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MÜZİSYEN MARKA KİŞİLİĞİ OLUŞUMUNDA KULLANILAN DİJİTAL

A

análise da crise polí tica do Estado do Rio não pode dcillllT de lado a5 relaçócs de Alberto TOlTes com o govemo rederal. chefiado a partir de no­

vembro de 1898 por Campos Sales.

A

cisâo do PRF não se esgotou nas fronteiras do estado. e. a exemplo das contendas travadas entre facçóc:s oli· gárquicas em otltras unidades da redcraçâo. as partes em confronto no Es­ tado do Rio buscaram comprometer o SOvemo da Uniâo com suas posiçócs.

Dentro do contesfto da " polltica dos governadores", Alberto Torres iria ob­ ter o irrestrito apoio do novo presidente da República. para o que muito con­ tribuiu Nilo Peçanha.

Sucessivamente reeleito deputado federal a partir de 1890. Nilo Peçanha

participou da cisão do Partido Republicano Federal em 1897. mantendo-se

ao lado de Francisco Glicério em oposiçâo ao então presidente Prudente de:

Morais. Acusado de envolvimento na tentativa de assassinato do presidente ocorrida em novembro daquele ano."" refugiou·se no interior do Estado do

Rio para nâo ser preso, mas, com a decretação da anistia, voltou à Câmara

em junho de 1898. Nesse momento jã havia sido eleito para a presidência da República o então presidente de São Paulo e candidato oficial. Campos Sa­ les. derrotando o paraense Lauro Sodrê. apoiado pelos g1iceristas. A des­ peito de suas posições anteriores. Nilo Peçanllll logo aproximou-se do novo presidente. tomando-se em pouco tempo um de seus principais porta-vozes na Câmara.

Esta revirnvolta na trJ,jetória de Nilo Peçanha ê esfplicada por seus bió­ grafos pelo interesse que então começava a manifestar pelas questões eco­ oomÍt'as.·' A proposta de recupentÇão econômico-financeira do país defen­ dida pelo ministro da Fazenda de Campos Sales. Joaquim Murtinho. in­ cluindo a reduçâo dos gasto� públicos. o incremento da carga tributária. o controle central e o combate à inflação. encontrou em Nilo um partidário convicto. Endossando sem restriçõcs o plano econômico antipopulllr de Murtinho. Nilo reviu posições tomadas anteriormente. como o apoio à in· dustrialização durante o governo Floriano Peisfoto· e o combate ao aumento de impostos defendido por Prudente de Morais no final de seu mandato."

No plano utaduaJ. iniciado o governo de Alberto Torres. Nilo Peçanha não poderia ser considerndo um aliado do novo presidente do estado. de quem se havia afastado por oca5ião das eleiçõcs de 1896. Nos primeiros tempos. manteve-sc: assim na posição de atento observador da crise que se desenhava no interior do situacionismo." Sua aproxim!tÇoo com Alberto Torres iniciou-se efetivamente com a cisâo do PRF: Nilo teve participaçào destacada nas articulaçõcs 'lU(' se sucederam. tendo sido um dos redatores do manifesto apresentado â convenção de 23 de julho de 1889. em que foi fundado o PRRJ.u Do ponto de vista de Alberto TOTTCS, se durante o ano de 1898. quando as divergencias no interior do PRF ainda não se haviam explicitado. Nilo nâo representava um aliado de peso. com a cisâo partidiítia a situação mudou: seu papel agom era o de uma ponte importante elllre o governo estadual e a presidencia da República.

Por outro lado. lendo-se comprometido com 05 credores europeus desde a assinatura do Funding Loan. em junho de 1898, a realizar o saneamento

das finanças do país. Campos Sales temia que as rivalidades políticas inter­ nas genlssem um clima de instabilidade capaz de comprometer o êxito de seu plano ecollÓmico. Por isso mesmo. ao inidar seu mandato. pretendeu desenvolver uma política independente dos conflitos partidários. conside­ rando que as duas facções em que se havia dividido o Partido Republicano Federal - os ··republicanos·'. alinhados a Prudente de Morais, e os "con­ centrados" , aliados de Francisco Glicério - não conslituíam "partidos opostos. mas simplesmente ( ... ) facções rivais, que se haviam desagregado com objetivo no governo da República ...

As preocupações de Campos Sales aumentaram com a aproximação do

final da ten::eira Icgisl;lIura e a possibilidade de um eventual recrudescimento

das lutas nos estados. em virtude dos preparativos para P pleito de 31 de de­

zembro de 1899. Para evitar essas mutas. Campos Sales dirigiu-se direta­

mente aos chefes políticos estaduais mais importantes, e negociou com eles a modificação do regimento da Cámam no tocante ã fonnação da Comissáo de Verificaçào de Poderes. Na própria Câmarol dos Deputados. Nilo Peça­ nh ... Augusto Montenegro. do Pará. e Lauro Muller. de Santa Catarina. empenharam-se dedsivamente na refonoa do regimento."

