ou humano” (CRESWELL, 2010, p.26), tratando-se de um processo em que o pesquisador extrai o sentido de um fenômeno social através de contrastes, comparações, catalogações e classificações do objeto de estudos. Nesse contexto, como nos lembram Fragoso et al. (2011, p. 67), “os elementos da amostra passam a ser selecionados deliberadamente, conforme apresentem as características necessárias para a observação, percepção e análise das motivações centrais da pesquisa”. Tal processo investigativo, portanto, atribui ao pesquisador, junto com sua história, suas crenças e seus ideais, um papel de importância fundamental que pode influenciar profundamente a maneira de interpretar os dados e os resultados subsequentes. Como escreveu Nagel (apud SANTOS, 1988, p.53), “o cientista social não pode libertar-se, no ato de observação,

56 O corpus será apresentado em detalhe na próxima seção deste capítulo

55 dos valores que informam a sua prática em geral e, portanto, também a sua prática de cientista”. Podemos dizer que, nas ciências sociais mais do que nas ciências naturais, os métodos qualitativos são hoje amplamente difusos e aceitos, visando à obtenção de “um conhecimento intersubjetivo, descritivo e compreensivo” (SANTOS, 1988, p. 53) em oposição ao “conhecimento objetivo, explicativo e nomotético” (ibid) proporcionado pelos estudos quantitativos.

Santos (1988), que defende a mudança em favor do paradigma qualitativo, acredita que, no caso das ciências sociais, muitas vezes o método quantitativo não é apropriado porque, na sua tentativa de transformar todos os dados em unidades contáveis, pode acabar reduzindo os mesmos à irrelevância e apresentar assim resultados distorcidos. O autor cita o caso, por exemplo, de cientistas sociais que tentaram entender o aumento da taxa de suicídios na Europa olhando para dados quantificáveis como sexo, idade, estado civil e número de filhos, ignorando os motivos que os suicidas registravam nas cartas. O autor conclui que as ciências sociais, diferentemente das naturais, são subjetivas e por isso pedem métodos epistemológicos diferentes, não objetivos mas subjetivos, não quantitativos mas qualitativos.

De acordo com Creswell (2010), nos métodos qualitativos o processo de análise de dados é muitas vezes comparado com o processo de descascar as camadas de uma cebola, devido ao fato de os dados serem analisados diversas vezes para se ir cada vez mais a fundo na compreensão dos mesmos. A parte qualitativa de nosso estudo também se desenvolverá de maneira semelhante: fizemos diversas análises do material, toda vez respondendo questões sobre as formas em que a cultura é representada no corpus selecionado, tentando ir cada vez mais a fundo na descrição e compreensão desse aspecto que, como descobrimos, não é sempre tão fácil de ser isolado e analisado.

Cabe aqui lembrar que, quando falamos em métodos qualitativos, o conceito de ‘validade’ não carrega as mesmas conotações que nos processos quantitativos, mas continua sendo de suma importância. Creswell (ibid.) menciona que, para que um estudo qualitativo tenha validade, é importante que os procedimentos utilizados para a extração e interpretação de dados sejam pormenorizadamente descritos. Nas próximas seções, em que trataremos das etapas de que se constituiu nosso estudo, iremos descrever com cuidado o processo de coleta de dados e no próximo capítulo, em que trataremos das análises de dados, iremos também elucidar nossas conclusões sob a ‘lente teórica’ (ibid.) que utilizamos como referência.

56 Contudo, como mencionamos anteriormente, nosso estudo não se baseia somente nos métodos qualitativos. De acordo com Fragoso et al. (2011), “questões complexas e universos heterogêneos (...) requerem observações em diferentes escalas de análise, bem como desenhos metodológicos que combinam diferentes estratégias de amostragem”. Sendo a dimensão cultural uma questão complexa, em nosso estudo decidimos combinar diferentes estratégias de amostragem, sendo parte delas levantamentos quantitativos e outra parte se constituindo de uma interpretação de cunho mais qualitativo. Segundo as autoras, há referências na literatura sobre os benefícios da combinação de métodos quantitativos e qualitativos na pesquisa, potenciando a validade de seus resultados (FRAGOSO et alii, 2011). Creswell (2010) é da mesma opinião e, em seu livro, defende a síntese dos dois métodos, que ele define como ‘métodos mistos’:

“A pesquisa de métodos mistos é uma abordagem da investigação que combina ou associa as formas qualitativa e quantitativa. Envolve suposições filosóficas, o uso de abordagens qualitativas e quantitativas e a mistura das duas abordagens em um estudo. Por isso, é mais do que uma simples coleta e análise dos dois tipos de dados; envolve também o uso das duas abordagens em conjunto de forma que a força geral de um estudo seja maior do que a da pesquisa qualitativa ou quantitativa isolada.” (CRESWELL e PLANO CLARK apud CRESWELL, 2010, p. 27, grifo do autor)

Creswell (ibid.) menciona diversas estratégias em que se pode utilizar a pesquisa de métodos mistos, dependendo do tempo em que os dados são coletados, do método que tem mais peso na pesquisa e do papel que a parte teórica desempenha na pesquisa. Em nosso caso, a estratégia que iremos utilizar é definida como ‘estratégia incorporada sequencial’(CRESWELL, 2010). Essa estratégia é ‘sequencial’ pelo fato de os dados serem coletados em fases diferentes ao longo da pesquisa e é ‘incorporada’ porque possui um método principal que guia a pesquisa (a saber, em nosso estudo, o método qualitativo) e um banco de dados secundário (coletado através da abordagem quantitativa) que serve de apoio. Tal estratégia é utilizada especialmente quando se pretende fazer uso do método secundário para responder questões da pesquisa diferentes daquelas respondidas pelo método principal. Nesse caso, os dados obtidos através do método secundário podem ser apresentados lado a lado com os outros resultados, proporcionando uma avaliação composta geral do problema, o que condiz com o nosso uso do método quantitativo. Quanto à parte teórica, é comum que uma teoria explícita seja utilizada nesse modelo, especialmente para informar o método principal, o que

57 também se aplica ao nosso caso já que a teoria apresentada vai sustentar a parte qualitativa do estudo.