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A- ESKİ MISIR’DA ÖLÜM VE ÖLDÜKTEN SONRAKİ HAYAT

4- Duat ve On İki Saat

Antes de passarmos às questões metodológicas propriamente, para melhor entender o próximo capítulo, definiremos em mais detalhe alguns termos técnicos.

Como vimos anteriormente, Moran (2001) considera cinco dimensões dentro de sua definição de cultura, a saber: produtos, práticas, perspectivas, comunidades e pessoas. Uma das dimensões culturais a ser analisada neste estudo diz respeito aos produtos culturais, ou seja, “formas tangíveis de fenômenos culturais, perceptíveis através dos cinco sentidos”52.(Moran, 2001, p. 49, tradução nossa). Os produtos culturais, de acordo com Moran (ibid.), podem ser divididos nos seguintes sub-grupos:

a) Artefatos, que os professores normalmente identificam como “realia”; b) Lugares, a

forma em que certa comunidade manipula o espaço em que vive, construindo casas, cidades, etc; c) Instituições, sistemas organizados que regulam as práticas entre os membros de uma comunidade, por exemplo a família, educação, religião, etc; d) Formas de arte, produtos complexos que incluem a língua e suas manifestações artísticas, assim como a música, a dança, a pintura, etc.

Os produtos são, por muitos aspectos, ligados às práticas culturais. Em seu livro, Moran (ibid.) nos dá uma visão panorâmica de como o tópico das “práticas culturais” tem sido abordado na literatura, chegando à conclusão de que todas as definições

“sustentam que existe nas práticas culturais tanto uma expectativa do contexto como uma expectativa da sequência em que elas ocorrem. Em outras palavras, práticas são organizadas e implementadas de forma pré- estruturada de acordo com as expectativas dos membros da cultura”53 (2001,

p. 59, tradução nossa).

Por constituírem um conceito relativamente complexo, Moran decide classificar as práticas culturais nos seguintes sub-grupos: a) Operações, como manipulamos os produtos culturais; b) Atos, práticas comunicativas rituais que corresponderiam aos ‘atos de fala’; c) Cenários, práticas comunicativas extensas que envolvem uma série de interações, operações, e atos; d) Vidas, histórias e biografias dos membros da cultura.

52 “tangible forms of cultural phenomena, perceptible through the five senses”

53“hold that there is both an expected set and an expected sequence to cultural practices. In other words,

practices are organized and implemented in preordained ways according to the expectations of members of the culture”

52 As ‘práticas culturais’ de Moran correspondem ao que Areizaga (2002) define como ‘conteúdo cultural procedimental’.

Como veremos nos próximos capítulos, parte de nosso trabalho será analisar as práticas como ‘cenários’. De acordo com Palmer, “cenários discursivos são imagens complexas de pessoas falando, escutando e respondendo, ou respondendo e reagindo enquanto desempenham papéis em contextos”54 (1996, p.170, tradução nossa), ou, na definição desenvolvida por Moran (2001, p. 59), cenários são “práticas desempenhadas em situações sociais específicas, envolvendo operações, atos e certas outras práticas específicas”55 (tradução nossa). Para Moran, parece que um conceito chave para a definição de cenário é o fato de se ter uma circunstância social e um ambiente definidos. Cenários podem ser tanto simples (p.ex.: comprar uma passagem, fazer uma entrevista de emprego, fazer um telefonema), como complexos (p. ex.: construir uma casa, instituir uma reforma, governar um país). No trabalho serão abordados cenários simples, normalmente presentes nos livros didáticos de LE, com o intuito de analisar como são apresentados, que comunidades são representadas neles e através de quais recursos. É então na análise dos cenários que iremos também abordar outras duas dimensões que caracterizam a definição de cultura de Moran: a das comunidades e a das pessoas.

Em nosso trabalho tentamos perceber também o que Moran (ibid) define como ‘perspectivas’ e Areizaga (2002), como ‘conteúdo atitudinal’. Apesar de as ‘perspectivas’ serem normalmente tácitas, elas podem ser tangíveis quando explicitadas de forma oral ou escrita, como, por exemplo, o caso do ‘Sonho Americano’. Essa perspectiva reflete a crença de que nos Estados Unidos qualquer pessoa pode adquirir riqueza e fama partindo do nada, crença essa que, por sua vez, se sustenta nos valores de igualdade, individualismo, conquista, competição e materialismo. Esses valores, que têm suas origens na história da comunidade, acabam influenciando as atitudes das pessoas que possuem esse background cultural. Podemos dizer que as perspectivas correspondem às razões pelas quais pessoas de certa comunidade se comportam de determinada maneira, e essas razões, que muitas vezes encontram suas explicações na

54 “sociais discourse scenarios are complex images of people speaking, listening and replying, or

otherwise responding and reacting as they play roles in social scenes.”

55“practices enacted in specific social situations, involving operations, acts and other sets of specific

53 história, são normalmente tácitas, mas podem ser expressadas de maneira tangível nos LDs.

No quadro a seguir, apresentamos as dimensões culturais definidas por Moran (2001), na tentativa de isolar seus aspectos mais importantes:

Quadro 2 – Descrição das dimensões culturais

Dimensão cultural Descrição

PRODUTOS Quais são os lugares, os artefatos, as instituições sociais e as formas de arte? PRÁTICAS O que as pessoas dizem e fazem? Como elas

agem e interagem entre elas? PERSPECTIVAS Quais são as percepções, crenças, valores e

atitudes subjacentes?

COMUNIDADES Que grupos participam direta ou

indiretamente?

PESSOAS Quais pessoas participam e qual é sua relação com o fenômeno?

No próximo capítulo iremos tratar da metodologia que seguimos em nosso trabalho com os LDs, na tentativa de levantar e interpretar as referências culturais neles representadas.

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