A fónoula que até então havia nOTleado a constituição da Comissão de Verificação de Poderes detenninava que. " no início da instalação da nova Câmara [i.e., durante as scss.õcs preparatórias). o parlamentar mais idoso entre os presumidamente eleitos ocupa a presidência da casa, nomeando cinco deputados para decidir sobre a legitimidade dos mandatos dos de­ mais ... -t!I Com a refonoa. a presidência da Comissão de Verificação de Po­

deres passava às mâos do presidente da Câmara na legislatura anterior. o que garantia a continuidade da direção política. Outra alteração importante detenoinava que fosse entendido por diploma "a ata geral da apuração da eleição. assinada pela maioria da Câmara Municipal competente por lei para

apur.í-Ia ... Com isso, a luta em tomo da diplomação passava para o âmbito

do estado. favorecendo o situacionismo. uma vez que a facção oligárquica no poder contava com mais recursos para controlar as juntas apuradoras ....

A refonoa do regimento da Câmanl. foi aprovada em outubro de 1899 e representou uma peça fundamental para a efetivação do projeto político mais amplo de Campos Sales. que

fICaria

conhe<.:ido como a "política dos gover­ nadores". Segundo este "conjunto de nonnas e prnticas polílicas infor­ mais". em Iroca do apoio ao presidente da República. as facçõcs o ligárqui­ cas dominanles em cada estado recebiam deste apoio polftico, favores pes­ soais, obras públicas. etc. Garantindo a permanência e a consolidação dos grupos dominantes nos estados, a "política dos governadores" restringia por

outro lado as possibilidades de acesso ao poder das oposições, quer pela via eleitoral, quer pela Yiolência annada."

No Estado do Rio. o efeito imediato da " política dos goyernadores" foi o fortalecimento da facção de Alberto TolTeS. organiuda no PRRJ. e o au­ mento do prestrgio de Nilo Peçanha. cuja importância como aliado era aber­ tamente reconhecida pelo presidente do estado."

A cooperação de Campos Sales com o situacionismo numinense seria efeliYamente explicitada no inteio da sessão legislatiya de 1900, quando se

procedeu ao reconhecimento dos eleitos em dezembro de 1899. O pleito foi disputado pelo PRF, que apresentou um nome a menos em cada um dos cinco distritos eleitor.ais. num total de 12 candidatos.os e o PRRJ. que lançou chapa completa, com 17 nomes." Para o Senado, o PRRJ indicou Quintino Bocaiúya, que conCOJTeU com o ex-presidente estadual Mauricio de Abreu. lançado pela oposição."

Os primeiros resultados da eleição revelaram a nítida vantagem dos can­ didatos do PRRJ em todos os distritos. Como era de se esperar. a oposição denunciou a ocorrência de irregularidades." Em meados de abril de 1900, as vésperas das sessões preparatórias. os candidatos do PRF receberam o apoio de quase toda a bancada paulista. que. segundo Dunshee de Abran­ ches. teria deixado claro a Campos Sales seu empenho em que fosse conce· dido o terço aos " seus velhos amigos da oposição numinense ... C!lmro� Sales. por seu lado. em reunião com o presidente de São Paulo Rodrigues Alyes. afirmou que pretendia "reconhecer integralmente os candidatos da chapa Alberto Torres ... No final de abril. a Comissão de Verificação de Poderes da Cãmara reconheceu os diplomas de 16 deputados situacionistas e de apenas um oposicionista. No Senado, Quintino Bocaiúya teve seu di­ ploma reconhecido.

Ao mesmo tempo em que o PRF reivindicava a revisão do veredito da Comissão. a imprenb ligada ao partido colocava em questão a "política dos governadores", criticando abertamente o falO de o govemo federal colocar em pé de igualdade as diversas oposições estaduais. sem levar em conta seus pesos polílicos diferenciados." No inicio de junho. a discussão sobre o re­ conhecimento dos diplomas dos deputados federais numinenses chegou ao fim sem que o PRF tivesse sido atendido em suas pretensões. Foi apenas a partir desse momento que a sucessão de Alberto Torres ganhou espaço no debate político e no noticiário dos jornais. Temia-se que a eleição do novo presidente. marcada par ... 8 de julho de 1900. provocasse o recrudescimento

das hostilidades entre situação e oposição.

Benzer Belgeler