1. BÖLÜM
3.1. AFGANĠSTAN MÜDAHALESĠNĠN HUKUKSAL BOYUTU
3.1.1. AFGANĠSTAN MÜDAHALESĠNE GĠDEN SÜREÇ
3.1.1.2. Müdahale Öncesi Alınan Kararlar
Segundo os princípios metodológicos, a seleção das técnicas e instrumentos de recolha de dados depende sobretudo dos objetivos, bem como do modelo de an lise concebido para determinada investigação.
Assim, tendo em conta os objetivos do estudo, para técnica de recolha de dados, optou-se pela entrevista (semiestruturada) e análise documental. A opção pela entrevista como técnica de recolha de dados, deve-se ao facto desta adequar-se aos objetivos da investigação, uma vez que subjaz aos objetivos do estudo uma busca pela compreensão aprofundada da temática da conciliação trabalho-família e a entrevista é um dos métodos qualitativos que permite segundo Kvale (2007) obter descrições sobre o universo pessoal do entrevistado, permitindo interpretar o significado dos fenómenos relatados e a forma como são relatados; procura o conhecimento qualitativo expresso em linguagem corrente; procura obter descrições abertas sobre dimensões da vida do entrevistado; evita opiniões gerais, procura situações específicas; o entrevistador mostra- se aberto a fenómenos novos e inesperados, sem demonstrar expectativas; o entrevistador não é
rigidamente estruturado, nem completamente não-diretivo; a entrevista pode implicar insights24 no
entrevistado e constituir uma experiência enriquecedora; e o conhecimento obtido é produzido no decurso de uma situação de relação interpessoal.
Segundo Stake (2011), as entrevistas são usadas para vários propósitos, entre os quais constam: obtenção de informações singulares ou interpretações sustentadas pela pessoa entrevistada; coleta de uma soma numérica de informações de muitas pessoas ou descobrir sobre algo que os pesquisadores não conseguem observar por eles mesmos. A entrevista como meio de investigação, faz parte dos métodos de investigação qualitativa, como tal, a sua importância nos dias de hoje poderá ter a ver com novas preocupações da investigação nas Ciências Sociais e Humanas (Almeida e Freire, 2008). Refira-se ainda que, a entrevista é um método de recolha de informações que requer do investigador um espírito continuamente atento, de modo a que as suas intervenções tragam elementos de análise tão fecundos quanto possível (Quivy e Campenhoudt, 2008).
Para Quivy e Campenhoudt (2008), nas suas diferentes formas, os métodos de entrevista distinguem-se pela aplicação dos processos fundamentais de comunicação e de interação humana. Segundo os autores, corretamente valorizados, os processos de comunicação e de interação humana, eles permitem ao investigador retirar das entrevistas informações e elementos de reflexo muito ricos e matizados. Portanto, ao contrário do inquérito por questionário, os métodos de entrevista caracterizam-se por um contacto direto entre o investigador e os seus interlocutores e por uma fraca diretividade, permitindo um grau máximo de autenticidade e de profundidade por parte do interlocutor (Quivy e Campenhoudt, 2008). Estes autores apontam três objetivos da entrevista: (1º) análise do sentido que os atores dão às suas práticas e aos acontecimentos com os quais se veem confrontados (seus sistemas de valores, suas referências normativas, suas interpretações de situações conflituosas ou não, as leituras que fazem das próprias experiências); (2º) análise de um problema específico (os dados do problema, os pontos de vista presentes o que está em jogo, os sistemas de relações, o funcionamento de uma organização); (3º) a reconstituição de um processo de ação, de experiências ou de acontecimentos.
Quanto às vantagens, Quivy e Campenhoudt (2008) apontam duas vantagens principais do método de entrevista: (1) o grau de profundidade dos elementos de análise recolhidos; (2) a flexibilidade e a fraca diretividade do dispositivo que permite recolher os testemunhos e as interpretações dos interlocutores, respeitando os próprios quadros de referência (linguagem e as suas categorias mentais). No entanto, apesar das vantagens, existem também alguns limites e problemas no uso do método de entrevista. Em primeiro lugar, a flexibilidade do método pode intimidar aqueles que não consigam trabalhar com serenidade sem diretivas técnicas precisas, uma vez que, outros podem pensar que esta relativa flexibilidade os autoriza a conversarem de
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Descoberta súbita da solução de um problema, da estrutura de uma figura ou de um objeto percebido; visão compenetrada, perceção, discernimento, compreensão (Viçoso, 2005).
qualquer maneira com os interlocutores; e outro aspeto tem a ver também com o carácter pouco técnico da formação exigida não ajudar o investigador que tenciona pôr em prática este método a fazer uma estimativa correta do seu nível de competência na matéria (Quivy e Campenhoudt, 2008). Em segundo lugar, um outro aspeto fundamental, é o facto de a flexibilidade do método poder levar a acreditar numa completa espontaneidade do entrevistado e numa total neutralidade do investigador, ou seja, as formulações do entrevistado devem estar sempre ligadas à relação específica que o liga ao investigador, uma vez que, o investigador só pode interpretá-las validamente se as considerar como tal (Quivy e Campenhoudt, 2008).
Relativamente às entrevistas semiestruturadas, existe um esquema de entrevista (grelha de temas), mas a ordem pela qual os temas podem ser abordados é livre (Ghiglione e Matalon, 1993). Ou seja, as entrevistas semiestruturadas obedecem a um formato intermédio entre as entrevistas estruturadas (pretendem obter informação quantificável de um número elevado de entrevistados, com o objetivo de estabelecer frequências que permitam um tratamento estatístico posterior); e as entrevistas não estruturadas (desenvolvem-se em torno de temas ou grandes questões organizadoras do discurso, sem perguntas específicas e respostas codificadas) (Oliveira e Ferreira, 2014).
Portanto, para o presente estudo foi elaborado um guião de entrevista semiestruturado com 6 dimensões que incidem nas práticas organizacionais, em particular as de gestão de recursos humanos que a empresa integra e que potenciam a conciliação da vida profissional, familiar e pessoal, nomeadamente: caraterização da empresa; departamento de recursos humanos; práticas organizacionais; políticas e práticas de conciliação trabalho-família; a importância do contexto na adoção de prática de conciliação; e a percepções sobre NGP (Nova Gestão Pública) e RH no contexto público (ver apêndice 2- p.90). A construção do guião decorre da revisão da literatura sobre o tema, tendo em conta o rigor cient fico necess rio ao n vel da formulação das perguntas, escolha do vocabulário e construção da frase, buscando garantir clareza e simplicidade para uma maior compreesão por parte do interlocutor (entrevistado).
A entrevista foi realizada no final do mês de abril do ano em curso e teve como participante uma empresa (adiante designada por Empresa H) representada pelo responsável dos recursos humanos (entrevistado). Inicialmente, o investigador voltou a fazer uma breve contextualização da temática em análise; abordou questões sobre a confidencialidade e anonimato do participante e apresentação do consentimento informado. Deu-se início a entrevista, que durou cerca de 1h: 21m, tempo suficiente que permitiu reunir grande parte da informação relevante para a investigação. Entretanto, o entrevistado disponibilizou-se ainda para eventuais contatos futuros que fossem necessários para esclarecimentos. E assim foi, manteve-se contacto durante o processo de análise dos dados. Para assegurar a confidencialidade e anonimato do entrevistado, o seu nome foi omitido ao longo da apresentação dos dados, sendo identificado como “ ” correspondente a entrevistado empresa H).
Quanto ao método de análise documental, segundo Quivy e Campenhoudt (2008) do ponto de vista da fonte, pode tratar-se de documentos manuscritos, impressos ou audiovisuais (leis, estatutos e regulamentos, atas, publicações). Adequados para a análise de: (1º) fenómenos macrossociais, demográficos, socioeconómicos; (2º) análise das mudanças sociais; análise da mudança nas organizações; (3º) estudo das ideologias, dos sistemas de valores e da cultura. Relativamente às vantagens, destaca-se a economia de tempo e dinheiro, pois permite ao investigador consagrar o essencial da sua energia à análise propriamente dita (Quivy e Campenhoudt, 2008). Desvantagens: a impossibilidade de acesso aos documentos; numerosos problemas de credibilidade e de adequação dos dados às exigências da investigação, revelam-se como principais limitações no uso deste método, levando em certos casos o investigador a renunciar a este método já no decurso da investigação (Quivy e Campenhoudt, 2008).
Deste modo, constituem as fontes secundárias do presente estudo, no que diz respeito as técnicas de recolha de dados, os documentos disponibilizados no site da empresa, que conforme relembra Mendes num estudo orientado por Marques, permitem ultrapassar eventuais quest es de confidencialidade por terem um car ter p blico e de acesso relativamente fácil. Apesar de ter sido solicitados outros documentos complementares, por exemplo o Balanço Social, a empresa alega que apenas podia facultar acesso informação que estivesse disponível no site. Portanto, al m do
website da empresa H foram analisados os seguintes documentos: relatório e contas; relatório de
conclusões e recomendações; relatório de contratualização; e o relatório sobre a igualdade. Faltou o balanço pois não estava disponível ao público (no site) e como tal não foi facultado.
Salienta-se que, os documentos consultados não são referenciados na bibliografia com o objetivo de salvaguardar os termos de confidencialidade e anonimato da empresa participante.